domingo, maio 10, 2009

Explicou durante quinze minutos o diálogo que estabelecera com uma criança de sete anos que não conhecia e com quem falara por acaso através do arame farpado que circundava a escola. Ele passeava pela cidade e algo na criança despertara a sua atenção. Contou pormenorizadamente o diálogo espantoso que travou com a criança através das grades.

Discutiram a guerra, a política de intervenção norte-americana, o estado do mundo.

- Mas como é que alguém aos sete anos...? - interrogavam-se os interlocutores.

- Eu vi logo que ela era diferente e, por isso, é que parei e entabulei a conversação.

E prosseguiu os diálogos só possíveis no mundo dos adultos.

No final disse:

- Tudo isto se passou em linguagem não-verbal. Nós não trocámos uma palavra.

Sem comentários: