segunda-feira, abril 30, 2007

Bé aconselha

Não temas, ó Musa!
Modos e dias verdadeiramente novos te recebem e rodeiam,
francamente reconheço uma raça muito singular,
de um novo estilo,
e, contudo, é a mesma velha raça humana,
a mesma por dentro e por fora,
os mesmos rostos e corações, os mesmos sentimentos,
os mesmos desejos,o mesmo velho amor, a mesma beleza
e os mesmos costumes.

Walt Whitman

domingo, abril 29, 2007

E ainda mais uma reflexão do casamento. Uma pessoa pode namorar 9, 10 anos e não saber o que a outra pessoa mais gosta em nós; o que mais a faz estar connosco.

E - incrível - basta às vezes alguém perguntar (sim, eu). E ficamos a saber coisas espantosas e surpreendentes.

Tenho um amigo de sessenta anos que preserva a sua namorada de infância como amante (diz que o amor deles não tem fim) e só ao fim de 50 anos (pasme-se!) soube o que mais ela gostava nele:

- V. sabes o que eu sempre mais gostei em ti?
Ele arriscou várias coisas, muito seguro delas.
- Nada disso... O que mais gosto em ti V. são as tuas mãos - disse segurando nelas.

As mulheres nem sempre estão connosco pelas qualidades que julgamos evidentes. Isto já para não falar nas mulheres que se apaixonam pelos nossos defeitos.

Uma amiga minha apaixonou-se por um amigo meu porque:

"Ele anda sempre bêbado com um ar perdido, de cachorro abandonado. Senti que o devia proteger como um filho"

Outra que namorava com um que dizia que a tinha conquistado pela inteligência e ela disse-me que ele era um pseudo-intelectual.
- O que eu adoro nele é aquele medo e aquele insegurança...

Como ordenar todo este caos? Como pretender destas múltiplas sinapses desta múltipa paleta de razões erigir uma que possa dizer «O que as mulheres querem». Tentar responder a esta questão é ser redutor com o bicho mais fascinante, mais curioso e complexo do mundo: a mulher. Tem qualquer coisa de intrigante que não devemos ousar quebrar.

Para o fim, a estória mais bizarra.

Um tipo que eu conheço que curtiu com uma rapariga que namorava. Eu falei com ela:

- Deves gostar muito dele para ter traído com um beijo o teu namorado que adoras...
- Não lhe acho piada nenhuma...
- Vai...
- A sério, o gajo é horrível, não tem charme nenhum, nem conversa nenhuma...
- Porque o beijaste então?
- Eh pa só por curiosidade - e já sabia que ia ser só por uma vez. O gajo é monocórdico a falar, conheço-o há anos e nunca o vi entusiasmado ou triste com nada. Pensei que a beijar pudesse ter alguma reacção. E teve: ficou com cara de parvo.

(Garantidamente, nunca mas nunca ele poderá desvendar por que raio ela o beijou...)

Anjo-pincelando-arco-íris-pelos-contornos-sempre-inacabados-do-mundo-intangível...
Ainda outra coisa que me ocupou o cérebro no casamento:

- A quantidade de pessoas que contam tudo tudo tudo às namorad@s. Quando o nível de intimidade com um amigo ou uma amiga é enorme mas com o seu parceiro é diminuto, faz-me imensa confusão que um quase-estranho saiba tudo sobre os nossos segredos. Há um desnível de intimidade entre os membros de um casal perante uma pessoa e quebrar isso é uma violência.

A regra de ouro que falta inscrever

Hoje tive num casamento e vi pessoas em público, numa mesa à frente de dez pessoas, exporem e ridicularizarem pessoas. Outro dia num convite de jantar por e-mail vi uma pessoa fazer um reply all a dizer que a Sónia não iria porque estava com uma grande depressão.

Pessoas há que falam pelos cotovelos e que têm uma necessidade de preencher os espaços vazios com um discurso prolífico e contínuo - que o façam sobre si, não sobre os outros. São exactamente estas pessoas que têm de estar sempre a falar as mais praticantes do desporto da má-língua.

Tinha um amigo que deixou a vida de comissário de bordo que me disse:

"Estava farto daquela merda. As pessoas nas estadias não tinham assunto ao fim de horas e horas a olharem umas para as outras e então só diziam mal umas das outras..."

(sim, parece o Big Brother)

Se há regra de comportamentos sociais que gostaria de ver num livro da Bobone era:

«Elogios em público; críticas em privado.»

sábado, abril 28, 2007

Entrevista a Robert Smith (vocalista dos The Cure)

You’ve known your wife, Mary, for 30 years. Did you ever want to bring little Bob Smiths into the world?

