quarta-feira, setembro 30, 2009
Parabéns, senhor ministro
Praxes
Ministro avisa reitores para não pactuarem com práticas “fascistas e boçais”
28.09.2009 - 20h36 Lusa
O ministro da Ciência e Ensino Superior avisou hoje que não vai tolerar abusos nas praxes académicas, denunciando-os ao Ministério Público para responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam.
“Sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes”, Mariano Gago ameaça dar “imediato conhecimento ao Ministério Público” e usar “os meios aptos a responsabilizar, civil e criminalmente, por acção ou omissão os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo”, não tenham feito nada para as evitar.
Numa mensagem enviada aos responsáveis máximos das universidades públicas e privadas e politécnicos, o ministro frisa que “a tolerância de muitos tem-se tornado cúmplice de situações sempre inaceitáveis” com danos físicos e psicológicos. Mariano Gago repudia as “práticas de humilhação e de agressão física e psicológica” com carácter “fascista e boçal” infligidas aos caloiros no ensino superior, “identificadas ou desculpadas como ‘praxes’ académicas”.
Pela “extraordinária gravidade” de algumas destas práticas, impõe-se “uma atitude de responsabilidade colectiva” que “não permite qualquer tolerância” com “insuportáveis violações do Estado de Direito” no meio académico. “A degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve ser eficazmente combatida por todos: estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições”, defende o governante.
Os responsáveis pelas instituições não devem disponibilizar, directa ou indirectamente, “recursos materiais ou outras facilidades” para a realização de praxes, mas “intervir de forma activa” junto dos novos estudantes, especialmente os deslocados, e dizer-lhes “com clareza” que podem recusar participar nas praxes sem recear perder direitos, recomenda Mariano Gago. Quanto às associações de estudantes, cabe-lhes promover “uma verdadeira integração na comunidade académica” e recusar acolhimento ou apoios a acções que “põem objectivamente em causa” a “liberdade e a dignidade humana”.
Mariano Gago recordou que a lei que rege as instituições de ensino superior estipula sanções - que podem ir da advertência à expulsão - para actos de “violência ou coacção física ou psicológica” sobre estudantes cometidos nas praxes. O ministro recebeu na semana passada os responsáveis do Movimento Anti-Tradição Académica, que no domingo divulgou que a Universidade Lusíada de Famalicão vai pagar uma indemnização de 90 mil euros à família do jovem universitário que terá morrido na sequência de uma praxe académica.
Ministro avisa reitores para não pactuarem com práticas “fascistas e boçais”
28.09.2009 - 20h36 Lusa
O ministro da Ciência e Ensino Superior avisou hoje que não vai tolerar abusos nas praxes académicas, denunciando-os ao Ministério Público para responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam.
“Sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes”, Mariano Gago ameaça dar “imediato conhecimento ao Ministério Público” e usar “os meios aptos a responsabilizar, civil e criminalmente, por acção ou omissão os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo”, não tenham feito nada para as evitar.
Numa mensagem enviada aos responsáveis máximos das universidades públicas e privadas e politécnicos, o ministro frisa que “a tolerância de muitos tem-se tornado cúmplice de situações sempre inaceitáveis” com danos físicos e psicológicos. Mariano Gago repudia as “práticas de humilhação e de agressão física e psicológica” com carácter “fascista e boçal” infligidas aos caloiros no ensino superior, “identificadas ou desculpadas como ‘praxes’ académicas”.
Pela “extraordinária gravidade” de algumas destas práticas, impõe-se “uma atitude de responsabilidade colectiva” que “não permite qualquer tolerância” com “insuportáveis violações do Estado de Direito” no meio académico. “A degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve ser eficazmente combatida por todos: estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições”, defende o governante.
Os responsáveis pelas instituições não devem disponibilizar, directa ou indirectamente, “recursos materiais ou outras facilidades” para a realização de praxes, mas “intervir de forma activa” junto dos novos estudantes, especialmente os deslocados, e dizer-lhes “com clareza” que podem recusar participar nas praxes sem recear perder direitos, recomenda Mariano Gago. Quanto às associações de estudantes, cabe-lhes promover “uma verdadeira integração na comunidade académica” e recusar acolhimento ou apoios a acções que “põem objectivamente em causa” a “liberdade e a dignidade humana”.
Mariano Gago recordou que a lei que rege as instituições de ensino superior estipula sanções - que podem ir da advertência à expulsão - para actos de “violência ou coacção física ou psicológica” sobre estudantes cometidos nas praxes. O ministro recebeu na semana passada os responsáveis do Movimento Anti-Tradição Académica, que no domingo divulgou que a Universidade Lusíada de Famalicão vai pagar uma indemnização de 90 mil euros à família do jovem universitário que terá morrido na sequência de uma praxe académica.
terça-feira, setembro 29, 2009
sábado, setembro 26, 2009
Trapattoni renova pela República da Irlanda
O experiente técnico italiano aceitou a proposta da Federação da República da Irlanda e prolongou o seu contrato por mais duas temporadas, ou seja, até 2012.
in www.abola.pt
Há pessoas que são eternas... Como eu admiro este homem. O melhor treinador de futebol do mundo que teima em ganhar por todos os países onde anda, que ganhou tudo o que há para ganhar, que quer «treinar até aos 99», que acha que a Literatura e a música clássica dão mais visão de jogo e harmonia do todo aos jogadores, será para mim sempre um exemplo. No ano em que passou por Portugal, ouvi todas as suas entrevistas e conferências de imprensa. Acho que devíamos tê-lo escutado - ele tem muito para nos ensinar sobre a Vida. Há qualquer coisa de sábio naquele olhar. Para muitos era um velho gagá. Demonstrou que era um sábio. A nossa cultura despreza tanto os anciãos.
O experiente técnico italiano aceitou a proposta da Federação da República da Irlanda e prolongou o seu contrato por mais duas temporadas, ou seja, até 2012.
in www.abola.pt
Há pessoas que são eternas... Como eu admiro este homem. O melhor treinador de futebol do mundo que teima em ganhar por todos os países onde anda, que ganhou tudo o que há para ganhar, que quer «treinar até aos 99», que acha que a Literatura e a música clássica dão mais visão de jogo e harmonia do todo aos jogadores, será para mim sempre um exemplo. No ano em que passou por Portugal, ouvi todas as suas entrevistas e conferências de imprensa. Acho que devíamos tê-lo escutado - ele tem muito para nos ensinar sobre a Vida. Há qualquer coisa de sábio naquele olhar. Para muitos era um velho gagá. Demonstrou que era um sábio. A nossa cultura despreza tanto os anciãos.
sexta-feira, setembro 25, 2009
- Para seres um bom chefe, a primeira coisa que tens de fazer é garantir que não tens nenhum funcionário com a garimpa alta. Chegas, olhas para os franguinhos todos e topas logo quem tem a crista alta. Tratas de destruir o ego a esses pavões, destruir por completo, fazê-los sentir que são uma merda, que sem ti não vão a lado nenhum. E que, mesmo quando não recebem, só a aprendizagem que tu lhes transmites, esse conhecimento e sabedoria são uma riqueza incalculável. Eles devem ter um sentimento de gratidão por ti. Sempre. Aliado a um temor reverencial. A tua opinião é lei para eles.
quinta-feira, setembro 24, 2009
O Tó Miguel vive numa cidade pequena. Dentro da cidade pequena, vive numa rua, onde a estrada acaba para dar lugar à terra batida. Nesta rua, os habitantes sentem-se uma vizinhança à parte e, apesar da distância de metros, quando saem da rua dizem que «vão à cidade».
