segunda-feira, junho 30, 2008

As monádas de Leibniz

Uma amiga minha disse-me que quando me conheceu viu que eu era como ela: tinha mundos pararelos. Como reparara? Pelo olhar... que se desviava do mundo e fica em lado nenhum.

Neste grupo a que pertenço de pessoas que estão sempre a pensar, a sonhar, a divagar, há muitos choques com o real. Para nós, o real é muitas vezes fonte de tédio. Estamos tão mergulhados no nosso mundo, que, muitas vezes, mesmo na presença de outros, estamos sozinhos.

Angel

O que acontece a quem é muito mental

Quando era miúdo a minha estação preferida era o Inverno. Depois passou para a Primavera e, depois, para o Verão.

Contudo, prefiro Maio ou Junho a Agosto. Por várias razões (como as enchentes, o ruído, o bulício, o calor tórrido, o consumismo), mas uma delas seguramente o facto de que Agosto já prenuncia declínio do Verão; ao passo que mesmo em Abril já sou capaz de pensar que o Verão vem aí... Viverei as coisas mais por antecipação do que concretização. Como dizia Pessoa sou das pessoas que satisfaz «a saciedade antecipada na asa das chávenas».
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —
Todos são a minha amante predileta pelo menos um momento na vida.

Beijo na boca todas as prostitutas,
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
Tudo é a razão de ser da minha vida.

Cometi todos os crimes,
Vivi dentro de todos os crimes
(Eu próprio fui, não um nem o outro no vicio,
Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-rne,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,
E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.

Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
E todos os pederastas - absolutamente todos (não faltou nenhum).


Álvaros de Campos, Passagem das Horas

domingo, junho 29, 2008

O 'HOMO SPORTIVUS'
>
>
> Manuel Maria Carrilho
> Conclui-se amanhã o Campeonato Europeu de Futebol. Durante um mês, vivemos sob o impacto de um fenómeno que, goste-se ou não, queira-se ou não, nos confisca quase inteiramente o quotidiano, nos seus mais diversos momentos.
>
> Nestas alturas, seja no trabalho ou em família, na imprensa, na rádio ou na televisão, nos cafés, nos transportes ou na rua, não se fala, não se discute e não se pensa sobre nada, que não seja futebol e o campeonato em curso. Vive-se num regime emocional de arrebatamento constante, de obsessão focalizada, de fanatismo intermitente, tudo com uma ofegante excitação que frequentemente nos priva da nossa liberdade, por mais privada que seja. Para onde quer que nos viremos, não há mais nada, não se ouve mais nada, não se vê mais nada, vive-se um verdadeiro fenómeno social total, que induz uma forma inédita de claustrofobia colectiva.
>
> São períodos de excepção, claro, mas que revelam bem a dimensão simultaneamente invasiva e estruturante do desporto na vida contemporânea. São sobretudo períodos que também convidam a que se procure reflectir sem preconceitos sobre este fenómeno, o que, por estranho que possa parecer - ou talvez não! - é bem raro nos dias de hoje.
>
> Mas tentemos, avançando algumas hipóteses sobre aquilo em que se tornou o desporto - e, muito especialmente, o futebol - como fenómeno global no mundo contemporâneo.
>
> Antes, contudo, esclareço que gosto muito de desporto, que sempre o pratiquei e continuo a praticar em várias modalidades. Que gosto de futebol e de jogar futebol. Mas também que nunca "fui" de nenhum clube, e tenho mais alma de desportista do que de adepto. E nunca identifiquei nenhuma "selecção" com a minha pátria. Tenho uma ideia demasiado valiosa do meu país, na variedade dos seus cientistas, desportistas, escritores, pintores, engenheiros e de tanta gente anónima e comum, para levar a sério essa pueril metáfora da "nossa" selecção.
>
> Dito isto, o que me parece importante é sublinhar três ideias. A primeira, é que o desporto, que na forma que hoje conhecemos só emerge no século XIX, se tornou desde então num fenómeno só comparável à religião, impondo-se como uma referência global incontornável a todos os povos, sexos e idades. O próprio tempo pertence-lhe cada vez mais, o calendário desportivo fixa hoje uma liturgia que condiciona todas as outras temporalidades: políticas, sociais ou escolares. Ninguém lhe escapa: a sua força tornou-se tal que pretender fazê-lo, pela crítica, pela ironia, ou mesmo só pela indiferença, se tornou uma atitude logo considerada blasfematória.
>
> Depois - e trata-se da segunda ideia - é interessante compreender que durante o século XX, o desporto, ao mesmo tempo que destruía os valores que tradicionalmente se lhe associavam (camaradagem, espírito lúdico, respeito pelo adversário, valorização pessoal, abnegação, etc.), passou a consagrar um único valor, o da performance. Valor que se impõe associado a uma implacável lei do mais forte e a uma devastadora lógica mercantilista, de que todos os dias temos lamentáveis exemplos que excedem a mais fértil das imaginações.
>
> O desporto, como riquíssima intermediação entre povos diversos, histórias autónomas, pessoas diferentes, tradições específicas, valores contrastantes, desapareceu. Evaporou-se, na consagração desta sua nova prática massificadora, inteiramente encapsulado num ciclo de euforia/abatimento, que é o ciclo do eterno retorno que anima o novo espírito desportivo.
>
> É interessante observar que quando se pergunta "o que é que se ganha, quando se vence um jogo?", nunca se consegue receber como resposta mais do que atrapalhadas tautologias, que ilustram bem o modo como o desporto se vive como um fim em si mesmo, que se esgota em cada performance, ao mesmo tempo que logo se ilude com a antecipação da sua (interminável) repetição.
>
> Há dias, depois da derrota portuguesa frente à selecção da Alemanha, João Lopes (que, com David Borges, é dos poucos a manter, entre nós, um registo de reflexão sobre o fenómeno desportivo) fazia aqui nas páginas do DN a pergunta decisiva: que exaltação da pátria é essa, que não resiste a uma derrota? Dito de outro modo, que valores - patrióticos ou outros - são esses, que só se manifestam na euforia programada das televisões e das multidões por elas condicionadas?
>
> O que acontece, e este é o terceiro ponto, é que o desporto condiciona hoje em todo o planeta o imaginário dos povos, impondo- -lhes um conjunto uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como diz um dos mais finos intérpretes deste fenómeno, Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: consumo desenfreado, fetichismo das marcas, pressão publicitária, culto dos ídolos, submissão aos média, sloganização da linguagem, histerização das multidões, fanatismo da performance. E aqui, nesta convergência, começa mesmo talvez uma nova era, em que o desporto se torna no catalizador de uma humanidade cada vez mais unidimensional - a do Homo sportivus