We decided at a very young age that we wouldn’t have children. My natural urge to be a father is actually not that great, but I do have 25 nephews and nieces, and I really revel in being an uncle. I can take them out or have them over for the weekend and be able to send them back. Being a child myself, I kind of know what the two of us have missed, but I think it is more than compensated for by being able to still be the same to her as when we first met. We have absolutely nothing to stop us from saying, “Let’s go away for three months,” and just walking out the door.

Describe the first time you ever wore makeup.

I was 12, and I was going to a school that was this educational experiment, which didn’t last long. You were expected to express yourself, so I wore a dress and makeup, and I got beaten up on the way home — which wasn’t really a very fair reward, but I suppose it hardened my resolve, because obviously I continued wearing makeup. I thought, “Why is makeup so offensive?” During the punk era, it was just a thing you did, part of going out. I’ve never been shy, but I don’t think I would really be the same person if I weren’t aware that I was wearing makeup. I feel that if I went onstage without makeup, I would just be a faceless lump.
"Sempre imaginei o paraíso como uma espécie de livraria"

Jorge Luís Borges

sexta-feira, abril 27, 2007

"Não é a rebolar na lama que nos vamos lavar"

Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo

quinta-feira, abril 26, 2007

O sabor do mistério nas pessoas



Recordo-me, lá para os tempos dos 11º ou 12º anos, das resoluções dos problemas de “n equações a n incógnitas”. Lembro-me da trabalheira que dava ter que interpretar um problema para descobrir as famigeradas n equações (linearmente independentes) que nos permitiam, finalmente, resolver o problema e poder definir o sistema. E era uma festa, qdo finalmente o problema estava solucionado!

De certa forma, as pessoas que vamos descobrindo ao longo da vida também são sistemas que podem ser definidas por sistemas de “n equações a n incógnitas”. Mas existem algumas diferençazecas...

Enquanto que na matemática, as incógnitas estão logo definidas à partida e nós “só” temos que ir à procura das equações, com as pessoas as incógnitas não nos são providenciadas todas ao mmo tempo. Logo à partida, qdo conhecemos alguém, são-nos dadas apenas duas ou três variáveis e a gente “tira-lhe logo a pinta” (isto é, resolve-se logo o sistema de equações, pois este é constituído por apenas duas ou três equações – e pimba, já tirámos a fotografia à pessoa). O engraçado é que, com o tempo, apercebemo-nos que existem mais variáveis, o que nos obriga a redefinir o sistema de equações que defina a pessoa... e logo, redefinimos a opinião que fazemos dela. Casos há em que as equações não nos saltam logo à vista... temos as variáveis, mas não conseguimos descobrir todas as equações facilmente... é nesse momento que dizemos “há aqui qq coisa que não bate bem nesta pessoa... hummm... deixa-me cá ter alguma cautela...”.

Mioc

quarta-feira, abril 25, 2007

La Palice

"No mundo actual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e mamilos arrebitados e velhos de pau duro e com os tomates a rebentar, mas eles não se lembrarão para que servem "

Dráuzio Varella

terça-feira, abril 24, 2007

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Pedro Abrunhosa

segunda-feira, abril 23, 2007


"No mais rigoroso inverno descobri em mim um verão invencível."

Albert Camus

domingo, abril 22, 2007

Preços mais caros

Não gosto do líder da Nova Democracia Manuel Monteiro. Poucos se lembrarão mas este senhor defendeu enquanto liderava o CDS-PP que os toxicodependentes fosses internados compulsivamente. Nem Le-Pen se lembrou de tal coisa. Quando houve incêndios no Verão, exortou ao primeiro-ministro que convocasse as tropas porque só poderiam tratar-se de terroristas estrangeiros escondidos nas matas. Agora na Nova Democracia, defende que as mulheres que optem por ficar em casa a cuidar dos filhos, em detrimento do mercado de trabalho, devam ter um subsídio específico do Estado(então e os homens?!).

Mas hoje ouvi-o carregadíssimo de razão. Disse algo que não ouvi outro político dizer e que é mais do que evidente para quem consome. Os preços aumentaram desde que temos a moeda Euro. Pois, claro que sim. Hoje o valor mínimo das coisas é um euro. Até os arrumadores beneficiaram disto. É incrível como ninguém fala disto. Não falam porque os políticos nem admitem que tenhamos dúvidas que a entrada no Euro era o único e irrepreensível caminho!