Na rua do Tó Miguel, conheci algumas pessoas. Ouvia falar dele (mal) antes de o conhecer:
- É esquisitóide;
- É paneleiro (terrível estigma naquele meio);
- Tem a mania que é mais do que os outros;
- Ele só fala em inglês... é fino ele!
Conheci o Tó Miguel e ficámos grandes amigos. Descobri que é uma pessoa tímida, lida, humilde. Sucede que vive num sítio onde falar de poesia é uma variante de abrir as pernas na rua e gritar: Sodomizem-me! O mais absurdo foi a do inglês.
Ele explicou-me no seu tom desajeitado e inseguro que lhe empresta ainda mais graça:
- Angel, eu sou uma nulidade a inglês. Isso aconteceu porque, de facto, tenho o hábito de dizer os títulos dos filmes originais e desde que disse Lost in Translation a um vizinho de cá que ele anda a espalhar esse boato...
Na rua do Tó Miguel, conheci algumas pessoas. Ouvia falar dele (mal) antes de o conhecer:
- É esquisitóide;
- É paneleiro (terrível estigma naquele meio);
- Tem a mania que é mais do que os outros;
- Ele só fala em inglês... é fino ele!
Conheci o Tó Miguel e ficámos grandes amigos. Descobri que é uma pessoa tímida, lida, humilde. Sucede que vive num sítio onde falar de poesia é uma variante de abrir as pernas na rua e gritar: Sodomizem-me! O mais absurdo foi a do inglês.
Ele explicou-me no seu tom desajeitado e inseguro que lhe empresta ainda mais graça:
- Angel, eu sou uma nulidade a inglês. Isso aconteceu porque, de facto, tenho o hábito de dizer os títulos dos filmes originais e desde que disse Lost in Translation a um vizinho de cá que ele anda a espalhar esse boato...
Fernando Pessoa criou, desde os 7 anos, uma porrada de heterónimos. Chegou a criar heterónimos que escreviam e enviavam cartas abertas e profundamente discordantes - quase ofensivas - ao Fernando Pessoa (ortónimo).
Qualquer pessoa profunda tem vários eus, e se explorar bem, poderá entender a personalidade de cada um.
O problema só advém quando não se conseguem pacificar, entre si, esses heterónimos. Quando essas pessoas que habitam em nós se dão bem uns com os outros, se cumprimentam e trocam humores; tudo corre bem... e é engraçado.
Qualquer pessoa profunda tem vários eus, e se explorar bem, poderá entender a personalidade de cada um.
O problema só advém quando não se conseguem pacificar, entre si, esses heterónimos. Quando essas pessoas que habitam em nós se dão bem uns com os outros, se cumprimentam e trocam humores; tudo corre bem... e é engraçado.
quarta-feira, setembro 23, 2009
Retrocessos civilizacionais travestidos de modernidade
Fiquei chocado com um cartaz do MMS que defende que se cape de forma moderna (castração química) os pedófilos. Fui ao programa e li outras coisas inimagináveis para quem acredita na declaração de 1948:
- prisão perpétua (o que são penas de 50 anos?);
- crimes imprescritíveis;
- os presos (a escória da escória) devem suportar os gastos que temos com eles e não os contribuintes;
etc...
Em baixo, um texto da Amnistia Internacional:
Em 1949, Sake Menda tinha 23 anos. Foi preso por assalto à mão armada e duplo homícidio. Condenado a ser enforcado em 1951, foi liberto em 1983. Passou 32
anos nos corredores da morte.
Durante 11 500 dias, Sake Menda estava sozinho em silêncio numa cela de
5m² que era gelada no Inverno e tórrida no Verão. Nem sequer tinha o direito de se levantar ou ir para a cama sem autorização. Não tinha contacto com outros detidos, recebendo apenas visitas raras e podendo apenas escrever algumas cartas que eram sempre censuradas. Por razões de segurança, a luz nunca era desligada e ele era constantemente filmado. Ao longo de 11 500 dias, Sakae Menda aguardava pelo barulho das botas dos guardas. No Japão, os prisioneiros condenados à morte são apenas informados da sua execução
à última da hora, o que pode acontecer sem um aviso de horas depois de uma espera de 30 anos. Sake Menda descreve as suas 11 500 manhãs: “Se há muitos guardas, isso significa que uma execução está prestes a acontecer. Mas tu nunca sabes qual dos presos foi o escolhido. O pior período é entre as 8.00 e as 8.30. O barulho das botas ressoa no corredor.
Os passos param. Tu podes os olhos cravados na porta, a respiração suspensa perante o barulho das chaves que vão abrir uma porta, o frio na espinha. É tudo confuso dentro de ti. Apenas aquela porta te separa da morte. Uma porta vizinha é aberta e a frase fatal sai: “Chegou a hora.”
Quem não fica impressionado com este testemunho, não será, seguramente, meu amigo.
- prisão perpétua (o que são penas de 50 anos?);
- crimes imprescritíveis;
- os presos (a escória da escória) devem suportar os gastos que temos com eles e não os contribuintes;
etc...
Em baixo, um texto da Amnistia Internacional:
Em 1949, Sake Menda tinha 23 anos. Foi preso por assalto à mão armada e duplo homícidio. Condenado a ser enforcado em 1951, foi liberto em 1983. Passou 32
anos nos corredores da morte.
Durante 11 500 dias, Sake Menda estava sozinho em silêncio numa cela de
5m² que era gelada no Inverno e tórrida no Verão. Nem sequer tinha o direito de se levantar ou ir para a cama sem autorização. Não tinha contacto com outros detidos, recebendo apenas visitas raras e podendo apenas escrever algumas cartas que eram sempre censuradas. Por razões de segurança, a luz nunca era desligada e ele era constantemente filmado. Ao longo de 11 500 dias, Sakae Menda aguardava pelo barulho das botas dos guardas. No Japão, os prisioneiros condenados à morte são apenas informados da sua execução
à última da hora, o que pode acontecer sem um aviso de horas depois de uma espera de 30 anos. Sake Menda descreve as suas 11 500 manhãs: “Se há muitos guardas, isso significa que uma execução está prestes a acontecer. Mas tu nunca sabes qual dos presos foi o escolhido. O pior período é entre as 8.00 e as 8.30. O barulho das botas ressoa no corredor.
Os passos param. Tu podes os olhos cravados na porta, a respiração suspensa perante o barulho das chaves que vão abrir uma porta, o frio na espinha. É tudo confuso dentro de ti. Apenas aquela porta te separa da morte. Uma porta vizinha é aberta e a frase fatal sai: “Chegou a hora.”
Quem não fica impressionado com este testemunho, não será, seguramente, meu amigo.
terça-feira, setembro 22, 2009
António Lobo Antunes goza de impunidade?
Um escritor pode transgredir as regras da língua?
Pode, desde que essa transgressão esteja escorada num domínio da mesma. Só se pode brincar, inovar, desrespeitar as suas leis de funcionamento depois de se ter conseguido trabalhar com elas de forma exímia.
Quando Saramago escreveu sem pontos finais ou quando e.e. cummings dispensou o espaçamento a seguir a um parêntesis, a uma vírgula ou a um ponto final; ninguém suspeitou de que assim o fizeram por desconhecimento.
