sexta-feira, agosto 31, 2007

Solilóquio de um taxista:

«Deviam de (sic) por os ciganos e ós pretos todos num barco e afundá-los a todos. Ia ver com este país melhorava. O Portas não chega, precisamos de dois Portas para nos tirarem deste desgoverno. Que isto não é um governo. É um desgoverno. O companheiro entende o que eu quero dizer?»

Flor púrpura

Os ventos do tempo ameaçaram bater contra os muros do teu sorriso de flores de água, mas outro dia passei pela casa encantada e ela arremessou-me o melhor de ti-em-mim... Lembrando-me de ti quando a luzinha palpável do teu olhar, rastilho da minha alegria, alastrava a manhã por todas as coisas... então, tudo eram paredes de leite…Lembrando-me de nós quando espantados vimos a claridade acender subitamente a noite às três horas da manhã… Agora que as águas aclararam vejo com nitidez que foi o brilho e a doçura da tua pele que nós fizeram viver coisas impossíveis… As notas desordenadas que eu então ouvia resultam agora na mais bela sinfonia para os meus ouvidos.Tenho uma recordação difusa de como me sentia no tempo em que acordava ao teu lado, mas sei que nesse tempo nada me atingia com muita intensidade e tu eras apenas uma rapariga engraçada... Uivando no insustentável peso da noite, penso que talvez o tempo tenha apenas guardado o melhor de ti, tela banal tingida com novas tonalidades deslumbrantes. «A memória revela sempre o melhor do passado...», eu percebi... Ou talvez esta flor púrpura que agora se ergueu tenha sempre existido... (submersa na opacidade dos dias iguais).

Angel
«Um manipulador é empático.»

Pedro Santos

quinta-feira, agosto 30, 2007

"feliz a nossa linguagem por ser desajeitada - o que é forte violenta-se e o que é fraco é por ela violentado - no primeiro caso, a manifestação da força torna-se mais visível, mais bela - no segundo caso, a incapacidade torna-se mais acentuada - e assim o reino da beleza permanece mais puro, mais nobre, mais límpido"
Novalis

Noir

Desde cedo tive contacto directo com a corrupção. Sou, de resto, autor de processos. Em muitas situação na minha vida cruzei-me acidentalmente (vezes demais) com a corrupção. Já houve quem dissesse que era esta a minha missão no mundo. Espero que não.

No mercado de trabalho, no associativismo da faculdade, cedo constatei e conheci, em termos concretos, o que significam os obscuros vocábulos: «tráfico de influências», «corrupção», «compadrios».

Vi também como o sexo pode ser um elemento numa transacção que em contrapartida dá uma promoção de carreira ou renovação de contrato.

Vomitei muita merda: gente boçal, ditadorzecos ignorantes, pessoas que alicerçam a sua autoridade não na sua (in)competência; mas no seu posto.

Julgava que nas áreas das editoras de livros e na produção de escrita (entre as quais o jornalismo), as coisas eram diferentes. Não são.

Há gente que se mete neste área, como o tecnocrata e analfabeto Paes do Amaral (que já comprou uma dúzia de editoras), apenas pelo negócio.

Há tanto jornalista que não sabe escrever e que dá erros primários. 90% deles disseram numa sondagem fechada que sentem a censura do seu jornal. Quando olho para uma banca e vejo a proliferação de revistas e jornais rosinhas, fico assustado. Um dia abri uma revista dessas a Grazia, creio, só com fotografias praticamente. Vi os exemplares: 220.000.

Uma vez na revista Sábado, tive uma reunião em que me pediram:

- Angel, escreva mais light. Menos teoria, mais histórias de pessoas, mais coscuvilhices...


No mundo das editoras (e já passei por quatro ou cinco), vê-se o ser-se mulher, o ser-se bonita como mais importante do que escrever-se bem. Quem está no meio, sabe que o que disse é irrebatível para a maioria das editoras, especialmente as dirigidas por homens.

Um editor conhecido disse-me um dia:

- Angel, não me arranjas uma amiga tua gira para trabalhar comigo?


Infelizmente, a mentalidade dominante é esta. Os jornais cada vez se preocupam menos em publicar inverdades. As editoras cada vez publicam mais lixo. As livrarias apenas têm 8% de Literatura (e desta quanta se aproveita?). Os prémios literários - diz o Baptista-Bastos - são atribuídos muitos deles a priori. Os top de vendas - ouvi ontem de um editor - são fictícios e encomendados para promover os livros. Os próprios livros da FNAC são postos na montra ou debaixo do móvel em função do preço que pagam as editoras. As novas gerações cada vez têm menos paciência para pensar. Cada vez mais se alienam nas play-stations, não lêem, não reflectem, não acreditam nos políticos e borrifam-se para a política; e para as questões do espírito no fundo.

Um amigo disse-me a coisa mais negra que jamais ouvi:

«Um dia vamos querer morrer por não conseguirmos viver mais nesta sociedade.»

O poder da compaixão

Penso que todos os seres humanos têm um sentimento inato de ‘si’. Não podemos explicar por que razão este sentimento está presente - o facto é que está. Este sentimento é acompanhado do desejo de sermos felizes e da vontade de acabarmos com o sofrimento, o que é plenamente justificado: temos naturalmente o direito de alcançar tanta felicidade quanta nos for possível, tal como temos o direito de pôr fim ao sofrimento.

Foi a partir deste sentimento que se desenvolveu toda a história da humanidade. Na verdade, ele não se limita aos seres humanos; na perspectiva budista, mesmo o mais pequeno insecto tem este sentimento e tenta, em função das suas capacidades, evitar situações infelizes e obter alguma felicidade.

Todavia, há diferenças fundamentais entre os seres humanos e as outras espécies animais. Essas diferenças resultam da inteligência humana. Graças à nossa inteligência, estamos muito mais avançados e temos maiores capacidades. Podemos pensar no futuro com muito mais alcance e a nossa memória é suficientemente poderosa para nos fazer recuar muitos anos no tempo. Além disso, temos tradições orais e escritas que nos recordam eventos que se passaram há muitos séculos. Hoje em dia, graças aos métodos científicos, podemos mesmo examinar eventos que ocorreram há milhões de anos.

Portanto, a nossa inteligência faz de nós seres muito espertos, mas, ao mesmo tempo e precisamente por causa disso, temos mais dúvidas e suspeições e, por conseguinte, mais medos. Creio que a imaginação do medo está muito mais desenvolvida nos humanos do que nos outros animais. Já para não falar dos muitos conflitos no seio da família humana ou da nossa própria família, dos conflitos entre comunidades e nações ou dos conflitos internos de cada indivíduo - tudo conflitos e contradições que surgem das diferentes ideias e visões que a nossa inteligência proporciona. Portanto, por vezes a inteligência também serve, infelizmente, para criar estados de espírito muito infortunados. Nesse sentido, talvez a inteligência seja uma fonte suplementar de miséria para os homens. Ao mesmo tempo, creio que, apesar de tudo, a inteligência é em última análise o instrumento que nos permite vencer todos esses conflitos e diferenças.

Nesta perspectiva, entre todas as espécies animais deste planeta, os seres humanos são os maiores desordeiros. Isso é claro. Imagino que se deixasse de haver seres humanos neste planeta, o planeta em si tornar-se-ia um lugar mais seguro! Milhões de peixes, de galinhas e de outros pequenos animais iriam certamente beneficiar de uma verdadeira espécie de libertação!


Dalai-Lama

quarta-feira, agosto 29, 2007

Um dia...

Os pacotes Nicola (que nunca mais passam para verde) têm agora escrito:

"Um dia faço de ti a pessoa mais feliz do mundo."

"Um dia faço uma tatuagem."

"Um dia a minha vida vira um livro."

"Um dia inscrevo-me num ginásio."

"Um dia mudo radicalmente e visual."


A vida é... um sucessivo adiar de promessas, de coisas boas... Um dia, um dia...
Sempre que encontro alguém de longa data, dizemos sempre "um dia combinamos café."

E nunca combinamos.

Nacionalismo, Imortalidade e Espíritos Bacocos

Só por pudor de sermos tão pequeninos, quando temos alguém que se destaque, esse alguém torna-se incriticável.

Outro dia vi o Cristiano Ronaldo num bar.

Quando ele entrou, a minha mesa comentou:

«Vêem aí mitras.»

Eu olhei e vi umas pessoas de boné e duplos brincos. Não é estereotipo, qual de de vocês que veja um aglomerado de pessoas assim na noite e esteja sozinho num beco escuro, não se assusta?

Sentaram-se.

Eu comentei:

«Parece o Cristiano Ronaldo.»

E de facto, era muito parecido.

No final, levantou-se.

Fez um andar gingão e disse em voz alta:

«Dá-me as chaves. Eu levo a máquina.»

Quando ele se foi embora, várias pessoas foram ao balcão e perguntaram se ele costumava lá ir e a que dias.

«Vou passar a vir então..»

Contei este episódio a algumas pessoas e a única coisa que retiveram era o nome do bar. Enfim... O Kundera dizia que as pessoas famosas têm uma aura de imortalidade e que, no contacto com elas, somos ilusoriamente contagiados...