Antes duzentos escudos por um leite ucal parecia muito, hoje um euro parece pouco. E os produtores jogam com isso. É normal para mim que um lanche, um simples café me saia a dois euros e setenta e cinco cêntimos. Até sou capaz de achar barato. Antes achava quinhentos paus por um lanchinho um roubo. É psicológico, sim.

Outro fenómenos foram os arredondamentos da transição de escudos para euros. O consumidor ficou a perder. Li uma notícia em que uma operadora de telecomunicações ficou a ganhar milhões com arredondamentos favoráveis para a operadora em detrimentos do consumidor. Cagagésimos de cêntimos que não movem ninguém a por um processo. Mas, caríssim@s, esta diferença residual multiplicada por biliões...

Manuel Monteiro demonstrou este truísmo com gráficos e números arrepiantes (factos) - o aumento não foi grande; foi brutalmente colossal.

E ninguém fala disto?

Angel

Blog que recomenda a tasca

http://maocrua.blogspot.com/


Engraçado estarmos enturmados entre blogs sado-maso :)

Um dos pecados capitais

Eu tinha uma amiga não muito interessante, mas muito gira, que trabalhava num bar. Ela era simpática, eu conhecia os donos do bar, e fui lá umas vezes. Mas sempre que lá fui com amigas, a coisa correu mal.

As minhas amigas implicaram sempre com a rapariga do bar. Sempre. Saimos do bar e elas diziam mal dele. Achava aquilo inconcebível.

Um dia, num grupo de amigos e amigas, ao sairmos do bar, tive de ouvir uma rapariga a queixar-se por mais de uma hora. Ainda por cima era uma questão de contas em que não tinha um tostão a receber; tudo estava certo. O mal - alegava ela, metralhando raiva - estava na rapariga do bar. Que estragara toda a noite. De forma torpe e cruel. Já saturado disse-lhe:

- Mas por que é que estamos a perder tanto tempo com a falta de simpatia de uma empregada de um bar a atender-te?

- Porque a tua amiga é uma estúpida...

- Sabes qual é o problema dela? É que ela é muito gira...

(e deveria ter acrescentado:

- E sabes qual o teu problema? É que julgas que todos os homens só se interessam pela beleza...)

Angel-combatendo-os-papelões-de-fachada

sábado, abril 21, 2007

A raposa e o lobo

No meu 6º ano, teria uns onze anos, na disciplina de Português, numa escola socialista (que deveria pugnar pela igualdade de oportunidades e contra a exploração) demos uma fábula em que um lobo tinha o monopólio da água numa determinada terra. Os animais todos dizem bem do lobo e o lobo retribuia dando a todos a água. A raposa não prestava vassalagem ao lobo e o lobo recusou-se-lhe dar água quando a raposa lhe foi pedir. Estando com sede, a raposa mascarou-se de outro animal.

Eu disse que a raposa fez bem. A professora criticou-me (e os outros alunos também estavam do lado do lobo) por um fazer a apologia da mentira (digamos assim agora noutra idade).

Recapitulo a estória e continuo a achar que há valores mais altos: a igualdade, a luta contra a tirania, o abuso de poder e a satisfação das necessidades básicas a que todos os seres sencientes, humanos e não-humanos, têm irrevogavelmente direito.

Em qualquer lado do mundo, ninguém deve passar fome, sede, ser privado de roupa, habitação e cuidados médicos.

Angel
“Nós não vamos atrás daquilo que é, vamos atrás daquilo que queremos ver”

Coim

Um dos mais belos discursos da História do Cinema (Casablanca)

Rick: Last night we said a great many things. You said I was to do the thinking for both of us. Well, I've done a lot of it since then, and it all adds up to one thing: you're getting on that plane with Victor where you belong.
Ilsa: But, Richard, no, I... I...
Rick: Now, you've got to listen to me! You have any idea what you'd have to look forward to if you stayed here? Nine chances out of ten, we'd both wind up in a concentration camp. Isn't that true, Louie?
Captain Renault: I'm afraid Major Strasser would insist.
Ilsa: You're saying this only to make me go.
Rick: I'm saying it because it's true. Inside of us, we both know you belong with Victor. You're part of his work, the thing that keeps him going. If that plane leaves the ground and you're not with him, you'll regret it. Maybe not today. Maybe not tomorrow, but soon and for the rest of your life.
Ilsa: But what about us?
Rick: We'll always have Paris. We didn't have, we, we lost it until you came to Casablanca. We got it back last night.
Ilsa: When I said I would never leave you.
Rick: And you never will. But I've got a job to do, too. Where I'm going, you can't follow. What I've got to do, you can't be any part of. Ilsa, I'm no good at being noble, but it doesn't take much to see that the problems of three little people don't amount to a hill of beans in this crazy world. Someday you'll understand that. Now, now... Here's looking at you kid.

sexta-feira, abril 20, 2007

Li uma reportagem na Sábado sobre sexo nas escolas. As coisas estão a mudar. Quem não vê as mudanças da nova geração, está desatento - no mínimo. O sexo é tremendamente mais fácil hoje, é uma mercadoria de prazer momentâneo para muitas e muitos.


