«É melhor lutar do que ficar sentado à espera da morte.»
Adágio Chinês
quinta-feira, abril 30, 2009
- Há pessoas que têm agendas... minha nossa! Só de olhar e ver os dias com as horas todas marcadas com coisas a caneta azul. Isto durante meses! Eu preferia estar presa, credo! Detesto combinar, planear, até uma coisa como saber que segunda e quarta tenho jantares me incomoda. As melhores noites são aquelas que começam de forma inesperada quando saímos de casa apenas para tomar café ou até simplesmente... passear o cão!
quarta-feira, abril 29, 2009
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs
Álvaro de Campos
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs
Álvaro de Campos
Jaime Nogueira Pinto escreveu que a principal, a fundamental diferença de raiz entre a direita e a esquerda é que a primeira é céptica quanto à natureza humana e a segunda confiante. Chama pessimismo antropológica a posição da direita e pessimismo antropológico à segunda.
Se a esquerda fosse totalmente rousseauniana, acharia que poderia haver bons patrões. Mas, ela sabe que quando há poder há tendência para abusos. Como já foi dito por Lord Acton: se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.
Se a esquerda fosse totalmente rousseauniana, acharia que poderia haver bons patrões. Mas, ela sabe que quando há poder há tendência para abusos. Como já foi dito por Lord Acton: se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.
Do Inesperado
Ele telefonou-me só para me dizer:
- Angel, não imaginas, eh pá a sério, a alegria enorme que foi ouvir-te dizer, ainda para mais num contexto de pressa: Ligar-te-ei. A espontaneidade com que tu o disseste, Angel! Toda a gente diz «eu ligo-te» ou «eu depois ligo-te». Eh pá, que prazer enorme que me deste. As pessoas querem lá saber das conjugações verbais. Isso é uma palavra muito grande... «Ligar-te-ei» O tempo que não se perde! Angel, acredita, foi uma coisa estupenda para mim. Tinha de o assinalar; não poderia deixar de o fazer.
- Angel, não imaginas, eh pá a sério, a alegria enorme que foi ouvir-te dizer, ainda para mais num contexto de pressa: Ligar-te-ei. A espontaneidade com que tu o disseste, Angel! Toda a gente diz «eu ligo-te» ou «eu depois ligo-te». Eh pá, que prazer enorme que me deste. As pessoas querem lá saber das conjugações verbais. Isso é uma palavra muito grande... «Ligar-te-ei» O tempo que não se perde! Angel, acredita, foi uma coisa estupenda para mim. Tinha de o assinalar; não poderia deixar de o fazer.
terça-feira, abril 28, 2009
Um tipo mais velho estava enfurecido com um conhecido meu. Ralhava-lhe, esbracejante e vermelho. Eu olhava para o meu conhecido. Estava com dignidade, não-encolhido, não-amedrontado, mas não soltava uma palavra e anuía com a cabeça. Bolas, mas ele não argumentava sequer! Onde estava o orgulho dele? Depois do agressor se retirar, virei-me para ele como se me tivesse desiludido:
- Atão, meu? Nem abriste a boca?
- Não, ele tinha razão.
Levei uma lição de humildade. É o que se deve fazer quando erramos: reconhecer o erro.
- Atão, meu? Nem abriste a boca?
- Não, ele tinha razão.
Levei uma lição de humildade. É o que se deve fazer quando erramos: reconhecer o erro.

A alguém especial
Com a simplicidade de uma pétala
Com a beleza de uma acácia
Trazendo o perfume da saudade
Assim aparece o querubim
Anjo de branco que flutuas no ar
Com a tua magnificência
Iluminas o caminho àqueles que nada vêem
Que já tinham desistido de tentar
E devolves a esperança aos seus corações aleijados
De descobrir o seu caminho
Tiago Prates
segunda-feira, abril 27, 2009
Comprei hoje Histórias de Amor do José Cardoso Pires. Não tanto pelo autor (com obra desigual), mas pela chancela na capa que fala da censura. Explico: o livro tem as partes que foram censuradas sublinhadas.
É uma pura delícia ver como a censura funcionava, especialmente porque o livro não versa a política, mas o amor. A censura não se aplicava a ideias subversivas, mas a puritanismos paroquiais, neste caso.
Vale a pena verem... Nem dá para acreditar que os beijos são censurados, que todos os toques entre homem e mulher são rasurados, que - pasmem... - a palavra nu é sempre sempre obliterada.
Para além dos afectos e do sexo, tudo o que é palavras de calão eram censuradas. Palavras como «camandro» e «galdéria» não podiam figurar nos livros.
Angel
É uma pura delícia ver como a censura funcionava, especialmente porque o livro não versa a política, mas o amor. A censura não se aplicava a ideias subversivas, mas a puritanismos paroquiais, neste caso.
Vale a pena verem... Nem dá para acreditar que os beijos são censurados, que todos os toques entre homem e mulher são rasurados, que - pasmem... - a palavra nu é sempre sempre obliterada.
Para além dos afectos e do sexo, tudo o que é palavras de calão eram censuradas. Palavras como «camandro» e «galdéria» não podiam figurar nos livros.
Angel
domingo, abril 26, 2009
Um professor meu amigo diz-me:
- Angel, os meus alunos não têm de decorar nada. Quem decora, cola com cuspo. Quem percebe, cola na mente perenemente.
- Entendo e concordo em absoluto, mas repara: há sempre datas, fórmulas, nomes para decorar. É impossível que eles não tenham de decorar qualquer coisinha.
Ele abre a mala e mostra-me o enunciado de um ponto (acho tanta piada a esta palavra para expressar teste ou exame) seu:
- Vê este teste que eu fiz.
Leio-o vagarosamente.
Ao fim de algum tempo, digo-lhe:
- Parabéns, não há aqui nada para decorar. Todas as perguntas são sobre relações entre as coisas. É tudo de compreensão. Tudo.
Ele olha-me ufano. De facto, nunca tinha visto um ponto assim.
Devemos ser - Gandhi dix it - a mudança que queremos ver no mundo. Ele acha - e bem - que os alunos devem perceber e não decorar, e deixa a sua marca no mundo agindo em consonância. As suas acções ilustram os seus pensamentos. É assim que todos devemos ser.
Ela, por exemplo, diz que vivemos numa belezocracia e que isso a revolta. Coerentemente, apesar de gira, anda com gajos feios e giros e médios. Não faz de facto acepção pelo critério estético.
Sê - insisto - a mudança que queres ver no mundo.
- Angel, os meus alunos não têm de decorar nada. Quem decora, cola com cuspo. Quem percebe, cola na mente perenemente.
- Entendo e concordo em absoluto, mas repara: há sempre datas, fórmulas, nomes para decorar. É impossível que eles não tenham de decorar qualquer coisinha.
Ele abre a mala e mostra-me o enunciado de um ponto (acho tanta piada a esta palavra para expressar teste ou exame) seu:
- Vê este teste que eu fiz.
Leio-o vagarosamente.
Ao fim de algum tempo, digo-lhe:
- Parabéns, não há aqui nada para decorar. Todas as perguntas são sobre relações entre as coisas. É tudo de compreensão. Tudo.
Ele olha-me ufano. De facto, nunca tinha visto um ponto assim.
Devemos ser - Gandhi dix it - a mudança que queremos ver no mundo. Ele acha - e bem - que os alunos devem perceber e não decorar, e deixa a sua marca no mundo agindo em consonância. As suas acções ilustram os seus pensamentos. É assim que todos devemos ser.
Ela, por exemplo, diz que vivemos numa belezocracia e que isso a revolta. Coerentemente, apesar de gira, anda com gajos feios e giros e médios. Não faz de facto acepção pelo critério estético.
Sê - insisto - a mudança que queres ver no mundo.
Um médico sessentão conta-me que no tempo dele os médicos fumavam enquanto visitavam os pacientes entubados. Não se dizia que o tabaco fazia mal (pergunto-me se o telemóvel e os efeitos das suas radiações estará(ão) para as gerações vindouras como o tabaco). Karl Popper tem razão: a ciência é uma máquina de produzir verdades transitórias substituídas por sucessivas e infinitas novas verdades transitórias...
sábado, abril 25, 2009
Nunca experienciara a fome, mas uma pálida imagem da mesma, uma fracção infinitesimal sob a forma de uma fraqueza numa manhã em que não comi nada por falta dinheiro foi suficiente para a repudiar como uma pornografia hedionda. Recordo-me de ter pensado que aquele desconforto multiplicado por vinte ou por quarenta seria o horror em estado puro, a que ninguém em circunstância alguma deveria ser sujeito.
sexta-feira, abril 24, 2009
quinta-feira, abril 23, 2009
A sociedade hodierna é o reflexo de quatro grandes obras da literatura do século XX. De quatro distopias. (Por distopia, entende-se a antítese de uma utopia.)