Os nossos heróis são sempre sobrestimados. No futebol, o Figo era claramente inferior ao Zidane, e nós defendíamos o Figo. Cheguei a ouvir a defesa com ataques racistas: «O quê?, esse argelino melhor do que o Figo?»

Na Literatura, o Saramago é o campeão dos dislates. Mas claro é Nobel... O que é ser Nobel? Quantos grandes escritores ficaram arredados do Nobel? Quantos escritores menores ganharam o Nobel? Nos último tempo, o Nobel é determinado por critérios geo-políticos... Mais: quantos escritores portugueses não mereciam o Nobel mais do que Saramago. Quantas vezes o Herberto Helder...

No 25 de Abril. defendia o fuzilamento dos fascistas no Campo Pequeno...

Hoje diz que Israel está a fazer aos palestinianos o que o Nazismo fez ao judeus no Holocausto...

Que o voto em branco vai detonar o sistema? Não entende que da diversidade de motivos (desde o anarca ao nazi) que levam ao voto em branco nunca se poderá erigir uma alternativa coesa?

Agora Espanha...


Angel
Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

Herberto Helder

terça-feira, agosto 28, 2007

Jogo com Aristóteles

Aristóteles diz que o caminho do meio é sempre o melhor. Nem muito corajoso nem muito medroso, nem muito falador nem muito calado, nem com muito amor-próprio nem com pouco...

Tentem uma qualidade a que isto não se aplique. Digam-me por favor qual...
O Dalai-Lama (em português: Oceano de Sabedoria) vem cá e eu já tenho o bilhete.

Se houver perguntas no final abertas ao público (o que me parece altamente improvável), perguntar-lhe-ei:

- O budismo acredita que a bondade traz alegria ao coração e a maldade infelicidade. Isto é aplicável a todos os seres humanos? Admite a hipótese de haver pessoas amorais, desprovidas de remorsos?

- A lei do karma diz-nos que aquilo que temos na vida foi o que, outrora, atirámos para a vida de alguém. Então e quando alguém mata alguém ou quando alguém bate em alguém, o assassino ou agressor é apenas um instrumento para executar o mau karma da pessoa assassinada ou agredida; ou o assassino/agressor está a acumular karma negativo sendo a vítima injustiçada?


Angel
Os homens - não sei se a maioria, se alguns - conseguem destrinçar, de forma absolutamente clara, entre o mero desejo sexual e sentimentos por alguém. Eu acho que as mulheres neste aspecto são diferentes (e passo o juízo de valor: para melhor). Se calhar, estou enganado.

Angel
Atravessei de olhos fechados a placa que marcava o início de Areias de Prata. A minha primeira impressão ao abrir os olhos foi que a beleza fulgurava por todos os lados – jorrando instantânea e torrencialmente para onde eu olhasse. O Sol erguia-se no perfeito céu azul espalhando uma cintilação pelo solo e uma tonalidade dourada pelos cabelos.
Desci pelo asfalto até à areia. Descalcei-me, senti a areia quente e deslizei até ao som do mar onde as ondas me estendiam os seus braços...
As pessoas vogavam em bóias descontraídas, liam, jogavam, riam. Todas as camadas etárias marcavam presença. Tirei fotografias a um bebé de sorriso largo e a um papagaio de papel que cirandava no céu.
«Aqui e agora, neste momento com o qual me fundo e me confundo, eu sou a paz que o mundo não tem…» – poetizei no meu bloco de notas.
Quedei-me junto ao mar, o mais verde que alguma vez vira, os pássaros chilreando docemente por cima de mim, enquanto os meus pés sentiam suavemente a carícia macia da espuma e a amplitude do meu sorriso atingia proporções inéditas. Deixei-me estar assim por vastos instantes, sorvendo todos os pormenores que me rumorejavam levemente as boas-vindas a Areias de Prata.
É um fenómeno curioso da natureza humana... Quando gostamos de qualquer coisa, a nossa inclinação irresistível para ela torna-a monolítica, como uns olhos que não suportassem um quarto com paredes de várias cores – e, então, gostamos de tudo nessa coisa. Eu gostava de gostar e isso ajudava.


Angel´s book
Uma dia recebi um mail:

Todos os balões/Golfinhos.

Passados 10 minutos outro mail já só com assunto e vazio de conteúdo:

Europa.

Passados 5 minutos:

Lisboa

Indaguei a pessoa no dia a seguir pelos motivos obscuros de tais mails e ela disse-me apenas:

«Sabes, o que eu queria mesmo é que os pacotes Nicola passassem a verde.»

segunda-feira, agosto 27, 2007

Efeitos nocivos do alcóol

Um dia, um amigo bêbado, pegou-me no telemóvel (estava eu no wc). Quando cheguei e o vi com o telemóvel na mão, tirei-lho. Lia-se nas mensagens enviadas (a uma amiga minha):

«Come-me77777777777777777777FGASW e fode-me192u728y8».
Um dia, um amigo meu, disse-me algo que desde então tenho ouvido abundantes vezes, com subtis cambiantes:

«Angel, tens de fazer um livro com as personagens excêntricas que povoam (o verbo não foi este) a tua vida.»

Cresceu dentro de mim a ideia. Até agora só fiz a listagem.


Primeiro esboço da listagem:


a) Uma rapariga que nunca dormiu com um só pijama. Parte de cima uma, parte de baixo outra.

b) Um amigo meu que saiu de casa a pé (Moscavide) e foi carregado de cobertores, leite, bolachas para distribuir aos sem-abrigo no Rossio.

c) Um amigo (ainda o mesmo) meu que avisou os vizinhos todos que ia correr na bicicleta na sua varanda enquanto decorresse a volta à França. Fez a mise en scène: tinha água, equipamento e os vizinhos, relógio e os vizinhos iam apoiá-lo das outras varandas com gritos de incentivo. No final, pelo tempo, vi o lugar em que ficou.

d) Um homem com uma existência absolutamente normal que um dia quando viu uma galinha teve um terror profundo de suores frios, começando a fugir desalmadamente. Explicou mais tarde o sucedido: no seu intímo sabia que era um grão-de-bico e que, fatalmente, aquela galinha o iria comer.

e) Uma rapariga que, a cada pessoa que conhecia, pensava sempre «de que cor és tu?» Acabava por conseguir atribuir sempre uma cor.

f) Uma pessoa que está a 17 anos sem um flirt, na esperança que a ex retorne.

g) Uma rapariga que nunca beijava. Tinha aversão suprema pelo acto do beijo. Namorava. Só não beijava. "Nunca na minha vida."
70% dos alugueres de clubes de vídeo são pornografia.
Há tanta gente insuspeita que leva vidas duplas. É o síndrome do Julgamos-sempre-que-o-psicopata-não-mora-ao nosso-lado.
«Se eu tivesse uma ilha, os meus amigos chegavam em barcaças, cantavam baladas de marinheiros, bebiam cidra, deitavam-se com a boca salgada, faziam amor e adormeciam. Na falta de uma ilha, um livro».

Eduardo Prado Coelho
Por um milhão de contos, se ninguém soubesse, mandarias matar um velho na China?


Livro das perguntas

domingo, agosto 26, 2007

Realidade (Álvaro de Campos)

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos...
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade ...

Há vinte anos!...
O que eu era então! Ora, era outro...
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)...
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos...
Não me lembro, não me posso lembrar.

O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse...
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!



quando o meu amor vem ter comigo é
um pouco como música, um
pouco mais como uma cor curvando-se (por exemplo
laranja)

contra o silêncio, ou a escuridão....

a vinda do meu amor emite
um maravilhoso odor no meu pensamento,

devias quando ver a encontro
como a minha menor pulsação se torna menos.


e.e.cummings, livrodepoemas
que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

(...)

e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens


(...)


nunca houve ninguém tão louco que não conseguísse
chamar a si todo o céu com um sorriso


e.e.cummings, livrodepoemas

sábado, agosto 25, 2007

Há frases assassinas.
A realidade é só uma e não há uma única interpretação individual coincidente sobre ela.

Carta ao Bloco de Esquerda

Aos senhores bloquistas Francisco Louçã, Daniel Oliveira, Miguel Portas:

Em primeiro lugar, denotaram imensa tibieza ao dizer que não subscreviam o acto terrorista dos transgénicos. Foi-vos arrancado a ferros o "não". Não que serviu de intróito para logo discorrerem sobre os malefícios dos transgénicos, sobre os abusos das multinacionais, sobre os prejuízos da Somague, etc, etc. Tudo isso está certo. Mas quando há um acto terrorista, há que condená-lo sem ambiguidades. Há que não destrinçá-lo, catalagando-o pelo putativo móbil. Já no 11 de Setembro falaram tanto tanto da política agressiva externa do E.U.A. muito mais tempo do que a condenar os actos terroristas...

Deixem a clubite. Não façam como os fanáticos do futebol que dizem que o clube deles rouba, mas todos os outros o fazem também. O argumento de nivelar por baixo é sempre mau.