Se puderem, leiam.
Das coisas mais bonitas que ouvi dizerem-me, quase todas são íntimas e, por isso, irreproduzíveis. Houve uma vez que me disserem algo que de tão estranho, de tão original, retive até hoje e que me obrigou a fazer o único plágio da minha vida:

"És como um abismo que temo profundamente e me atrai irresistivelmente..."

Sem comentários

David Beckam ofereceu à sua esposa Victoria Beckam um vibrador de platina e diamantes no valor de 2 milhões de dólares.

quarta-feira, abril 18, 2007

Distopias

A sociedade de hoje é o reflexo de quatro grandes obras de literatura do século XX. Por distopias entendem-se sociedade no extremo oposto de um arquétipo ideial, utopias negativas, no fundo, ou, se se preferir, a antítese de uma utopia.

Pelo lado da evolução tecnológica, o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. O livro começa pela descrição "Num atarracado prédio de trinta e quatro andares", fala de cinemas com sensações para lá das visuais - e a verdade é que estamos cada vez mais lá. A sociedade estava subordinada ao produtivismo - tal como a de hoje. A melhor metáfora do livro é o soma - a droga perfeita. Sempre que alguém estava mal ou queria afugentar o tédio, uma ou duas gramas de soma e voilá! Como todo o mundo está feliz - ninguém reflecte ou questiona nada. Quantos somas não temos hoje na televisão, nos jogos virtuais, na net, nos chats, no alcóol, nas pastilhas e discos frenéticas...

Pelo lado da violência, Laranja Mecânica de Anthony Burgess. A violência dos gangues já lá estava, a violência pela violência, gratuita, como escape da juventude que precisa de sentir sensações fortes estava lá. A própria linguagem guetizada, à parte, a simplificação de vocabulário, a mutilação e fusão de palavras que reduz os conceitos - está tudo lá e com um apêndice a fazer de dicionário no final do livro. Um enorme livro sublimemente adaptado por Kubrick.

Pelo lado do controle, da vigilância, da perda da privacidade como valor primacial das sociedades ditas democráticas; o 1984 de George Orwell. Só falta uma coisa para o controle ser absoluto como no livro de Orwell. Termos câmaras dentro das nossas próprias casas. Na rua, já estão em todo o lado. Outra parte notável do livro é a supressão de palavras indesejáveis. Como qualquer sociedade autoritária, no 1984 a liberdade não era desejada - e então, paulatinamente, a palavra liberdade vai sendo suprimida. Mas - magnífico! - não é suprimida enquanto palavra mas é suprimida num dos seus significados: a liberdade enquanto ideal, enquanto contrário de repressão, enquanto aspiração humana; cessa como palavra. Apenas passa a ser usado nos seus derivativos, como por exemplo: «O cão está livre de pulgas». Livre no sentido «isento de...».

No Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, a sociedade vê outro inimigo: o livro. Os bombeiros existem não para apagar fogos - mas para incendiá-los, queimando os livros. A televisão passa mensagens de alegria, de futilidade e dentes brancos a toda a hora. Pessoas que se recusam a entregar os seus livros nas vistorias Às casas, são mortas. Os livros só levam a dúvidas, a confusão e a angústia - é uma felicidade livrarmo-nos de todas as interrogações que eles comportam. Mais: entre eles contradizem-se todos - logo nunca obteremos respostas definitivas. Para quê lê-los então? A única maneira de eles continuarem é que há uma comunidade de pessoas que se isola num bosque onde pessoas decoraram livros e vão para lá reproduzindo-os diariamente. Cada uma é uma pessoa-livro. "Eu sou «O processo» de Kafka", diz um. "Boa tarde, eu sou "Romeu e Julieta" de Shakespeare."
O Fahrenheit é terrivelmente actual com o soterrar da Literatura debaixo das pirâmides de livros de poucas calorias que cada vez mais a vão abafando...