sábado, junho 28, 2008

Exercício: olha prolongadamente para uma fotografia antiga tua.

O homem bom

Encheu-me de ternura vê-lo dar um cigarro a um desconhecido, virando o maço para si no intuito de esconder o facto de esse ser o último cigarro do maço - não fosse o desconhecido sentir-se mal e não o aceitar.

Angel

sexta-feira, junho 27, 2008

Títulos de livros imaginários

O 17.º segundo

Neve Preta

O Néctar Intangível

Os bastidores dos bastidores
A Verdade - mesmo que magoe? - ou a mentira - mesmo que anestesie?
Seduzir é uma coisa. Conquistar outra.

quinta-feira, junho 26, 2008

Sagres apoia a nossa selecção

Álcool. Alerta foi lançado ontem pela própria ministra da Saúde

"Primeiro contacto com o álcool é cada vez mais cedo", admite pediatra

"Não é raro" chegarem aos hospitais, nesta altura do ano, crianças com sete, oito ou nove anos em coma alcoólico, devido aos festejos de final do ano escolar. A afirmação é da ministra da Saúde, Ana Jorge, que falava, ontem, à margem do Fórum Nacional sobre o Álcool, que decorreu em Coimbra. O comentário da ministra tem por base "a sua experiência de 30 anos de pediatra hospitalar", revela ao DN fonte do Ministério. A responsável pela pasta da Saúde fez também questão de recordar que o álcool causa "lesões cerebrais gravíssimas e irreversíveis" e pode estar na origem "do insucesso escolar e de perturbações do desenvolvimento da criança", bem como no feto, nos casos de consumo pelas mulheres grávidas.

Ana Jorge foi chefe do serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Contactado pelo DN, o presidente do conselho de administração deste hospital, Álvaro Carvalho, confessa: "tenho algumas dúvidas que sejam assim tantos casos". "Em rigor não tenho nenhuma informação concreta deste tipo de casos", acrescenta o responsável.

Já o pediatra e director da unidade de Pediatria do Hospital Santa Maria, em Lisboa, Gomes Pedro, adianta ao DN que não tem conhecimento de crianças tão novas em coma alcoólico, atendidas no seu serviço. "O que há são miúdos mais velhos de 12,13 ou 14 anos que agora nas férias de Verão ficam até mais tarde com os amigos na praia e acabam por ficar alcoolizados", explica. Acrescenta que "por vezes até têm que ficar dois dias internados, em observação". As crianças acabam por recorrer ao álcool porque este "é um desinibidor", justifica Gomes Pedro. Por isso, "quando, muitos deles, saem à noite, tentam antes alguma desinibição, que encontram nas bebidas alcoólicas", esclarece.

Embora não tenha memória de crianças em coma alcoólico aos sete anos, Gomes Pedro alerta para a "antecipação progressiva do primeiro contacto com o álcool". Algo que se tem vindo a registar em Portugal, por volta dos 12, 13, refere o pediatra.

Beber é ser português

Para a ministra da Saúde, citada pela Lusa, o consumo frequente e excessivo de bebidas alcoólicas traduz "uma realidade que está ligada ao ser português". Um problema que não atinge só homens adultos, mas também mulheres e crianças, alertou Ana Jorge, durante o Fórum Nacional sobre o Álcool.