Se, por outro lado, a transgressão assenta num embaraço ou ignorância, o escritor deixa um buraco na página; e essa ruptura é apenas um embuste.
Quanto maior o valor que se atribui a um escritor, mais a sua escrita ganha contornos de lei. É, por isso, importante detectar tais buracos na escrita. Assim como a generalização popular do erro pode fazer do uso lei, de igual modo haverá uma simpatia natural acrescida para se convencionar algo contrário à sintaxe ou à ortografia quando recorrentemente empregue por vultos da Literatura.
Analisemos o texto «Crónica de amor» de António Lobo Antunes publicado no dia 23 de Julho de 2009:
• «estou para saber porque carga de água os comprámos» – «por que carga de água»;
• «na esperança que a camioneta da Câmara os leve?» – «na esperança de que»;
• «O bâton rosado»? – ou se utiliza a palavra portuguesa «batom» ou se coloca bâton, palavra francesa, em itálico;
• «não existe pior friagem para uma mulher que esponjinhas de cuspo nos cantos da boca» – «não existe pior friagem para uma mulher do que»;
• «– Almoço sozinho já viu a minha tristeza?» – ou se coloca uma vírgula ou um ponto final a seguir a «sozinho»;
• «a impressão que o queixo me roçou uma ou duas vezes no ombro» – «a impressão de que o queixo»;
• «a impressão que o queixo me roçou uma ou duas vezes no ombro, não afirmo que roçou, afirmo que a impressão» – «afirmo que tive a impressão» ou «afirmo a impressão». O «que» na presente construção frásica está desamparado e não acrescenta nada;
• «não me obrigues a correr à volta a mesa que com os saltos não consigo» – «não me obrigues a correr à volta da mesa»;
• «um after-shave mais caro que o teu» – a palavra after-shave (que aparece mais duas vezes na crónica) deve estar em itálico e a expressão «que o teu» ser substituída por «do que o teu»;
• «se calhar lingerie preta» – lingerie em itálico.
Um escritor pode transgredir as regras da língua?
Pode, desde que essa transgressão esteja escorada num domínio da mesma. Só se pode brincar, inovar, desrespeitar as suas leis de funcionamento depois de se ter conseguido trabalhar com elas de forma exímia.
Quando Saramago escreveu sem pontos finais ou quando e.e. cummings dispensou o espaçamento a seguir a um parêntesis, a uma vírgula ou a um ponto final; ninguém suspeitou de que assim o fizeram por desconhecimento.
Se, por outro lado, a transgressão assenta num embaraço ou ignorância, o escritor deixa um buraco na página; e essa ruptura é apenas um embuste.
Quanto maior o valor que se atribui a um escritor, mais a sua escrita ganha contornos de lei. É, por isso, importante detectar tais buracos na escrita. Assim como a generalização popular do erro pode fazer do uso lei, de igual modo haverá uma simpatia natural acrescida para se convencionar algo contrário à sintaxe ou à ortografia quando recorrentemente empregue por vultos da Literatura.
Analisemos o texto «Crónica de amor» de António Lobo Antunes publicado no dia 23 de Julho de 2009:
• «estou para saber porque carga de água os comprámos» – «por que carga de água»;
• «na esperança que a camioneta da Câmara os leve?» – «na esperança de que»;
• «O bâton rosado»? – ou se utiliza a palavra portuguesa «batom» ou se coloca bâton, palavra francesa, em itálico;
• «não existe pior friagem para uma mulher que esponjinhas de cuspo nos cantos da boca» – «não existe pior friagem para uma mulher do que»;
• «– Almoço sozinho já viu a minha tristeza?» – ou se coloca uma vírgula ou um ponto final a seguir a «sozinho»;
• «a impressão que o queixo me roçou uma ou duas vezes no ombro» – «a impressão de que o queixo»;
• «a impressão que o queixo me roçou uma ou duas vezes no ombro, não afirmo que roçou, afirmo que a impressão» – «afirmo que tive a impressão» ou «afirmo a impressão». O «que» na presente construção frásica está desamparado e não acrescenta nada;
• «não me obrigues a correr à volta a mesa que com os saltos não consigo» – «não me obrigues a correr à volta da mesa»;
• «um after-shave mais caro que o teu» – a palavra after-shave (que aparece mais duas vezes na crónica) deve estar em itálico e a expressão «que o teu» ser substituída por «do que o teu»;
• «se calhar lingerie preta» – lingerie em itálico.
segunda-feira, setembro 21, 2009
Um homem propõe-se a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naves, de ilhas, de peixes, de quartos, de instrumentos, de astros, de cavalos, de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que este paciente labirinto de linhas traça a imagem do seu rosto.
Jorge Luis Borges
Jorge Luis Borges
domingo, setembro 20, 2009
sábado, setembro 19, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
Post de um amigo da tasca
Comunidade Europeia vai instituir uma lei que pretende proibir o uso de saltos altos no trabalho.
Só posso dizer que concordo em absoluto. Mas a grande questão é: como é que esta lei demorou tanto tempo a ser implementada.
Vamos ser práticos, qual o grande motivo para a aplicação desta lei (que peca por tardia): evidentemente o barulho dos saltos no soalho, ou no mármore das escadarias de acesso aos escritórios, para não falar das marcas fisicas nos ditos pavimentos (ou nos novos materiais de construção, suaves, mas pouco resistentes ao tacão!). Não pode haver barulho num escritório. Parece óbvio, mas às vezes o óbvio deve ser dito. Finalmente alguém inventou uma lei para acabar com um ruido totalmente desnecessário no ambiente de trabalho. Pense-se nas máquinas de escrever, que acabaram. O caro leitor pode pensar que chegaram ao fim por causa do computador. Mas não! Não, não. Engana-se... Chegaram ao fim por causa do barulho incomodativo e pertubador que causavam no escritório. A Oliveti teve a decência de acabar com a produção dessas máquinas por consciência social. Está certo que faliu pouco tempo depois, mas que marcas nos dias de hoje têm essa moralidade? Já não existem empresas assim (exceptuando talvez a Galp, sempre atenta aos preços do petróleo).
Na minha modesta opinião, a proibição da utilização dos saltos altos deveria estender-se também a qualquer cliente de empresas e serviços públicos e privados, para não afectar a classe trabalhadora e laboriosa. A produtividade irá finalmente aumentar, livre de qualquer ruido nocivo à normal condução do trabalho. Imagino já uma função pública robustecida e motivada com esta mudança, a produzir o dobro. Uma teoria não comprovada estatisticamente (apenas ciêntificamente), do guru comportamental Haruu Kristna, mostra o pêso exponencial que o uso dos saltos altos tiveram nas crises de 1929, na mais recente, de 2011 e na eventual de 2063, devido à prova efectiva da baixa de produtividade causada pelo ruido derivado do uso dos saltos altos (há quem afirme que o declinio económico começou lentamente com a entrada progressiva de mulheres no mercado de trabalho, mas não pode ser associada à teoria dos saltos altos pois muitos homens sempre os usaram - no meu caso, experimentava os saltos altos da minha mãe, até ao dia em que fui apanhado a usá-los, maquiado, com um vestido curto, um soutien enorme e com meias de seda e ligas. A minha mãe não gostou que usasse as pinturas e deu-me uma sova. Serviu-me de lição. Graças à minha mãe, tirando as ligas, passei a vestir-me como um homem!).