Pelo lado da mudança tecnológica, o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. O livro começa pela descrição «Num atarracado prédio de trinta e quatro andares», prevê cinemas com sensações para lá das visuais, a educação feita durante o sono, assimilada acriticamente e sem custo, castas da sociedade que levavam choques sempre que tocam em flores ou em livros. A sociedade é organizacionalmente perfeita, sem conflitos ou necessidade de repressão. Sempre que alguém está mal ou quer simplesmente afugentar o tédio, uma ou duas gramas de soma e já está! Como todo o mundo está feliz, ninguém reflecte ou questiona. Quantos somas não temos hoje na televisão, nos jogos virtuais, na Internet, nos chats, no álcool, nas pastilhas, nas Play-stations, nos after-hours das discotecas…
Pelo lado da violência, Laranja Mecânica de Anthony Burgess. A violência pela violência já lá estava, gratuita, inconsequente, o mero escape da adrenalina. A própria linguagem guetizada, está tudo lá, e com um apêndice a fazer de dicionário no final do livro. O aumento exponencial dos gangues, do crime violento, do crime nas escolas, do crime juvenil e da violência aleatória sem ser para roubar, sem sempre para o que quer que seja que não o prazer dela própria, fazem deste livro um dos que melhore retrata os nossos tempos.
Pelo lado do controle, da vigilância, da perda da privacidade como valor primacial das sociedades ditas democráticas; o 1984 de George Orwell. Só falta uma coisa para o controle ser absoluto como no livro de Orwell. Termos câmaras dentro das nossas próprias casas. Na rua, já estão em todo o lado. Outra parte notável do livro é a supressão de palavras indesejáveis. Como qualquer sociedade autoritária, no 1984 a liberdade não era desejada e, assim, para alcançar tal anelo totalitário, a palavra liberdade vai sendo suprimida. Mas –magnífico! – não é suprimida enquanto palavra mas apenas nos seus significados: a liberdade enquanto ideal, enquanto aspiração humana, perde o significado. Torna-se um signo cujo significado passar a ser apenas «isento de...», como na frase: «O cão está livre de pulgas». Bordieu diz que a expressão «flexibilização do mercado de trabalho» não é empregue ingenuamente. Se fosse substituída por «desregulamentação do mercado de trabalho», alega o sociólogo, teria um peso muito mais negativo querendo dizer exactamente mesmo, e muito mais pessoas o rejeitariam. Como se quer desregulamentar os mercados usa-se o eufemismo simpático. É o peso das palavras…
No Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, a sociedade vê outro inimigo: o livro. Os bombeiros existem não para apagar fogos, mas para queimar os livros. A televisão, omnipresente por todo o lado, passa mensagens de alegria, de futilidade, salpicada de dentes brancos a toda a hora. Aqueles que se recusam a entregar os seus livros ao fogo nas vistorias às casas são mortos. Os livros só levam a dúvidas, a confusão e a angústia – é uma felicidade livrarmo-nos de todas as interrogações que eles comportam. Mais: eles contradizem-se todos; logo nunca obteremos respostas definitivas. Para quê lê-los então? A única maneira de eles continuarem é através de uma comunidade de indivíduos que se isolam num bosque onde vão decorando livros e reproduzindo-os oralmente. Cada um é uma pessoa-livro. «Eu sou O Processo de Kafka», diz um. «Boa tarde, eu sou Romeu e Julieta de Shakespeare», diz outro. O Fahrenheit é terrivelmente actual com o soterrar da Literatura debaixo das pirâmides de livros de poucas calorias que cada vez mais a vão abafando...
Pelo lado da mudança tecnológica, o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. O livro começa pela descrição «Num atarracado prédio de trinta e quatro andares», prevê cinemas com sensações para lá das visuais, a educação feita durante o sono, assimilada acriticamente e sem custo, castas da sociedade que levavam choques sempre que tocam em flores ou em livros. A sociedade é organizacionalmente perfeita, sem conflitos ou necessidade de repressão. Sempre que alguém está mal ou quer simplesmente afugentar o tédio, uma ou duas gramas de soma e já está! Como todo o mundo está feliz, ninguém reflecte ou questiona. Quantos somas não temos hoje na televisão, nos jogos virtuais, na Internet, nos chats, no álcool, nas pastilhas, nas Play-stations, nos after-hours das discotecas…
Pelo lado da violência, Laranja Mecânica de Anthony Burgess. A violência pela violência já lá estava, gratuita, inconsequente, o mero escape da adrenalina. A própria linguagem guetizada, está tudo lá, e com um apêndice a fazer de dicionário no final do livro. O aumento exponencial dos gangues, do crime violento, do crime nas escolas, do crime juvenil e da violência aleatória sem ser para roubar, sem sempre para o que quer que seja que não o prazer dela própria, fazem deste livro um dos que melhore retrata os nossos tempos.
Pelo lado do controle, da vigilância, da perda da privacidade como valor primacial das sociedades ditas democráticas; o 1984 de George Orwell. Só falta uma coisa para o controle ser absoluto como no livro de Orwell. Termos câmaras dentro das nossas próprias casas. Na rua, já estão em todo o lado. Outra parte notável do livro é a supressão de palavras indesejáveis. Como qualquer sociedade autoritária, no 1984 a liberdade não era desejada e, assim, para alcançar tal anelo totalitário, a palavra liberdade vai sendo suprimida. Mas –magnífico! – não é suprimida enquanto palavra mas apenas nos seus significados: a liberdade enquanto ideal, enquanto aspiração humana, perde o significado. Torna-se um signo cujo significado passar a ser apenas «isento de...», como na frase: «O cão está livre de pulgas». Bordieu diz que a expressão «flexibilização do mercado de trabalho» não é empregue ingenuamente. Se fosse substituída por «desregulamentação do mercado de trabalho», alega o sociólogo, teria um peso muito mais negativo querendo dizer exactamente mesmo, e muito mais pessoas o rejeitariam. Como se quer desregulamentar os mercados usa-se o eufemismo simpático. É o peso das palavras…
No Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, a sociedade vê outro inimigo: o livro. Os bombeiros existem não para apagar fogos, mas para queimar os livros. A televisão, omnipresente por todo o lado, passa mensagens de alegria, de futilidade, salpicada de dentes brancos a toda a hora. Aqueles que se recusam a entregar os seus livros ao fogo nas vistorias às casas são mortos. Os livros só levam a dúvidas, a confusão e a angústia – é uma felicidade livrarmo-nos de todas as interrogações que eles comportam. Mais: eles contradizem-se todos; logo nunca obteremos respostas definitivas. Para quê lê-los então? A única maneira de eles continuarem é através de uma comunidade de indivíduos que se isolam num bosque onde vão decorando livros e reproduzindo-os oralmente. Cada um é uma pessoa-livro. «Eu sou O Processo de Kafka», diz um. «Boa tarde, eu sou Romeu e Julieta de Shakespeare», diz outro. O Fahrenheit é terrivelmente actual com o soterrar da Literatura debaixo das pirâmides de livros de poucas calorias que cada vez mais a vão abafando...
- É um amigo. Mas um amigo na concepção mais estreita do termo. Banaliza-se tanto a palavra... Se tiveres um amigo, já é imenso. As pessoas dizem «Ah, sim, é um amigo meu». Não temos cinquenta amigos, nem dez. Aliás, se tirarmos a família e namorados, a maior parte das pessoas não tem amigos. Amigo é quem sabe aquele a quem tu dizes que tens uma dor de dentes e antes de dormir te pergunta se já passou porque ele não está bem enquanto não te passar. Ter um amigo é dividir as tristezas e multiplicar as alegrias. Porque sabes que alguém é uma parte de ti. Alguém sorri quando sorris e fica triste quando estás triste. Sem amigos, a vida é uma merda, Angel. Amizade é sairmos de nós, é sermos 2 em 1. Ligares-te a um amigo é ligares-te ao universo. É perceberes que a vida faz sentido porque alguém te ama.
terça-feira, abril 21, 2009
segunda-feira, abril 20, 2009
Há pessoas que só discutem para catequizarem o próximo. Não há fluxo de ida-e-volta com elas. Recusam-se a aprender e a enriquecerem-se com o Outro. São pessoas que quando o seu interlocutor fala, vê-se pela expressão facial que não o estão a ouvir, mas apenas a estruturarem mentalmente o discurso que vão dizer logo que tenham oportunidade.
Conheço um energúmeno que quando está a catequizar o próximo diz quando é interrompido:
- Ei, ei... aguenta aí os cavalos.
Conheço outro que descredibiliza sempre os argumentos do interlocutor:
- Tu queres-me ajudar na discussão? - como se os argumentos do ponto de vista contrário fosse tão maus que só reforçassem o seu prisma.
E outro ainda que diz:
- Não é nada assim - abana a cabeça com ar paternal e superior e dá largas a um longo solilóquio.
Não sei onde li que o caminho para a ignorância certa e segura é ter sempre os mesmos pontos de vista.
Angel-é-tão-fácil-distinguir-se-estamos-diante-de-alguém-que-só-nos-quer-convencer-ou-de-alguém-que-quer-partilhar-a-sua-opinião-e-escutar-a-nossa
Conheço um energúmeno que quando está a catequizar o próximo diz quando é interrompido:
- Ei, ei... aguenta aí os cavalos.
Conheço outro que descredibiliza sempre os argumentos do interlocutor:
- Tu queres-me ajudar na discussão? - como se os argumentos do ponto de vista contrário fosse tão maus que só reforçassem o seu prisma.