Na sua opinião, "o consumo de álcool é também extensivo às mulheres, mas de uma forma mais surda". No tratamento dos doentes alcoólicos, o médico de família é fundamental na primeira abordagem, considerou a ministra. A ministra recordou também que o consumo excessivo de álcool "está na origem de muitos acidentes rodoviários e casos de violência interpessoal, como a violência doméstica".

O meu mapa astral

No momento de seu nascimento, Angel, seu signo ascendente era Escorpião, que se combinava a Leão se traduzindo numa qualidade intensa de poder magnético. Quer goste disso ou não, a vida lhe colocará numa posição de grande autoridade, de destaque, não necessariamente para benefício próprio, mas para transmitir uma mensagem. O risco aqui é o de você não perceber o quanto esta "autoridade" lhe engolfa, a ponto de você terminar gerando um processo de poder autocrático, achando que na verdade está se valendo de democracia! O fato, Angel, é que tanto Leão quanto Escorpião são duas "personalidades totais". Sabem o que querem, quando querem, e lutam para alcançar seus objetivos.

O lado bonito disso decorre da generosidade da combinação de Leão com Escorpião. Leão, seu signo solar, é um doador generoso e franco, que ama perceber que está levando a luz da consciência para o ambiente circundante. Escorpião, seu signo ascendente, é um signo de partilha de recursos e tem o dom de mostrar para as pessoas como elas podem aproveitar melhor suas próprias vidas. Sendo uma pessoa suficientemente corajosa para seguir seus próprios caminhos, você dá aos outros a inspiração para fazer o mesmo.

Tanto Leão quanto Escorpião são dois signos de natureza fixa, ou seja, obsessivos e firmes em seus quereres, correndo o risco de pecar por ideias fixas e por uma tendência a achar que estão sempre certos. O exagero desta qualidade fixa pode facilmente transformar seu amor-próprio em orgulho vaidoso ("eu adoro ser eu") e sua força interior em dominação total (rodeando-se de personalidades submissas).

Como o Sol do seu nascimento se dirigia para o alto do céu, da mesma maneira o seu "sol interior" se dirige sempre para o topo: posições de destaque, grande influência social, maestria no trabalho, exemplo de competência, todas estas qualidades estão ao seu alcance facilmente, Angel. E o melhor é que você tem uma qualidade distributiva: uma vez alcançando sucessos, multiplica-os na direção das outras pessoas.
Vemos sempre o mundo a partir do nosso prisma - prisma esse que é determinado pela nossa experiência. Cada pessoa fala a partir da sua experiência. Porque 99,9% das nossas opiniões não são escoradas em... digamos, teses de doutoramento; mas sim naquilo que nos aconteceu ou que vimos ou ouvimos acontecer aos outros.

O estádio ideal seria ver-tudo-de-lado-nenhum. Só Deus pode ser assim, porque só Deus sabe tudo o que vivemos e pensámos até ao momento. Se como Deus, soubéssemos tudo o que uma pessoa teve de passar na vida - entenderíamos porque é que cada pessoa pensa o que pensa e age como age.

Seria maravilhoso poder sentir o que outra pessoa sente. Até quando se diz uma palavra como «preto», não há um preto igual em duas cabeças - as ressonâncias que qualquer palavra desperta são diferentes em cada um de nós... (Como poderá alguém dizer que tem a Verdade?)

A construção de uma ideia ou de uma simples palavra tem ramificações labirínticas e infinitas - o oceano de impressões que os triliões de contactos com o mundo deixou em nós. Basta que alguém que tomou café connosco há um ano, nessa tarde, tivesse levado uma camisa escura e não clara, para nós termos hoje uma percepção diferentes das coisas em alguma área da vida.

Quando alguém diz que gosta do Verão e outra do Inverno, é porque ambas têm representações mentais distintas para aquilo que julgamos ser os mesmos fenómenos - não são. Eles não existem per se - porque cada um os vê de modo diferente. E só existe o que está dentro da mente.

Angel
As pessoas por vezes dizem-me:

- Tu olhas olhos nos olhos.

Letras que são poemas

All the faces
All the voices blur
Change to one face
Change to one voice
Prepare yourself for bed
The light seems bright
And glares on white walls
All the sounds of
Charlotte sometimes
Into the night with
Charlotte sometimes
Night after night she lay alone in bed
Her eyes so open to the dark
The streets all looked so strange
They seemed so far away
But Charlotte did not cry
The people seemed so close
Playing expressionless games
The people seemed
So close
So many
Other names...
Sometimes I'm dreaming
Where all the other people dance
Sometimes I'm dreaming
Charlotte sometimes
Sometimes I'm dreaming
Expressionless the trance
Sometimes I'm dreaming
So many different names
Sometimes I'm dreaming
The sounds all stay the same
Sometimes I'm dreaming
She hopes to open shadowed eyes
On a different world
Come to me
Scared princess
Charlotte sometimes
On that bleak track
(See the sun is gone again)
The tears were pouring down her face
She was crying and crying for a girl
Who died so many years before...
Sometimes I dream
Where all the other people dance
Sometimes I dream
Charlotte sometimes
Sometimes I dream
The sounds all stay the same
Sometimes I'm dreaming
There are so many different names
Sometimes I dream
Sometimes I dream...
Charlotte sometimes crying for herself
Charlotte sometimes dreams a wall around herself
But it's always with love
With so much love it looks like
Everything else
Of Charlotte sometimes
So far away
Glass sealed and pretty
Charlotte sometimes

(quem haveria de ser...)
A palavra que menos gosto de ouvir: esquece.