Mas admitindo que alguém possa pôr em causa um parâmetro tão evidente, há que falar de questões de saúde pública. Todos nós sabemos que o uso frequente dos saltos altos provoca dores na coluna (eu por exemplo, tenho um problema na corcunda, com alguns bicos de papagaio). Qual Gripe A! A verdadeira ameaça é o uso dos saltos altos no trabalho! Com esta lei acabaram-se as dores de costas e toda a implicação desse efeito nas seguradoras de saúde, que mais uma vez sofrem injustamente o pêso da crise no seu ROI e toda a repercussão nociva que isso tem na economia Mundial!
Com leis como esta vale a pena pagar impostos por políticos e juristas tão preocupados, que só querem o nosso bem. Bem hajam!
Esta lei é comparável à lei da proibição de fumar no local de trabalho, embora o tabaco seja óbviamente menos nocivo para a saúde do que a utilização dos saltos altos. Mas deixando comparações injustas de lado, nada impede que as mulheres tenham um par de sapatos de salto alto guardados na sua mala (todas as mulheres usam malas grandes no seu dia-a-dia, tirando a minha esposa, que usa malas gigantes, de viagem) e possam vir ao páteo do local de trabalho e os coloquem durante 5 minutos e circulem para trás e diante, em espaços de 10 metros quadrados, criados específicamente para o seu uso temporário.
Tudo está pensado. Tudo bate certo.
Finalmente uma Europa unida, responsável, com uma politica social decente. Depois da proibição do tabagismo nas empresas, importada das américas (que redefiniu o novo e bom pensamento social), a Europa deu mais um passo na direção correcta. Atingimos um novo marco civilizacional. Mas não deixo de sentir vergonha ao pensar o que as gerações vindouras irão pensar ao verem filmes e documentários desta época, ao asssitirem ao livre desfile impune, dos saltos altos no local de trabalho, até esta data histórica. Terei de viver com essa mágoa. É assim... Passo por uma experiência semelhante desde que a câmara de Lisboa decidiu criar recentemente espaços de estacionamento para bicicletas, por cada cem lugares de estacionamento automóvel.
Meus amigos, não há qualquer polémica. E para aqueles, poucos, que achem que esta lei possa ferir de alguma forma a liberdade individual de escolha, apenas uma palavra - bani-los da sociedade! O livre arbítrio nunca foi uma boa opção. Veja-se os casos de corrupção na arbitragem (com excepção de Portugal, exemplar nessa área).
Saltos altos para os nossos inimigos, para que assistam do alto a nossa vitória!
Viva a Europa!
O Trovador do Sistema
ps: procuro um tacho bem pago em Bruxelas. Se alguém souber de alguma coisa, tenha a "finesse" de mo comunicar
Só posso dizer que concordo em absoluto. Mas a grande questão é: como é que esta lei demorou tanto tempo a ser implementada.
Vamos ser práticos, qual o grande motivo para a aplicação desta lei (que peca por tardia): evidentemente o barulho dos saltos no soalho, ou no mármore das escadarias de acesso aos escritórios, para não falar das marcas fisicas nos ditos pavimentos (ou nos novos materiais de construção, suaves, mas pouco resistentes ao tacão!). Não pode haver barulho num escritório. Parece óbvio, mas às vezes o óbvio deve ser dito. Finalmente alguém inventou uma lei para acabar com um ruido totalmente desnecessário no ambiente de trabalho. Pense-se nas máquinas de escrever, que acabaram. O caro leitor pode pensar que chegaram ao fim por causa do computador. Mas não! Não, não. Engana-se... Chegaram ao fim por causa do barulho incomodativo e pertubador que causavam no escritório. A Oliveti teve a decência de acabar com a produção dessas máquinas por consciência social. Está certo que faliu pouco tempo depois, mas que marcas nos dias de hoje têm essa moralidade? Já não existem empresas assim (exceptuando talvez a Galp, sempre atenta aos preços do petróleo).
Na minha modesta opinião, a proibição da utilização dos saltos altos deveria estender-se também a qualquer cliente de empresas e serviços públicos e privados, para não afectar a classe trabalhadora e laboriosa. A produtividade irá finalmente aumentar, livre de qualquer ruido nocivo à normal condução do trabalho. Imagino já uma função pública robustecida e motivada com esta mudança, a produzir o dobro. Uma teoria não comprovada estatisticamente (apenas ciêntificamente), do guru comportamental Haruu Kristna, mostra o pêso exponencial que o uso dos saltos altos tiveram nas crises de 1929, na mais recente, de 2011 e na eventual de 2063, devido à prova efectiva da baixa de produtividade causada pelo ruido derivado do uso dos saltos altos (há quem afirme que o declinio económico começou lentamente com a entrada progressiva de mulheres no mercado de trabalho, mas não pode ser associada à teoria dos saltos altos pois muitos homens sempre os usaram - no meu caso, experimentava os saltos altos da minha mãe, até ao dia em que fui apanhado a usá-los, maquiado, com um vestido curto, um soutien enorme e com meias de seda e ligas. A minha mãe não gostou que usasse as pinturas e deu-me uma sova. Serviu-me de lição. Graças à minha mãe, tirando as ligas, passei a vestir-me como um homem!).
Mas admitindo que alguém possa pôr em causa um parâmetro tão evidente, há que falar de questões de saúde pública. Todos nós sabemos que o uso frequente dos saltos altos provoca dores na coluna (eu por exemplo, tenho um problema na corcunda, com alguns bicos de papagaio). Qual Gripe A! A verdadeira ameaça é o uso dos saltos altos no trabalho! Com esta lei acabaram-se as dores de costas e toda a implicação desse efeito nas seguradoras de saúde, que mais uma vez sofrem injustamente o pêso da crise no seu ROI e toda a repercussão nociva que isso tem na economia Mundial!
Com leis como esta vale a pena pagar impostos por políticos e juristas tão preocupados, que só querem o nosso bem. Bem hajam!
Esta lei é comparável à lei da proibição de fumar no local de trabalho, embora o tabaco seja óbviamente menos nocivo para a saúde do que a utilização dos saltos altos. Mas deixando comparações injustas de lado, nada impede que as mulheres tenham um par de sapatos de salto alto guardados na sua mala (todas as mulheres usam malas grandes no seu dia-a-dia, tirando a minha esposa, que usa malas gigantes, de viagem) e possam vir ao páteo do local de trabalho e os coloquem durante 5 minutos e circulem para trás e diante, em espaços de 10 metros quadrados, criados específicamente para o seu uso temporário.
Tudo está pensado. Tudo bate certo.
Finalmente uma Europa unida, responsável, com uma politica social decente. Depois da proibição do tabagismo nas empresas, importada das américas (que redefiniu o novo e bom pensamento social), a Europa deu mais um passo na direção correcta. Atingimos um novo marco civilizacional. Mas não deixo de sentir vergonha ao pensar o que as gerações vindouras irão pensar ao verem filmes e documentários desta época, ao asssitirem ao livre desfile impune, dos saltos altos no local de trabalho, até esta data histórica. Terei de viver com essa mágoa. É assim... Passo por uma experiência semelhante desde que a câmara de Lisboa decidiu criar recentemente espaços de estacionamento para bicicletas, por cada cem lugares de estacionamento automóvel.