E outro ainda que diz:
- Não é nada assim - abana a cabeça com ar paternal e superior e dá largas a um longo solilóquio.
Não sei onde li que o caminho para a ignorância certa e segura é ter sempre os mesmos pontos de vista.
Angel-é-tão-fácil-distinguir-se-estamos-diante-de-alguém-que-só-nos-quer-convencer-ou-de-alguém-que-quer-partilhar-a-sua-opinião-e-escutar-a-nossa
domingo, abril 19, 2009
Sempre que saio à noite, constato que a facilidade de qualquer pessoa ter sexo grátis e imediato tem aumentado muito. Comparando com há 10 anos, as coisas estão diferentes. Há uma maior permissividade.
No Lux, uma rapariga fazia sexo oral a um rapaz.
Uma funcionária foi lá e disse:
- Isso só lá fora, ok?
Ele disse:
- Agora não,vai ter de acabar.
A rapariga continuou o acto.
No Lux, uma rapariga fazia sexo oral a um rapaz.
Uma funcionária foi lá e disse:
- Isso só lá fora, ok?
Ele disse:
- Agora não,vai ter de acabar.
A rapariga continuou o acto.
sábado, abril 18, 2009
sexta-feira, abril 17, 2009
Há chavões que ouvimos e que são demagógicos e populistas. «Os ricos que paguem a crise» soa-me sempre a uma inveja e ressentimento sedimentados.
Agora que estamos imersos numa crise podemos testar se é verdade ou não a ideia de que a crise não afecta - ou afecta mais brandamente - os ricos.
Alguém que trabalha numa dessas grandes empresas multinacionais com grande nome contava-me que na sua área laboral, há quatro hierarquias: consultor, consultor sénior, manager e executive manager. O consultor sénior tem direito a lugar de garagem. O manager e o executive manager têm direito ao lugar e aos melhores carros. Com a crise, o que aconteceu? Retiram o lugar de estacionamento aos consultores séniores. Os audi e os porsche esses continuam... sem verem ser retirados um milímetro de benefícios.
Eu já trabalhei numa empresa onde a recepcionista ganhava 500€ que era o mesmo que a factura de telemóvel de outros cargos na empresa paga naturalmente por esta. Quantos ganhavam os outros? Dois mil e quatrocentos contos (não consigo converter em euros).
Em conversa com uma pessoa que trabalha num sector imobiliário, perguntei:
- Isto está mais fraco, não está?
- Sim, é por isso que é uma boa altura para comprar casa, porque os preços baixaram.
- Este empreendimento de luxo que ia vender agora veio numa altura complicada...
- Não. Isso nunca é afectado. As casas de luxo e os hotéis de seis estrelas não sofreram com a crise.
Infelizmente, é verdade a ideia de partida.
Agora que estamos imersos numa crise podemos testar se é verdade ou não a ideia de que a crise não afecta - ou afecta mais brandamente - os ricos.
Alguém que trabalha numa dessas grandes empresas multinacionais com grande nome contava-me que na sua área laboral, há quatro hierarquias: consultor, consultor sénior, manager e executive manager. O consultor sénior tem direito a lugar de garagem. O manager e o executive manager têm direito ao lugar e aos melhores carros. Com a crise, o que aconteceu? Retiram o lugar de estacionamento aos consultores séniores. Os audi e os porsche esses continuam... sem verem ser retirados um milímetro de benefícios.
Eu já trabalhei numa empresa onde a recepcionista ganhava 500€ que era o mesmo que a factura de telemóvel de outros cargos na empresa paga naturalmente por esta. Quantos ganhavam os outros? Dois mil e quatrocentos contos (não consigo converter em euros).
Em conversa com uma pessoa que trabalha num sector imobiliário, perguntei:
- Isto está mais fraco, não está?
- Sim, é por isso que é uma boa altura para comprar casa, porque os preços baixaram.
- Este empreendimento de luxo que ia vender agora veio numa altura complicada...
- Não. Isso nunca é afectado. As casas de luxo e os hotéis de seis estrelas não sofreram com a crise.
Infelizmente, é verdade a ideia de partida.
Diário de um desempregado
Clara Ferreira Alves
Ele levanta-se da cama tarde. Diz que tem insónia e não consegue adormecer antes do amanhecer, quando fecha as janelas à primeira luz do sol que penetra através das persianas em raios de poeira doirada. Uns dizem que é preguiça, que não se levanta cedo porque se acomodou. Na verdade, a manhã parece-lhe insuportável porque não há nada para fazer nem de manhã, nem de tarde, nem de noite. Desde que está desempregado pratica uma gestão rigorosa do tempo livre porque o tempo livre é demasiado e não sabe como ocupá-lo.
Existe o problema dos comprimidos que lhe tiram o sono, os antidepressivos que lhe fazem companhia desde que está desempregado. Tentou livrar-se dos comprimidos, mas sem um emprego e um motivo sólido para começar o dia cedo, pisando a manhã como os que têm um emprego e as certezas de um emprego e um salário, foi-se deixando arrastar pelo horário da insónia e do despertar tardio. Que é o horário do desalento. No princípio do desemprego revoltava-se, andava de um lado para o outro de carro, fazia telefonemas a torto e a direito - sabes de alguma coisa? - bebia bicas em pastelarias com os jornais diários do dia, à cata dos anúncios, arquitectava projectos atrás de projectos, vou fazer isto, vou fazer aquilo, tive uma ideia para isto e outra para aquilo, conheces alguém que, etc., punha esquemas em papéis, hipóteses no ar e desenhava uma vida cheia de promessas e colaborações. Alguém viria a precisar dele.
Foram aparecendo uns biscates que o desencravavam. Com a passagem do tempo os biscates foram ficando escassos até desaparecerem. Com a crise, não há biscates, nem hipóteses, nem projectos. Resta de toda essa actividade um vago enunciado de mais um projecto falhado que, eventualmente, arranjaria financiamento... etc. Nem ele mesmo já acredita nestas arquitecturas. Com um meio sorriso diz que tem que manter a cabeça com alguma coisa dentro para não dar em estúpido. Na verdade, sabe que ninguém contrata um homem da idade dele. Mais de 50 anos no mercado de trabalho é o equivalente à morte. Candidata-se a várias coisas para as quais se sente qualificado e nem lhe chegam a responder.
Com a crise, candidata-se a coisas que nunca lhe passariam antes pela cabeça. Coisas abaixo do que julga ser a sua qualificação e o seu estatuto... guiar táxis? Criado de mesa? Jardineiro? Cozinheiro? A idade não perdoa.
Devem-lhe uns trocos de um trabalho antigo que não espera receber. Foi mudando de casa, vendendo as coisas boas que tinha. O carro já se foi, comprou-lhe tempo. Até aparecer alguma coisa, um emprego, um empenho, uma magia que o livre da indigência. Os amigos foram emprestando dinheiro e de cada vez emprestam menos e desesperam mais. Alguns acusam-no de se deixar ir. Deixar-se ir é a única coisa que pode fazer. O desemprego é como um rio lento e tranquilo que arrasta tudo na passagem, detritos, margens, chuvas, aluviões. Tudo o que constitui a identidade social de uma pessoa está, no mundo em que vivemos, ligado ao seu lugar no mercado de trabalho. Quem não tem trabalho é um pária, quem não tem trabalho há algum tempo é um apátrida. Quem não tem trabalho há muito tempo é um vagabundo.
Ele pensava que controlava o mercado do trabalho temporário, habituara-se a viver na precariedade e na incerteza. No pavor da conta por pagar, das cobranças dos impostos. Da chegada do correio. E durante uns tempos aguentou-se sem problemas, aparecia sempre qualquer coisa que o salvava à beira do abismo. Movimentava-se com elegância neste universo de faz de conta, não se queixava, quase consolava os amigos que lhe diziam tens de arranjar qualquer coisa, tens de arranjar qualquer coisa. Ninguém dizia o quê. Nem como. Com o tempo os amigos deixaram de acreditar e compraram-lhe o que puderam para o ajudar. No tempo em que se revoltava recusava-se a ficar em casa a olhar para as paredes e corria a cidade em pequenas tarefas mobilizadoras que não lhe rendiam um tostão e lhe davam a ilusão de uma rotina. Depois vieram os comprimidos, para acalmar, para tapar a angústia.
E agora, pacificado, resignado, deixa-se ficar a olhar para as paredes, concebe um projecto ou outro, vago, vago, e abomina a manhã e o movimento. Como não tem carro, desloca-se pouco. Bate a cidade como um estrangeiro dentro dela e volta para casa. Ninguém acredita que vá arranjar qualquer coisa e ele também deixou de acreditar. O desemprego colou-se à pele. Lembro-me de o ver trabalhar, muito. Como tantos outros, desistiu.
Clara Ferreira Alves
Ele levanta-se da cama tarde. Diz que tem insónia e não consegue adormecer antes do amanhecer, quando fecha as janelas à primeira luz do sol que penetra através das persianas em raios de poeira doirada. Uns dizem que é preguiça, que não se levanta cedo porque se acomodou. Na verdade, a manhã parece-lhe insuportável porque não há nada para fazer nem de manhã, nem de tarde, nem de noite. Desde que está desempregado pratica uma gestão rigorosa do tempo livre porque o tempo livre é demasiado e não sabe como ocupá-lo.
