quinta-feira, junho 11, 2009

Quando se entrava no salão da festa, juntamente com a mobília e os enfeites, uma rapariga com roupa diminuta quedava-se imóvel, ostentando o corpo. Era parte do cenário.

Inúmeros homens foram cortejá-la (seguramente poderia ter ido para a cama com quase todos eles). Não a vi passar crédito a ninguém. Vi-a ser ostensivamente desdenhosa e arrogante.

- É uma profissional - alguém defendeu.

- É uma estúpida arrogante - ripostou outra.

- Dizes isso só porque ela é podre de boa - contrapôs-lhe o namorado.

A certa altura, alguém de um grupo queria uma bebida. Um interpelou a rapariga-bibelô:

- Ò pedaço de plástico ambulante, é um vodka e uma cola sff.

- Hã? Eu não sirvo bebidas e quem é que tu pensas que és?

Os insultos começaram. Ele ouvia calado. Ela não se calava. E, à saída, ainda foi ter com ele ao bengaleiro.

Cá fora, o grupo queria discutir com ele o sucedido:

- Tu és um idiota. Não tinhas nenhuma legitimidade para fazeres o que fizeste - disse-lhe uma amiga.

- Desculpem, mas tu é que estiveste bem. Todos foram falar com ela e ela não deu bola a ninguém. Contigo, ela até foi atrás de ti no final! Eu vi-a a ir em passo acelerado contigo ao bengaleiro com medo que te fosses embora. Foi lindo! Por trás daquela gritaria o que ela queria era que a convidasses para jantar. Repara numa coisa: o tempo todo somado que ela falou com todos os homens que a abordaram é menor do que o tempo que tu falaste com ela - disse um amigo.

- Deixem-se de tretas - interveio uma outra amiga -, tu querias era comê-la. Admite. Apenas usaste uma estratégia diferente dos outros. Mas, no fundo, foste competitivo e carnal: querias comê-la e quiseste ser o melhor deles. O teu instinto foi tão primitivo como o de todos os outros.

- Não.

- Não, o quê?! Cala-te!

- A sério.

- Admite que a querias comer.

- Não. Bolas, tu tens um preconceito que todos os homens querem estar com uma mulher desde que esta tenha uma bom corpo. E isso não é verdade, é uma generalização abusiva. Foi como se lhe dissesse que nem todos a querem só por isso. Coisa que tu também pensas.

- E penso bem. Podem tentar impressionar pelos carros ou pelos poemas - o que querem é sempre o mesmo. Qual o real motivo por que fizeste o que fizeste?

- Para lhe demonstrar o triunfo do espírito sobre o corpo.

- Vai à merda.

2 comentários:

speauneum disse...

as personagens que tu próprio crias não acreditam em ti... nem sequer elas... isso tira-te a credibilidade e, muito sinceramente, aconselho-te a ires falar com o teu manager.

abraço

Anónimo disse...

:))))

angel