quarta-feira, maio 20, 2009

O último magnata

Sou obsessivo-compulsivo. Quando descubro um autor que me apaixona, compro a obra toda.

Ando na fase de ver-tudo-o-que-é-filme-antigo-de-referência.

E, de facto, já não há filmes como antigamente.

The Last Tycoon... porra que filme. Que elenco. Dos melhores realizadores da história do cinema, com os melhores actores alguma vez reunidos num só filme (e tou à vontade porque nem são os da minha preferência), como um nobel da literatura como argumentista que adaptou a obra do enorme Scott Fitzgerald. A última obra de Kazan, a última de Fitzgerald.

Um filme que é uma obra-prima.


Um homem que teve tudo tudo na vida... «excepto o privilégio de entregar altruisticamente a alguém». Dono de uma cadeia cinematográfica tem poder, tem dinheiro, todas as pessoas andam atrás dele para isto e aquilo, todas o procuram, todas as mulheres bonitas imploram-lhe que lhe abra as portas para o estrelato no cinema.

Mas ele apaixona-se por uma mulher simples que só quer uma vida tranquila, que foge do estrelato, da confusão da fama. Humilde, despretensiosa. Mas... com uma cara igual a Minna, a sua mulher falecida.

O filme fala de muita coisa. Destaco duas: a necessidade de repetição e a obnubilação que a maior extraordinária experiência do mundo provoca. Falo do amor, evidentemente.

Como Scott escrevou vivemos sempre em busca de um passado que não volta, como barcos remando incessantemente contra a corrente. Freud disse o mesmo com menos beleza: o prazer da repetição é o principal móbil da humanidade.

O amor leva Sthar que viveu a vida em função do trabalho a desmarcar todos os compromisso urgentes com um sorriso despreocupado. Isto porque: «pode-se embotar uma qualidade sobre a qual se alicerçou uma vida durante anos e das quais depende o futuro de milhares de pessoas apenas devido a uma emoção». O amor.


Um outro ângulo: Sthar sofre de uma doença cardíaca. Com a proximidade da morte, o enorme edifício que construiu não lhe parece suficiente para justificar uma vida. Porque só o amor que armazenámos nos pode consolar na morte. E Sthar procura-o desesperadamente numa mulher que de tão parecida à sua falecida mulher, o faz querer revisitar o Amor.

Angel

11 comentários:

Lis disse...

Lembras me Como o Cinema era Belo e o Jorge Silva Melo, bom gostei imenso do filme, uma bela tarde de facto. Tenho impressão de já o ter visto antes e aquela casa em construção uma metáfora sublime entre outras. Boa noite, um longo dia aguarda-me com o nascer do sol, em breve - pois assim seja

Sr Joao disse...

aquela casa em construção uma metáfora sublime entre outras

Lisa, genial, o teu comentário

Anónimo disse...

Muito bonito tudo isso que escreveste. Mas isso não se trata de obsessão-compulsão. E já que citas Freud na teoria da libido e principio do prazer,a obsessão vem do pensamento e a compulsão vem do acto.No obsessivo compulsivo há um deslocamento da libido não para um objecto(pessoa), mas sim para actos ritualizados com o objectivo de satisfazer a sua compulsão, aliviando-o. O homem que perde a mulher e que procura por outra idêntica poderá ser uma má elaboração do luto. Existem muitas teorias psicológicas que explicam isso. Mas neste contexto, discordo completamente que seja uma obsessão-compulsão.Devemos saber quando e como chamamos nomes às coisas, neste caso, comportamentos.

INCÓGNITA disse...

E se fosses obsessivo-compulsivo, lias sempre o mesmo livro todos os dias, repetitivamente... nem compravas a obra toda!! LOL

Sr Joao disse...

nada tem que ver o que disse de ser obsessivo-compulsivo com a interpretação do filme. nada. que confusão... o freud e a repetição é referente ao filme... o obsessivo-compulsivo é um intróito para explicar que anda a ver filmes antigos...

mas o essencial é: vê o filme! :)

e: já não se faz Cinema como se fazia...

Anónimo disse...

Nisso vou ter de concordar... sim eu depois reparei que me enganei, mas relativamente ao facto de seres obsessivo compulsivo , esquece lá isso...
mas pronto... ficas aqui com uma contribuiçao psicanalitica da teoria da libido (mto resumida) para mais tarde recordar!

Sr Joao disse...

fica sim, obrigado. era esse o teu ponto.

speauneum disse...

realmente, quanto mais leio os teus pensamentos, melhor vendes o teu livro...

de qualquer maneira, enquanto não o leio, vou continuar com aquele livro em construção, uma metáfora sublime, entre outras, para a minha falta de rumo e vontade.

óptimo filme, obrigado angel. e bela tarde, sim senhor. beijinhos e abraços

Sr Joao disse...

eu é que agradeço que venhas cá.

angel

Maria So disse...

o que tinha para te dizer sobre este filme, já o disse pessoalmente, pelo que falta apenas acrescentar que cinema a estas horas [pornográficas], nunca mais!

beijos e obrigada pelo convite. gostei muito de passar a tarde com o Kazan.

Anónimo disse...

o quarteto reuniu-se de novo. fantástico. como o outro quarteto.

angel