O argumento por vocês usado para não aceitarem o ataque eco-terrorista foi o de que o alvo não deveriam ser os pequenos agricultores mas as multinacionais.

Observações:

1) ficava mais tranquilo se todo e qualquer partido institucionalizado condenasse o terrorismo, não distinguindo o terror pela sua ideologia ou causa nobre ou ALVOS (aquilo que justamente vocês fizeram).

2) se um dia incendiarem a multinacional mac donalds vocês aprovarão?


Foi a segunda atitude do bloco que me desiludiu profundamente. A primeira foi a não recepção ao Dalai-Lama aquando da palestra na faculdade de Letras. Por ser apenas - dizem eles - uma figura religiosa...

Amor, a quanto obrigas.

Uma pessoa que conheço relativamente bem tentou entrar no lux. Estava alcoolizado e três vezes lhe negaram a entrada.

Ele queria muito entrar. A sua ex-namorada estava lá dentro e ele gostava horrorosamente dela.

Foi pela parte de trás (onde não há porteiros). Encostou o carro a uma barraca. Içou-se no tejadilho do carro, ganhou balanço e zumba! saltou para cima da barraca. Da barraca, fez o mesmo para o primeiro andar (o lux só estava no terceiro andar).

No primeiro andar, um súbito holofote acendeu-se e ele viu o seu corpo iluminado. Farejou o perigo mas continuou a subir. Mais dois andares. Entretanto lembrou-se desanimado que ao entrar, entraria pelo bar do terraço mas nem isso o demoveu. Continuou a saga.

Entretanto, no lux alguém via pelas câmaras a invasão.

O Alfredo, o porteiro mais mal-educado e boçal, foi agarrá-lo.

- Obrigado - disse o invasor - quiseram-me assaltar e eu vinha ver se vocês me ajudavam.

- Estás é bêbado e te calas ou levas um soco já!

Nem uma vez usando de violência, foi levado aos outros porteiros. Reuniram.

- Tentaram-me assaltar - insistia perante os outros.

Enquanto os porteiros conferenciavam, ele escapuliu-se. Acredita ele que a fuga foi tácita.

Sete meses volvidos, entra no lux pela porta da frente sem problemas.


Angel-ready-to-make-poetry-to-Acropolis

Profecia do meu amigo Sérgio...

"A droga no futuro serão jogos virtuais."

sexta-feira, agosto 24, 2007

Lua branca

Longe…
Do outro lado
Do mundo...
Uma estrela cintila
Aqui…
Uma outra estrela
Se ilumina
Sorridente
Como um piscar de olhos
Na imensidão do tecto das estrelas...

Toco o teu rosto
Na lua branca que ondula no lago
E sei
Que em todos os lagos
A lua branca estremece…
Toco a fosforescência da tua pele
Na suavidade da brisa nocturna
Percorro a tua alma
Com os meus dedos espantados
Nem um centímetro de futilidade...

Tu...
Paladar apurado para a subtileza
Alma blindada à vulgaridade
Ponto de luz intermitente
Entre o real e a estratosfera
[Mas o que é o real? – gritarás num sussurro
(Tu gritas sempre em sussurros)
Desse lado do mundo]

Lá fora
O mundo exterior
O caos e a sua ordem
O turbilhão das almas vazias
À tua luz crua
Tantas coisas mesquinhas
Tantas pessoas anódinas
Então eu escolho ficar
entrincheirado no mundo
que dentro de mim deixaste...
como qualquer coisa tua –

pura verdadeira única…

Angel

«Ser poeta é como morder como quem beija»

Florbela Espanca

Estranhamente verídico II

Deram um telemóvel à mãe de um amigo meu. Ela não se adaptou e, ao primeiro dia, queria ver-se livre do objecto.

- Ai eu desde manhã que estou a gastar uma fortuna... Desde manhã que está a ligar para a prima, para a prima, prá prima, prá prima... Já carreguei em todas as teclas e não consigo fazer nada.

Foram ver o telemóvel.


Dizia:

Agora prima *
Quando se ajuda alguém de forma pontual, esse acto ficará indelevelmente gravado na mente da pessoa (em princípio). Quando banalizamos de forma sistemática a ajuda, essa pessoa abusará até ao desrespeito, e seremos encarados como pessoas sem firmeza, frouxas e sem vida, e quando cessarmos a ajuda, essa pessoa cobrar-nos-á fatalmente.
Hoje, a cortar o cabelo, ouvi da cabeleireira que não conheço:

- Viu esta senhora que passou?

Olhei pelo espelho e vi uma quarentona anafada e sorridente de cabelo roxo.

- Viu?

- Sim. O que tem?

- É cliente daqui, conta-me a vida toda. Hoje chegou aqui e disse: «Acabei de fazer sexo com um belga que nem sei o nome. Estou muito agitada porque só agora me apercebi que não usámos protecção...

Estranhamente verídico

Uma senhora disse a um dos amigos do filho:

- Ai o meu filho é tão poupadinho que costumam ir cinco fumar o mesmo cigarro para o anexo da casa...

quarta-feira, agosto 22, 2007

Tenho um amigo meu que foi para Londres estudar. Estive com ele quando regressou para passar férias. Tem um look excêntrico para a paisagem urbana de Lisboa (de Portugal, em geral): cabelo muito comprido, um lenço (com caveiras?) a atar-lhe o cabelo, roupas escuras, anéis de gótico, botas longas...

Ele diz - e com razão - que cá as pessoas olham demasiado para ele e que, em Londres, ninguém, tão diluído está na paisagem heterógenea. Lembrei-me de um professor inglês que eu tinha que disse uma vez:

- Vocês em Portugal não têm imaginação a vestir-se. Os homens então vestem-se todos de igual...

O meu amigo diz que - e eu acredito - é discriminado pelo seus aspecto quer numa entrevista de emprego, quer seja atendido nos correios.

Depois contou-me um pormenor curioso de Londres:

- Lá aquilo até irrita. A malta é tão politicamente correcta que agora são fundamentalistas contra os preconceitos. Se tu dizes «gaja» és machista, se tu apontas para a roupa de alguém à qual achas piada perguntam-te logo se tens alguma coisa contra, se olhas para alguém que tem uma crista, ele é capaz de se virar e perguntar em que século vives. Lá, os preconceitos é contra a malta que tem preconceitos.


É claro que este não é o estádio ideal da evolução das mentalidades. É o estado de transição... Em que os modernos se tornam polícias à cata dos preconceituosos.

Como disse o antropólogo Miguel Vale de Almeida, homossexual assumido:

- O que eu quero não é estar a discutir a diferença, o que eu quero é que se deixe de pensar a diferença...

Nós ainda estamos na discussão da diferença. Quando a diferença - na cor do cabelo, da religião, orientação sexual, indumentária - deixar de importar; aí
também cessarão os politicamentos correctos igualitários fundamentalistas que impedem até o próprio humor a minorias.

Angel

«A tradição é a ilusão da permanência»

TVE anuncia o fim da transmiss㯠televisiva de touradas, tanto no circuito nacional espanhol como no circuito internacional*

AO FIM DE 50 ANOS DE TRADIÇÃO.

AS MENTALIDADES MUDAM LENTAMENTE, MAS MUDAM...
O avô de um amigo meu gostava de dizer, e passo a expressão repleta de boçalidade:

«A droga e a paneleirice não experimento porque tenho medo de gostar.»

Eu digo o mesmo

«Nos teus versos, a certa altura não sei se leio ou se vivo,
Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos»



Pessoa dirigindo-se a Walt Whitman (Saudação a Walt Whitman)

terça-feira, agosto 21, 2007

«E não haver gestos novos nem palavras novas!»

Diário de Florbela Espanca

Poesia? É ISTO QUE É «MUIT´À FRENTE»?

SENTE O SOM – DUPLO V BARALHA E VOLTA A DAR

É TUDO BOM – SOMA E SEGUE SEM PARAR

COMO UM DOM, NÃO SE CONSEGUE REFUTAR

PORQUE NÃO HÁ PLAFOND, SEMPRE A SUBIR ATÉ ESTOURAR

NORTE A SUL DA NOSSA CASA ATÉ À TUA... RUA

NA DESCONTRA, FUMA UM (...) E RECUA, SUA

QUANDO A BATIDA LEVANTA COMO UMA GRUA

SEGUE O BAIXO QUE EU ENCAIXO – E VOA ATÉ À LUA



VEM SENTIR – O QUE FAZEMOS É NATURAL, YO

VEM CURTIR – É O PRODUTO HABITUAL, YO

NON STOP COM - AS DONINHAS NUNCA PARAS

FUSÃO HIP-HOP - AQUI COM OS PUTOS NUNCA APARRAS

Da Weasel
Estava a trabalhar e queria fazer uma pausa. Como deixei de fumar (há quatro dias...), fiz a pausa ligando a televisão.

Estava a dar uma novela de início da tarde, falada em brasileiro.

Uma rapariga está sozinha na praia, a chorar. Passa um surfista.

- Oi, desculpa mas não suportar ver uma menina chorando. Posso me sentar?