Existe o problema dos comprimidos que lhe tiram o sono, os antidepressivos que lhe fazem companhia desde que está desempregado. Tentou livrar-se dos comprimidos, mas sem um emprego e um motivo sólido para começar o dia cedo, pisando a manhã como os que têm um emprego e as certezas de um emprego e um salário, foi-se deixando arrastar pelo horário da insónia e do despertar tardio. Que é o horário do desalento. No princípio do desemprego revoltava-se, andava de um lado para o outro de carro, fazia telefonemas a torto e a direito - sabes de alguma coisa? - bebia bicas em pastelarias com os jornais diários do dia, à cata dos anúncios, arquitectava projectos atrás de projectos, vou fazer isto, vou fazer aquilo, tive uma ideia para isto e outra para aquilo, conheces alguém que, etc., punha esquemas em papéis, hipóteses no ar e desenhava uma vida cheia de promessas e colaborações. Alguém viria a precisar dele.
Foram aparecendo uns biscates que o desencravavam. Com a passagem do tempo os biscates foram ficando escassos até desaparecerem. Com a crise, não há biscates, nem hipóteses, nem projectos. Resta de toda essa actividade um vago enunciado de mais um projecto falhado que, eventualmente, arranjaria financiamento... etc. Nem ele mesmo já acredita nestas arquitecturas. Com um meio sorriso diz que tem que manter a cabeça com alguma coisa dentro para não dar em estúpido. Na verdade, sabe que ninguém contrata um homem da idade dele. Mais de 50 anos no mercado de trabalho é o equivalente à morte. Candidata-se a várias coisas para as quais se sente qualificado e nem lhe chegam a responder.
Com a crise, candidata-se a coisas que nunca lhe passariam antes pela cabeça. Coisas abaixo do que julga ser a sua qualificação e o seu estatuto... guiar táxis? Criado de mesa? Jardineiro? Cozinheiro? A idade não perdoa.
Devem-lhe uns trocos de um trabalho antigo que não espera receber. Foi mudando de casa, vendendo as coisas boas que tinha. O carro já se foi, comprou-lhe tempo. Até aparecer alguma coisa, um emprego, um empenho, uma magia que o livre da indigência. Os amigos foram emprestando dinheiro e de cada vez emprestam menos e desesperam mais. Alguns acusam-no de se deixar ir. Deixar-se ir é a única coisa que pode fazer. O desemprego é como um rio lento e tranquilo que arrasta tudo na passagem, detritos, margens, chuvas, aluviões. Tudo o que constitui a identidade social de uma pessoa está, no mundo em que vivemos, ligado ao seu lugar no mercado de trabalho. Quem não tem trabalho é um pária, quem não tem trabalho há algum tempo é um apátrida. Quem não tem trabalho há muito tempo é um vagabundo.
Ele pensava que controlava o mercado do trabalho temporário, habituara-se a viver na precariedade e na incerteza. No pavor da conta por pagar, das cobranças dos impostos. Da chegada do correio. E durante uns tempos aguentou-se sem problemas, aparecia sempre qualquer coisa que o salvava à beira do abismo. Movimentava-se com elegância neste universo de faz de conta, não se queixava, quase consolava os amigos que lhe diziam tens de arranjar qualquer coisa, tens de arranjar qualquer coisa. Ninguém dizia o quê. Nem como. Com o tempo os amigos deixaram de acreditar e compraram-lhe o que puderam para o ajudar. No tempo em que se revoltava recusava-se a ficar em casa a olhar para as paredes e corria a cidade em pequenas tarefas mobilizadoras que não lhe rendiam um tostão e lhe davam a ilusão de uma rotina. Depois vieram os comprimidos, para acalmar, para tapar a angústia.
E agora, pacificado, resignado, deixa-se ficar a olhar para as paredes, concebe um projecto ou outro, vago, vago, e abomina a manhã e o movimento. Como não tem carro, desloca-se pouco. Bate a cidade como um estrangeiro dentro dela e volta para casa. Ninguém acredita que vá arranjar qualquer coisa e ele também deixou de acreditar. O desemprego colou-se à pele. Lembro-me de o ver trabalhar, muito. Como tantos outros, desistiu.
Há alturas em que penso que sei tanto sobre os segredos da natureza humana, do mundo e da vida que pouco mais há para descobrir. Este excesso é felizmente quebrado quando vejo casais juntos que são a coisa mais estranha possível. Explico: duas pessoas juntas que acho inconcebíveis enquanto casal. Nunca vos aconteceu?
Então, penso que não sei nada de nada.
(Talvez as portas que as pessoas dizem que só eu abro, assim como as portas que só aquela, aquele e aquela me abrem, talvez que os outros também vejam nos outros portas que só aqueles outros abrem e que eu não saibam quais são.)
Angel-também-sentes-que-há-partes-de-ti-que-só-com-uma-pessoa-comunicas?
Então, penso que não sei nada de nada.
(Talvez as portas que as pessoas dizem que só eu abro, assim como as portas que só aquela, aquele e aquela me abrem, talvez que os outros também vejam nos outros portas que só aqueles outros abrem e que eu não saibam quais são.)
Angel-também-sentes-que-há-partes-de-ti-que-só-com-uma-pessoa-comunicas?
quinta-feira, abril 16, 2009
A questão da imagem
Paul Giamatti e Danny DeVito são dois grandes actores (ainda que o segundo tenha participado em inúmeros filmes da pipoca). Infelizmente, Hollywood, como o mundo, liga e liga muito à beleza. E eles são feios e - pecado mortal para um homem - são dois pigmeus. É uma coisa que nunca entendi bem, e que me farto de ouvir:
- Ela namora com um homem mais baixo.
Nunca entend(erei)i o propósito desta observação.
Não tenho dúvidas de que, por exemplo, o facto de Obama ser telegénico o ajuda, assim como a carantonha feia da Ferreira Leite ou da Odete Santos as prejudicam. E se Marques Mendes fosse mais alto, se calhar ainda era o líder do PSD.
- Ela namora com um homem mais baixo.
Nunca entend(erei)i o propósito desta observação.
Não tenho dúvidas de que, por exemplo, o facto de Obama ser telegénico o ajuda, assim como a carantonha feia da Ferreira Leite ou da Odete Santos as prejudicam. E se Marques Mendes fosse mais alto, se calhar ainda era o líder do PSD.
quarta-feira, abril 15, 2009
George Orwell dá as regras para escrever:
a) se houver uma palavra que possamos cortar sem perca do sentido, elimine-mo-la impiedosamente. Nada pior, diz, do que uma palavra redundante. A mais;
b) se houver uma palavra mais simples para expressar uma palavra cara, substitui-la. Atenção que há palavras caras insubstituíveis por representarem um sentimento ou uma porção do universo humano que só ela transmite;
c) evitar metáforas gastas. Ouro sobre azul, por exemplo é uma poesia imagética linda, mas esvaziada da frescura da beleza de tão usada.
Escrever, no fundo, é reduzir o hiato entre o que queremos comunicar e o que o papel transmite. Quando a diferença é quase nula, a escrita é quase perfeita.
a) se houver uma palavra que possamos cortar sem perca do sentido, elimine-mo-la impiedosamente. Nada pior, diz, do que uma palavra redundante. A mais;
b) se houver uma palavra mais simples para expressar uma palavra cara, substitui-la. Atenção que há palavras caras insubstituíveis por representarem um sentimento ou uma porção do universo humano que só ela transmite;
c) evitar metáforas gastas. Ouro sobre azul, por exemplo é uma poesia imagética linda, mas esvaziada da frescura da beleza de tão usada.
Escrever, no fundo, é reduzir o hiato entre o que queremos comunicar e o que o papel transmite. Quando a diferença é quase nula, a escrita é quase perfeita.
- Na empresa onde trabalho, as pessoas mais próximas de mim têm sido despedidas. Estou tão triste com isso. Não é medo de perder o lugar, é sentir que as pessoas, mesmo as mais dedicadas vão para a rua. Não há uma gratidão sequer pela tremenda utilidade que algumas pessoas tiveram na empresa. Se não facturam, mesmo que o seu trabalho seja excelente, se não facturam, o big boss só olha a dinheiro e manda para a rua... Nem quer saber se a facturação se deve a factores que lhe são totalmente alheios.
Parece que a crise, sendo como qualquer crise que se preze, estrutural e transversal, atingiu o globo inteiro e os mais variados sectores. Um epifenómeno: aumentando o número de pessoas sem trabalho, aumentou o tempo livre. Com mais tempo livre e menos preocupações na mente, tenho constatado que vão recrudescendo o voyeurismo, o vampirizar das vidas alheias e a má-língua como passatempo.
Desembaraça-te da má língua inconsequente.