É como se a pessoa que o profere manifestasse o seu infinito tédio perante todos os problemas que não são os dele.

É mesmo assim?

Na RTP, num programa algures à hora de jantar (qualquer coisa «30 minutos»), ouvi:

- As mulheres são, para desilusão dos homens, extremamente indiscretas a falar de cama;

(Margarida Rebelo Pinto)


- A partir do momento que a mulher se liberta de um homem, e já não sente nada por ele, a sua crueldade a falar dele - do traste - pode ser tremendamente elevada. Quando a essa crueldade, se junta o gozo - então aí a mulher ri e faz rir as amigas.

(Clara Ferreira Alves)
Andar sempre com uma caneta ou um lápis: registar as ideias fulgurantes que nos surgem, observações do quotidiano, frase que ouvimos, nome de um livro ou filme, alguma expressão engraçada, uma história de alguém que nos impressionou.

segunda-feira, junho 23, 2008

Quando a falta de respeito me dá vontade de partir para a violência

Quatro jovens, entre o surfista-e-o-beto-alternativo, passam por um senhor com idade entre os sessenta e os setenta:

- Ò Jerónimo, como é que dos campos para hoje?

- Hoje vagas só à noite.

- À tarde não há nada?

- Nada.

- Foda-se pá. Arranja lá isso... (tratamento por tu)

- Não dá mesmo. Se quiserem vou já lá marcar às 21.00 É o mais cedo que arranjo.

- Népia, não quero isso, pá. Arranja lá essa merda pá.

E os outros:

- Foda-se o cota é um bêbado.

- Vai para os copos ò Jerónimo.

- Caga no velho.
O Velho Ancião disse:

- Isto em Portugal está tudo... enmerdelado, entendes?

Arte (in)finita

Quando Homero escrevia, as metáforas estavam por inventar. Dizer o fogo do amor ou a voz de oiro era criar algo poderoso pela primeira vez. Hoje quase todas as metáforas estão gastas... Quando leio crítica literária, não há um autor que surja sem lhe serem denunciadas as influências de H, L e U.

Atinge-me a questão: a arte é infinita? Haverá um dia em que já nada possa ser inventado por já tudo ter sido declarado?

jeuap

Outro dia ouvi uma rapariga dizer:

- Eu nunca tive ciúmes...

Quem a conhece, diz que ela é possessiva e ciumenta, mas pode também ser verdade o que ela disse!

Um especialista de Marketing Político dizia que um político nunca devia negar o que não queria que lhe fosse associado.

- Eu não sou ladrão.

- Eu não sou bato em mulheres.

- Eu não sou um ditador.

A parte que fica nas mentes das pessoas é o que vem a seguir ao não. Se quiser dizer algo, que o diga construindo a frase pela positiva:

- Eu sou honesto.

Mas ainda sobre a frase da rapariga, penso que não pode ser verdade por outra razão. Nós não conseguimos entender uma palavra que consubstancie um sentimento se nunca o tivermos sentido.

Ouvimos alguém contar-nos que sentiu medo e conseguimos sentir o que o nosso interlocutor sentiu porque nós também já nos sentimos assim.

Leiam devagar: Medo, vergonha, vaidade, timidez - em cada palavra, um sentimento percorre-nos. É diferente, não é? O sentimento que nos percorre é uma memória compósita destas sensações no passado.

Se ela nunca houvesse sentido ciúme, esta palavra seria como dizer cinco letras aleatoriamente combinadas... como... jeuap. O que é sentir jeuap?

Angel-partimos-sempre-da-nossa-experiência-para-assimilar-a-dos-outros...

Deus e o Diabo

Pacheco Pereira é tido como um comentador isento. Quem tenha acompanhado as suas declarações orais e escritas, perceberá que o fanatismo, por vezes, toca em todos. Luís Filipe Meneses era o diabo, Manuela Ferreira Leite é Deus.