Angel-celebrating-books

Cavaco Silva

Cavaco Silva elegeu no discurso de tomada de posse como Presidente da República as desigualdades sociais como tema central. Nunca enquanto primeiro-ministro incorporou essa preocupação na prática de dez anos do seu executivo. Durante o seu mandato, Portugal tornou-se o país com mais desigualdades da União Europeia.


Curiosamente, a única lei que me lembro de ter vetado enquanto Presidente foi a das quotas das mulheres quando está mais que demonstrado que através da auto-disciplina dos partidos e instituições não há igualdade entre sexos.


Crescimento económico não garante igualdade

Os países em desenvolvimento cresceram mais na última década do que nas duas anteriores. Segundo um relatório do Banco Mundial divulgado no Domingo, os países mais pobres registaram um crescimento económico médio anual superior a 5% entre 1995 e 2005, contra 4,5% na década anterior e pouco mais que 3% entre 1985 e 1995. Além disso, conseguiram manter um ritmo bastante superior ao dos países ricos, que, na última década, cresceram 2,5%. O bom desempenho económico teve um papel determinante para a redução da pobreza extrema, que caiu 21% entre 1990 e 2004. São menos 260 milhões de pessoas a viverem com menos de um dólar por dia, em grande parte chineses. Mas a boa performance de países muito populosos, como a China, a Índia e o Brasil, contrasta com o que aconteceu nos países da África Sub-sahariana, onde a taxa de pobreza se mantém acima dos 40%. Os percursos desiguais das várias economias levantam "preocupações sobre desigualdades crescentes entre regiões", alerta o Banco Mundial (BM), lembrando que a resposta da pobreza ao crescimento económico depende da distribuição do rendimento (ou consumo)", o que, por sua vez, depende de muitos factores, tais como a saúde, a educação, a paridade entre géneros, a segurança, etc. Mas não é só entre países que a desigualdade ameaça agravar-se. Também dentro de muitos países pobres, o fosso entre ricos e pobres é cada vez mais acentuado. Num grupo de 59 países muito pobres seleccionados pelo BM, em 44% a desigualdade agravou-se com o aumento da riqueza. Porém, como é evidente, a redução do PIB (Produto Interno Bruto) também não ajuda ninguém: isso aconteceu em 34% daqueles países onde a desigualdade também subiu. A combinação ideal - crescimento económico e redução do fosso entre ricos e pobres - só se verificou em 17% dos países e a combinação aparentemente improvável - menos riqueza e menos desigualdade - sucedeu em 5% dos casos. Um dos indicadores mais utilizado para medir a desigualdade é o índice Gini, que varia entre zero (igualdade perfeita) e 100 (desigualdade máxima). A partir dos dados do Banco Mundial, constata-se que os países sub-saharianos e da América Latina são os mais mal colocados. Portugal é o 71.º mais desigual (ver texto ao lado), oito e 13 posições à frente da Itália e de Espanha, respectivamente. Porém, desigualdade não significa necessariamente pobreza: prova disso é o facto dos Estados Unidos ocuparem o 51.º lugar neste ranking.

Manuel Esteves

«Redundância sentimental»

Em conversa com o meu amigo Sérgio, dizia-me ele (a propósito de obsessões sentimentais) que há pessoas solteiras que tendem a concentrar-se numa só pessoa e outras mais dembuladoras - e que são as primeiras que sofrem mais. Adjectiva ele de "redudância sentimental" as pessoas pertencentes ao primeiro paradigma.

Eu concordo com ele. As pessoas que põem todos os ovos no mesmo cesto sofrem mais quando a caminho de casa tropeçam e o cesto cai ao chão.

Um dia li uma crónica "Amor de Verão" que nunca mais esquecerei. Elogiava a beleza, a força, a delicadeza e a regeneração da esperança que vinha com cada Verão. Depois dizia que um amor no Verão estragava tudo. A capacidade de fruição de todas as coisas boas do Verão. Ficavamos cegos, obstinados e dependentes de uma só variável - e o espectáculo de cores e sons, a variedade das alegrias passava-nos inteiramente ao lado.

Eu tenho um amigo que sai à noite na esperança que uma rapariga apareça. Quando ela não aparece, ele fica macambúzio. Quando ela aparece, ele pode ou não ficar feliz - depende da atenção que ela lhe dá.

Um grande amigo meu de 74 anos disse-me um dia:

"Você é sensível e pela vida fora vai sofrer. Os sensíveis sofrem mais."

Um dia escrevi num poema:

"A sensibilidade é a pior protecção contra o sofrimento."

