sexta-feira, abril 30, 2010
Um homem que conquistou uma miríade de mulheres torna-se diferente. O mundo e a vida afiguram-se-lhe manejáveis – qualquer coisa que cederá facilmente ao seu magnetismo. Onde nos outros tremelica a insegurança, nele habita uma indestrutível confiança; onde nos outros há uma rigidez de ideias, conceitos e categorias mentais, nele há um ecletismo, uma aceitação branda do Outro, uma amplitude elástica do espírito... porque, no fundo do fundo do fundo, naquilo que sustenta o que sustenta os atómos do osso do coração do seu ser, ele sabe que a resistência de qualquer mulher aos seus encantos é sempre um fingimento, uma artificialidade – um mero jogo de tempo e paciência. Há sempre um caminho para chegar ao coração de uma mulher. Só é preciso descobri-lo. E trilhá-lo. Ninguém escapa à sua teia.
quinta-feira, abril 29, 2010
O preconceito é a forma mais agressiva de violência e a manifestação mais abstrusa de tolice. A diferença suscita a desconfiança, já se sabe; e o culto da brutalidade nasce dessa espécie de insegurança em si mesmo, própria de quem, afinal, se julga ou se deseja excluído. O preconceito provoca, em todos os sectores, não só o sentimento profundo de incapacidade de saber, como a quebra irreparável dos laços sociais.
Baptista-Bastos
Baptista-Bastos
quarta-feira, abril 28, 2010
terça-feira, abril 27, 2010
segunda-feira, abril 26, 2010
domingo, abril 25, 2010
sábado, abril 24, 2010
- Acredito na transmigração ou metempsicose da alma. Acho que já fui tudo. Rei e mendigo. Temos de passar por todas as coisas na nossa caminhada espiritual. Para perdermos o medo, o fascínio e a ignorância em relação às coisas, temos de as conhecer - de as viver. Já experienciei o melhor e o pior. E tu também. E nós todos também. Por isso, relativizo muito as categorias que atribuímos às pessoas. O rico de ontem é o sem-abrigo de amanhã na América. O homem equilibrado de ontem é o maluco de hoje. O saudável de ontem é o doente de hoje. Percebes? São tudo estados transitórios... De modo que não vale a pena ficarmos muito inchados de nós próprios nem muito lamentosos. Nada é algo para sempre.
- Ò Angel, tens de perceber que ter uma namorada é o melhor antídoto para a solidão. Por exemplo, resolve logo aquele problema de ter de fazer convites para ir ao cinema, ou para ir a um sítio de que se gosta, esse exercício desgastante para evitar a solidão. Porque tens de perceber que há pessoas - como eu - que não gostam, que não conseguem fazer as coisas sem uma companhia, sem uma testemunha desse momento, uma pessoa para se trocar umas palavras sobre o que se viu ou sentiu... É triste viver tudo para dentro.
sexta-feira, abril 23, 2010
O George Clooney sai do carro com a sua namorada e um arrumador de carros, escanzelado e imundo, atira-lhe:
- I´m fucking with her. You are the only person who doesn´t know. She loves me.
Acham que ele lhe responde aflito, que lhe bate, que nega o que ouve e se defende:
- No! She loves me! And i love her. That´s a lie! You are a fucking liar!
E acham que depois vai confrontar a mulher?
Ter noites insones a revirar-se na cama com pesadelos do arrumador a amantizar-se com a sua namorada?
Tudo isso não acontece. E só aconteceria se ele se sentisse menos do que o outro.
Muitas vezes, confundimo-nos e não percebemos as pessoas. Trocamos as coisas e lemos tudo ao contrário.
Achamos por exemplo que um homem que reage violentamente quando o atacam está seguro de si.
Achamos por exemplo que um homem que responde a qualquer provocação é alguém com uma personalidade forte.
Ou que o homem que não permite que nenhum homem se meta com a sua mulher, é muito másculo - não passa de um ciumento, inseguro e com complexos de inferioridade.
- I´m fucking with her. You are the only person who doesn´t know. She loves me.
Acham que ele lhe responde aflito, que lhe bate, que nega o que ouve e se defende:
- No! She loves me! And i love her. That´s a lie! You are a fucking liar!
E acham que depois vai confrontar a mulher?
Ter noites insones a revirar-se na cama com pesadelos do arrumador a amantizar-se com a sua namorada?
Tudo isso não acontece. E só aconteceria se ele se sentisse menos do que o outro.
Muitas vezes, confundimo-nos e não percebemos as pessoas. Trocamos as coisas e lemos tudo ao contrário.
Achamos por exemplo que um homem que reage violentamente quando o atacam está seguro de si.
Achamos por exemplo que um homem que responde a qualquer provocação é alguém com uma personalidade forte.
Ou que o homem que não permite que nenhum homem se meta com a sua mulher, é muito másculo - não passa de um ciumento, inseguro e com complexos de inferioridade.
OTriunfo do Trash
Numa entrevista à revista Ler, Vasco Pulido Valente afirmou que uma das coisas de que menos gosta no mundo hodierno é o triunfo do trash. Fiquei a ruminar no assunto, parecia que VPV tinha verbalizado algo que eu já tinha em mim mas que nunca... coisificara mentalmente, digamos.
