terça-feira, maio 26, 2009

Não posso acreditar na meritocracia quando a Manuela Moura Guedes é apresentadora de um dos principais jornais televisivos nacionais ou quando vou ao dentista-mais-caro e ele me cria mais problemas do que resolve.

Não posso acreditar na meritocracia quando Bush é presidente do país mais poderoso do mundo.

Não posso acreditar na meritocracia quando a televisão está infestada de opinantes tão medíocres.

Nas áreas que melhor conheço (livros e jornais), cada vez se publica mais merda (quantas obras-primas de novos autores ficarão por conhecer) e cada vez acredito menos no jornalismo de investigação. Têm todos o rabo preso.

Uma sondagem (evidentemente secreta) revelou que 90% dos jornalistas se sentiam coagidos a escrever de que acordo com a voz do dono.

Que destaque é que isto mereceu? Alguém comentou? Alguém se indignou?

Zero.

Já não há jornalistas isentos. E quem ainda o é, é atirado para um canto - proscrito como o Baptista-Bastos.

Sei de cor os jornalistas que vão dizer sempre bem do partido A e mal do B, sempre bem do clube A e do clube B.

Os jornalistas chegam a declarar personalidades como inocentes ou culpadas, substituindo-se aos tribunais. Tudo em função - não da simpatia ou antipatia - mas de quem servem.

É um nojo.

O Pacheco Pereira, que incha sempre o peito de «imparcialidade» (homem, deixe que sejam os outros a fazer-lhe o elogio e não você próprio!), preocupa-se imensamente com os noticiários da RTP1, mas não fala do nojo que são os da TVI, incomparavelmente mais parciais, superficiais e alarmistas. Já me dei ao trabalho de ver um de fio a pavio - que nojo.

Diz o Pacheco Pereira que a RTP é do Estado e que por isso é com ela que nos devemos preocupar porque o dinheiro é de todos nós.

Certíssimo, mas: Dr. Pacheco, duvida que os privados também tenham interesses a servir? Duvida que os grandes grupos económicos também montem campanhas? Duvida do poder deles?

É maior do que o do Estado.

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