Ela encolhe os ombros.

- Posso ou não?

Ela acena que sim.

- Sabe - diz fazendo uma pausa - eu não suporto ver uma menina chorando especialmente se for bonita (tirada tão previsível). Já agora, sou o Gabriel.

- Eu sou a Raquel...

- Gabri-el, Raqu-el... Ligamos tão bem... (risos, mas do quê?)

Ela sorri.

- Me diga, foi briga de namorado?

- Não, separei de meu marido.

- A coisa é séria então... Mas olha - diz apontando para o ar e para o mar - há tanta luz...

- Tenho rezado muito ao meu ajo da guarda.

- Eu tenho nome de anjo.

- Quem sabe você é o meu anjo - e sorri.
Há pessoas que vivem a vida tão levemente, sem o ruído da metafísica, sem a comichão das perguntas existenciais: quem sou? o que há depois da morte? qual a minha ética?



A eterna questão: não serão essas pessoas mais felizes?

Humor

Sempre gostei imenso de me rir mas sempre achei difícil encontrar algo na televisão ou no cinema que me conseguísse fazer rir.

Muitas vezes, achava uma série ou filme cómico muito bom, e as pessoas que me acompanhavam estranhavam sempre:

- Não achaste piada nenhuma? Não te riste nada...

Eu sorria. Muitas vezes por dentro.

A primeira coisa a fazer-me rir a bandeiras despregadas foi o Mr. Bean. O que eu me ria! Fazer um espectáculo inteiro sem palavras e por-me a rebolar no sofá só estava ao alcance do Bean. Contudo, com o tempo, a fórmula gastou-se e eu achei o humor dele pouco adulto. No fundo, é sempre alguém que está numa situação socialmente embaraçosa.

Depois veio o Benny Hill, o brasileiro Agildo. Ao Herman, que hoje caí no abismo mais profundo da boçalidade, só achei piada a dois ou três personagens (Nelinho, Diácono e o Nelo). Recentemente, os Gato Fedorento encantaram-me, mas depressa o seu humor se gastou e acho mesmo que eles precisam de uma retirada.

Mas o que mais me deslumbrou e que recentemente ao revisitar, encheu-me de vontade para ver toda a obra, foram o Monty Python. Tenho-me rido imenso com eles. Para mim, eles são o cume do humor.

Ao ler as crónicas do Ricardo Araújo Pereira, vejo ali profundíssimas influências da escrita do Woody Allen. Ao ver os sketches do Gato Fedorento, vejo ali profundíssimas imitações dos Monty Pyton.

Um outro nome merece destaque: a crónicas fulgurantes de Esteves Cardoso. Muita gente que não o lê diz que ele já não é o que era. Ele continua a ter uma escrita original, culta e encharcada, por vezes, de humor. Gosto tanto dele que até a Maxmen comprei para ler as suas crónicas. E são muito boas ainda.


Angel
Alguém deu pelo Verão?

Amiga minha que um dia será uma escritora reconhecida

Lembras-te do fogo?
Lisa M. C. Henriques

Alimentando-te das mentiras que a história encerra como véus que te agarram a uma ideia de realidade, queres reconhecer os sinais sem te perderes no absoluto.

Eis que se redefinem as linhas de pensamento e se redescobrem através da luz todos os caminhos construídos pelo Homem sobre a aparição da terra que se antevê como algo imutável.
Esta aparente consolidação do espaço e do tempo esconde sob a capa da novidade as verdades do efémero, a ficção urbana, a profunda desilusão estampada no rosto daqueles que se encaminham para o trabalho, operários do visível que se movem sob o signo da sobrevivência.

Noite e dia dissecados, transformados numa máquina de comunicação disfuncional, fazendo esquecer o fogo que nos agarra em carne viva e nos dá forma pelo infinito de cada segundo materializado na memória.

Porque me escondo de dia e escrevo à noite? Porque danço e fujo.

Caímos mais fundo no engano da propaganda, o desengano que nos traz cativos do isolamento, da ausência do outro para lá do ego, num jogo perverso de alheamento que esconde a ligação intemporal.

Ensina-te a renascer, a consagrar a vida e redescobrir a força da poesia que te espera se fores capaz de alargar o campo de visão sem perderes o sentido da existência enquanto usufruto.
Retidos no tempo, como no trânsito, afastando-nos do pulsar da unidade, impedindo que nos lancemos sem receio no sentido das emoções, que nos unem enquanto parte integrante de um fluxo que se expande.

Há o acordar preguiçoso, mas antes a consciência do ser, em perfeita conjugação com o espaço. Absortos no paraíso da nossa imaginação palaciana na companhia de um gato persa, analisando o passado, sucedem-se os dias sem que se aceite a miséria, a injustiça, enquanto observamos os pássaros que se elevam, através da janela.

A rotina desgasta o fruto da descoberta que nos fez caminhar no sentido da partilha, o isolamento faz-nos esquecer o calor dos outros, dos seus sorrisos.
Da filosofia e da faculdade ficará apenas a necessidade de reconciliação com a linguagem enquanto referência das metamorfoses, as relações humanas.

De dia o cansaço na procura da resolução dos problemas do mundo quando com efeito através da libertação se alcançam os melhores resultados.
Sabes, também demorei a partir as janelas, fi-lo com tanta força que se tornou indiferente, cai do topo da montanha, vais aprender a entrar e sair da matriz sem te ferires, a escalada vicia.

Ficará, mesmo após a desilusão, porventura a doçura de um olhar espantado, sem querer acreditar que tudo aquilo que sem dúvida é um avanço gigantesco da técnica nos afastou da vida enquanto partilha constante, enquanto desejo e arrebatamento e se absorveram os dramas pessoais dos outros, de uma política corrupta e se questionou até ao limite a legitimidade dos exemplos, argumentos e percepções, para descobrir que podia ser mais profundo, mais próximo, e todo o sentido se renova para lá do imediato, para assumires as viagens espaciais perturbadoras que te projectam na história e multiplicam a experiência para lá dos limites territoriais.

De dia ensaias a coreografia, encarnas os papéis sociais, observas os outros. O que aperfeiçoas à noite, na escuridão total, que te confronta contigo próprio e te pede para saíres do abstracto e tocares os outros através da pele.
Não tenho estado operacional. Porque me escondo ainda?

Eis que os dias e as noites se nos colocam como uma fonte inesgotável de questionamento face à nossa identidade, assim como das estruturas de poder que consagram uma lógica de subjugação das fragilidades humanas no sentido de usurpar por completo a sua interioridade.

Podemos mergulhar, antes mesmo de conseguir distinguir tudo o que nos rodeia, sentes o vento percorrer o corpo enquanto te ergues e redescobres o ténue limite que nos impede de arder, apenas para nos podermos revisitar.

Onde estás agora que voltei. É noite, dormes, é já dia para mim, quando o deslumbramento me fez sair dos túneis e te aguardo no jardim.

Onde está esse jardim, quando saímos à rua e nos encontramos nos sítios mais próximos, mais convenientes que me perturbam pela ausência de vida.
Espero que queiras fazer amor, que todos os impulsos violentos se desvaneçam, voltamos a tocar.

(Imortais à procura de semelhantes neste concerto sublime.
O maestro tem andado constipado, é preciso ter cuidado com as reservas de ouro.)
O infinito propaga-se revelando as respostas na ponta da língua, as peças por representar, esboços do paraíso, que te gritam, lembra a vibração da terra, afasta a dor. O que é que te apetece ouvir?

Conserva-se a cadência do tempo, o ritmo secreto que cada um reservará para si.
Entre o branco e o preto, a conjugação das sombras. O contexto que nos move e a percepção da forma através do movimento, enquanto desenhamos a luz e retocamos as cores ao sabor dos reflexos da introspecção.

segunda-feira, agosto 20, 2007

O vocalista dos Da Weasel, o Pac-man, salpica o seu discurso, à semelhança das pitas ocas que o idolatram, com:


- A cena é tares bem contigo

- Ya, man. Tá-se.

- Enquanto curtes a cena, faz a cena.


Uma vez tive de editar um texto dele e quando me chegou às mãos tinham tantos erros primários que parecia de alguém cuja primeira língua não poderia ser a portuguesa.

Vi-o no programa dos livros com a Bárbara Guimarães dizer:

- Em Almada e em Lisboa não é possível ler livros. Pela velocidade das coisas.
«Tenho em mim o fatalismo do defeito
e o germe da perfeição.»

Marcos André, Entrevero
Da realidade temos uma sombra distorcida. A maior parte das pessoas não nos mostra o que é - mas o que deseja que nos pensemos que é. Se as pessoas soubessem como são os outras pessoas. Como é vasto, complexo e obscuro o mundo interior de cada pessoa. Como simplificamos tudo por uma necessidade de ordem. Ai, as certezas que temos...

domingo, agosto 19, 2007

O foco guerrilheiro existe sempre. Em cada um de nós
existe um foco. Uma guerrilha possível
uma insubmissão.
Nem é preciso procurar além a serra
o lugar propício
inacessível.
A serra está em nós. Começa
em certas noites no nosso próprio quarto
irrompe subitamente sobre a mesa de trabalho
pode aparecer à esquina
em plena rua.