Meus amigos, não há qualquer polémica. E para aqueles, poucos, que achem que esta lei possa ferir de alguma forma a liberdade individual de escolha, apenas uma palavra - bani-los da sociedade! O livre arbítrio nunca foi uma boa opção. Veja-se os casos de corrupção na arbitragem (com excepção de Portugal, exemplar nessa área).
Saltos altos para os nossos inimigos, para que assistam do alto a nossa vitória!
Viva a Europa!
O Trovador do Sistema
ps: procuro um tacho bem pago em Bruxelas. Se alguém souber de alguma coisa, tenha a "finesse" de mo comunicar
O escritor explica-se
Um livro ou fala por si ou não presta. Qualquer explicação posterior que o autor lhe acrescente é apenas a assinatura na declaração da sua insuficiência e invalidez. Entendo que o autor (ou o artista, de uma forma genérica) não deve dar, sequer, interpretações ou pistas de interpretação sobre aquilo que escreve – elas colar-se-ão fatalmente à obra como únicas, eliminando as infinitas interpretações dos infinitos leitores. O bom livro é um espelho que nos devolve o nosso rosto mais verdadeiro, de nós desconhecido. Concordo com aquele encenador que quando o autor lhe entrou pelo ensaio adentro dizendo:
- Não era isso que eu queria dizer. Faça assim… Não, assim, o que eu quero…
- Cale-se, esta obra é de quem a lê, e por isso a sua opinião é tão valiosa como a minha ou de qualquer outro…
- Não era isso que eu queria dizer. Faça assim… Não, assim, o que eu quero…
- Cale-se, esta obra é de quem a lê, e por isso a sua opinião é tão valiosa como a minha ou de qualquer outro…
quinta-feira, setembro 17, 2009
Sousa Tavares namora com uma pessoa 28 mais nova, Lobo Antunes 30 e tal... etc, etc... Os casos são inúmeros.
Parece que a partir de certa idade queremos regressar à juventude... e nada melhor do que a ilusão que nos é dada por termos alguém ao nosso lado jovem. (Ou será apenas o apelo de uma younger meat, como cantam os cure?)
Ou será que a decrepitude física numa mulher é mais acentuada do que num homem? Sean Connery (bem escrito?) com setenta ou oitenta anos continua apetecível para as mulheres. Alguém dá um exemplo de uma mulher atraente a partir dos 60? Cru, mas real.
Ou será apenas que os homens estão mais presos ao Factor Corpo do que as mulheres?
Quando fiz dezoito, deixei de olhar para as de 14, quando tinha 25, deixei de me interessar pelas de 28, aos 30, os 22 já me parecem distantes... Mas sei que isto um dia vai parar. É provável que aos 60, não me sinta particularmente impelido para as minhas coevas...
Parece que a partir de certa idade queremos regressar à juventude... e nada melhor do que a ilusão que nos é dada por termos alguém ao nosso lado jovem. (Ou será apenas o apelo de uma younger meat, como cantam os cure?)
Ou será que a decrepitude física numa mulher é mais acentuada do que num homem? Sean Connery (bem escrito?) com setenta ou oitenta anos continua apetecível para as mulheres. Alguém dá um exemplo de uma mulher atraente a partir dos 60? Cru, mas real.
Ou será apenas que os homens estão mais presos ao Factor Corpo do que as mulheres?
Quando fiz dezoito, deixei de olhar para as de 14, quando tinha 25, deixei de me interessar pelas de 28, aos 30, os 22 já me parecem distantes... Mas sei que isto um dia vai parar. É provável que aos 60, não me sinta particularmente impelido para as minhas coevas...
quarta-feira, setembro 16, 2009
A minha eterna busca
escatologia
nome feminino
RELIGIÃO parte da teologia que trata dos fins últimos do homem e do que há-de acontecer no fim do mundo
(De escato-, «último» +-logia)
nome feminino
RELIGIÃO parte da teologia que trata dos fins últimos do homem e do que há-de acontecer no fim do mundo
(De escato-, «último» +-logia)
- Sempre tive este ar clean, Angel, e por isso sempre fui o amigo favorito dos pais dos meus amigos. Sempre fiz as coisas em segredo e isso duplicou-lhes o sabor. Na tropa, toda a gente gozava comigo que eu era um totó e que bebia leite em vez de cerveja. E eu era o gajo mais drogado de lá! - risos - Ainda me lembro de no último dia, um tipo se virar para mim e dizer: «Só tive pena é de nunca te ter chegado a ver fumar um charro. Tinha prometido a mim mesmo que ias experimentar.» E eu «Népia, não quero isso para mim.» Eh pá, porque é que um indivíduo só por fumar charros tem de andar de calças rotas, barba por fazer e todo mal vestido? Na escola, todos diziam que era um menino de coro, isso nunca me afectou, antes pelo contrário tornou mais saboroso ter-me envolvido em segredo com muitas raparigas. Ninguém sabia! Muito melhor! Tu és aquilo que és, não aquilo que aparentas ser ou aquilo que os outros julgam que és.
Os desatracados (eu que gosto de futebol)
Se os portugueses vêem cada vez mais televisão, também há cada vez mais que não vêem. Nunca. Nem tão-pouco acompanham as coisas ditas de interesse público, sejam culturais, comerciais ou lá o que for. Desatracaram-se.
Os atracados andam a reboque da mesma caravana de agendas. Cada um tem uma opinião diferente. Mas todos vêem os mesmos programas e falam das mesmas pessoas e dos mesmos casos. Não é a discussão que é oprimente: é a agenda. A agenda é a lista das coisas escolhidas pelos empresários, políticos e editores para nós lermos; vermos; comprarmos; conhecermos; discutirmos.
É como o futebol. E basta não ligar ao futebol para ver o que se perde: nada. O pouco que importa acaba por chegar a toda a gente, já muito bem filtradinho, muito obrigado.
Graças à Internet, cada vez há mais desatracados. Lêem livros que mais ninguém está a ler; mergulham em mundos esquecidos; descobrem coisas tão novas que ainda nem coisas são; ouvem música fora de todas as modas; acompanham pessoas e problemas e pensamentos que se diria nada terem a ver com eles. Mas têm; acabam por ter. E isso é bom.
Desatracar não é rejeitar a realidade nem é ser hostil aos marcadores de agenda. É apenas pedir licença para não seguir o fio da realidade que está a ser distribuído a dado momento. É seguir outro fio, escolhido por cada um, sem grandes critérios ou seriedade até. E, quando se cruzam os dois, costuma ser interessantíssimo. E é giro.
Miguel Esteves Cardos
Os atracados andam a reboque da mesma caravana de agendas. Cada um tem uma opinião diferente. Mas todos vêem os mesmos programas e falam das mesmas pessoas e dos mesmos casos. Não é a discussão que é oprimente: é a agenda. A agenda é a lista das coisas escolhidas pelos empresários, políticos e editores para nós lermos; vermos; comprarmos; conhecermos; discutirmos.
É como o futebol. E basta não ligar ao futebol para ver o que se perde: nada. O pouco que importa acaba por chegar a toda a gente, já muito bem filtradinho, muito obrigado.
Graças à Internet, cada vez há mais desatracados. Lêem livros que mais ninguém está a ler; mergulham em mundos esquecidos; descobrem coisas tão novas que ainda nem coisas são; ouvem música fora de todas as modas; acompanham pessoas e problemas e pensamentos que se diria nada terem a ver com eles. Mas têm; acabam por ter. E isso é bom.