O trash cresce por todo o lado. Nos livros, por exemplo.
Entre 1450 e 1500, publicavam-se 250 livros por ano. A bibliografia total da história da humanidade cifrava-se em 35 000 títulos, um número bem escasso para algumas bibliotecas actuais. Em 1952, já se publicavam 250 obras mil por ano. Hoje em dia, publica-se um livro a cada trinta segundos. Não se trata apenas de uma evolução em proporção do crescimento populacional; a publicação de livros quintuplicou o crescimento populacional.
Céline dizia que todos tínhamos histórias para contar, mas que muito poucos possuíam a arte para as escrever. Hoje, qualquer um se considera apto para escrever livros. É o trash...
Se olharmos para uma banca de jornais e revistas, também aí veremos a hiperabundância do trash: crimes com pormenores sórdidos, a vida afectiva das figuras públicas, os famosos da treta; numa palavra, o trash.
Olhemos, por último, para a Internet. Aí, o trash é colossal. Nem falo tanto da blogoesfera, até porque a habito, e da qual Pacheco Pereira afirma só 1% interessar, nem falo sequer da Wikipédia e dos 60% de erros factuais; falo, antes, dos espaços de opinião pública nos jornais de referência nacional.
Vou ao site do Público on-line, há uma notícia que tem trezentos e não sei quantos comentários. Acreditam que me dou ao trabalho de os ler e que são raríssimas as excepções ao trash. A esmagadora maioria diz que todos os políticos são uns corruptos, que faz falta um Salazar, insulta aqui, agride acoli, desqualifica o interlocutor mas não desmonta o argumento. Palavra que às vezes não me consigo situar, rever num só opinador.
Mudo para o Jornal de Negócios, leio a crónica do Baptista-Bastos e na parte dos comentários só leio vitupérios, o despejar de ódio gratuito, porque ele é senil, é comuna... Cito o mais recente à data que escrevo:«já ninguem lhe liga nenhuma...os seus escritos cheiram a naftalina...vá-se lavar...pulha» O que é isto? Uma coisa vos garanto: não é a excepção, é a regra nestes meios. Vejam por vós.
A democratização do direito à opinião é um bem inestimável que a Internet trouxe. Mas a benigna ideia de que todos podemos dizer tudo sobre tudo acarretou consigo uma ilusão: a de que todos temos conhecimento para opinar sobre tudo. Aristóteles dizia que para opinarmos sobre algo, deveríamos primeiro saber tudo sobre esse assunto, não podendo deixar escapar o mais ínfimo grão de informação, e seguidamente reflectirmos imenso sobre todos os ângulos, para depois maturarmos lentamente uma opinião.
O nosso tempo parece ter saltado essa parte.
O trash cresce por todo o lado. Nos livros, por exemplo.
Entre 1450 e 1500, publicavam-se 250 livros por ano. A bibliografia total da história da humanidade cifrava-se em 35 000 títulos, um número bem escasso para algumas bibliotecas actuais. Em 1952, já se publicavam 250 obras mil por ano. Hoje em dia, publica-se um livro a cada trinta segundos. Não se trata apenas de uma evolução em proporção do crescimento populacional; a publicação de livros quintuplicou o crescimento populacional.
Céline dizia que todos tínhamos histórias para contar, mas que muito poucos possuíam a arte para as escrever. Hoje, qualquer um se considera apto para escrever livros. É o trash...
Se olharmos para uma banca de jornais e revistas, também aí veremos a hiperabundância do trash: crimes com pormenores sórdidos, a vida afectiva das figuras públicas, os famosos da treta; numa palavra, o trash.
Olhemos, por último, para a Internet. Aí, o trash é colossal. Nem falo tanto da blogoesfera, até porque a habito, e da qual Pacheco Pereira afirma só 1% interessar, nem falo sequer da Wikipédia e dos 60% de erros factuais; falo, antes, dos espaços de opinião pública nos jornais de referência nacional.
Vou ao site do Público on-line, há uma notícia que tem trezentos e não sei quantos comentários. Acreditam que me dou ao trabalho de os ler e que são raríssimas as excepções ao trash. A esmagadora maioria diz que todos os políticos são uns corruptos, que faz falta um Salazar, insulta aqui, agride acoli, desqualifica o interlocutor mas não desmonta o argumento. Palavra que às vezes não me consigo situar, rever num só opinador.
Mudo para o Jornal de Negócios, leio a crónica do Baptista-Bastos e na parte dos comentários só leio vitupérios, o despejar de ódio gratuito, porque ele é senil, é comuna... Cito o mais recente à data que escrevo:«já ninguem lhe liga nenhuma...os seus escritos cheiram a naftalina...vá-se lavar...pulha» O que é isto? Uma coisa vos garanto: não é a excepção, é a regra nestes meios. Vejam por vós.