Manuel Alegre, Che

sábado, agosto 18, 2007

The Cure

Quando tinhas os meus treze anos, costumava comprar o Blitz e lia sempre a parte das mais de cem pequenas colunas dos leitores. Na parte das polémicas, havia sempre os metálicos contra os curistas (fãs de cure). Insultavam-se violentamente. Eu era um curista. Durante parte da minha vida, muitos anos mesmo, não me limitei a ouvir cure, limitei-me a ouvir The Cure. Recorde-se que fã é diminutivo de fanático, como me disse a Ana.

Ao ler «Contra o fanatismo» de Amos Oz estas férias, que a certa altura diz, que dentro de nós mora sempre um fanático latente em alguma área da vida - recordei-me do meu fanatismo.

Hoje em dia o fanatismo pela música é menor, tão grande é a fusão dos estilos. Gothic metal, ouvi outro dia dizer alguém que ia a um festival na televisão. No meu tempo góticos e metálicos eram tão infundíveis (invente-se a palavra) como água e fogo.

De qualquer das formas, entre curistas e metálicos acho que faria hoje a mesma opção. O que me atraía na altura, o fogo que então brilhava em mim, ainda me é racionalmente compreensível. Os curistas cultivavam as letras tanto ou mais do que a melodia, o Robert Smith e a sua gangue nunca vandalizou hotéis, nunca destruiu nada em palco, nunca se cortou em palco, exibindo o seu sangue (e bebendo-o) e nunca houve uma mosh nos seus concertos.

Mais do que isso: aprendi que tudo o que uma pessoa faz com convicção tem valor e que o que os outros pensam ou dizem sobre nós é apenas ruído quando sabemos bem que somos. Um homem pode por isso pintar-se e maquilhar-se.
«Amai-vos uns aos outros com eu vos amei»

JC

Quereria ele restringir caso fosse gays, pretos, muçulmanos, comunistas ou até pedófilos?

sexta-feira, agosto 17, 2007

As duas vezes que estive perto de morrer foram ambas por estar a ser conduzido por uma pessoa embriagada. Não gosto de falar nisto, mas num dos casos, havia uma terceira pessoa (que percebe mais de «distâncias de segurança» e carros em geral do que eu) e que outro dia me disse sobre um assunto que não gostamos de falar:

- Angel, tu da outra vez não sabes o quão perto estivemos de morrer. Se eu não lançasse a mão ao volante...

Já tive pesadelos com essa noite.

De resto, já tive inúmeras chatices com o alcóol alheio, entre grandes secas e espectáculos de violência.

Um dia a comentar com um amigo, ele disse-me sobre a pessoa que quase me levou à morte:

- Se ele em vez de ser agarrado ao alcóol, fosse a uma droga qualquer, a malta dizia que era um drogado e muita gente punha-o de parte pelos seus comportamentos.

Concordo inteiramente com ele. Os efeitos devestadores que ele praticava, se derivados de qualquer coisa que não alcóol, tê-lo-iam posto de parte.

Mas o alcóol é sinónimo de virilidade, é recriativo, serve para apoiar a selecção nacional...

Em Portugal existem 1,7 milhões de pessoas afectadas pelo alcoolismo. Morrem 5 pessoas por dia nas estradas e 55% estão alcoolizadas.

Alguém imagina uma droga com efeitos tão devastadores a ser proclamada símbolo da nossa selecção?
TANTA LETRA TANTA CAMA É SUSPEITO

Ferreira Fernandes

Duas respostas deixam-me sempre perplexo. Uma é a esta pergunta: "Que está a ler?" Nunca ninguém diz: "Amor de Perdição". Ou: "Neste momento, nada." Não. O entrevistado tem sempre à mão o livro da moda, mais um tratado de Wittgenstein e, para rematar, está a reler a obra poética de T.S. Elliot. A outra resposta é a sondagem a heterossexuais: "Quantos parceiros sexuais já teve?" Nas respostas masculinas, o número deixa-me banzado. Mesmo contando com a equipa de basquetebol feminino da Bielorrússia (onde estive em 1972), a minha experiência pessoal é ridícula. Mas a comparação que mais me intriga é que a média masculina é sempre o dobro da feminina. O New York Times, esta semana, ouviu o professor David Gale, da Universidade da Califórnia, que disse: "Essa diferença é matematicamente impossível." Se algum inquérito de Verão estiver interessado em saber o que ando a ler, aí vai: "Um artigo do New York Times. E a reler."
TORGA: ESQUECIDO E PRESENTE

Baptista-Bastos


Ainda bem que o Governo esteve ausente nas homenagens a Miguel Torga. O Governo não tem nada a ver com Torga. E, se pouco tem a ver connosco, nada tem a ver com a cultura. O Governo desconhece que a cultura é um dos interesses da política e que a política é uma disciplina da cultura. Embora ajam em esferas diferentes. Um político inculto possui algo de deformado. E um homem culto que se diz indiferente à política revela amolgadelas de carácter: mente porque, em rigor, defende pareceres desonrados. O Governo não se lê porque não lê. Para actuar em consonância com a ética da cultura seria necessário que pensasse culturalmente. Não dei conta de nenhuma manifestação de desagrado, por módica que fosse, daqueles destemidos intelectuais, apoiantes discretos ou descarados deste Executivo. Aguardam benesses e sinecuras, atenções. Há ministros e adjacências que, habitualmente, fazem parte de júris de prémios, e para atribuição de "bolsas"; são "comissários" de feiras e de "embaixadas" culturais; designam adidos; decidem sobre quem vai ou não, aqui e acolá, representar a "cultura" portuguesa; os escolhidos pertencem sempre ao mesmo grupo, dispõem de idêntico sainete, cortejam iguais gostos, nomeiam os mesmos autores. Nada de correr riscos desnecessários. Os destemidos intelectuais são brandos, cuidadosos, cautos, prevenidos. Também eles nada têm a ver com Miguel Torga, que nada teria a ver com eles. São paixões em tudo opostas, desordens do espírito só explicáveis pela natureza abúlica de uma gente que embaça e desacredita, moralmente, os testamentos herdados. Observamos os nomes destes cúmplices no silêncio e certificamos que traíram os antecedentes, sem os substituir ou sequer lhes suceder. Os contemporâneos de Torga eram: Aquilino, Tomaz de Figueiredo, Jorge de Sena, Nemésio, Pessoa, Pascoaes, Miguéis, Almada, Raul Brandão, João de Araújo Correia, Ferreira de Castro, Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca, Domingos Monteiro, José Gomes Ferreira, Armindo Rodrigues, Eugénio de Andrade, Sophia, Redol, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Irene Lisboa, Maria Judite de Carvalho, Abelaira, Mário Dionísio, Namora, José Cardoso Pires. Foram estes que, em diversos momentos, reafirmaram o perfil da pátria medular e cívica. Em meados dos anos de 60, Jorge Amado, de visita a Portugal, encontrou-se com Ferreira de Castro, amigo de sempre. A RTP quis fixar o momento. Com altiva dignidade, Castro apostrofou: "A televisão, que ignorou Mestre Aquilino, não me filma, certamente, porque a proíbo!" Esta gente era a minha e a nossa gente.

1984

Nos últimos tempos, vejo várias notícias que têm um padrão... As bolas de berlim que têm de ser acondicionadas em 4,3cm/11,2cm arcas, os brinquedos com ímans que são proibidos... O tabaco faz terrivelmente mal como se lê em quase metade do maço e são cada vez menos os espaços em que se pode fumar, o Sol faz cancro...

O Estado é cada vez mais omnipotente a meter o bedelho na vida individual, nos estilos de vida e no direito inealianável (desde que individual) a estragarmos a nossa própria saúde. Qual foi o pior que aconteceu à geração que comia bolas de berlim infestadas? Alguém perdeu a pilinha ou o pipi por causa do íman dos brinquedos? E a espiral vai crescendo, crescendo...

quinta-feira, agosto 16, 2007

2107

Daqui a 100 anos...

- Não existirão touradas e o vegetarianismo será a forma dominante de alimentação.

- A roupa dos homens será indistinta da roupa das mulheres.

- A privacidade deixará de ser um valor e estaremos totalmente vigiados em todo o lado.

- Casais de homossexuais trocarão afectos livremente e nas escolas estudar-se-á a homofobia como hoje estudamos a escravatura.

- Os cinemas terão sensações tácteis e olfactivas.

- Haverá um polícia em cada esquina.
Comentário de uma pessoa sobre o blog:

«Este blog é vira o disco e toca o mesmo: só paneleirada.»

Um comentador do blog deu isto...


terça-feira, agosto 14, 2007

"O que é a pena capital senão o mais premeditado dos assassinatos, ao qual não pode comparar-se nenhum acto criminoso, por mais calculado que seja? Pois, para que houvesse uma equivalência, a pena de morte teria de castigar um delinquente que tivesse avisado sua vítima da data na qual lhe infligiria uma morte horrível, e que a partir desse momento a mantivesse sob sua guarda durante meses. Tal monstro não é encontrável na vida real."