Portugal

Ana Luísa Marquesanamarques@mediafin.pt Um em cada cinco portugueses fica sem dinheiro disponível após pagar as despesas mensais. É a percentagem mais elevada entre 51 países analisados pela consultora Nielsen. Os habitantes de Singapura são os que mais poupam: cerca de 69% do rendimento disponível. No primeiro trimestre de 2008, cerca de 26% dos portugueses ficaram sem dinheiro após pagar todas as despesas mensais, revela um relatório da Nielsen sobre confiança dos consumidores, preocupações, gastos e atitudes perante a recessão económica realizado no primeiro semestre do ano. Portugal é assim o país com maior número de pessoas sem dinheiro após pagar todas as despesas mensais. Em segundo lugar surge os Estados Unidos (24%), logo seguido do Reino Unido (22%). Quem consegue ter dinheiro após pagar as despesas obrigatórias prefere poupá-lo. É o que fazem 46% dos inquiridos neste estudo. Esta percentagem revela um aumento face ao segundo semestre de 2007 (42%). Os habitantes de Singapura são os que poupam uma maior percentagem do rendimento disponível (69%), seguidos pelos filipinos e tailandeses. O “top ten” dos países que mais poupam inclui apenas países asiáticos. Quem não poupa prefere gastar o dinheiro em férias (cerca de 34%), em roupas novas (32%) ou pagar empréstimos e cartões de crédito (32%). Cerca de 12% do total dos inquiridos fica sem dinheiro disponível após pagar as despesas mensais obrigatórias. O que revela que Portugal está muito acima da média mundial.

sábado, junho 21, 2008

Da Literatura

Em Literatura, há dois paradigmas claramente distintos. Há quem ache que escrever bem é ir directo ao osso, dizer muito em poucas palavras, usar palavras de linguagem comum - ser simples, directo e objectivo. Assim escreveram Beckett, Cardoso Pires, Hemingway, Norman Mailler. Há quem ache que os ornamentos certos podem alindar a prosa, emprestar-lhe perfume, paladar, aroma, poesia. Assim escreveram Proust, Nabokov, Fitzgerald, Flaubert (que demorava anos a escrever porque estava sempre em busca da «palavra precisa» que ela e só ela poderia comunicar na plenitude o que queria). É neste segundo paradigma que encaixo a minha actividade de escritor.

Como escreveu o comentarista Morpheu neste blog em tempos: Não escrever palavras «caras» é matar determinadas palavras. E quanto mais palavras temos, mais sentimentos e ideias podemos veicular aos outros. Uma pessoa que esteve na China contou-me que lá é culto que sabe mais caracteres e que só uma minoria conhece todos os caracteres. Quanto mais instrumentos, maior a possibilidade de nós - mesmo perante nós próprios - verbalizarmos as coisas. E verbalizá-las, nomeá-las é agarrá-las, é dar-lhes uma existência na nossa mente.

Borges almejava o «dicionário perfeito» em que para cada pensamento ou sensação houvesse uma palavra.

Muitas vezes nos manuais que pretendem ensinar a escrever (qualquer escritor os rejeita e dirá que não há fórmula para além de ler e escrever muito) lê-se que se deve ser muito rigoroso, sucinto, preciso - dar muita informação no menor número possível de palavras. Parece sedutor escrever assim. Mas jornalismo e Literatura são coisas distintas. O primeiro lida com a efemeridade, a transitoriedade; o segundo com o que há de perene na Natureza Humana.

Escrever não é só conteúdo, é também forma. Quando se lê, deve-se ouvir a música das palavras, sentir a magia das sensações que o outro teve e que através desta coisa inexplicável que são letras impressas nós conseguimos sentir... E não apenas «recolher informação».

Como a Literatura lida com o perene e não com o imediato, superficial e descartável; penso que esta deve evitar referências espacias e temporais. Falar do café da D. Maria em Aveiro pode ser interessante para quem conhece a D. Maria em Aveiro - mas tão somente para eles. Porque uma pessoa do outro lado do mundo que não conheça Aveiro... O Esteves Cardoso explica que os escritores que falam nestas referências fazem batota para vender mais porque os leitores adoram não se sentir estúpidos e assim sempre se podem identificar com os espaços nocturnos falados ou os programas televisivos mencionados.

Kafka, um escritor que deu origem a um adjectivo («kafkiano») compreendeu isto sublimemente e as suas histórias podem passar-se em qualquer lado do mundo e - por mais espantoso que possa parecer - em qualquer época. Será também por isso que muitos o erguem como o escritor do século XX. Claro que Joyce, por exemplo, descrevendo a Irlanda, também escreveu obras-primas. Mas porque conseguiu ver a perenidade, o aespacial, o atemporal dentro daquilo que era local e temporalmente balizado.

Angel

A sempiterna necessidade de arrumar tudo - perde-se tanto assim...

Quando alguém fala de um músico, de um escritor, de um realizador de cinema, diz:

- Ele fala sobre... (e acrescenta duas ou três patacoadas)

Hipersimplifica-se a obra do artista. Há músicas que ouço há 15 anos e ainda lá vou buscar novas coisas. Há livros que ao fim da décima leitura de uma passagem que gosto, encontro lá um pormenor no qual não atentara, encontro a ligação de uma ideia que não surgira, uma interpretação nova. Os filmes...



As-obras-de-arte-e-as-pessoas-são-infinitas

Escapismo 1 - Revolucionário 0

Há uma futebolização excessiva da sociedade portuguesa. É bom para quem governa porque aliena as massas. É bom para o povo porque - qual soma do Admirável Mundo Novo - o escapismo afasta-nos da crise e dos nossos problemas (quanto maior a crise, mais escapistas nos tornamos).