Desatracar não é rejeitar a realidade nem é ser hostil aos marcadores de agenda. É apenas pedir licença para não seguir o fio da realidade que está a ser distribuído a dado momento. É seguir outro fio, escolhido por cada um, sem grandes critérios ou seriedade até. E, quando se cruzam os dois, costuma ser interessantíssimo. E é giro.
Miguel Esteves Cardos
Oh!, as pessoas! Como elas são imprevisíveis e previsíveis, como são egocêntricas, inseguras, cheias de amor para dar, práticas, complexas, generosas e cheias de falhas, como erram, como são capazes de um gesto dadivoso, como procuram todas o mesmo, no fundo de caminhos enviesados e diametralmente opostos, como desaguam todas no mesmo, como adquirem calma em lugar de sonhos, como são tímidas e cheias de máscaras, como são preconceituosas cada uma à sua maneira, como são belas, sim, como são belas as pessoas!, como são engraçadíssimas, irreverentes e rotineiras, como são utópicas, como são carentes as pessoas, como vão buscar forças infinitas a poços secos, como se transformam a cada instante, como se cristalizam, como recebem e dão, dão e recebem, como guardam!, como amam, como se agarram desesperadamente a algo na busca de um sentido, de uma âncora, como deitam fora e querem de novo, como tudo passa e elas a imaginarem que o sofrimento é eterno, como são felizes, mesquinhas, tristes, apagas, deslumbrantes, maravilhosas, dispostas a se entregarem, a serem compreendidas, como são nobres e vulgares, corriqueiras e profundas, sábias e néscias, teimosas, impulsivas, racionais, egoístas e tão profundamente humanas! As pessoas…
Angel
Angel
terça-feira, setembro 15, 2009
segunda-feira, setembro 14, 2009
O cientista não tem resposta para as perguntas mais importantes: as irrespondíveis. (E as respostas que têm para as perguntas concretas são apenas verdades transitórias.)
Quais as perguntas irrespondíveis?
Aquelas que a Arte tem tentado responder desde há milénio:
O amor, a morte, Deus, o sentido da vida, a natureza humana, o porquê de tudo isto.
Quais as perguntas irrespondíveis?
Aquelas que a Arte tem tentado responder desde há milénio:
O amor, a morte, Deus, o sentido da vida, a natureza humana, o porquê de tudo isto.
may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she
(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she
(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)
may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she
may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she
but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she
(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she
(cccome?said he
ummm said she)
you're divine!said he
(you are Mine said she)
e. e. cummings
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she
(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she
(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)
may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she
may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she
but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she
(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she
(cccome?said he
ummm said she)
you're divine!said he
(you are Mine said she)
e. e. cummings
Good ou bad?
- Sou autoconfiante perante todos menos tu. Nunca percebi como uma pessoa como tu poderia ter interesse numa pessoa como eu.
- Eu amo-te, não consigo viver sem ti.
- Esquece.
- Eu - começa a chorar - eu sou uma merda sem ti. Nada faz sentido. Foda-se - chora compulsivamente.
- Tu hás-de arranjar alguém.
- Pára com isso! Pára!
- Tem calma, desculpa, eu sei que agora é lixado, mas vai passar.
- Vai à merda, tu és tudo para mim!!! Tudo! Porra, será que não consegues compreender? - chora e grita.
- Vá, tu hás-de refazer a tua vida. Eu admiro-te imenso, tu tens muitas qualidades.
- Cala-te, cala-te, cala-te de uma vez! Vai gozar com o...
- Hey, não estou a gozar.
- Eu adoro-te. Tu és...
- Vá, há mais pessoas assim.
- Podes ir à merda?
- Não precisas de falar assim. Se me amasses...
- Se? Não há se.
- Mas tu também já amaste a...
- Cala-te! Agora vais pôr em causa o que sinto por ti, é?
- Eu acho que vais ser capaz de viver sem mim...
- Claro que não vou.
- Tens a certeza?
- Absoluta.
(Hey, stupid, ela está só a testar o teu amor por ela. She still loves you.)
- Esquece.
- Eu - começa a chorar - eu sou uma merda sem ti. Nada faz sentido. Foda-se - chora compulsivamente.
- Tu hás-de arranjar alguém.
- Pára com isso! Pára!
- Tem calma, desculpa, eu sei que agora é lixado, mas vai passar.
- Vai à merda, tu és tudo para mim!!! Tudo! Porra, será que não consegues compreender? - chora e grita.
- Vá, tu hás-de refazer a tua vida. Eu admiro-te imenso, tu tens muitas qualidades.
- Cala-te, cala-te, cala-te de uma vez! Vai gozar com o...
- Hey, não estou a gozar.
- Eu adoro-te. Tu és...
- Vá, há mais pessoas assim.
- Podes ir à merda?
- Não precisas de falar assim. Se me amasses...
- Se? Não há se.
- Mas tu também já amaste a...
- Cala-te! Agora vais pôr em causa o que sinto por ti, é?
- Eu acho que vais ser capaz de viver sem mim...
- Claro que não vou.
- Tens a certeza?
- Absoluta.
(Hey, stupid, ela está só a testar o teu amor por ela. She still loves you.)
domingo, setembro 13, 2009
- É bom que as pessoas leiam o Dan Brown, a Margarida Rebelo Pinto. Aliás, digo mesmo que é bom que leiam o livro do Jardel e das celebridades big brotherianas, porque a leitura é viciante. Tu começas a ler e depois queres ler mais e ler mais. E hás-de chegar aos clássicos. Hás-de evoluir nas tuas reflexões e chegar. Um livro leva a outro que leva a outro... Um amigo meu nunca tinha lido e emprestei-lhe um livro, ele adorou, e veio de propósito ter comigo passadas duas semanas de bem longe: «Preciso que emprestes mais livros. Vim cá de propósito.»
sábado, setembro 12, 2009
A metáfora perfeita de como deveríamos agir é nos dada exemplarmente pela profissão do médico.
O médico é aquele que quando alguém chega às suas mãos, independentemente de quem seja, ele cura-o. Nem sequer o médico procura saber se é ele o responsável pela doença. Cura-o. É nesta base que devemos agir. Erradicar o sofrimento, sem julgamentos morais, não fazendo a menor acepção de pessoas.
O sofrimento é, todo ele, mau.
O médico é aquele que quando alguém chega às suas mãos, independentemente de quem seja, ele cura-o. Nem sequer o médico procura saber se é ele o responsável pela doença. Cura-o. É nesta base que devemos agir. Erradicar o sofrimento, sem julgamentos morais, não fazendo a menor acepção de pessoas.
O sofrimento é, todo ele, mau.
Um livro começa assim: um pergunta, uma ideia, qualquer muito vaga e muito simples, sem forma.
O Lobo Antunes escreveu um livro com centenas de páginas a partir da pergunta: como é que a noite se transforma em dia?
Outro dia alguém me sugeriu:
- Vi duas bengalas imponentes emolduradas na parede de um café. Chamaram-me à atenção por parecerem bengalas com um brilho e uma solidez diferentes do normal. Aproximei-me e li: «Bengalas pertencentes ao senhor x, conhecido por The Boss.»
Sei tanto sobre ele como vocês. Mas é tentador começar um livro a partir da singeleza desta observação.