A democratização do direito à opinião é um bem inestimável que a Internet trouxe. Mas a benigna ideia de que todos podemos dizer tudo sobre tudo acarretou consigo uma ilusão: a de que todos temos conhecimento para opinar sobre tudo. Aristóteles dizia que para opinarmos sobre algo, deveríamos primeiro saber tudo sobre esse assunto, não podendo deixar escapar o mais ínfimo grão de informação, e seguidamente reflectirmos imenso sobre todos os ângulos, para depois maturarmos lentamente uma opinião.
O nosso tempo parece ter saltado essa parte.
quinta-feira, abril 22, 2010
quarta-feira, abril 21, 2010
Hobbes vs. Rosseau
- Os homens são bons.
- Os homens são maus.
- São bons, são bons.
- São maus; tudo o que eles fazem é sempre em interesse próprio. E se eles não tiveram coacções, medo das consequências, a liberdade do homem conduziria à selva. Porque no coração do homem habita o egoísmo voraz.
- São bons. Simplesmente o impacto da destruição é mais forte do que o da criação, mas a criação é a constante do homem. Os laços, a harmonia, isso tudo é invisível, mas é a teia do seu dia-a-dia.
- São maus. Numa situação extrema de guerra ou de carência, os princípios do homem bom ficam na gaveta.
- Os homens maus, todos eles, no fundo, no fundo, no fundo, têm a bondade lá no fundo a debater-se por entre o peso das rejeições, do ressentimento, do abandono, dos sonhos frustrados.
- Os homens são maus.
- São bons, são bons.
- São maus; tudo o que eles fazem é sempre em interesse próprio. E se eles não tiveram coacções, medo das consequências, a liberdade do homem conduziria à selva. Porque no coração do homem habita o egoísmo voraz.
- São bons. Simplesmente o impacto da destruição é mais forte do que o da criação, mas a criação é a constante do homem. Os laços, a harmonia, isso tudo é invisível, mas é a teia do seu dia-a-dia.
- São maus. Numa situação extrema de guerra ou de carência, os princípios do homem bom ficam na gaveta.
- Os homens maus, todos eles, no fundo, no fundo, no fundo, têm a bondade lá no fundo a debater-se por entre o peso das rejeições, do ressentimento, do abandono, dos sonhos frustrados.
5000.º post
Receita de mulher envenenada
A adulteração do texto do autor na edição de um livro é grave em prosa e gravíssima em poesia. Num poema, uma palavra a mais ou a menos pode desabar todo o edifício de tessitura e ritmo que o poeta laboriosamente construiu. Quando o poeta é um dos maiores na sua língua e a poesia em causa uma das mais lidas, estamos perante uma mutilação no património linguístico. Neste caso, a portuguesa.
O livro
Vinicius de Moraes 2009 – O operário em construção, Leya.
Os erros
«Em tudo isso (ou então que a mulher se socialize elegantemente em azul como na República Popular Chinesa [Falta fechar o parêntesis e colocar o ponto final]
«Lembrem um verso de Eluard [Éluard]»
«Seja leve como um rosto [palavra original: «resto»] de nuvem: mas que seja uma nuvem»
«Gravíssimo [é] porém o problemas das saboneteiras»
«A mulher que se alteie em cálice, e que os [artigo definido acrescentado] seus seios sejam uma expressão greco-romana»
«Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal. [ponto de exclamação no original]»
«No entanto [falta vírgula] sensível à carícia em sentido contrário [falta ponto final]»
«Discretos. A pele [falta «deve»] ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face»
«Os olhos [falta vírgula] que sejam de preferência grandes»
«E de rotação pelos [pelo] menos tão lenta quanta a da terra [Terra];»
«Ou [falta vírgula] caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.»
«e cante sempre o inaudível canto A [Da] sua combustão»
«Transforme-se em fera sem perder a [artigo definido acrescentado] sua graça de ave;»
«e não deixe de ser nunca a eterna dançarina Do efémero [falta ponto e vírgula] e eu [«em» em vez de «eu» desloca o sentido da frase da mulher para o sujeito poético] sua incalculável imperfeição. [não tem ponto final] Constitua a mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.»
Adverte-se, assim, o leitor que adquirir o livro de bolso da colecção BIS da Leya de que a receita de mulher está com os ingredientes trocados.
A adulteração do texto do autor na edição de um livro é grave em prosa e gravíssima em poesia. Num poema, uma palavra a mais ou a menos pode desabar todo o edifício de tessitura e ritmo que o poeta laboriosamente construiu. Quando o poeta é um dos maiores na sua língua e a poesia em causa uma das mais lidas, estamos perante uma mutilação no património linguístico. Neste caso, a portuguesa.
O livro
Vinicius de Moraes 2009 – O operário em construção, Leya.
Os erros
«Em tudo isso (ou então que a mulher se socialize elegantemente em azul como na República Popular Chinesa [Falta fechar o parêntesis e colocar o ponto final]
«Lembrem um verso de Eluard [Éluard]»
«Seja leve como um rosto [palavra original: «resto»] de nuvem: mas que seja uma nuvem»
«Gravíssimo [é] porém o problemas das saboneteiras»
«A mulher que se alteie em cálice, e que os [artigo definido acrescentado] seus seios sejam uma expressão greco-romana»
«Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal. [ponto de exclamação no original]»
«No entanto [falta vírgula] sensível à carícia em sentido contrário [falta ponto final]»
«Discretos. A pele [falta «deve»] ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face»
«Os olhos [falta vírgula] que sejam de preferência grandes»
«E de rotação pelos [pelo] menos tão lenta quanta a da terra [Terra];»
«Ou [falta vírgula] caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.»