Angel-sensible-hiding-the-tears

Uma vergonha do Governo

Fiquei indignado com a campanha das «Novas oportunidades». Humilhar-se publicamente o exercício de profissões como o das pessoas que estão atrás de um balcão ou no cinema a levar pessoas aos sítios - achei uma vergonha! Mas ninguém via o que eu via - confesso que pensei que só eu detectava o achincalhamento latente. Comentei o caso. Sem qualquer sucesso.

Foi com enorme alívio que li a seguinte notícia:

«Manuel Alegre rompeu ontem o silêncio para se insurgir em termos duríssimos contra a recente campanha do Governo para incentivar a qualificação dos portugueses. Em causa estão os anúncios usados para o efeito: a jornalista Judite Sousa aparece a vender jornais num quiosque e o treinador Carlos Queiroz surge como cortador de relva. Alegre discorda desta campanha publicitária e não esconde o seu desagrado. "Esta estratégia de comunicação é um desastre. É infeliz, é imprópria de um país democrático", declarou ao DN o histórico dirigente socialista, vice-presidente da Assembleia da República. O ex-candidato ao Palácio de Belém destaca a importância de se promover a qualificação dos recursos humanos e de se intensificar a promoção da escolaridade. Mas discorda profundamente da "humilhação" de certas profissões implícita nestes anúncios. "O País precisa de todos. Carlos Queiroz e Judite Sousa podem ser excelentes profissionais. Mas o ofício de jardineiro é tão relevante como outro qualquer. Um empregado de comércio ou uma mulher-a-dias são tão dignos como um médico ou um futebolista." Indignado, Alegre contesta "a cultura do sucesso pelo sucesso, que não faz parte da tradição socialista nem de uma democracia com preocupações sociais". O deputado socialista assinou também um comunicado do Movimento Intervenção e Cidadania, na qualidade de presidente do seu Conselho de Fundadores, considerando que esta campanha do Governo "é um insulto a todos aqueles que, pelas mais diversas razões, não possuem outras habilitações que não sejam a sua competência". Uma coisa, diz, é defender o reforço da educação, outra é "denegrir profissões apresentadas como desqualificantes.»

Desejava viver num mundo em que a competência fosse mais valorizada que a profissão que se escolhe. Um mau professor universitário ser menos considerado que um bom jardineiro.

Angel

segunda-feira, abril 16, 2007

"O que mais me preocupa não são os gritos dos violentos ou dos corruptos, dos desonestos ou dos sem-carácter, o que me preocupa é o silêncio de quem é bom - e sorri."

Martin Luther King

domingo, abril 15, 2007

Acabemos de vez com o medo do diferente

Ontem estive com um casal homossexual de longa data. Apesar do ambiente em redor ser alternativo ("muito à frente" como dizem as pitas), nem por uma vez trocaram o mínimo afecto. Estas pessoas vivem uma prisão fora de casa. Querer beijar e não poder, querer andar de mão dada e não poder, querer consolar ou afagar o parceiro e não poder. É triste, é muito muito triste.

Até numa discoteca onde se vê muito ocasionalmente um casal homossexual, há logo pessoas que colam a etiqueta discoteca gay e não vão lá. Um atrasado mental chamado Rafael tem no messenger o seu nickname "Panilux"; uma prima minha (felizmente afastada) disse-me na mesma conversa "tenho a mente bué aberta" e passados cinco minutos "vais ao lux ao lux? aquilo é só paneleiros"; um outro grunho disse-me um dia "podiam estar escondidos mas eu vi dois tipos a comerem-se junto à máquina de tabaco" (claro, és muita tolerante e até admites, note-se, que eles se beijem, agora que o façam sem ninguém ver!!!).

Que um heterossexual se debruçe a pensar sobre a castração afectiva em público dos homossexuais intriga muita gente. A mim intriga-me é que a sociedade demore tanto a mudar.

Há quem diga que só se deve estender o casamento aos homossexuais quando as mentalidades estiverem mais preparadas. Discordo. As instituições devem ditar a evolução das mentalidades.

Quando se decretar o casamento como algo não exclusivo do património de uma orientação sexual, vai demorar muito menos tempo até que os casais homossexuais possam livremente expressar o seu amor e afectividade.

Acaso hoje alguém anatemiza uma pessoa divorciada? A memória é curta, demasiado curta.

Também quando se discutia o divórcio, se dizia (até no próprio Parlamento) que as criancinhas divorciadas iriam ser ostracizadas pelos colegas. Hoje aplica-se o mesmo argumento para os filhos adoptivos dos homossexuais.

Angel

sábado, abril 14, 2007

Se estás na dúvida se amas - é porque não amas.