Que um excesso não gere outro excesso: não é pecado gostar de futebol.

sexta-feira, junho 20, 2008

I HAVE SOME FRIENDS INSIDE

THE DOORS
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.


Alexandre O'Neill

quinta-feira, junho 19, 2008

Posts sobre o Euro

O jogador que mais me encantou até hoje: Villa

A seguir: Buffon

A seguir: Deco
Uma sociedade perfeita esfarelar-se-ia por inanição.

Angel

terça-feira, junho 17, 2008

Ser diferente por ser diferente... uma futilidade como coleccionar jóias.

Os artistas podem quebrar as regras - mas para as quebrarem têm de as conhecer e dominar bem numa primeira fase. A trangressão sem o conhecimento do que se transgride é um acto provocatório vazio e inconsequente.


Angel

segunda-feira, junho 16, 2008

O mundo

Muitas pessoas sentem-se esmagadas pelo mundo. Umas porque a sua generosidade nunca chega para aliviar um átomo dos males do mundo. Outras por vaidade sentem que haverá sempre alguém mais famoso, bonito ou endinheirado do que elas.

Mas... o mundo não existe. Já pensaste que o mundo é apenas a percepção individual que cada um tem dele? O mundo só existe enquanto uma ideia da cabeça.

Como dizia Jorge Luis Borges:

«Perdi o medo de falar em público quando percebi que a multidão não existe. Nós falamos sempre apenas para uma pessoa que nos ouve.»


Angel

Planeta Curista

THERE’S REALLY NOTHING
I WON’T DO
TO GET A NEW YORK DISNEY SMILE FROM YOU


The Cure, (os novos materiais/singles que figurarão no próximo álbum)

sábado, junho 14, 2008

Se as pessoas conseguissem ler o que os outros pensam, perceberíamos todos que a hipocrisia é o sustentáculo da vida como a conhecemos...
Eu quero ser puro. Mas o mundo.

Eu quero tratar todos por igual. Mas o mundo.

Eu quero agir por ideiais. Mas o mundo.

O velho ancião disse-me:

- Tu és sensível, cuidado, os sensíveis sofrem mais.

- Tu és idealista, queres ir numa determinada direcção e não imaginas nada que te demova, mas depois encontras a barreira. É tramada a barreira do mundo.

O que chama a felicidade?

Há momentos que são curtos, suaves, banais de tão simples - mas são momentos prenhes de uma felicidade arrebatadora. Não conseguimos explicar porque nos invade aquela alegria quando acordamos vestimos a camisa engomada, vemos o Sol e quando ligamos a rádio está a nossa música a tocar.

Ontem ouvi um amigo contar que deitou-se de barriga para o ar no mar, a olhar as nuvens e que se sentiu voar - e que nesse momento, sim, foi feliz.

O que será que chama a felicidade assim, desta forma, subitamente, inexplicavelmente?

Angel

quinta-feira, junho 12, 2008

Ouvido afiado

- Nenhum homem realmente percebe uma mulher. De zero a vinte, há os que percebem zero - que são a maioria, Angel - e o que percebem um.

É que o oposto da morte também não é uma delícia

O que te incomodaria mais: a morte ou viver-para-sempre?


O Woody Allen tem uma piada em que vai ao médico este lhe detecta-lhe o síndrome da vida eterna.

- Viver para sempre?

- Sim, o senhor nunca vai morrer.

- Quando estava a estacionar no hospital, eu logo vi que não ia ter boas notícias.

terça-feira, junho 10, 2008

O sonho

Quando estamos a sonhar e o sonho é maravilhoso, por vezes acordamos e a realidade cai em cima de nós como uma pedra pesada e pouco polida.

Outras vezes, temos um pesadelo e acordamos e percebemos que, afinal, não passou de um sonho. E ficamos contentes com a felicidade do alívio - vemos que a nossa vida podia ser bem pior, relativizamos e alegramo-nos!

Mas, hoje, tive um sonho tão bom que ainda estou com ele. Secretamente dentro de mim, íntimo, lindo e mágico, vai modelando as coisas e as pessoas em meu redor. Espero que não esmoreça ao longo do dia e que eu continue a deslizar para dentro dele - cercando-me de um halo de magia.


Angel

segunda-feira, junho 09, 2008

As perguntas existenciais por detrás das primeiras

Porque ou para que existe algo e porque não o nada?

E porquê, anterior ainda, a possibilidade sequer de existir ou não existir?

Porquê algo?

Angel

Amigos que não lêem o blog ;)

- Um tipo que é feio não tem a vida tão comprometida como uma mulher feia. Porque um tipo mesmo muito consegue-se safar, porque as mulher não ligam tanta à beleza. Não tens essa percepção, Angel?

domingo, junho 08, 2008

Idealismo feminino

As mulheres são superiores aos homens. Superiores no sentido «mais elevadas». Claro que não são todas - o advérbio de modo é «tendencialmente» (aplique-se este advérbio a todas as frases subsquentes).