Desembaraça-te da má língua inconsequente.
terça-feira, abril 14, 2009
segunda-feira, abril 13, 2009
Se me contasse isto a sós, não o reproduziria aqui. Como contou numa mesa alargada perante amigos, conhecidos e nem-isso:
- Eu gosto de mulheres, mas tive um homossexual interessado em mim e apesar de nunca ter tido vontade de estar com ele, uma vez que estava altamente excitado. Ele disse que me desejava. E uma vez no carro, eu fui ao colo dele e ele ficou erecto e eu senti-o. Por saber que ele me desejava ardentemente, fiquei excitado por ele estar excitado. É estranho, mas estava muito contente por me sentir tão desejado, mas era incapaz de ter alguma coisa com ele.
- Eu gosto de mulheres, mas tive um homossexual interessado em mim e apesar de nunca ter tido vontade de estar com ele, uma vez que estava altamente excitado. Ele disse que me desejava. E uma vez no carro, eu fui ao colo dele e ele ficou erecto e eu senti-o. Por saber que ele me desejava ardentemente, fiquei excitado por ele estar excitado. É estranho, mas estava muito contente por me sentir tão desejado, mas era incapaz de ter alguma coisa com ele.
Pessoas Excêntricas
Conheço uma pessoa que anda de bicicleta em casa (não, não é das fixas) e faz corridas com o seu gato dentro de quatro paredes a ver quem ganha.
Angel-qualquer-dia-escrevo-Os-Excêntricos
Angel-qualquer-dia-escrevo-Os-Excêntricos
quinta-feira, abril 09, 2009
quarta-feira, abril 08, 2009
terça-feira, abril 07, 2009
segunda-feira, abril 06, 2009
When we look back at it all as I know we will
You and me, wide eyed
I wonder...
Will we really remember how it feels to be this alive?
And I know we have to go
I realize we only get to stay so long
Always have to go back to real lives
Where we belong
Where we belong
Where we belong
When we think back to all this and I'm sure we will
Me and you, here and now
Will we forget the way it really is
Why it feels like this and how?
And we always have to go I realize
We always have to say goodbye
Always have to go back to real lives
But real lives are the reason why
We want to live another life
We want to feel another time
Another time...
Yeah another time
To feel another time...
When we look back at it all as I know we will
You and me, wide eyed
I wonder...
Will we really remember how it feels to be this alive?
And I know we have to go
I realize we always have to turn away
Always have to go back to real lives
But real lives are why we stay
For another dream
Another day
For another world
Another way
For another way...
One last time before it's over
One last time before the end
One last time before it's time to go again...
The Cure
You and me, wide eyed
I wonder...
Will we really remember how it feels to be this alive?
And I know we have to go
I realize we only get to stay so long
Always have to go back to real lives
Where we belong
Where we belong
Where we belong
When we think back to all this and I'm sure we will
Me and you, here and now
Will we forget the way it really is
Why it feels like this and how?
And we always have to go I realize
We always have to say goodbye
Always have to go back to real lives
But real lives are the reason why
We want to live another life
We want to feel another time
Another time...
Yeah another time
To feel another time...
When we look back at it all as I know we will
You and me, wide eyed
I wonder...
Will we really remember how it feels to be this alive?
And I know we have to go
I realize we always have to turn away
Always have to go back to real lives
But real lives are why we stay
For another dream
Another day
For another world
Another way
For another way...
One last time before it's over
One last time before the end
One last time before it's time to go again...
The Cure
domingo, abril 05, 2009
sábado, abril 04, 2009
Isto é intemporalidade
“O magnânimo não se expõe a perigos insignificantes, nem tem amor ao perigo, pois estima poucas coisas; mas enfrentará os grandes perigos, e nesses casos não poupará a sua vida, sabendo que há condições em que não vale a pena viver. É também muito capaz de conferir benefícios, mas envergonha-se de recebê-los, pois aquilo é característico do homem superior e isto do inferior. E costuma retribuir com grandes benefícios, pois assim o primeiro benfeitor, além de ser pago, incorrerá em dívida para consigo e sairá lucrando na transação. Parece também lembrar de todos os serviços que prestou, mas não dos que recebeu (pois quem recebe um serviço é inferior a quem o presta, mas o magnânimo deseja ser superior).
(...) É também característico do homem magnânimo não pedir nada ou quase nada.
(...) Deve também ser franco nos seus ódios e amores (porquanto ocultar os seus sentimentos, isto é, olhar menos à verdade do que à opinião dos outros, é próprio de um covarde); e deve falar e agir abertamente.
(...) Nem guarda rancor por ofensas que lhe façam, já que não é próprio de um homem magnânimo ter a memória longa, particularmente no que toca a ofensas, antes relevá-las. Tampouco é dado a conversas fúteis, pois não fala nem sobre si mesmo nem sobre os outros, porquanto não lhe interessam os elogios que lhe façam nem as censuras dirigidas aos outros (...).
O magnânimo relaciona-se, pois, com a honra em grande escala...”
Aristóteles
(...) É também característico do homem magnânimo não pedir nada ou quase nada.
(...) Deve também ser franco nos seus ódios e amores (porquanto ocultar os seus sentimentos, isto é, olhar menos à verdade do que à opinião dos outros, é próprio de um covarde); e deve falar e agir abertamente.
(...) Nem guarda rancor por ofensas que lhe façam, já que não é próprio de um homem magnânimo ter a memória longa, particularmente no que toca a ofensas, antes relevá-las. Tampouco é dado a conversas fúteis, pois não fala nem sobre si mesmo nem sobre os outros, porquanto não lhe interessam os elogios que lhe façam nem as censuras dirigidas aos outros (...).
O magnânimo relaciona-se, pois, com a honra em grande escala...”
Aristóteles
Nem sempre as ideias vigentes são as melhores.
Exemplos:
O Catolicismo esmagou o Anabaptismo. O primeiro defende o baptismo aos recém-nascidos, o segundo defende o baptismo em idade adulta e consciente. Para o Catolicismo quem não era baptizado (nove décimos do mundo?) não ia para o Céu. Não era injusto ter a vida eterna condicionada pelos pais? Contudo, o Catolicismo é maioritário e o Anabaptismo residual.
Votamos apenas no que queríamos que ganhasse, mas não no segundo, terceiro e quarto. Dito de outra maneira: vamos votar nas legislativas, temos 12 opções, mas só colocamos uma cruz. Condorcet explicou que podemos assim eleger o candidato que seria também o mais detestado. Como? Se votássemos nas 12 opções pondo-as hierarquicamente: em primeiro voto neste partido, em segundo neste até ao décimo segundo, atribuindo pontos a cada votação; descobriríamos que o mais votado poderia ser também o mais detestado (o décimo segundo)
Também esta teoria não vingou.
Exemplos:
O Catolicismo esmagou o Anabaptismo. O primeiro defende o baptismo aos recém-nascidos, o segundo defende o baptismo em idade adulta e consciente. Para o Catolicismo quem não era baptizado (nove décimos do mundo?) não ia para o Céu. Não era injusto ter a vida eterna condicionada pelos pais? Contudo, o Catolicismo é maioritário e o Anabaptismo residual.
Votamos apenas no que queríamos que ganhasse, mas não no segundo, terceiro e quarto. Dito de outra maneira: vamos votar nas legislativas, temos 12 opções, mas só colocamos uma cruz. Condorcet explicou que podemos assim eleger o candidato que seria também o mais detestado. Como? Se votássemos nas 12 opções pondo-as hierarquicamente: em primeiro voto neste partido, em segundo neste até ao décimo segundo, atribuindo pontos a cada votação; descobriríamos que o mais votado poderia ser também o mais detestado (o décimo segundo)
Também esta teoria não vingou.
O escritor William Faulkner tinha boas lembranças de seu emprego num bordel. "Para um artista, é o melhor lugar", declarou, "Têm-se liberdade econômica, um teto em cima e quase nada para fazer, salvo cuidar de umas escriturações simples e ir mensalmente pagar à polícia local. O lugar é quieto durante as manhãs, o melhor momento do dia para a literatura. E há bastante vida social à noite, o que afasta o tédio". Hilda Hilst mudou-se para um sítio isolado, onde escrevia durante o dia, e aguardava a visita de discos voadores ao anoitecer. Para Ernest Hemingway, os melhores lugares eram os hotéis. "Basta uma cama, uma boa mesa e um quarto limpo." Françoise Sagan exigia apenas que o lugar fosse bastante iluminado. Caio Fernando Abreu não escrevia sem uma rosa amarela e uma foto de Virginia Woolf à sua frente. Balzac escreveu a sua Comédia Humana trancado secretamente em um quarto minúsculo, fugindo de credores. Nelson Rodrigues criava seus personagens em meio ao burburinho frenético das redações de jornal. Anton Tchekhov elaborava a maior parte de seus contos entre consultas médicas e diagnósticos. Clarice Lispector escrevia com a sua Olivetti no colo, entre os filhos e os afazeres domésticos. Gustave Flaubert fazia dos corpos de suas amantes sólidos apoios para a pena e os papéis.
