É meu vizinho. Tem o cabelo cinzento desde que me lembro dele, tal como olhar. Veste sobriamente e anda sempre muito recto. O rosto sempre fechado.
Não trocamos palavras além de boa tarde ou bom dia ou boa noite, mas sinto que é um grande fascista.
Basta ver a maneira como a mulher caminha ao lado dele. Basta ver como olha desdenhosamente para a porteira. Basta ver como olhou-indignado-para-as-minhas-calças-rotas-com-aquele-olhar-do-totalitário-que-quer-organizar-o-mundo-todo-à-sua-maneira-e-acabar-com-toda-a-irreverência-e-rebeldia. Basta ver como se crispou quando me viu chegar a casa à hora que ele saía. Basta ver anda na rua. (O andar diz tanto sobre uma pessoa). Tenso. Certinho. Organizado.
«A maior puta é a liberdade», ouço-lhe pulsar do cérebro.
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