«e cante sempre o inaudível canto A [Da] sua combustão»
«Transforme-se em fera sem perder a [artigo definido acrescentado] sua graça de ave;»
«e não deixe de ser nunca a eterna dançarina Do efémero [falta ponto e vírgula] e eu [«em» em vez de «eu» desloca o sentido da frase da mulher para o sujeito poético] sua incalculável imperfeição. [não tem ponto final] Constitua a mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.»
Adverte-se, assim, o leitor que adquirir o livro de bolso da colecção BIS da Leya de que a receita de mulher está com os ingredientes trocados.
terça-feira, abril 20, 2010
Sócrates dizia que o ensino da música era a primeira coisa em que se deveriam industriar os jovens.
Porque a música permite distinguir o belo do feio, o bom do mau, em função daquilo que é adequado ou inadequado ao ritmo. A música permite mais facilmente ao homem detectar as falhas no mundo, proporciona uma comunhão com o belo, o que lhe atenua a propensão para a fealdade e o mal.
Porque a música permite distinguir o belo do feio, o bom do mau, em função daquilo que é adequado ou inadequado ao ritmo. A música permite mais facilmente ao homem detectar as falhas no mundo, proporciona uma comunhão com o belo, o que lhe atenua a propensão para a fealdade e o mal.
segunda-feira, abril 19, 2010
Não o via há... mais de 15 anos (aquela baliza temporal que marca a memória com ele foi há pelo menos quinze anos).
Ele na altura era um rapaz muito cristão. No melhor sentido da palavra. Humílissimo, devoto, compassivo.
Hoje faz trafulhices para ganhar a vida.
Olhei para ele, pasmado. Onde estaria o seu coração de oiro? O que o teria afogado, soterrado? Que podridão lhe entrou pelos olhos adentro, tão forte que lhe contaminou as artérias do coração?
Eis o meu próximo livro.
Ele na altura era um rapaz muito cristão. No melhor sentido da palavra. Humílissimo, devoto, compassivo.
Hoje faz trafulhices para ganhar a vida.
Olhei para ele, pasmado. Onde estaria o seu coração de oiro? O que o teria afogado, soterrado? Que podridão lhe entrou pelos olhos adentro, tão forte que lhe contaminou as artérias do coração?
Eis o meu próximo livro.
Tenho uns vizinhos (amoráveis, por sinal) que de cada vez que se cruzam comigo dizem:
- Ai, nós gostávamos era de morar aqui.
Oiço esta conversa há mais de uma década.
Nada os prende ao sítio onde moram. Estão, até, reformados. Podiam morar aqui, onde dizem que gostariam. Mas não o fazem. E lamentam-se de não o fazerem.
Há tantas pessoas assim. Que se aprisionam. Que mutilam os sonhos. E que ainda se queixam dos sonhos mutilados por elas.
É a barreira que nos impede? Aquele conjunto-inextricável-de-invisíveis-coisas-que-nos-empurra-para-outro-lado-que-nenhum-plano-ou-vontade-podem-domar? Ou é apenas a falta de vigor que se aplica ao puxar a corda dos sonhos? O que será apenas a necessidade que o ser humano tem de se queixar, porque, admitamo-lo, não haveria nada mais enfadonho do que a plena realização dos nossos sonhos?
- Ai, nós gostávamos era de morar aqui.
Oiço esta conversa há mais de uma década.
Nada os prende ao sítio onde moram. Estão, até, reformados. Podiam morar aqui, onde dizem que gostariam. Mas não o fazem. E lamentam-se de não o fazerem.
Há tantas pessoas assim. Que se aprisionam. Que mutilam os sonhos. E que ainda se queixam dos sonhos mutilados por elas.
É a barreira que nos impede? Aquele conjunto-inextricável-de-invisíveis-coisas-que-nos-empurra-para-outro-lado-que-nenhum-plano-ou-vontade-podem-domar? Ou é apenas a falta de vigor que se aplica ao puxar a corda dos sonhos? O que será apenas a necessidade que o ser humano tem de se queixar, porque, admitamo-lo, não haveria nada mais enfadonho do que a plena realização dos nossos sonhos?
- Há um individualismo excessivo nos dias de hoje. Antes, era normal as pessoas por exemplo irem de carro para o trabalho e no carro irem duas ou três ou quatro ou cinco. Conheço pessoas que moram ao lado umas das outras, que podiam ir juntas à mesma hora para o trabalho, mas vai cada uma por si. A fraternidade... A família por exemplo. Os filhos querem sair o mais depressa possível de casa, ter casa, carro, telemóvel, net, tv cabo e estão-se nas tintas para o resto. Eu venho de uma família que sempre viveu em casa dos pais e foi-se aglomerando e comprando a casa ao lado, e aumentando a casa. Eu também quero viver na casa dos meus pais que é dos meus avós também e ter aqui os meus filhos. Uma família alargada que vai crescendo... É bonito. Eu penso assim.