Albert Camus
“… e de novo acredito que nada do que e importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Nao perdi nada, apenas a ilusao de que tudo podia ser meu para sempre.”


Não te deixarei morrer David Crockett, Miguel Sousa Tavares - Como é que alguém que escorre esta sensibilidade na escrita pode defender o castramento dos pedófilos? Já agora sabe que 75% dos pedófilos, isto é, 3 em 4, foram abusados na infância?

A propósito da liberdade de expressão...

Quando andava na faculdade, dava-me com um grupo bastante à esquerda. Eram pessoas bem intencionadas, regra geral, mas muitas vezes justificavam o seu ócio com a vitimização, a falta de liberdade de expressão, a conspiração das forças do vil metal contra eles "que nunca se calavam".

Estive à frente do jornal da faculdade e, como a maior parte da malta que eu conhecia era de esquerda, o jornal nos primeiros números era à esquerda.

Um dia caí em mim e pensei que a faculdade era heterógenea e que o jornal deveria ser o espelho de todas as vozes. Dei voz a pessoas de direita.

Os de esquerda censuraram. Ouvi a frase:

- Se não concordas com estas coisas, para que as pões nos jornais?

Percebi então que a liberdade de expressão de que eles se queixavam era unicamente a liberdade de expressão concedida às suas ideias.

Angel
Como abomino a exposição da vida sexual dos outros.

Ontem ouvi um tipo dizer que uma rapariga tinha dito que o André era mau na cama (isto com pormenores...). Foda-se por mais rejeitado, por mais que odiasse, nunca usaria esta baixeza.

Irritado, canalizei a energia para o meu interlocutor:

- Tão idiota é ela a andar a espalhar isso como tu continuares a reproduzires isso perante estas pessoas...

segunda-feira, agosto 13, 2007

- Matei-o. Ele era mais bonito, mais simpático, mais rico, mais culto do que eu.


Crimes Exemplares, Max Aub
Descobri que só eu acho bonita a apresentadora que sucedeu ao Malato (creio que era o programa dele, não tenho a certeza). Tânia Ribas qualquer coisa.

Ainda sobre a notícia anterior...

Associação ILGA Portugal enfatiza urgência da igualdade no acesso ao casamento civil


O Banco Espírito Santo (BES) discriminou um casal de gays no acesso ao crédito à habitação, informou ontem a TVI. Segundo a notícia, terá sido recusado ao casal um empréstimo para compra da primeira habitação, tendo o BES alegado que, de acordo com a lei portuguesa, um agregado familiar é um «conjunto de pessoas constituído pelos cônjuges ou por duas pessoas que vivam em condições análogas às dos cônjuges» e que por isso «está implícito que essas pessoas sejam de sexo diferente». Assim, e de acordo com o BES, não existindo casamento entre pessoas do mesmo sexo, a união de facto entre pessoas do mesmo sexo (ainda que prevista por lei) não se aplicaria.
Ainda de acordo ainda com a notícia da TVI, o casal recorreu para a justiça e o BES foi condenado, tendo entretanto interposto recurso da sentença. No entanto, a sentença não se terá baseado na óbvia discriminação com base na orientação sexual, mas antes no contraste com um exemplo anterior de concessão por parte do BES, em 1994, de um crédito para compra de casa em regime de primeira habitação a um outro casal de pessoas do mesmo sexo.
Deveria ser evidente que o tratamento discriminatório de casais de pessoas do mesmo sexo viola a Constituição da República Portuguesa – que desde 2004 proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual – e vai contra o espírito da Lei 7/2001 (a Lei de Uniões de Facto) que contempla explicitamente casais de pessoas do mesmo sexo.
Ainda assim, a realidade é que esta não tem sido a interpretação de várias entidades públicas e privadas que se refugiam na expressão “condições análogas às dos cônjuges” com o objectivo de discriminar casais de gays ou de lésbicas.
Urgência no acesso ao casamento civil para casais de pessoas do mesmo sexo
É, assim, absolutamente fundamental que o Governo e a Assembleia da República compreendam a urgência da igualdade no acesso ao casamento civil – uma medida que, como se vê, é necessária até para o reconhecimento pleno das próprias uniões de facto.
Estamos no Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Tod@s, em que a União Europeia pretende combater a discriminação com base na orientação sexual e Portugal assume a Presidência da União Europeia. O Governo e a Assembleia da República não podem continuar a escolher manter a desigualdade na lei, legitimando assim a existência deste tipo de políticas discriminatórias.
É que só há duas posturas em relação à discriminação: quem é contra, combate-a; quem é a favor, mantém-na. A Associação ILGA Portugal desafia mais uma vez o Governo e a Assembleia da República a fazerem a sua escolha.
Que banco escolher?
A Associação ILGA Portugal fez um estudo em 2003 relativamente a empréstimos para compra de habitação para casais de pessoas do mesmo sexo unidas de facto (http://www.ilga-portugal.pt/glbt/sociedade20030402.htm). A Caixa Geral de Depósitos, o Banco Português de Investimento e o Banco Santander/Totta afirmaram então a sua política não discriminatória.
Denúncia à Comissão Europeia
No âmbito da consulta que a Comissão Europeia está neste momento a realizar no sentido de averiguar a existência de, nomeadamente, discriminação com base na orientação sexual no acesso a bens e serviços, faremos questão de enviar o relato deste caso e denunciar a política do BES - que condenamos com veemência - junto da Comissão Europeia.
Lisboa, 10 de Agosto de 2007A Direcção e o Grupo de Intervenção Política da Associação ILGA Portugal

ILGA

(No Sol não falam na queixa a Bruxelas. No Público falam.)

«É mais fácil quebrar um átomo...»

Num comunicado difundido hoje, a associação de defesa dos direitos da comunidade gay, lésbica, bissexual e transgender repudia a situação em causa noticiada esta semana pela TVI, segundo a qual o Banco Espírito Santo terá discriminado um casal de gays no acesso ao crédito à habitação.
Segundo a estação de televisão citada pela ILGA, o BES justificou a recusa em conceder ao casal de gays um empréstimo para compra da primeira habitação alegando que, de acordo com a lei portuguesa, «um agregado familiar é um conjunto de pessoas constituído pelos cônjuges ou por duas pessoas que vivam em condições análogas às dos cônjuges, e por isso está implícito que essas pessoas sejam de sexo diferente».
«De acordo com o BES, não existindo casamento entre pessoas do mesmo sexo, a união de facto entre pessoas do mesmo sexo, ainda que prevista por lei, não se aplicaria», escreve ainda a associação, acrescentando que, segundo a TVI, o casal levou o banco a tribunal, que depois foi condenado, tendo entretanto interposto recurso da sentença, o que o BES desmentiu, em declarações à Lusa, referindo que vai acatar a decisão do tribunal.
A ILGA sublinha que «o tratamento discriminatório de casais do mesmo sexo viola a Constituição da República Portuguesa - que desde 2004 proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual - e vai contra o espírito da Lei 7/2001 (Lei das Uniões de Facto), que contempla explicitamente casais de pessoas do mesmo sexo».
No entender da associação, apesar da lei, «a realidade é que esta não tem sido a interpretação de várias entidades públicas e privadas que se refugiam na expressão ‘condições análogas às dos cônjuges’ com o objectivo de discriminar casais de gays ou de lésbicas», e alerta o Governo e a Assembleia da República para «a urgência da igualdade no acesso ao casamento civil».
A Associação ILGA recorda que fez um estudo em 2003 sobre empréstimos para compra de habitação para casais de pessoas do mesmo sexo unidas de facto, e na altura «a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Português de Investimento e o Banco Santander/Totta afirmaram a sua política não discriminatória».
Por seu turno, uma fonte oficial do BES, em declarações à agência Lusa, rejeitou «a insinuação de qualquer tipo de discriminação».
«A prova de que o BES não discrimina é dada pela própria decisão do tribunal que teve por base um caso anterior de concessão de crédito por parte do BES a um casal do mesmo sexo. Ou seja, não está em causa qualquer questão de discriminação, mas tão só de interpretação da lei quanto à concessão de crédito a dois indivíduos do mesmo sexo, independentemente de serem ou não um casal», sustentou a fonte.
O BES adiantou ainda que, relativamente a este caso, «decidiu não dar seguimento ao recurso e acatar a decisão do tribunal».


Num jornal pouco suspeito de ser gay friendly: SOL, 11 Agosto
"Nós temos uma idade para a vida toda."

António Lobo Antunes numa entrevista
Um dia um amigo meu disse-me cheio de energia e autenticidade:

- Salto todos os dias da cama para experimentar coisas novas...

E que coisas ele experimentou. Passados poucos anos, está "casado" e com um filho e quando convidado a sair da rotina, diz-se sempre sem energias. Os filhos sugam a energia de toda a gente que conheço nos primeiros anos.

Esse meu amigo disse-me com toda a frontalidade:

- Estava, por estranho que te pareça, à procura da estabilidade.