Perfume

Esse perfume me persegue… quente, forte e subtil
Passeia por mim livremente… como se fosse gentil
Oh ah ah… ah ah… ah ah…Ah ah… ah ah… ah ah…
Se me aparece de repente… inspiro-o profundamente
Para desvendá-lo, para decifrá-lo, queria agarrá-lo…
Queria agarrá-lo, metê-lo no meu frasco, fechá-lo bem p’ra não fugir…
P’ra não fugir… p’ra não fugir…P’ra não fugir… p’ra não fugir… oh ah ah ah…
Mas ele insiste, ele insiste… brinca comigo devagar
Leva-me à minha memória… convida-me a divagar
Oohhh… oohhh… oohhh… ah ah…
Queria agarrá-lo, metê-lo no meu frasco, fechá-lo bem p’ra não fugir…
P’ra não fugir… p’ra não fugir…P’ra não fugir… p’ra não fugir…
Queria agarrá-lo, metê-lo no meu frasco, fechá-lo bem p’ra não fugir…

Entre Aspas

sexta-feira, abril 13, 2007

Por vezes, sentimos no outro comportamentos tão confrangedores que absorvemos a vergonha que ele não sente e temos vontade de nos enfiar num buraco. Em espanhol, há uma palavra para este tipo de sentimento. Em português não.

Assisti outro dia a uma das maneiras mais sofrêgas e sofríveis de alguém tentar chegar a falar com uma rapariga.

Um tipo estava siderado numa miúda de um bar e passava a noite a expressar o seu desejo. O amigo dele pediu uma tosta.

Quando ela chegou com a tosta na mão, ele posicionou-se ao lado do amigo e querendo chamar à atenção da miúda do bar disse:

- Ó Sérgio, para que é que pões tanta coisa aí dentro se vem tudo cá para fora?

Tenho a certeza que ela se apaixonou imediatamente.

Angel

Estórias hilariantes reais

Um amigo meu entra em casa de outro.

- O zé está?
- Está a tomar banho. - diz a mãe-
- Vinha montar a play station...
- Tá bem, tá bem...

A mãe vai à cozinha, mas volta atrás.

- Ó Rui, tem ali ao fundo um descampado. Não podem ir para lá montá-la?
A estória contada no último post passou-se na Universidade Lusófona. Não tenho dúvidas que há lá excelentes docentes. Em engenharia, há muitos professores do Técnico (e segundo me disseram os melhores de lá) que são professores lá.

Quem faz as faculdades são os alunos; não os professores. Se houver 1000 gajos maus num ano, não podem chumbar todos... E naturalmente que os professores nivelarão a exigência por baixo. É humano. Em terra de cego quem tem olho é rei.

quinta-feira, abril 12, 2007

A propósito das universidades

É claro que todas as generalizações são cruelmente injustas para muitos. Há óptimos professores, óptimos alunos nos piores institutos e faculdades. Mesmo no estrume, há flores de lótus - diz o Dalai-Lama.

Mas do que vi de determinadas faculdades privadas faz-me rir... Só uma estória:

Um amigo meu entrou-me em casa aflito, que tinha um trabalho para apresentar no dia seguinte sobre "Segurança nos Edíficios" num curso de Engenharia.

- Eh pa não tens aí nada em casa?
- De engenharia não? Talvez tenha aí uma planta de uma casa...
Procurámos mas não encontrámos.
- Eh pa, outro dia estavas a gravar um programa na televisão...
- Era sobre corrupção esquece...
- Emprestas-me isso?
- Não leves; é rídiculo.
Ele insistiu e eu dei-lhe a cassete.


No dia seguinte, toca-me em casa exultante:

- Pus aquilo a rolar e nem tive de dar explicações. O professor adorou.

- Passaste?

- Tive 16.

Ministros e licenciaturas

A propósita desta tão propalada discussão, fiz um artigo na Sábado há ano e meio que ainda se encontra disponível na net para quem procurar.

Descobri que quanto mais avançado um país (vide países nórdicos) menor o grau de habilitações académicas dos ministros. Portugal tem desde o 25 de Abril 100% dos ministros licenciados. A Suécia tem no actual governo 36% dos ministros licenciados. O primeiro-ministro não o é! O ministro da justiça e o ministro da cultura foram um jogador de futebol, outro empregado de restaurante.

Sabiam que?

Não foi assim há tanto tempo...

- Só em 1976 o homem deixou de poder violar a correspondência da sua mulher e a mulher para ser comerciante deixou de precisar da autorização expressa do marido?

- Só em 1967 deixou de precisar da autorização do marido para sair de Portugal?