- Uma vez uma amiga minha disse-me que era impossível numa relação ao fim de muitos anos uma mulher não se ter sentido uma ou duas vezes atraída por um homem. Pelo menos, pensou ao conhecer um ou outro: «Se não tivesse comprometida, aqui estaria um bom partido.» Tu já te sentiste atraída por quem?
- Ninguém.
- Diz a verdade.
- Já disse.
- Essa não é a verdade.
- Não tou a ver...
- Ah, já estás a pensar aí numa hipotesinha.
- Não, não estou.
- A questão é: se eu te deixasse agora, tu não ias ficar o resto da tua vida sozinha, pois não?
- Não.
- Ok, então existe aí alguém que para ti é namorável?
- Não penso nisso. Está bloqueado.
- Desbloqueia isso e pensa lá um pouco... Estou a ver que já te lembraste de alguém! Eu conheço-o?
- Tás maluco ou quê?
- O Dinis?
- Nada disso...
- O Pedro?
- O Pedro, por favor...
- Diz quem foi.
- Não foi ninguém.
- Quem é menos ridículo do que o Pedro ou o Dinis, então? Diz lá uma hipótese que não seja disparatada.
- Se te digo, vais ficar a pensar nesse nome.
- Vês, sempre havia um!
- Mas não há!
- Então diz só quem era menos ridículo, menos improvável do que o Pedro e o Dinis.
- Mas... mas como é que... tu queres que eu... se não há...
- Diz dois nomes então que não fossem impossíveis.
- Não digo.
- Então, são todos impossíveis?
- Não.
- AH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! - os olhos injectaram-se de vermelho. - Diz-me então! É melhor para ti!
(silêncio)
- Diz!
- Ninguém.
- Diz a verdade.
- Já disse.
- Essa não é a verdade.
- Não tou a ver...
- Ah, já estás a pensar aí numa hipotesinha.
- Não, não estou.
- A questão é: se eu te deixasse agora, tu não ias ficar o resto da tua vida sozinha, pois não?
- Não.
- Ok, então existe aí alguém que para ti é namorável?
- Não penso nisso. Está bloqueado.
- Desbloqueia isso e pensa lá um pouco... Estou a ver que já te lembraste de alguém! Eu conheço-o?
- Tás maluco ou quê?
- O Dinis?
- Nada disso...
- O Pedro?
- O Pedro, por favor...
- Diz quem foi.
- Não foi ninguém.
- Quem é menos ridículo do que o Pedro ou o Dinis, então? Diz lá uma hipótese que não seja disparatada.
- Se te digo, vais ficar a pensar nesse nome.
- Vês, sempre havia um!
- Mas não há!
- Então diz só quem era menos ridículo, menos improvável do que o Pedro e o Dinis.
- Mas... mas como é que... tu queres que eu... se não há...
- Diz dois nomes então que não fossem impossíveis.
- Não digo.
- Então, são todos impossíveis?
- Não.
- AH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! - os olhos injectaram-se de vermelho. - Diz-me então! É melhor para ti!
(silêncio)
- Diz!
domingo, abril 18, 2010
sábado, abril 17, 2010
Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os outros são extensões do corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões da vista; o telefone é extensão da voz; temos o arado e a espada, extensões do braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Jorge Luis Borges
Jorge Luis Borges
- Para Marx, a burguesia era quem detinha os meios de produção e o proletariado quem vivia da sua força de trabalho. Mas isso hoje tem de mudar. Então o gajo que tem uma florista que tira cem contos por mês é mais burguês do que o trabalhador Ronaldo que ganha duzentos mil contos por mês? O Ronaldo é explorado? É à luz de Marx, porque lucram com ele e lhe roubam a mais-valia. Mas em que regime comunista é que ele com ou sem mais-valia, ganharia o que ganha?
- Esses homens que evoluiram espiritualmente deixaram os seus eus para trás. Eu também queria deixar o meu sendo mendigo. Sim, porque a carreira não interessa nada. Esses seres que ascenderam espiritualmente estão-se a borrifar para esses ministros, essas carreiras, esses acomodados. Vêem-nos como a uns pobres diabos. Porque o caminho deo desenvolvimento espiritual é o do autoconhecimento e esses títulos, isso são tudo máscaras! Compreende? O próprio nome que temos é uma máscara. Há tempos toquei à campainha e perguntaram-me: «Quem é?» E eu: «O André.» Não, pensei, isso é o nome porque me tratam, eu sou lá o André...
- Oh pá, mesmo os marxistas sabem que a cultura é burguesa. Não há cultura proletária. A cultura vem da burguesia. E é natural porque para criar, primeiro é preciso ter a barriga cheia. E o berço é muito importante na formação do gosto, da sensibilidade cultural e artística. O Lenine, o Marx, o Cunhal... eram todos de família da burguesia! Todos! Já o Estaline não era... e, claro, isso é que marcou a diferença. Um boçal, um homicida, um homem rude, sem berço...
sexta-feira, abril 16, 2010
Ela adora o Nicolau Breyner. Reconheço nele algum charme.