Respeito-o, e compreendo-o e amo-o; mas questiono-me se:

a) aqueles que mais querem "experimentar", não são depois aqueles que ao estabilizar, se consolidam mais firmemente. Tanto tempo sem ninho, rodopiando ao vento e ao frio... depois é impossível largar o calor;

b) se não há um tempo para a busca e um tempo para assentar.

Angel

domingo, agosto 12, 2007

A propósito das minhas questões existenciais e das pessoas excêntricas que eu atraio, e de uma mensagem que recebi e dizia tão somente: Todos os balões, golfinhos, um amigo disse-me sexta-feira:



«Tu tens de te dar com balconistas e cabeleireiras.»





A wise advice?



Angel-desde-os-14-atraindo-todos-@s-loucos-do-Universo-e-nunca-percebendo-porquê



P.S. As categorias por ele usadas não são socio-profissionais, mas mentais.

Driblando o vazio

Tenho um amigo que não consegue sair de casa e conhecer pessoas novas. Tenho um amigo que não consegue estar em casa sozinho com ele próprio.

Aristóteles dizia que o melhor caminho era o o do meio (houve alguma coisa que ficasse por dizer aos gregos?!).

Mesmo assim, no limite, assusta-me mais o não o conseguir encarar-me a mim próprio do que o não conseguir encarar os outros. Porque, pelo menos eu, para estarmos bem com os outros, antes de mais temos de estar bem connosco.

Num conto do Hemingway, Num sítio limpo e bem iluminado, dois empregados de um bar falam. Um está sempre desejoso de ir para casa depois do trabalho, desejoso de sentir o calor do lar e da família. O outro, que não tem ninguém à espera, vai sempre a outra bar, beber mais uma, procurar o calor de qualquer ocasional estranho.

- Porque fazes isso todas as noites?

- Para fugir ao nada.

Angel

O que é que este gajo percebe de literatura?

Cavaco Silva diz que obra de Miguel Torga é o reencontro com o "melhor e mais profundo" de Portugal

in PÚBLICO

sexta-feira, agosto 10, 2007

No cinema, por exemplo no Fight Club, no Maquinista, A Janela Secreta (com Johnny Deep), no Amigo Oculto (com Robert de Niro); há um enredo cada vez mais recorrente.

Crimes ocorrem aos olhos do narrador que vai procurando desvendar... No final somos confrontados com o próprio narrador a ser o criminoso! Mas ele próprio não andava obcecado a saber quem fizera os crimes?

Sim, porque ele depois do crime inicial ficou tão chocado que arranjou uma história para se iludir a ele próprio. O volte-face dá-se por vezes com o olhar do criminoso ao espelho e nós vemos que ele afinal tem outro rosto. E que o rosto que nós vimos até então era o rosto que a mente dele projectava - não o rosto real que ele deixou de conseguir suportar como o rosto do assassino.

Penso nisto a propósito de um caso muito mediático... Estará o casal a mentir-se a ele próprio desde que aconteceu um terrível acidente?
De cada vez que vejo um negro e uma branca abraçados no Parque das Nações, fico feliz. De cada vez que vejo uma mulher podre de boa com um gajo feio e minguado, fico feliz.
Lendo literatura portuguesa do século XIX, reforço aquilo que sempre achei: abundam excelentes poetas portugueses, escasseiam prosadores. Eça e Camilo que me perdoem, mas a literatura do século XIX (mesmo a deles) é datada. Lendo Fialho de Almeida ou Júlio Dinis, somos confrontados com o ultrapassado sentimento de honra, as aldeias, os padres, a obediência da mulher ao marido... Tudo isto me soa a bafio.

A arte tem de ser - ou ambicionar ser - aespacial e atemporal. Quanto menos referências temporais e espacias, mais intemporal, mais universal.

Angel
Ouvi isto na televisão.

Diz uma mulher: «Os homens tentam-nos impressionar com o tamanho do pénis. Pensam que nós nos importamos... Nalguma coisa eles haviam de acertar! (risos)

quinta-feira, agosto 09, 2007

Woody Allen

Mesmo não concordando com a negritude da abordagem, são frases woodyallenescamente deliciosas:

«A vida divide-se entre o triste e o horrível.»

«Uma anedota sobre a vida: Duas mulheres estão num refeitório. Uma diz para a outra: "Come-se tão mal neste refeitório". Diz a outra: «E ainda por cima servem-nos refeições tão pequenas.»

Inteligência

De todos os adjectivos aplicados a pessoas há um que não uso: inteligente. Nunca percebi o que é a inteligência. Há pessoas que são capazes de desmontar peçinhas de relógio inatamente que nem em um ano de aprendizagem eu lograria fazer com tamanha rapidez. Há pessoas que olham para um motor de um carro e sabem logo o que se passa. Eu não consigo perceber nem de mecânica de brinquedos, quanto mais de autóveis; quanto mais de automóveis sofisticados. Posso ir mil vezes por semana ao bairro alto que nunca dou com um bar; nem com os bares a que vou mais vezes. Cada um tem a sua forma de inteligência.

Uma pessoa pode conseguir resolver todos os problemas cognoscíveis, e de ser totalmente incapaz de perceber os outros (inteligência interpessoal) ou de perceber a si próprio (inteligência intrapessoal). É inteligente? A inteligência tem vindo a incorporar a capacidade de percepção da natureza humana: a tão badalada inteligência emocional.

Este necessário alargamento da inteligência a um conceito multifacetado, mostram-nos o quão intangível, imensurável ela é. Sempre que a queremos agarrar, ela escapa-nos...

E, contudo, ela é muito valorizada. Em conversa com staring girl, ela diz-me (e com razão) que no secundário os miúdos inteligentes são menorizados face aos cromos, aos que revelam maiores índices de sociabilidade. Mas no mundo dos adultos, se alguém reunir todas as qualidades, mas disser que não é inteligente, tudo o resto cai por terra, qual peças de dominó. Puxem um bocadinho pela cabeça: preferem que vos digam que são cobardes ou burros? Más pessoas ou burros? Desorganizados ou burros?

Queremos todos é ser inteligentes, no fundo.

Continuo sem saber o que é a inteligência. Sei o que é a coragem, a tolerência, a compaixão, a honestidade, a memória; e sei que todas as características estão alojadas no cérebro. Não só a «inteligência».

Angel

Descrição

Era uma mulher que tinha umas mamas muito inteligentes.
«A inteligência é, das virtudes, a virtude mais sobrestimada.»

Alguém escreveu que alguém disse e eu concordo...
"Tu és uma mais-valia para a raça humana."

Woody Allen, Scoop
"Só na desgraça se conhecem os amigos."

Lenine

quarta-feira, agosto 08, 2007

Mulheres atraem mulheres.


Angel

terça-feira, agosto 07, 2007

Não gosto de...

Pessoas que vivem sem instantes poéticos. Pessoas sem o ruído da metafísica. Pessoas cujas vozes arrogantes estão cheias de dinheiro. Pessoas que explorem os mais fracos. Pessoas que valorizem o «filho de». Pessoas interesseiras. Pessoas oportunistas. Pessoas desonestas. Pessoas que preferem ter um bom carro a uma boa casa. Pessoas que perguntem «o que é que fazes na vida?» logo ao seguir ao nome. Pessoas que não consigam viver com relógios avariados. Pessoas que usem a violência para resolver conflitos. Conversas machistas. Conversas de carros. Conversas homofóbicas. Conversas sobre a intimidade sexual dos seus parceiros. Piadas com puns. Políticos tecnocratas. Políticos que achem que é mais importante saber o PIB do que os cantos dos Lusíadas.
Pena de morte. Tourada. Ditaduras. Ausência de liberdade de expressão (mesmo para os nazis). Pessoas que andam na estrada como se a estrada fosse só deles. Pessoas que tratam melhor as suas casas de banho do que as públicas. Pessoas que rotulem tudo o que não é normal como algo pejorativo. Sexo com estranhos. Tortura. Fazer as coisas só porque foi sempre assim. Assimilar acriticamente. Seguir obedientemente - uma pessoa, uma doutrina, uma tradição. Filmes em que a vingança é içada a valor positivo. Ausência de barriguinha feminina. Violação de privacidade. Sair à noite só para beber e dançar. Andar calçado em casa. Pessoas que não me surpreendem. Pessoas sem ideias originais. Trincar a língua.

Angel
Armando-me em bom, falei disto pioneiramente, algumas pessoas ouviram-me, outras tomaram-me como um herético imaginativo. No blog, aliás, poderão consultar o que sobre este assunto foi dito...

