Conheci uma pessoa muito muito muito rica. Daquelas com muito dinheiro. Um dia, estando num café, com um casal amigo, perguntei:
- Então a Sylvie não vem?
- Não, ela nunca viria aqui. Ela só vai ao café do Ritz. Coitada não consegue ir a outro lado.
E era coitada mesmo, sem qualquer sarcasmo. Não escrevo estas linhas para troçar ou caricaturar. A Sylvie não conseguia mesmo frequentar 99,9% dos sítios.
Desde tenra idade que os pais a tinham posto numa redoma. Protegendo-a de todos os perigos do mundo deletério, feio e pobre. Ela desenvolveu inúmeras fobias.
Ver alguém com suor nas axilas fazia-a literalmente vomitar. Era incapaz de beber de uma palhinha que não tivesse o plástico para ela remover. Incapaz de cumprimentar um estranho sem uma luva que lhe protegesse as mãos.
O papá comprou-lhe uma mansão noutra costa porque ela não aguentava a resina que se lhe colava aos pés na rua ladeada de árvores.
Por a ter conhecido, sou um bocadinho mais tolerante com os muito muito ricos. Tolerante no sentido de compreender que amestraram o paladar a gostar de algo que para eles é tão difícil deixar... que é quase como se ficassem pobres.
Não deve haver pior pobreza do que a pobreza daquele que já foi rico.
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