Só não gosto do seu machismo incrustado.
Não deixa sair para a discoteca as filhas antes dos dezoito anos. Mas os filhos podem.
Não usa cremes. Não é coisa de homens, dizia-lhe o avô.
É um paradigma que está em desagregação.
Felizmente.
Porque não há mal nenhum em usar cremes. Nenhum estudo científico alguma vez demonstrou que eles emasculam. A única coisa que fazem é manter a pele limpa, revitalizando-a e combatendo o envelhecimento.
Há tempos uma mulher disse:
- A primeira coisa que reparo num homem é na pele.
Pior: quem tem preconceitos em usar cremes, não se sente muito seguro da sua masculinidade. É esse o segredo mais mal guardado dos machistas exibicionistas.
Há pouco tempo li uma entrevista de um célebre psiquiatra português que dizia que lia as pessoas ao contrário: quando alguém garantia que era muito inteligente é porque não estava seguro da sua inteligência.
Só não gosto do seu machismo incrustado.
Não deixa sair para a discoteca as filhas antes dos dezoito anos. Mas os filhos podem.
Não usa cremes. Não é coisa de homens, dizia-lhe o avô.
É um paradigma que está em desagregação.
Felizmente.
Porque não há mal nenhum em usar cremes. Nenhum estudo científico alguma vez demonstrou que eles emasculam. A única coisa que fazem é manter a pele limpa, revitalizando-a e combatendo o envelhecimento.
Há tempos uma mulher disse:
- A primeira coisa que reparo num homem é na pele.
Pior: quem tem preconceitos em usar cremes, não se sente muito seguro da sua masculinidade. É esse o segredo mais mal guardado dos machistas exibicionistas.
Há pouco tempo li uma entrevista de um célebre psiquiatra português que dizia que lia as pessoas ao contrário: quando alguém garantia que era muito inteligente é porque não estava seguro da sua inteligência.
Elisa. Há três anos que não o vê, mas sonha com ele todos os dias de olhos acordados ao lado do marido quando se deita.
Hélder. À noite, no meio da família que criou, às vezes invade-o a ideia de que a verdadeira família dele é a outra mulher que não vê há mais de um ano.
Rita. Há oito anos que mantém relação dupla com o outro do estrangeiro. Entretanto, casou e engravidou, mas quando a noite cai, ela olha para a janela, esperando que ele regresse do estrangeiro montado num cavalo alado.
Hélder. À noite, no meio da família que criou, às vezes invade-o a ideia de que a verdadeira família dele é a outra mulher que não vê há mais de um ano.
Rita. Há oito anos que mantém relação dupla com o outro do estrangeiro. Entretanto, casou e engravidou, mas quando a noite cai, ela olha para a janela, esperando que ele regresse do estrangeiro montado num cavalo alado.
quinta-feira, abril 15, 2010
quarta-feira, abril 14, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
domingo, abril 11, 2010
Belas, belas palavras
magnificar
verbo transitivo
tornar magnífico; exaltar; engrandecer; glorificar
(Do lat. magnificáre, «exaltar»)
verbo transitivo
tornar magnífico; exaltar; engrandecer; glorificar
(Do lat. magnificáre, «exaltar»)
sábado, abril 10, 2010
- A culpa não é da crise, a culpa não é do país. Não é dos meus amigos, da minha mulher, dos meus pais, do meu vizinho insuportável do andar de cima, não é dos políticos corruptos, não é dos imigrantes, não é da polícia, não é do Sócrates, nem do Paulo Portas, não é sequer dos ricos nem das multinacionais, nem dos desonestos nem dos patrões sem escrúpulos nem dos trabalhadores ociosos, nem dos que fogem aos impostos. A culpa é minha.
sexta-feira, abril 09, 2010
Sermos contemporâneos do nosso próprio tempo é algo que parece fácil - mas não é. Tudo, de resto, o dificulta: as palavras que herdamos e aquelas que aprendemos dificilmente conseguem apanhar a proliferação de inovações que constantemente se nos oferecem. As histórias que nos contam e os conceitos que nos ensinam resistem mal ao embate com a realidade, cujos aspectos inesperados e insólitos se multiplicam. As imagens que nos cercam impõem um regime de fascínio generalizado, que prende tanto a atenção como bloqueia a compreensão - seja de personalidades, de acontecimentos ou de factos.
De tudo isto resulta a generalizada desorientação do nosso tempo: ideologias, filosofias, religiões, todos os sistemas de referência se tornaram descartáveis, opcionais, deixando os indivíduos entregues ao culto mais ou menos narcísico de si próprios, fragilizados e atordoados face a um mundo que parece ter apenas um traço claro e constante - o da sua permanente mudança.
Manuel Maria Carrilho
De tudo isto resulta a generalizada desorientação do nosso tempo: ideologias, filosofias, religiões, todos os sistemas de referência se tornaram descartáveis, opcionais, deixando os indivíduos entregues ao culto mais ou menos narcísico de si próprios, fragilizados e atordoados face a um mundo que parece ter apenas um traço claro e constante - o da sua permanente mudança.
Manuel Maria Carrilho
quinta-feira, abril 08, 2010
Leo Trese faz as perguntas essenciais:
Será um homem apenas um acidente biológico? Será a existência da raça humana apenas um estádio aleatório de uma evolução cega e sem propósito? Será que o que precede o nascimento de um homem é o nada, a escuridão e a ausência e será que o que lhe sobrevem à morte é o nada, a escuridão e a ausência infinitas?
Será um homem apenas um acidente biológico? Será a existência da raça humana apenas um estádio aleatório de uma evolução cega e sem propósito? Será que o que precede o nascimento de um homem é o nada, a escuridão e a ausência e será que o que lhe sobrevem à morte é o nada, a escuridão e a ausência infinitas?
- Quando tinha doze anos, perguntei a um padre: Senhor Padre, como é que Deus é omnisciente e ao mesmo tempo nos dá o livre-arbítrio? Se ele sabe o que eu vou escolher amanhã e para o ano, porra então está tudo escrito e eu sou uma marioneta... Sou uma personagem do livro que alguém escreveu. Ele respondeu-me que Deus sabia, mas Deus não era a causa. Eram coisas diferentes... Como o metereologista que anuncia o tempo para os dias seguintes, mas que não é o responsável por ele... Isto da fé é tudo muito complexo porque de facto não é lógico que estejamos neste mundo num breve intervalo de anos em que as únicas coisas garantidas são fornicar, defecar, respirar, comer, urinar. Não é acreditar ou não acreditar. É ilógico que andemos aqui a aprender, a lutar, a viver para um dia tudo desaparecer para sempre. Porra, não faz sentido. Mas claro que quando alguém diz que acredita na vida depois da morte, há sempre uma voz interior que lhe diz: «Olha que pode não haver.» E quando alguém não acredita, há um murmúrio: «Olha que pode haver.»
quarta-feira, abril 07, 2010
- Há orações orientais que eu leio e... entro dentro de uma roda - fez um gesto com a mão. - Entende? Sempre fui uma pessoa que se interrogou. Já aos oito anos ia para a praia sozinho e dizia: Eu vou comigo. Ia num diálogo interior. Isso hoje perdeu-se. O homem está mais disperso. Eu frequentava tertúlias e lembro-me de que em 1957 quando surgiu a televisão, a malta foi deixando de ir às tertúlias... Claro que depois com computador, etc... as tertúlias morreram. O diálogo interior vai estiolando e a escrita reflecte-se disso porque escrever é deitar para fora aquilo que você amassa cá dentro.
- O homem deixou de ser gregário, de viver em comunidade, o homem passou a ver o homem como um adversário. O século XXI vai ser o século dos afrontamentos sociais. Já começaram... São os tipo nas esquinas com a faca a dizer: dá cá a carteira. Vão crescer até isto se tornar uma guerra. Uma nova forma de guerra.
terça-feira, abril 06, 2010
segunda-feira, abril 05, 2010
- Elas tão comigo quando e como eu quiser. Quando quero uma coisa, quero-a. Tem de ser. É esta a minha filosofia com elas. É a minha atitude, sei o que quero, sei o que digo e digo o que quero e penso. Jantares e flores para as comer? Por amor... já as comi todas, não preciso disso, elas é que precisam disso comigo. É por isso que tou com quem eu quiser. E vêm para cá gajos com demagogias... se eles tivessem as minhas oportunidades, não faziam o mesmo? Oh pá, eu já comi tanto... e de tudo... que elas é que têm de me pagar para eu as foder. E elas sabem umas das outras e sabes que mais? Ficam engalfinhadas e ainda querem mais um gajo!
domingo, abril 04, 2010
Miguel Esteves Cardoso escreveu que os portugueses compensam a sua pobreza material com o facto de se arrogarem «bilionários morais».
Quem nunca se deparou com eles?
Aquele indíviduo que nunca fez nada e que do fundo das suas frustrações cobre de rótulos como corrupto, ditador, imoral todo aquele que tem poder ou dinheiro. A inveja não é por acaso a última palavra d´Os Lusíadas.
Quem nunca conheceu o espécime?
Criticam, criticam, criticam. Mas e tu o que fazes? «Ao menos, sou sério. Sou honesto.» Mas e o que fizeste para mudar as coisas? «O quê, com estes canalhas? Não tenho estomâgo.»
Nunca falham. São impedidos de. «Era uma voz incómoda. Sim porque a mim ninguém me cala.»
Cada um dá aquilo de que mais precisa, alguém me disse um dia. Deve ser por isso que estes amargurados dão tantos conselhos.
Quem nunca se deparou com eles?
Aquele indíviduo que nunca fez nada e que do fundo das suas frustrações cobre de rótulos como corrupto, ditador, imoral todo aquele que tem poder ou dinheiro. A inveja não é por acaso a última palavra d´Os Lusíadas.
Quem nunca conheceu o espécime?
Criticam, criticam, criticam. Mas e tu o que fazes? «Ao menos, sou sério. Sou honesto.» Mas e o que fizeste para mudar as coisas? «O quê, com estes canalhas? Não tenho estomâgo.»