Dorothy Parker levava seis meses para escrever um conto. Primeiro imaginava-o do início ao fim, só depois se sentava para escrever frase a frase. Ela nunca tinha o primeiro esboço porque não conseguia escrever cinco palavras sem modificar sete, como dizia. Dorothy Canfield Fisher comparava a redação de um primeiro rascunho a uma descida de esqui por uma encosta íngreme, que ela não tinha a certeza de ser bastante hábil para realizar: "Eu escrevia tão depressa quanto o meu lápis permitia, indicando palavras inteiras com os meus rabiscos". Frank O'Connor preferia escrever o que lhe viesse à cabeça, ou ao papel, sem julgamentos. Acreditava que no emaranhado de ideias apareceria o contorno principal da sua história. William Styron confessava ter uma necessidade neurótica de melhorar cada parágrafo, até mesmo cada frase, à medida que escrevia, o que tornava o ato de reescrever interminável. Françoise Sagan levava no máximo três dias revisando cada novela. A maior parte do tempo era dedicada a eliminar vícios literários: "Adjetivos, advérbios e toda palavra que lá estivesse apenas para produzir efeito". Georges Simenon era da mesma opinião. "Corto tudo que for muito literário", declarou uma vez em uma entrevista, "Se me deparo com uma bela frase, por exemplo, elimino-a". A beleza para ele era na maioria das vezes apenas decorativa. Julio Cortázar achava por bem desconfiar sempre dos seus textos, se não "corremos o risco de nos tornarmos cegos como aquelas mães que julgam os seus filhos os mais belos e inteligentes de todos, e assim esperam que o mundo inteiro faça". Clarice Lispector não relia os seus livros depois de entregá-los à editora. "Tenho náuseas", dizia.
William Faulkner não era contra a técnica, mas achava que ela muitas vezes assumia em demasiado o comando da imaginação artística, antes que o próprio escritor pudesse deitar-lhe a mão. "O trabalho assim não é mais do que uma questão de ajustar os tijolos uns sobre os outros. Já que o escritor provavelmente sabe cada palavra que virá até o fim antes de escrever a primeira." Difícil tarefa de manter a vivacidade dentro de uma forma, ele considerava. "O objetivo de todo artista é deter o movimento, que é a vida, por meios artificiais, e conservá-lo fixo, de modo que, cem anos depois quando um estranho o fitar, ele se mova novamente." Henry Miller descobriu com o tempo que a sua melhor técnica era não ter técnica nenhuma. "Jamais achei que deveria aderir a qualquer maneira de tratar um tema. Permaneço aberto e flexível, pronto para seguir a direção dos ventos ou das correntes de pensamento." Truman Capote buscava manter um domínio estilístico e emocional sobre o que escrevia. Para ele, uma história poderia ser arruinada por causa de um ritmo equivocado de uma frase ― principalmente se for na parte final, ou por um erro na divisão dos parágrafos ou de pontuação. "A arte de escrever possui leis de perspectiva, luz e sombra, assim como a pintura e a música. Se a gente nasce conhecendo-as, ótimo. Se não, devemos aprendê-las e depois readaptá-las para que se ajustem a nós." Katherine Anne Porter buscava como escritora uma visão singular para os acontecimentos. "É aí que começa o trabalho, com as consequências dos atos, não com os atos em si mesmos. É nas reverberações, nas implicações que o artista trabalha."
Henry Miller um dia cortou o cordão umbilical com a literatura. "Abandonei as influências e resolvi escrever partindo de minha experiência, daquilo que eu sabia e sentia. E isso foi a minha salvação." Deixou de ser um literato para ser um escritor, como ele disse. "Abandonei as ideias e os conceitos em prol da vitalidade." Em busca da pulsação vital da palavra escrita, muitos escritores equivocadamente olham mais para fora ― para aquilo que chamam de realidade ― do que para dentro ― para aquilo que chamam de sonho ou imaginação, lamentou Paul Valéry. "Lançar mão da realidade é uma espécie de embuste", considerava Françoise Sagan, "A arte deve colher a realidade de surpresa". Para a escritora, a arte não deveria inculcar o real como sendo uma preocupação. "Nada é mais irreal que certos romances chamados realistas ― e que não passam de pesadelos. É possível conseguir ― se num romance certa verdade sensorial ― o verdadeiro sentimento de um personagem ― eis tudo. A ilusão da arte por certo é fazer com que se acredite que a grande literatura é muito ligada à vida, mas exatamente o oposto é que é verdadeiro. A vida é amorfa; a literatura, formal." Ernest Hemingway considerava a busca da vitalidade, e não da realidade, a sua saga literária. "De todas as coisas que se sabe e das que não se sabe, a gente faz algo através de nossa invenção, que não é uma representação, mas é algo inteiramente novo e mais verdadeiro do que qualquer coisa verdadeira e viva. A gente lhe dá vida. Pelo tempo que dura uma leitura, e pelo tempo que a leitura ressoar em alguém, lhe dá imortalidade. Eis aí por que se escreve."
Claudia Lage
Dorothy Parker levava seis meses para escrever um conto. Primeiro imaginava-o do início ao fim, só depois se sentava para escrever frase a frase. Ela nunca tinha o primeiro esboço porque não conseguia escrever cinco palavras sem modificar sete, como dizia. Dorothy Canfield Fisher comparava a redação de um primeiro rascunho a uma descida de esqui por uma encosta íngreme, que ela não tinha a certeza de ser bastante hábil para realizar: "Eu escrevia tão depressa quanto o meu lápis permitia, indicando palavras inteiras com os meus rabiscos". Frank O'Connor preferia escrever o que lhe viesse à cabeça, ou ao papel, sem julgamentos. Acreditava que no emaranhado de ideias apareceria o contorno principal da sua história. William Styron confessava ter uma necessidade neurótica de melhorar cada parágrafo, até mesmo cada frase, à medida que escrevia, o que tornava o ato de reescrever interminável. Françoise Sagan levava no máximo três dias revisando cada novela. A maior parte do tempo era dedicada a eliminar vícios literários: "Adjetivos, advérbios e toda palavra que lá estivesse apenas para produzir efeito". Georges Simenon era da mesma opinião. "Corto tudo que for muito literário", declarou uma vez em uma entrevista, "Se me deparo com uma bela frase, por exemplo, elimino-a". A beleza para ele era na maioria das vezes apenas decorativa. Julio Cortázar achava por bem desconfiar sempre dos seus textos, se não "corremos o risco de nos tornarmos cegos como aquelas mães que julgam os seus filhos os mais belos e inteligentes de todos, e assim esperam que o mundo inteiro faça". Clarice Lispector não relia os seus livros depois de entregá-los à editora. "Tenho náuseas", dizia.
William Faulkner não era contra a técnica, mas achava que ela muitas vezes assumia em demasiado o comando da imaginação artística, antes que o próprio escritor pudesse deitar-lhe a mão. "O trabalho assim não é mais do que uma questão de ajustar os tijolos uns sobre os outros. Já que o escritor provavelmente sabe cada palavra que virá até o fim antes de escrever a primeira." Difícil tarefa de manter a vivacidade dentro de uma forma, ele considerava. "O objetivo de todo artista é deter o movimento, que é a vida, por meios artificiais, e conservá-lo fixo, de modo que, cem anos depois quando um estranho o fitar, ele se mova novamente." Henry Miller descobriu com o tempo que a sua melhor técnica era não ter técnica nenhuma. "Jamais achei que deveria aderir a qualquer maneira de tratar um tema. Permaneço aberto e flexível, pronto para seguir a direção dos ventos ou das correntes de pensamento." Truman Capote buscava manter um domínio estilístico e emocional sobre o que escrevia. Para ele, uma história poderia ser arruinada por causa de um ritmo equivocado de uma frase ― principalmente se for na parte final, ou por um erro na divisão dos parágrafos ou de pontuação. "A arte de escrever possui leis de perspectiva, luz e sombra, assim como a pintura e a música. Se a gente nasce conhecendo-as, ótimo. Se não, devemos aprendê-las e depois readaptá-las para que se ajustem a nós." Katherine Anne Porter buscava como escritora uma visão singular para os acontecimentos. "É aí que começa o trabalho, com as consequências dos atos, não com os atos em si mesmos. É nas reverberações, nas implicações que o artista trabalha."
Henry Miller um dia cortou o cordão umbilical com a literatura. "Abandonei as influências e resolvi escrever partindo de minha experiência, daquilo que eu sabia e sentia. E isso foi a minha salvação." Deixou de ser um literato para ser um escritor, como ele disse. "Abandonei as ideias e os conceitos em prol da vitalidade." Em busca da pulsação vital da palavra escrita, muitos escritores equivocadamente olham mais para fora ― para aquilo que chamam de realidade ― do que para dentro ― para aquilo que chamam de sonho ou imaginação, lamentou Paul Valéry. "Lançar mão da realidade é uma espécie de embuste", considerava Françoise Sagan, "A arte deve colher a realidade de surpresa". Para a escritora, a arte não deveria inculcar o real como sendo uma preocupação. "Nada é mais irreal que certos romances chamados realistas ― e que não passam de pesadelos. É possível conseguir ― se num romance certa verdade sensorial ― o verdadeiro sentimento de um personagem ― eis tudo. A ilusão da arte por certo é fazer com que se acredite que a grande literatura é muito ligada à vida, mas exatamente o oposto é que é verdadeiro. A vida é amorfa; a literatura, formal." Ernest Hemingway considerava a busca da vitalidade, e não da realidade, a sua saga literária. "De todas as coisas que se sabe e das que não se sabe, a gente faz algo através de nossa invenção, que não é uma representação, mas é algo inteiramente novo e mais verdadeiro do que qualquer coisa verdadeira e viva. A gente lhe dá vida. Pelo tempo que dura uma leitura, e pelo tempo que a leitura ressoar em alguém, lhe dá imortalidade. Eis aí por que se escreve."