Finalmente, com o tempo... (hoje no dn)


Pais de Madeleine Mc Cann suspeitos de envolvimento
A Polícia Judiciária (PJ) sabe, há um mês, que Madeleine McCann foi morta na noite de 3 de Maio, no apartamento do resort do The Ocean Club, na Praia da Luz, tendo abandonado definitivamente a hipótese de rapto. Por outro lado, as suspeitas que sempre recaíram sobre os pais de Maddie desde o seu desaparecimento tomam agora mais força.A revelação foi feita ontem ao DN por fonte ligada ao processo, que sublinhou o facto de a Judiciária e a polícia inglesa estarem desde o início atentas ao casal McCann, dando-lhes total liberdade de movimentos para melhor vigiar Gerry e Kate, tanto na sua permanência no Algarve como nas deslocações efectuadas a vários países, onde lançaram campanhas para encontrar Madeleine.A certeza de que Maddie terá morrido, por homicídio ou negligência, é baseada em novo indício, e desencadeou as buscas efectuadas pela PJ na Praia da Luz, há cerca de duas semanas, motivando, logo a seguir, a deslocação de agentes da polícia britânica, que se encontram na Praia da Luz a apoiar as investigações da polícia portuguesa, acompanhados de cães pisteiros especialmente treinados para detectar cadáveres.

Quem quiser ler mais, basta consultar o DN on-line
Aquilo que mais gosto é de ser surpreendido.

Angel

segunda-feira, agosto 06, 2007

Gosto de...

Gosto de girassóis. Gosto de livros. Gosto da gratidão. Gosto de boas pessoas. Gosto de estar deitado na relva a olhar o céu. Gosto de passear no Parque das Nações. Gosto de estrelas. Gosto de banho turco. Gosto de sorriso largos. Gosto da honestidade. Gosto da lentidão em saborear o que gosto... Gosto de me despachar das coisas que não gosto. Gosto de ver um jogo de futebol emocionante. Gosto de um bom debate de ideias. Gosto de tornozelos. Gosto de dormir com o espírito tranquilo. Gosto de melão fresco no Verão. Gosto de risos de raparigas. Gosto de filmes com muito suspense. Gosto de bons filmes. Gosto de ouvir as músicas que mais gosto. Gosto de declamar poesia. Gosto de ler poesia. Gosto de ouvir poesia. Gosto de quem fale metaforizando. Gosto dos condutores que páram sempre nas passadeiras. Gosto de praia. Gosto de coca-cola com gelo e limão. Gosto de borboletas. Gosto de sentir uma brisa fresca na noite. Gosto de estar fora de Lisboa e comprar imensos jornais. Gosto de entrar nu na água do mar. Gosto de Scott Fitzgerald, Kafka, Dalai-Lama, Dinis Machado, Herberto Hélder, Robert Smith, Walt Whitman, Camões, Pessoa, Steinbeck, Cummings, Neruda, Eugénio de Andrade, Sophia, Teixeira de Pascoaes, Paul Auster, Miguel Esteves Cardoso, José Alberto Braga, Vasco Pulido Valente, Garcia Pereira. Gosto de praia. Gosto de sonhar. Gosto de imaginar. Gosto de dar.



Angel

The games we play

Outro dia em conversa com dois amigos, no carro estacionado, às seis da manhã, o amanhacer a raiar, falámos de metafísica e de amor.

Eu, o idealista, descobri que há alguém mais idealista do que eu... Descobri também que há quem acredite que os jogos são dispensáveis. Eu acho que quase nunca os jogos são dispensáveis...

Acredito na Verdade como valor supremo nas relações. Mas acho que as mulheres, regra geral, jogam. Às vezes, de uma forma assassinamente subtil, dominam-nos quando nós julgamos que somos nós. E, por isso, acho que é preciso ter defesas, ter, palavra horrível: calculismo.

É impossível abranger todos os casos com uma regra; mas das minhas experiências e observações, a maior parte dos casos em que um rapaz estava interessado numa rapariga e ela estava indefinida, foi precisamente quando ele a desprezou, que o interesse dela se galvanizou...

Saber estas coisas e não as incorporar na vida... É díficil.

Uma vez, ouvi uma professora de dança dizer:

«Na dança, a mulher deixa o homem julgar que domina para o dominar....»

Eu não gostava que a realidade fosse assim. Mas eu acho que a realidade é assim. E acho que às vezes a sensibilidade é a pior protecção para o sofrimento.

O meu amigo não acha.

Angel-o-idealista-esmagado-por-detrás-do-jogador
nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


Poema de e. e. cummings, traduzido por Augusto de Campos,

sexta-feira, agosto 03, 2007

Conversas interceptadas

Dois tipos com dezanove, vinte anos.

- Tens um mp3 novo?
- Ya, mas devias ver o do meu irmão. Foda-se o gajo tem tudo. Se o gajo morresse, ficava com uma bruta aparelhagem, com bués cd´s. Já fiz as contas, ficava com mais de duzentos cd´s...

Que raio de homem se desenha no horizonte? Será possível expulsá-lo do futuro?

Angel

Perfume Mistério

A minha amiga Bé disse-me um dia:

- É possível vivermos a vida toda com uma pessoa sem a conhecermos.

Ela disse isto com ar perturbado.

Eu ouvia-a fascinado.

Ainda bem que é assim!

Temos ter sempre uma reserva de mistério, de imprevisibilidade.

Há alguma coisa melhor do que sermos surpreendidos?

Há alguma mais inebriante do que o perfume docemente enigmático do mistério?

Angel-demandando-caixas-de-surpresas-sem-fundo
Era um homem tão auto-suficiente que se masturbava a olhar para o espelho.

Angel
Por quanto mais tempo
poderei eu uivar neste vento

Por quanto mais tempo
poderei eu chorar assim

Mil horas desperdiçadas
para apenas sentir o meu coração
por um segundo...

Angel traduzindo The Cure
O cinismo é o refúgio dos idealistas...

Alguém disse isto

quinta-feira, agosto 02, 2007

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

Vinicius de Moraes

A barreira

Tenho um amigo meu que morava porta com porta que sempre que me vê diz:

- Que saudades que tenho de estar ou na tua casa ou tu na minha...

- Mas tu tens cá casa e nunca cá vens...

- Pois...

Este «pois» é a soma das forças obscuras, do conjunto de circunstâncias que nos empurra para fora dos sonhos.

Se esse meu amigo tem tantas saudades do tempo em que passávamos serões na casa um do outro, porque não vem à casa que ainda é dele mais vezes? A razão tem razões...

Uma pessoa que eu conheço quando era jovem amava caçar (desporto que eu repudio) e passa a vida a dizer «ai que saudades que tenho da caça». Há vinte anos que o diz? Porque não caça? Quererá manter a memória imaculada, não acrescentando mais nenhuma, de maneira a que esta continue a representar um momento perfeito?

Não entendo. Eu próprio não entendo porque adorava ir aos patos do campo grande, porque penso nisso tantas vezes e porque nunca o faço...

Porque diz um amigo meu de longa data, que tem imensas saudades de largar a namorada por um pouco de tempo e de sair comigo? E porque há anos repete o discurso e ignora a prática?

Será o poder do hábito? Não, não é pura retórica deles, a vontade está expressa no timbre da voz e no brilho do olhar.

Refugio-me na opinião dos meus amigos anciões. Diz um deles que na vida, quando damos uma tacada, pensamos que com uma determinada intensidade e um determinada direcção, as bolas ocuparão determinadas posições; mas que a tacada na vida reorganiza sempre as bolas de uma maneira diferente do que planeámos.

O outro ancião, o livreiro, disse-me:

«Angel, tu tens boa vontade, sensibilidade e sonhos. Mas cuidado com a vida. Nós queremos, mas às vezes há qualquer coisa que nos empurra para trás (faz um gesto como se todo o seu corpo esbarrasse numa parede). É aquilo a que eu chamo "a barreira".»


Angel
"Ser-se escritor é olhar para um peixe dentro de um aquário e imaginar o que ele está a pensar e a sentir."

Miguel Esteves Cardoso

Uma questão de prioridades

Há pessoas que dizem: «adoro ler, mas não tenho tempo». Depois traem-se quando falam dos filmes que vêem, das saídas nocturnas, das conversas com os amigos, das novelas, do ginásio.»

Subtraindo as actividades que gostamos nas frenéticas sociedades modernas, não há mesmo, não é tempo, é a valorização do acto da leitura.

Outro dia em conversa com o meu livreiro, falei-lhe do preço elevado dos livros que também não ajudava ao que ele contrapôs...

- Quando um jovem vai a uma discoteca, gasta só dessa vez mais dinheiro do que para comprar um livro...

Regra geral, é bem verdade.


Angel
despede-te de mim
expulsando-me antes de eu adormecer
será que não consegues ver que eu tento
nada a mesma água profunda como tu é difícil
"os afogados em águas rasas perdem menos do que nós"

eu beijar-te-ei eu beijar-te-ei eu beijar-te-ei
para sempre em noites como esta...


Angel traduzindo The Cure
A sensação de alívio é sempre uma enorme felicidade.

angel

quarta-feira, agosto 01, 2007

«A vida não faz sentido sem celebrações de amizade.»

Sms angel a um amigo que lhe ofereceu um livro sobre a amizade
«A estrada que nos leva à casa do amigo nunca é longa.»

Provérbio dinamarquês

A carta da paixão

A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.

Herberto Hélder
"A coragem é a principal virtude porque é ela que garante todas as outras."

Voltaire
"O dia do favor é a vespéra da ingratidão"

Provérbio Popular