As mulheres não se vangloriam - ou se o fazem pelo menos não recorrem à mentira - dos gajos bons que foderam e de quanto os fizeram gemer.

As mulheres gostam de entregar o corpo depois de conhecer a mente, os homens dispensam a relevância dada à mente ou ao espírito.

As mulheres não filmam os actos sexuais para usarem como troféu.

As mulheres quando amam, não traem do género de mandar uma foda por mandar.

As mulheres quando fodem, precisam de algo mais do que um corpo.

As mulheres são menos boçais a comentar um homem do que um homem uma mulher e menos corporais a analisá-lo.

As mulheres sabem o que é o charme, os homens só sabem o que é a beleza.

Feio ama, bonito lhe parece - só existe para as mulheres.

As mulheres, quando passa um homem bom, não se viram de costas a babar, nem fazem comentários audíveis e risos efervescentes (e quando o fazem são tão mais subtis).


Há homens - é mesmo verdade - que são capazes de andar com uma mulher por causa das mamas ou do cu, ainda não conheci um mulher que andasse om um homem por causa do cu ou das pernas.

Serão mais competitivas entre elas, serão mais cabras nos jogos de sedução alimentando esperanças inconsequentes para se sentirem desejadas, perseguirão mais sedentamente a estabilidade (incluindo a material); mas procuram menos o efémero, o gratuito, o hedonismo imediato, a experiência vazia, a mera forma.


Angel

sábado, junho 07, 2008

As pessoas mudam dentro de nós.
Leio a literatura hodierna e é muito muito, muito difícil mesmo, sentir algo que me abala - voltando inevitavelmente aos clássicos sempre frescos.

Só duas vezes chorei a ver filmes (filmes daqueles em que muitos já choraram). Só uma vez chorei a ler. Foi a ler «O Enforcamento» de George Orwell (Por que escrevo e outros ensaios).


Foi uma experiência demasiado forte.

Angel

Palavras que gosto pela musicalidade

cânfora


dossel

Palavras que gosto pela musicalidade

cânfora


dossel

Diálogos II

- O tempo é o melhor juíz para julgar a arte. Quem tem qualidade, acaba sempre por ver o tempo, na vida ou na morte, dar-lhe o devido reconhecimento.

- Não sei. Não acreditas no artista incompreendido?

- Não.

- Imagina que alguém - porque os há - que escreve mas que não quer publicar. Imagina que as raras pessoas a quem mostra, não a aprovam. A sua obra jazerá numa gaveta e um dia extinguir-se-á. Imagina que ali estava uma obra-prima, um novo Proust... É horrível concebê-lo, não é?

Diálogos

- Eu mais depressa tolerava que o meu namorado desse uma queca uma noite, por estar alterado, e a coisa ficasse por ali; do que andasse meses a trocar sms com uma gaja de quem tivesse interesse.

- Eu não penso assim. Ter uma experiência vazia pior do que trair a minha parceira era trair-me a mim próprio. Acho mais elevado, mais completo fazer amor com uma pessoa do que com um corpo, que é o que acontece quando não conheces a pessoa.

sexta-feira, junho 06, 2008

Poetry

Flor púrpura

Os ventos do tempo ameaçaram bater contra os muros do teu sorriso de flores de água, mas outro dia passei pela casa encantada e ela arremessou-me o melhor de ti-em-mim...
Lembrando-me de ti quando a luzinha palpável do teu olhar, rastilho da minha alegria, alastrava a manhã por todas as coisas... então, tudo eram paredes de leite…
Lembrando-me de ti quando subitamente o teu sorriso acendeu a noite às três horas da manhã…
As águas aclararam… As notas desordenadas que eu ouvia são agora a mais bela sinfonia…
Tenho uma recordação difusa de como me sentia quando acordava ao teu lado, mas sei que nesse tempo nada me atingia com muita intensidade, e tu eras apenas uma rapariga engraçada...
Uivando no insustentável peso da noite, penso que talvez o tempo tenha apenas guardado o melhor de ti. «A memória revela sempre o melhor do passado...», eu percebi...
Ou talvez esta flor púrpura que agora se ergueu tenha sempre existido...
(submersa na opacidade dos dias iguais).


Angel
O dr. Cavaco, habituado a deixar, na sua passagem pelos acontecimentos, admiráveis vestígios de oratória, aconselhou os futebolistas, recebidos, com emoção, em Belém, a olhar para o Tejo, inexaurível fonte de inspiração! O sr. Presidente estava, de certeza, a estabelecer comparações entre aqueles indómitos desportistas e os heróis escorbúticos que partiram do Cais Novo, há cinco séculos, para dar "novos mundos ao mundo". Foi um momento inesquecível. Um daqueles instantes irrepetíveis que marcam a palavra verdadeira, leal, civilizada, contra a desconsolação, a inércia, o abandono!

Baptista-Bastos


Pergunta: Num país civilizado e culto, este boçaleco era Presidente da República?

......