Claudia Lage
sexta-feira, abril 03, 2009
- Depois de viajar tanto pelo mundo, perdi um pouco da minha pureza de coração. Fui viver entre os índios porque pensava que eles não eram nada mercantilistas, mas descobri que no fundo somos todos mais parecidos do que imaginamos. Eles, exemplo, não usam dinheiro, mas se puderem trocar um frasco de mel por outro produto vão fazer tudo o que seja possível para subtilmente trocarem o frasco que tem menos mel.
quinta-feira, abril 02, 2009
nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas
e.e.cummings
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas
e.e.cummings
quarta-feira, abril 01, 2009
Mulheres
Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.
Miguel Esteves Cardoso
Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.
Miguel Esteves Cardoso
Há histórias incríveis.
Uma dia, uma namorada dele, a Sandra, terminou a relação enquanto lanchavam num café (o nome obliterou-se-me). Ela disse-lhe:
- Não consigo continuar esta relação. Gosto de ti, mas não sou feliz contigo. Pensei muito. Não dá. Não dá mesmo.
Ele ficou magoadíssimo.
Três anos depois, ele está com outra namorada, a Lena. Ela sugere irem a um café. Ele diz:
- Eu hoje quero que vás comigo a um sítio.
- Então?
Ele não explica, mas insiste.
- Não, tem de ser ali.
E leva-a lá.
No café ele diz a Lena:
- Não consigo continuar esta relação. Gosto de ti, mas não sou feliz contigo. Pensei muito. Não dá. Não dá mesmo.
Lena estranha.
- Mas assim de repente? - pergunta.
Ele nada diz.
- Mas estás a sorrir? O que é que se passa? Estou a achar isto tão estranho.
Nos dias seguintes, ela conta a uma amiga:
- Ele acabou comigo... (e vai desenrolando o novelo da história)
Como o mundo era pequeno, essa amiga era amiga da Sandra e diz:
- Tou a achar isso tão familiar... Esse diálogo. Espera a que café é que te levou?
Bingo! Ao café onde Sandra o tinha levado.
Lena fica a saber a verdade. Fica espantadíssima. Ele depois volta para ela. Foi apenas uma necessidade de voltar ao passado e de remexer na ferida, criando o mesmo cenário mas com papéis inversos: agressor e vítima. Agora, era ele quem tinha o poder. Daí o sorriso.
Esta foi das histórias mais incríveis que ouve de alguém.
Angel
Uma dia, uma namorada dele, a Sandra, terminou a relação enquanto lanchavam num café (o nome obliterou-se-me). Ela disse-lhe:
- Não consigo continuar esta relação. Gosto de ti, mas não sou feliz contigo. Pensei muito. Não dá. Não dá mesmo.
Ele ficou magoadíssimo.
Três anos depois, ele está com outra namorada, a Lena. Ela sugere irem a um café. Ele diz:
- Eu hoje quero que vás comigo a um sítio.
- Então?
Ele não explica, mas insiste.
- Não, tem de ser ali.
E leva-a lá.
No café ele diz a Lena:
- Não consigo continuar esta relação. Gosto de ti, mas não sou feliz contigo. Pensei muito. Não dá. Não dá mesmo.
Lena estranha.
- Mas assim de repente? - pergunta.
Ele nada diz.
- Mas estás a sorrir? O que é que se passa? Estou a achar isto tão estranho.
Nos dias seguintes, ela conta a uma amiga:
- Ele acabou comigo... (e vai desenrolando o novelo da história)
Como o mundo era pequeno, essa amiga era amiga da Sandra e diz:
- Tou a achar isso tão familiar... Esse diálogo. Espera a que café é que te levou?
Bingo! Ao café onde Sandra o tinha levado.
Lena fica a saber a verdade. Fica espantadíssima. Ele depois volta para ela. Foi apenas uma necessidade de voltar ao passado e de remexer na ferida, criando o mesmo cenário mas com papéis inversos: agressor e vítima. Agora, era ele quem tinha o poder. Daí o sorriso.
Esta foi das histórias mais incríveis que ouve de alguém.
Angel
Tudo nos afasta de pensar - hoje mais do que nunca, amanhã mais do que hoje. A tecnologia é cada vez mais acelerada e alienante. Recusa-te a não pensar.
Já não te deves lembrar que foste nascido e criado sem facebook, sem hi5, sem msn, sem mail, sem 50 canais, sem dvd, sem blue-ray, sem downloads, sem sms, sem telemóvel.
Já não te deves lembrar que foste nascido e criado sem facebook, sem hi5, sem msn, sem mail, sem 50 canais, sem dvd, sem blue-ray, sem downloads, sem sms, sem telemóvel.
Mail Recebido - A todos os humanistas
Exmos/as. Srs/as. Dra. Isabel Gil, Dr. José Miguel Sardica e Dra. Alexandra Lopes,
E para conhecimento dos docentes e colegas da EPG
Foi com muita tristeza, grande choque e profunda indignação que recebi a notícia da minha breve substituição nas funções que cumpro actualmente na Escola de Pós-Graduação e Formação Avançada da FCH.
Como é do conhecimento de Vossas Excelências, tenho 34 anos, sou licenciada em Tradução pela vossa instituição e Pós-graduada em Interpretação de Conferências pela UAL como bolseira, e vivo sozinha com uma filha de quatro anos. Sou tradutora freelancer e intérprete freelancer para as Instituições Europeias, e entrei ao vosso serviço, com o vosso conhecimento, por estar a passar um momento particularmente difícil, em termos financeiros.
Quando me admitiram na FCH, prometeram-me uma semana de formação nos programas informáticos fulcrais para o cumprimento da minha função, entre os quais o SOPHIA, que gere a criação dos cursos, das disciplinas, as candidaturas e as matrículas dos alunos, entre outras coisas. Nunca recebi a dita formação, apesar dos meus vários pedidos. Tive uma formação insuficiente com a colega que substituo, não por culpa dela, que muito se esforçou por me integrar, mas porque me admitiram ao serviço demasiado tarde e porque me foram atribuídas quase todas as suas funções, mas metade das suas horas de serviço para as cumprir. Tinha a meu cargo, sozinha, em seis horas diárias (duas das quais dedicadas a servir coffee-breaks) as seguintes tarefas:
a gestão da 1) FA em DPP 5, do 2) Curso de Especialização em Gerir Projectos em Parceria, da 3) PG em Relações Culturais e Internacionais, da 4) PG em Edição: LNSD, da 5) PG em Livro Infantil e da 6) PG em TV & Cinema, sendo responsável por: pagamentos, apoio aos alunos, marcação de salas e material, apoio aos docentes, colocação de material (sendo que quase todos os cursos começavam à mesma hora), serviço de coffee-breaks, atendimento telefónico, entre outras funções (Total: 6 cursos);
a gestão do aprovisionamento de águas, bolos, copos, colheres, açúcar, etc para a FCH;
a gestão da limpeza das toalhas da FCH;
a criação dos novos cursos e das novas disciplinas no SOPHIA;
a gestão das informações, candidaturas e matrículas de alunos na 1) FA DPP 6, na 2) FA em Revisão e Edição de Texto I e II, na 3) FA em Identidade e Liderança de Organizações do Terceiro Sector, na 4) PG em Relações Culturais Internacionais, na 5) PG em Educação Ambiental e na 6) PG em Media e Entretenimento (Total 6 cursos + 6 cursos em decurso)
gestão dos diplomas e certificados dos cursos dos anos anteriores;
pagamento dos docentes;
apoio administrativo a todas as PGs e FAs.
Cumpri todas estas funções sem a formação adequada, que tanto solicitei em vão, em seis horas quando a minha colega as cumpria em 12 horas, e com pouco apoio da parte das outras colegas que, compreensivelmente, tinham as suas próprias funções a cumprir. Apesar disso, muito lhes agradeço pelo tempo que me dispensaram.
Devo referir que fui “pau para todo o serviço”, cumprindo as minhas funções em péssimas condições, mesmo desumanas, tendo de instalar materiais em várias PGs a começarem à mesma hora, em edifícios diferentes, sem qualquer apoio, transportando diversas vezes dois computadores e datas shows, mais um saco com quatro garrafas de litro e meio de água ao mesmo tempo, e chegando a servir coffee-breaks a cinco cursos ao mesmo tempo – devo frisar: sozinha.
Fiz o melhor que pude para entender os complexos programas informáticos essenciais para o cumprimento das minhas funções e sem a devida e prometida formação, apenas com a ajuda de uma colega que sabe quem é, mas não nomeio por razões evidentes, a quem muito agradeço.
Trabalhei mais do que as minhas horas para poder manter as minhas tarefas em dia e tentar não falhar a nenhum docente ou aluno.
Nestas condições ninguém poderá apontar-me o dedo e acusar-me de incompetência – isso seria uma grande injustiça. É impossível acusar de incompetência alguém a quem não se deu a devida formação e o devido apoio.
