Conheço duas pessoas que foram muito próximas de Álvaro Cunhal. Ambas o retratam como um ser profundamente humano. Disse-me uma - não-comunista - que morava ao seu lado:
- Ele interessava-se vivamente pelas pessoas. Sabia todos os problemas dos vizinhos. Todas as doenças, todos os familiares que estavam doentes. Era muito preocupado. Quando alguém tinha alguma complicação de saúde, ele não descansava enquanto não lhe dissessem: «Já está tudo bem.»
Uma outra pessoa, essa do Partido, disse-me que Cunhal estava atento ao mais infímo pormenor do sofrimento humano:
- Nunca me hei-de esquecer que no meio de um congresso importantíssimo, ele me disse: «O segurança está ali há quatro horas e ainda não comeu. Ou o revesam ou vão perguntar-lhe imediatamente o que é que ele quer comer.
António Lobo Antunes disse que uma das coisas que mais o comoveu foi na guerra ver o topo máximo da hierarquia militar ver um soldado a tiritar de frio a fazer de sentinela, tirar o seu casaco e dar-lho. Porque não há hierarquias quanto ao desconforto que é estar de pé, sozinho, à noite a apanhar frio.
São esses gestos que me fazem acreditar na humanidade. São esses gestos que me fazem sentir que vale a pena a lutar. Que, no fundo, vale a pena viver.
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2 comentários:
angel, qanto ao alvaro cunhal, acredito no que escreveste, mas nao te esquecas que falas de uma pessoa, que tendo lutado contra uma ditadura de dta - o que so atesta a favor - o objectivo era introduzir uma dta de esquerda, um regime ao estilo sovietico
por mais humano que se mostre, este seiu objectivo torna-o numa pessoa indesejavel na historia portuguesa.
anónimo,
não me esqueço. se o álvaro cunhal fosse vivo ou se eu fosse nascido em 1974 e ele tomasse o poder, eu fugiria de Portugal.
Angel
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