O Lobo Antunes escreveu um livro com centenas de páginas a partir da pergunta: como é que a noite se transforma em dia?
Outro dia alguém me sugeriu:
- Vi duas bengalas imponentes emolduradas na parede de um café. Chamaram-me à atenção por parecerem bengalas com um brilho e uma solidez diferentes do normal. Aproximei-me e li: «Bengalas pertencentes ao senhor x, conhecido por The Boss.»
Sei tanto sobre ele como vocês. Mas é tentador começar um livro a partir da singeleza desta observação.
- As mulheres não dizem que ligam ao dinheiro, mas se um tipo não tem um bom emprego põe-no de parte porque «não gostam de homens sem ambição e dinamismo». Não ligam ao corpo, mas se um tipo tem barriga não gostam «porque demonstra desleixe e comodismo, o que elas detestam». Se um tipo tem poder, elas derretem-se; mas escondem-se no argumento de que o que apreciam é o espírito de liderança, o idealismo e nunca - nunca, Angel! - os benefícios que o poder acarreta. Elas arranjam artíficios maravilhosos para esconderem propósitos menos nobres, Angel. No fundo, no fundo, incorporam os valores da sociedade até à medula.
sexta-feira, setembro 11, 2009
Esse obscuro objecto de desejo
Um dos livros que mais me______________ No original, La femme et le Pantin.
O filme é bom, felizmente. Mas, claro está, que os filmes bons de livros bons nunca lhes chegam aos calcanhares. E este livro é uma obra-prima.
Conchita, a personagem feminina do livro, é, juntamente com Cathy de A Leste do Paraíso (Steinbeck), e talvez Lolita (Kubrick), a personagem mais perversa.
Um mulher que sabe dominar um homem é sempre tão mais eficaz, manipuladora e subtil do que um homem que sabe dominar uma mulher.
Conchita seduz um homem mais velho e dá cabo da sua vida. Na cena em cima, convida-a a ir até casa para passarem a noite. Mas o gradeamento está trancado, ela não o deixa entrar e ainda faz amor com um homem à frente dele.
Puro mal. Como diz o Miguel Esteves Cardoso, não há palavras na língua portuguesa que reflictam o último degrau do mal. Em inglês, dir-se-ia: evil.
quinta-feira, setembro 10, 2009
A fama é uma responsabilidade


Posso não ser nada cool, ser velho do Restelo, ser um chato, no fundo; mas acho que figuras públicas como as supra exibidas exercem um papel nocivo no apelo à violência. Tarantino fá-lo constantemente em inúmeras entrevistas, ainda recentemente numa entrevista ao Público, faz o sinal da arma apontada com dois dedos, mostrando-se assim ao mundo.
São milhões de pessoas que alcançam. São milhões de jovens que os idolatram. São muitas cabeças permeáveis que influenciam. Deviam pensar duas vezes. Será o sentimento de impunidade que lhes dá gozo?
Que raio de mensagem é que querem passar? Que é fixe dar tiros?
Se entrevistasse o Tarantino, ia com uma arma, e disparava-lhe uns tiros para o pé:
- Eh pá, sou seu fã e é isto que aprendi consigo. É muita giro! Sabe que isto da arma não se pode ver só do lado de quem a empunha, mas também do lado de quem tem o cano frio encostado à cabeça. Se calhar aí já não é tão cool...
quarta-feira, setembro 09, 2009
Acho que Louçã devia ganhar o Nobel da Economia, mas acho que se deveria instituir um prémio para ele não anual, mas quiçá milenar. Francisco Louçã, o economista do milénio. E mesmo assim parece-me pouco.
Tenho visto os debates e o homem não cessa de me surpreender.
Ele defende e tem uma maneira viável de garantir o seguinte:
a) o pleno emprego;
b) o alargamento do subsídio de desemprego;
c) o aumento dos salário;
d) o aumento das pensões;
e) a diminuição do número de horas de trabalho;
f) o aumento da reformas;
g) a diminuição do números de anos de trabalho necessário para a reforma;
Tudo isto junto é fantástico. Mas há muito mais. Vota Louçã!
Tenho visto os debates e o homem não cessa de me surpreender.
Ele defende e tem uma maneira viável de garantir o seguinte:
a) o pleno emprego;
b) o alargamento do subsídio de desemprego;
c) o aumento dos salário;
d) o aumento das pensões;
e) a diminuição do número de horas de trabalho;
f) o aumento da reformas;
g) a diminuição do números de anos de trabalho necessário para a reforma;
Tudo isto junto é fantástico. Mas há muito mais. Vota Louçã!
- Para mim, é sinal de confiança alguém ter amigos de longa data. São eles que te conhecem bem, aquele conhecimento que já permitiu ver-te em inúmeras facetas, inúmeros contextos e situações. Se eles validaram a tua personalidade... bom, então, dir-te-ei que se gostar deles, terei logo um preconceito positivo em teu favor. É bom termos pessoas que nos acompanharam sempre,que são testemunhas de todas as nossas fotografias. Se não tens essas pessoas ao longo da vida, a tua vida é um fragmento de testemunhas, estás dividido aos bocados ao longo dela. A experiência quando é solitária e não partilhada tem muito menos graça.
segunda-feira, setembro 07, 2009
domingo, setembro 06, 2009
Apesar de me custar publicar algo que elogie a Boca Guedes, o resto do artigo merece
Recebi um pedido - de resto, vago - para escrever um guião (de cinema) sobre um romance de Camilo (no caso, O Esqueleto). Resolvi ler a obra toda - uma apreciável empreitada. Não me vou expandir em considerações literárias, para que não tenho competência. Embora não inteiramente analfabeto, três coisas me fizeram impressão. Primeira, a quantidade de palavras, que não conhecia e que fui obrigado a procurar em dicionários (os melhores do mercado), em que elas, para minha surpresa, não constavam. Segunda, as dificuldades da construção sintáctica, que já não me era familiar e quase me obrigou a decifrar certo português como latim. E, terceira, o já esperado embaraço - e também vergonha - de traduzir prosa para acção. Como dizia alguém a Scott Fitzgerald, por volta de 1930, não é possível fotografar adjectivos - nem verbos, nem preposições.
O empobrecimento da língua (não só devido à minha idade) custa. Não se lê interminavelmente uma prosa primária - na imprensa e nos livros que vão saindo - sem sofrer as consequências. Um dia, há pouco tempo, uma figura notável dos jornais (um director) resolveu declarar o meu "estilo" antigo. E, na medida em que usa mais de cem palavras, com certeza que é. Mas não me parece que o "estilo" SMS ou o "estilo" TV tenham aumentado consideravelmente a capacidade da expressão humana (e, em particular, da portuguesa). Sei muito bem, e tristemente, que a cultura das letras começa a desaparecer e está, a muito curto prazo, condenada. Mas não deixo de lamentar que o prazer de uma frase, de um parágrafo ou de uma vírgula maléfica se percam para sempre.
Este último ano que passei na televisão não foi feliz, sem culpa nenhuma para Manuela Moura Guedes, que me tratou com inalterável generosidade. À parte a minha má imagem (um understatement), a minha má voz, geral incoerência e péssima dicção, sucede que escrever (um ofício em que me eduquei) é exactamente o contrário de falar. Quem fala improvisa; quem escreve calcula, planeia, emenda, substitui. Os dois processos são contrários. Pior, são incompatíveis. Verdade que a prosa acabou por me levar à televisão: um compreensível acidente. Só que "um homem de letras", mesmo medíocre, nunca, no fundo, se transforma. Voltar a este privilegiado canto é, para mim, como voltar para casa.
Vasco Pulido Valente
O empobrecimento da língua (não só devido à minha idade) custa. Não se lê interminavelmente uma prosa primária - na imprensa e nos livros que vão saindo - sem sofrer as consequências. Um dia, há pouco tempo, uma figura notável dos jornais (um director) resolveu declarar o meu "estilo" antigo. E, na medida em que usa mais de cem palavras, com certeza que é. Mas não me parece que o "estilo" SMS ou o "estilo" TV tenham aumentado consideravelmente a capacidade da expressão humana (e, em particular, da portuguesa). Sei muito bem, e tristemente, que a cultura das letras começa a desaparecer e está, a muito curto prazo, condenada. Mas não deixo de lamentar que o prazer de uma frase, de um parágrafo ou de uma vírgula maléfica se percam para sempre.
Este último ano que passei na televisão não foi feliz, sem culpa nenhuma para Manuela Moura Guedes, que me tratou com inalterável generosidade. À parte a minha má imagem (um understatement), a minha má voz, geral incoerência e péssima dicção, sucede que escrever (um ofício em que me eduquei) é exactamente o contrário de falar. Quem fala improvisa; quem escreve calcula, planeia, emenda, substitui. Os dois processos são contrários. Pior, são incompatíveis. Verdade que a prosa acabou por me levar à televisão: um compreensível acidente. Só que "um homem de letras", mesmo medíocre, nunca, no fundo, se transforma. Voltar a este privilegiado canto é, para mim, como voltar para casa.
Vasco Pulido Valente
sábado, setembro 05, 2009
Marcelo Rebelo de Sousa diz - não sem uma certa graça, admito - que a vida é para si um jogo de pontinhos. Acumula pontos quando faz o Bem - quando é generoso, fraterno - e perde-os quando faz o mal - quando diz mal de alguém injustamente, por exemplo.
Quando faz algo de mau, sente logo uma vontade de fazer uma série de boas acções a seguir para recuperar uns pontinhos.
Quem pensa assim, tem um inibidor interno que pode agir de forma benigna sobre as nossas acções. Mas é o medo que está por detrás dele. O medo das consequências.
O ideal será fazermos o bem, não por nós, não para ganharmos pontinhos, mas por nos transformarmos no Outro, por desfazermos esta barreira entre o eu e o outro - sentindo as suas dores e contentamentos como os nossos.
Quando faz algo de mau, sente logo uma vontade de fazer uma série de boas acções a seguir para recuperar uns pontinhos.
Quem pensa assim, tem um inibidor interno que pode agir de forma benigna sobre as nossas acções. Mas é o medo que está por detrás dele. O medo das consequências.
O ideal será fazermos o bem, não por nós, não para ganharmos pontinhos, mas por nos transformarmos no Outro, por desfazermos esta barreira entre o eu e o outro - sentindo as suas dores e contentamentos como os nossos.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Um amigo meu ia acabar com a namorada, mas nesse dia ela caiu ao lado dele e magoou-se e ele achou que não era próprio de uma alma compassiva terminar naquele momento.
Uma amiga minha ia terminar com o namorado e nesse dia o namorado ofereceu-lhe uma aliança. Ela não conseguiu.
A mãe de um amigo meu chegou a casa e a empregada, vinda de férias no estrangeiro, deu-lhe um souvenir que comprara para a patroa. Ela ficou felicíssima pela lembrança. «Muito gira», disse. Nesse dia, ao aspirar, a empregada partiu um dos objectos mais antigos e valiosos da cara. A patroa descontou-lhe no ordenado.
Uma amiga minha ia terminar com o namorado e nesse dia o namorado ofereceu-lhe uma aliança. Ela não conseguiu.
A mãe de um amigo meu chegou a casa e a empregada, vinda de férias no estrangeiro, deu-lhe um souvenir que comprara para a patroa. Ela ficou felicíssima pela lembrança. «Muito gira», disse. Nesse dia, ao aspirar, a empregada partiu um dos objectos mais antigos e valiosos da cara. A patroa descontou-lhe no ordenado.
quinta-feira, setembro 03, 2009
Aversão ao entusiasmo
Só conheci duas pessoas assim. Quando vêem alguém alegre, tratam de fazer tudo para o pôr triste.
Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos, pessoas que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo.
Vergílio Ferreira
Vergílio Ferreira
terça-feira, setembro 01, 2009
- Às vezes, Angel, acho que a melhor forma de agir com as mulheres é o homem fazer o papel da cabra. Eu vejo homens tão estúpidos a agirem com as mulheres: homens rudes, boçais, homens que fazem tudo para impressionar não se apercebendo de que ficam com as costuras das inseguranças todas à mostra, machistas até à última casa, homens que pisam os outros para brilhar, que são capazes de rebaixar um amigo; eu sinto-me um oásis no meio deles, eu pratico o culto do carácter, sei os truques femininos, gosto da cultura, sou sensível. E ainda sim, tudo o que sei sobre as mulheres não é um milésimo do que as mulheres sabem sobre as mulheres.
- Há coisas que não têm explicação. Eu peguei no telefone fixo para ligar ao Luís, entretanto alguém me chamou e eu pus o dedo no interruptor. Quando tirei o dedo, ouvi o Luís a dizer «Estou do outro lado». Foda-se, mas eu não lhe ligara! Ia começar a ligar-lhe, mas pus o dedo no interruptor quando começaram a falar comigo. Foi estranhíssimo. Agora o telefone adivinha a intenção? Ele disse que me ligou. E eu «ah, ok». Mas mesmo assim, já viste o timing? E queres saber da melhor? Nós nunca tinhamos falado pelo fixo e nunca voltámos a falar.
"Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um."
Actos dos Apóstolos, 2, 44 e 45"
Karl Marx, "Crítica ao Programa de Gotha": "Numa fase superior da sociedade comunista, só então o limitado horizonte do direito burguês poderá ser definitivamente ultrapassado e a sociedade comunista poderá escrever nas suas bandeiras: ‘De cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades!’"
do blog timoteoshel.blogspot.com/
Actos dos Apóstolos, 2, 44 e 45"
Karl Marx, "Crítica ao Programa de Gotha": "Numa fase superior da sociedade comunista, só então o limitado horizonte do direito burguês poderá ser definitivamente ultrapassado e a sociedade comunista poderá escrever nas suas bandeiras: ‘De cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades!’"
do blog timoteoshel.blogspot.com/
- As ditaduras de esquerda vão mais longe do que as de direita. Porque as de direita não têm aquela sede de mudar tudo. São mais conservadoras, naturalmente... As de esquerda mexem com os direitos de propriedade, mexem com tudo, Angel. E o ódio da esquerda existe. Fala-se do ódio aos judeus. E o ódio aos ricos e aos patrões da esquerda? E à polícia? Fraternidade mas não para todos. O ódio é brutal na esquerda, é uma força motriz. E mesmo a questão do genocídio da direita, também houve à esquerda. Acabar com uma classe, é o quê? Genocídio. Implica, como implicou, matar milhões. Sabes que o ódio do que está por baixo é sempre maior do que o ódio do que está por cima, bem instalado.
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