Apesar de todo o meu esforço, ao regressar à FCH, depois de ter sofrido um AVC, a direcção comunicou-me que me iria substituir por não me julgar capaz de cumprir as minhas funções e por suspeitar que iria faltar mais ao serviço por motivos de saúde. Expliquei que não sofro de qualquer incapacidade, para além da inibição temporária de conduzir, pois tenho má visão periférica do lado direito (conduzir não faz parte das minhas funções). Apenas pedi, compreensivelmente, uma pequena redução do horário de trabalho, na primeira semana, após o internamento hospitalar, para recuperar e me adaptar.
Devo referir que na dita semana consegui cumprir todas as minhas funções – com excepção dos coffee-breaks – nas quatro horas diárias que trabalhei. Expliquei também que agendo todo o meu acompanhamento médico para fora do horário do expediente e a FCH sabe bem que nunca faltei ao serviço desde que iniciei as minhas funções.
Só posso lamentar que uma Faculdade inserida numa Universidade CATÓLICA tenha um comportamento destes para com um seu funcionário, num momento tão complicado da sua vida. Nem sequer me foi apresentada qualquer alternativa e, como a FCH bem sabe, na minha presente situação de colaborador em regime de prestação de serviços, não tenho direito a baixa ou ao subsídio de desemprego. Vou para a rua, num momento em que tenho tantas despesas médicas, uma casa para pagar e uma filha para sustentar sozinha.
É, no mínimo, desumano e um descrédito para uma instituição que faz alarde dos seus princípios Cristãos.
Assim me despeço de todos, com muito pesar, e rompo os meus vínculos profissionais e pessoais (que mantive, desde que terminei a minha licenciatura) com a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade CATÓLICA Portuguesa. Compreensivelmente, é-me muito complicado continuar a trabalhar nestas condições, aguardando um substituto para um emprego de que tanto necessito e no qual tanto me empenhei.
Despeço-me de todos os colegas, docentes e formandos com quem contactei e que tive muito gosto em conhecer, lamentando, desde já, os transtornos que a minha súbita ausência súbita possa suscitar. No entanto, estou certa de que a FCH dispõe de funcionários muito competentes para colmatar esta lacuna com a maior brevidade possível.
Despeço-me da direcção da Faculdade de Ciências Humanas, incluindo docentes e colaboradores mais próximos, encorajando-os a reflectirem melhor sobre os seus valores cristãos e as suas acções, na esperança de que passem a tratar os seus funcionários/colegas com o respeito que merece qualquer ser humano.
Com os melhores cumprimentos,
Michelle Hapetian
E para conhecimento dos docentes e colegas da EPG
Foi com muita tristeza, grande choque e profunda indignação que recebi a notícia da minha breve substituição nas funções que cumpro actualmente na Escola de Pós-Graduação e Formação Avançada da FCH.
Como é do conhecimento de Vossas Excelências, tenho 34 anos, sou licenciada em Tradução pela vossa instituição e Pós-graduada em Interpretação de Conferências pela UAL como bolseira, e vivo sozinha com uma filha de quatro anos. Sou tradutora freelancer e intérprete freelancer para as Instituições Europeias, e entrei ao vosso serviço, com o vosso conhecimento, por estar a passar um momento particularmente difícil, em termos financeiros.
Quando me admitiram na FCH, prometeram-me uma semana de formação nos programas informáticos fulcrais para o cumprimento da minha função, entre os quais o SOPHIA, que gere a criação dos cursos, das disciplinas, as candidaturas e as matrículas dos alunos, entre outras coisas. Nunca recebi a dita formação, apesar dos meus vários pedidos. Tive uma formação insuficiente com a colega que substituo, não por culpa dela, que muito se esforçou por me integrar, mas porque me admitiram ao serviço demasiado tarde e porque me foram atribuídas quase todas as suas funções, mas metade das suas horas de serviço para as cumprir. Tinha a meu cargo, sozinha, em seis horas diárias (duas das quais dedicadas a servir coffee-breaks) as seguintes tarefas:
a gestão da 1) FA em DPP 5, do 2) Curso de Especialização em Gerir Projectos em Parceria, da 3) PG em Relações Culturais e Internacionais, da 4) PG em Edição: LNSD, da 5) PG em Livro Infantil e da 6) PG em TV & Cinema, sendo responsável por: pagamentos, apoio aos alunos, marcação de salas e material, apoio aos docentes, colocação de material (sendo que quase todos os cursos começavam à mesma hora), serviço de coffee-breaks, atendimento telefónico, entre outras funções (Total: 6 cursos);
a gestão do aprovisionamento de águas, bolos, copos, colheres, açúcar, etc para a FCH;
a gestão da limpeza das toalhas da FCH;
a criação dos novos cursos e das novas disciplinas no SOPHIA;
a gestão das informações, candidaturas e matrículas de alunos na 1) FA DPP 6, na 2) FA em Revisão e Edição de Texto I e II, na 3) FA em Identidade e Liderança de Organizações do Terceiro Sector, na 4) PG em Relações Culturais Internacionais, na 5) PG em Educação Ambiental e na 6) PG em Media e Entretenimento (Total 6 cursos + 6 cursos em decurso)
gestão dos diplomas e certificados dos cursos dos anos anteriores;
pagamento dos docentes;
apoio administrativo a todas as PGs e FAs.
Cumpri todas estas funções sem a formação adequada, que tanto solicitei em vão, em seis horas quando a minha colega as cumpria em 12 horas, e com pouco apoio da parte das outras colegas que, compreensivelmente, tinham as suas próprias funções a cumprir. Apesar disso, muito lhes agradeço pelo tempo que me dispensaram.
Devo referir que fui “pau para todo o serviço”, cumprindo as minhas funções em péssimas condições, mesmo desumanas, tendo de instalar materiais em várias PGs a começarem à mesma hora, em edifícios diferentes, sem qualquer apoio, transportando diversas vezes dois computadores e datas shows, mais um saco com quatro garrafas de litro e meio de água ao mesmo tempo, e chegando a servir coffee-breaks a cinco cursos ao mesmo tempo – devo frisar: sozinha.
Fiz o melhor que pude para entender os complexos programas informáticos essenciais para o cumprimento das minhas funções e sem a devida e prometida formação, apenas com a ajuda de uma colega que sabe quem é, mas não nomeio por razões evidentes, a quem muito agradeço.
Trabalhei mais do que as minhas horas para poder manter as minhas tarefas em dia e tentar não falhar a nenhum docente ou aluno.
Nestas condições ninguém poderá apontar-me o dedo e acusar-me de incompetência – isso seria uma grande injustiça. É impossível acusar de incompetência alguém a quem não se deu a devida formação e o devido apoio.
Apesar de todo o meu esforço, ao regressar à FCH, depois de ter sofrido um AVC, a direcção comunicou-me que me iria substituir por não me julgar capaz de cumprir as minhas funções e por suspeitar que iria faltar mais ao serviço por motivos de saúde. Expliquei que não sofro de qualquer incapacidade, para além da inibição temporária de conduzir, pois tenho má visão periférica do lado direito (conduzir não faz parte das minhas funções). Apenas pedi, compreensivelmente, uma pequena redução do horário de trabalho, na primeira semana, após o internamento hospitalar, para recuperar e me adaptar.
Devo referir que na dita semana consegui cumprir todas as minhas funções – com excepção dos coffee-breaks – nas quatro horas diárias que trabalhei. Expliquei também que agendo todo o meu acompanhamento médico para fora do horário do expediente e a FCH sabe bem que nunca faltei ao serviço desde que iniciei as minhas funções.
Só posso lamentar que uma Faculdade inserida numa Universidade CATÓLICA tenha um comportamento destes para com um seu funcionário, num momento tão complicado da sua vida. Nem sequer me foi apresentada qualquer alternativa e, como a FCH bem sabe, na minha presente situação de colaborador em regime de prestação de serviços, não tenho direito a baixa ou ao subsídio de desemprego. Vou para a rua, num momento em que tenho tantas despesas médicas, uma casa para pagar e uma filha para sustentar sozinha.
É, no mínimo, desumano e um descrédito para uma instituição que faz alarde dos seus princípios Cristãos.
Assim me despeço de todos, com muito pesar, e rompo os meus vínculos profissionais e pessoais (que mantive, desde que terminei a minha licenciatura) com a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade CATÓLICA Portuguesa. Compreensivelmente, é-me muito complicado continuar a trabalhar nestas condições, aguardando um substituto para um emprego de que tanto necessito e no qual tanto me empenhei.
Despeço-me de todos os colegas, docentes e formandos com quem contactei e que tive muito gosto em conhecer, lamentando, desde já, os transtornos que a minha súbita ausência súbita possa suscitar. No entanto, estou certa de que a FCH dispõe de funcionários muito competentes para colmatar esta lacuna com a maior brevidade possível.
Despeço-me da direcção da Faculdade de Ciências Humanas, incluindo docentes e colaboradores mais próximos, encorajando-os a reflectirem melhor sobre os seus valores cristãos e as suas acções, na esperança de que passem a tratar os seus funcionários/colegas com o respeito que merece qualquer ser humano.
Com os melhores cumprimentos,
Michelle Hapetian
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