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Sophia

quinta-feira, junho 05, 2008

Quando a forma é conteúdo

Via a Sic Notícias e vejo o Sócrates dentro de uma camioneta, perante os apupos de fora, ter um esgar de asco-raiva-ódio-e-sobranceria que me fazem pensar:

«Este tipo não tem cáracter, não tem uma estrutural ética sólida. Não pode ser primeiro-ministro.»

Passados minutos, um amigo meu, apologista de Sócrates, telefona-me e diz:

- Angel, viste a Sic Notícias?

- Sim.

- Viste...

- A cara do Sócrates dentro da camioneta?

- Foda-se, também te chocou! Aquele gajo afinal...

A cara diz muito. Outro dia, uma pessoa amiga mostrava-me imagens da Amy antes de ser drogado e alcóolica e depois. Mesmo num estado sóbrio, a sua cara é outra. A saúde estiolou, o entusiasmo foi-se embora.

O meu amigo ancião livreiro diz-me amiúde:

- Não gosto, não gosto da cara dele.

Quando o Trapattoni treinava o Benfica, dizia que escolhia os guarda-redes pela confiança com que estavam no momento. Como via isso? «Muito simples. Pela cara deles. Se estás confiante, andas sorridente, de peito levantado e bem-disposto.»

Surgem-me estas reflexões de uma ida ao casino. Olhei para para vinte caras e soube logo quem ganhava e quem perdia.

Claro que o politicamente correcto insurge-se e diz-nos que isto é um preconceito. O ultra-conhecido livro Blink! diz-nos que a maior parte dos nossos preconceitos é justa. O cérebro desenvolveu ao longo de milhares de anos de evolução informações rápidas com base em armazenamentos de triliões de informação. Quando muitos padrões do passado se manifestam concomitantemente, nasce a memória ramificada da resposta acontecida no passado. O preconceito é, assim, um atalho da Verdade.

Angel-em-busca-do-facias

quarta-feira, junho 04, 2008

Saber escrever (tirado do maisfutebol)

vergunha
[ 2008-06-04 14:16 ] Por: e.a.g
vai recorrer nao era nesseçario fize-sem as cuisas direitas e com deguidade para com os socios e jogadores com ke cara ele vais falar a sic esperemos para ver andao aflitos e os outrs clubes a ri-se sinto-me triste por ser portista todos os presidentes corrupetos deviao ser presos pinto da costa nao foge a regra

Euro 2008

Uma das três equipas irá ganhar o Euro: Espanha, França, Itália.

Aqui fica o palpite da tasca.

segunda-feira, junho 02, 2008

Reconhecer as diferenças

A crise económica tem mostrado a outra crise: a de ideias, de ideologias. Todos criticam, mas poucos arriscam alvitrar panaceias.

Muito se discute o que é ser de esquerda hodiernamente.

Avanço uma definição.


Ser de esquerda é não querer o estado em nada que tenha que ver com decisões individuais que não afectem terceiros. Aborto, casamento homossexuais, piercings no corpo, prostituição, eutanásia. O estado não tem o direito de proibir que eu me mate sequer, não tem o direito de me ministrar menos direitos se eu casar com um homem que amo do que com uma mulher que não ame. Por outro lado, ser de esquerda é exigir o Estado em todas áreas em que o mercado penaliza os mais fracos. Direitos laborais, regulamentação da ganância das empresas, obstar a que haja pessoas que ganhem num minuto o que a maioria não ganha num dia (cristiano ronaldo ganha 60 euros por minuto).

Porque a esquerda é liberal nos costumes mas anti-liberal na economia. Mas atenção que a direita cá também o é. Porque exigem subsídios às empresas, indemnizações chorudas aos gestores públicos, leis especiais para os grandes grupos económicos. Nos EUA, existem partidos liberais na economia e liberais nos costumes, pertencentes à esfera política da direita. Partidos que defendem a liberalização do crack e dos despedimentos. Cá não. A nossa direita só é liberal na economia. Nos costumes é conservadora.

Há sinais de mudança no horizonte. Passos Coelho defende que a droga seja ministrada gratuitamente pelo Estado e que os homossexuais se possam casar livremente.

Angel-o-eixo-axial-da-esquerda-e-da-direita-cruzado-com-o-eixo-do-liberal-autoritário

Recortes do Real

Vinha com um amigo a andar pela rua. Ele vinha carregado de sacos do supermercado, a ofegar. A certa altura, parou.

- Então? - perguntei.

- Foda-se, tou mêmo todo roto.

- Descansa um bocado.

Paradoxalmente, num aparente acto de loucura, desatou a correr. À velocidade que o vi correr, nunca em toda a vida eu alguma corri.

Encontrei-o passado dez minutos, mais à frente.

- O que foi, pá?

- Foi uma gaja que vi e que eu curto bué.

- Isso é paixão.

- Ya... - disse a olhar para o chão.

- Não te cansaste?

- Nem me lembrei disso.

domingo, junho 01, 2008

Sobrestima-se a importância do sexo.

Angel