domingo, junho 28, 2009

Não há um livro que reproduza a maneira como as pessoas realmente falam. Os discursos directos são sempre bem construídos e lineares. Mas as pessoas, quando falam, gaguejam, deixam frases incompletas, emitem murmúrios, recuam, pulam. Que manie de organizar, esquematizar e racionalizar o ser humano - ele é a coisa mais vasta, informe, multifacetada e ilógica que existe.

O Vasco de Graça Moura conta que um dia disse a um amigo:

- Não há discursos das personagens dos livros que me soem verdadeiros.

- Há. Os do Hemingway.

Decidiram pegar em livros do Hemingway e lerem alternadamente as falas.

Ambos exclamaram:

- Não, isto é uma imposturice! Uma artificialidade. Ninguém fala assim.

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