Quando se entrava no salão da festa, juntamente com a mobília e os enfeites, uma rapariga com roupa diminuta quedava-se imóvel, ostentando o corpo. Era parte do cenário.
Inúmeros homens foram cortejá-la (seguramente poderia ter ido para a cama com quase todos eles). Não a vi passar crédito a ninguém. Vi-a ser ostensivamente desdenhosa e arrogante.
- É uma profissional - alguém defendeu.
- É uma estúpida arrogante - ripostou outra.
- Dizes isso só porque ela é podre de boa - contrapôs-lhe o namorado.
A certa altura, alguém de um grupo queria uma bebida. Um interpelou a rapariga-bibelô:
- Ò pedaço de plástico ambulante, é um vodka e uma cola sff.
- Hã? Eu não sirvo bebidas e quem é que tu pensas que és?
Os insultos começaram. Ele ouvia calado. Ela não se calava. E, à saída, ainda foi ter com ele ao bengaleiro.
Cá fora, o grupo queria discutir com ele o sucedido:
- Tu és um idiota. Não tinhas nenhuma legitimidade para fazeres o que fizeste - disse-lhe uma amiga.
- Desculpem, mas tu é que estiveste bem. Todos foram falar com ela e ela não deu bola a ninguém. Contigo, ela até foi atrás de ti no final! Eu vi-a a ir em passo acelerado contigo ao bengaleiro com medo que te fosses embora. Foi lindo! Por trás daquela gritaria o que ela queria era que a convidasses para jantar. Repara numa coisa: o tempo todo somado que ela falou com todos os homens que a abordaram é menor do que o tempo que tu falaste com ela - disse um amigo.
- Deixem-se de tretas - interveio uma outra amiga -, tu querias era comê-la. Admite. Apenas usaste uma estratégia diferente dos outros. Mas, no fundo, foste competitivo e carnal: querias comê-la e quiseste ser o melhor deles. O teu instinto foi tão primitivo como o de todos os outros.
- Não.
- Não, o quê?! Cala-te!
- A sério.
- Admite que a querias comer.
- Não. Bolas, tu tens um preconceito que todos os homens querem estar com uma mulher desde que esta tenha uma bom corpo. E isso não é verdade, é uma generalização abusiva. Foi como se lhe dissesse que nem todos a querem só por isso. Coisa que tu também pensas.
- E penso bem. Podem tentar impressionar pelos carros ou pelos poemas - o que querem é sempre o mesmo. Qual o real motivo por que fizeste o que fizeste?
- Para lhe demonstrar o triunfo do espírito sobre o corpo.
- Vai à merda.
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2 comentários:
as personagens que tu próprio crias não acreditam em ti... nem sequer elas... isso tira-te a credibilidade e, muito sinceramente, aconselho-te a ires falar com o teu manager.
abraço
:))))
angel
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