Nunca falham. São impedidos de. «Era uma voz incómoda. Sim porque a mim ninguém me cala.»
Cada um dá aquilo de que mais precisa, alguém me disse um dia. Deve ser por isso que estes amargurados dão tantos conselhos.
sábado, abril 03, 2010
sexta-feira, abril 02, 2010
A Ele que foi crucificado
Querido irmão, o meu espírito dirige-se ao teu,
Não te preocupes por muitos dos que pronunciam o teu nome não te compreenderem,
Eu não pronuncio o teu nome mas compreendo-te.
Menciono-te com alegria, camarada, saúdo-te e saúdo os que te acompanham desde então, e também os que virão amanhã,
Para que juntos transmitamos o mesmo encargo e legado,
Nós, um pequeno grupo de iguais, indiferentes às terras, indiferentes aos tempos,
Nós que reunimos todos os continentes, todas as castas, nós que aceitamos todas as teologias,
Compassivos, receptivos, narradores dos homens,
Caminhamos em silêncio entre as polémicas e as afirmações, sem rejeitar os polemistas nem nada do que afirmam,
Ouvimos os gritos e as vociferações, chegam-nos as disputas, os ciúmes, as recriminações
Que se atiram peremptoriamente sobre nós e nos rodeiam, camarada,
Mas continuamos desligados e livres a nossa viagem sobre a Terra, deixando a nossa marca indelével no tempo e nas eras,
Até saturar o tempo e as eras, para que os homens e as mulheres das futuras gerações possam ser fraternais e amantes como nós.
Walt Whitman
Não te preocupes por muitos dos que pronunciam o teu nome não te compreenderem,
Eu não pronuncio o teu nome mas compreendo-te.
Menciono-te com alegria, camarada, saúdo-te e saúdo os que te acompanham desde então, e também os que virão amanhã,
Para que juntos transmitamos o mesmo encargo e legado,
Nós, um pequeno grupo de iguais, indiferentes às terras, indiferentes aos tempos,
Nós que reunimos todos os continentes, todas as castas, nós que aceitamos todas as teologias,
Compassivos, receptivos, narradores dos homens,
Caminhamos em silêncio entre as polémicas e as afirmações, sem rejeitar os polemistas nem nada do que afirmam,
Ouvimos os gritos e as vociferações, chegam-nos as disputas, os ciúmes, as recriminações
Que se atiram peremptoriamente sobre nós e nos rodeiam, camarada,
Mas continuamos desligados e livres a nossa viagem sobre a Terra, deixando a nossa marca indelével no tempo e nas eras,
Até saturar o tempo e as eras, para que os homens e as mulheres das futuras gerações possam ser fraternais e amantes como nós.
Walt Whitman
- Uma questão que eu tenho para vos colocar há muito tempo e que não a coloquei ainda porque toca num ponto demasiado sensível - que é a auto-assunção de algum racismo que todos temos - é perguntar-vos o que vocês acham de haver uma afinidade natural com as pessoas que partilham, grosso modo, os nossos traços físicos. Eu sou moreno e magro e perguntou-me até que ponto quando estou com morenos e magros, não sinto isso como uma afinidade inconsciente. Vou mais longe: se calhar, se estiver só entre louros de pele branca, vou sentir que tenho algo diferente, e que eles se sentem unidos por traços que eu não tenho e que estão até nos meus antípodas genéticos. Nunca vos aconteceu este tipo de afinidades físicas? Pensem, por exemplo, em ruivas, negras, indianas... Nós nunca conseguimos ser equidistantes das diferentes etnias, por exemplo, em matéria de atracção sexual. Há quem prefira louras, há quem se excite particularmente com africanas... Não vale a pena tentar disciplinar a mente neste aspecto. Todos temos um lado irracionalmente preconceituoso. Incontrolavelmente racista. O que acham sobre isto?
quinta-feira, abril 01, 2010
Acordo Ortográfico
Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito
inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão
(Poria a assinatura, mas não sei quem o escreveu...)
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito
inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão
(Poria a assinatura, mas não sei quem o escreveu...)
- Angel, estive lá fora e volto a constatar algo que constato sempre que saio do país. Não nenhum sítio em que seja tão difícil foder como Portugal. Eh pá, não há! Não me venham cá com cantigas... Em lado nenhum, em discoteca nenhuma, e eu já fui a todo o tipo de festas supostamente propensas a... e nada! Nada! Na hora h, cortam-se sempre. São muito pudicas. É sempre aquela síndrome da ai-se-sou-fácil-sou-uma-puta. E nenhuma dá um passo! Se tivessem todas no deboche, era mais fácil... porque já não se preocupavam... é o que acontece lá fora. Aqui não, a primeira não dá o passo e então cada uma pensa: «O quê, vão tod@s pensar que sou uma puta?» Oh pá, isto só cá em Portugal. Lá fora, em tantos países que já tive, tenho sempre sucesso e aqui, ao fim de tantos, tive uma semi-cena... Eh pá, aqui é muito blá blá blá mas na noite é só cabras e enjoadinhas. Eu já não saio aqui.
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