domingo, maio 24, 2009

Alguém me mostrou um parágrafo de prosa poética com um néctar sublime.

- Quem é o autor? - perguntei, intrigado, pensando em vários clássicos que poderiam ter escrito aquela passagem.

Para minha supresa:

- É de uma amiga minha. Ela não se identifica.

Interrogo-me se há artistas com obras-primas que só escrevem para eles. Acho - mas isto se calhar é uma fé confortável - ninguém a partir de determinado patamar de qualidade escreve só para a gaveta.

5 comentários:

prazeres disse...

Não concordo, tal como existem pessoas que escrevem menos bem e não só mostram aos outros, como são até publicados.
Existirão com certeza muitas pessoas que escrevem bastante bem e guardam na gaveta.
Vejo como o exercicio da escrita como uma necessidade quase fisica e a vejo como uma necessidade de mostrar aos outros...
Essa poderá ser a perpectiva errada.
No meu caso seria, uma vez que para mim ler, é quase uma necessidade, um vicio,
não seria para meu prazer, mas para enumerar para os outros o número de titulos lidos, ou citar passagens de livros para impressionar terceiros...

prazeres disse...

Não concordo, tal como existem pessoas que escrevem menos bem e não só mostram aos outros, como são até publicados.
Existirão com certeza muitas pessoas que escrevem bastante bem e guardam na gaveta.
Vejo como o exercicio da escrita como uma necessidade quase fisica e a vejo como uma necessidade de mostrar aos outros...
Essa poderá ser a perpectiva errada.
No meu caso seria, uma vez que para mim ler, é quase uma necessidade, um vicio,
não seria para meu prazer, mas para enumerar para os outros o número de titulos lidos, ou citar passagens de livros para impressionar terceiros...

Sr Joao disse...

concordo contigo. deixo apenas outra perspectiva: o que é demasiado bom na Literatura, não pertence ao autor, pertence ao mundo. Quando fizeram uma peça de Almeida Garrett, este foi ver os ensaios e indignou-se:

«Não façam assim! Não era isso que o livro quer dizer!»

«Cale-se» - gritou-lhe o encenador. «O livro é tanto seu como de qualquer pessoa do mundo.»

Sr Joao disse...

... ou talvez seja apenas o meu medo de haver obras-primas que jazem gavetas. Medo combatido por uma fé contrária.

Sr Joao disse...

diria que me custa a acreditar que haja beatles escondidos em garagens a tocarem só para eles.