Haverá uma altura, não muito distante, em que olharemos para trás com a estranheza para a discriminação homossexual com que hoje olhamos para os direitos que consignavamos às mulheres.

"Como engatar uma mulher"

Quando era novo e já me interessava por temáticas homem-mulher, comprei com 13 anos o livro "Como engatar uma mulher".

Já lá vão 15 anos... mas ainda me lembro-me de imensas coisas.

O livro (que é de qualidade) tem um capítulo só de "técnicas", todas elas descritas num tom sério e também humorístico. Estereotipa muito bem e acerta muito. Diz o livro que a técnica mais refinada é "a técnica da não técnica".

Outro pormenor interessante num página em que separa com uma barra "o que ela diz/o que ela pensa" dizer que uma mulher quando se refere a um homem "como um querido" está a pensar "és tão sexy como um cão morto".

Não sendo minimamente machista, há uma frase a encabeçar um capítulo, atribuída a um anónimo que diz: "As mulheres não se interessam imediatamente por um homem rico pelo dinheiro. Primeiro apaixonam-se por ele".

Há um cartoon em que um homem quer apostar com uma mulher uma moeda de cem paus que consegue fazer as maminhas dela, sem lhes tocar. Sorridente, ela aceita o desafio, ciente que já ganhou: "Aposto que não consegues!" Ele deita uns pós de pri lim pim pim mas nada até que lhes toca e diz "Mexeram-se". Ela diz: "Mas tu tocaste nelas". Ele: "Pois é, toma lá cem paus."

Angel-reading

quarta-feira, abril 11, 2007

Não posso adiar o amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa
Prece

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia
Prece

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia

terça-feira, abril 10, 2007

Não me consigo situar...

Hoje entrei numa livraria Bertrand e tive de galgar muito metros, passando três "mesas" de livros, para chegar à literatura não light. Cada vez são mais os metros que tenho de percorrer. Dizia-me um amigo meu que 80% dos livros se vendem na FNAC, Continentes e Bertrands...

Falo neste exemplo por achar que é uma metáfora da sociedade actual. Cada vez temos de percorrer mais metros para fugir às vulgaridades e frivolidades dominantes...

Não me digam que foi sempre assim. É mentira. Mais: a coisa tem mudado nos últimos anos. Lembro-me que os títulos que estavam na moda não eram - como hoje - obrigatoriamente light.

Hoje em dia, escrever bem, ou escrever muito bem, não é de modo algum garantia de edição. As editoras estão soterradas de livros. E porquê? Porque qualquer celebridade, seja do big brother, seja do futebol ou da moda, tem direito a escrever (leia-se encomendar um livro a jornalista). E isso entope as editoras que têm um mercado de x livros por ano. A condição de escritor sofre com isso e a literatura com L é cada vez mais residual.

Eu próprio já ouvi de uma revista de referência "dr. angel, não escreva sobre investigações com dados e conceitos... escreva com estórias pessoais", "dr. angel tem de ter uma escrita mais light!". Sic, sic.

É triste, é muito triste ver pessoas desprovidas de qualquer cultura a escrever em jornais;pessoas que devida à sua fronha têm logo o direito a ter um programa sobre livros.

Ninguém tem coragem para o dizer, porque o fenómeno é global e o maior pecado na sociedade da globalização é ser isolacionistas; mas a verdade é que a televisão está pior do que nunca.

Programas sobre livros são remetidos para RTPN ou para 10 minutos de um locutora acéfala. Programas de grandes debates já não existem. Nem sequer político quanto mais culturais! As conversas com o Agostinho da Silva, por exemplo, é um formato impensável hoje, mesmo a horas impróprias como as 4 da manhã onde somos bombardeados com pastas dentríficas e abdominal stretchers...


Para onde vai isto?

Angel

Double talking

Muitos homens que eu conheço com namorada são duas pessoas distintas: uma pessoa com as amizades masculinas e outras com a namorada.

Muitos homens que eu conheço são duas pessoas distintas: uma pessoa para as mulheres outra para os homens.

Conheço um que leva tão tão tão ao limite esta divisão que tem um telemóvel só para mulheres e outro só para homens.

À frente delas tão queridos, não têm olhos para outras (há verdadeiramente algum homem que só tenha olhos para uma?); à frente dos amigos comentam os rabos que passam, são brejeiros e vulgares. Parece mesmo que há uma lei que quantos maior a doçura à frente delas, mais ampla a rudeza boçal e a exposição de troféus de caça à frente dos outros machos...

São vários os meus amigos e conhecidos que imediatamente ao telefone identifico à primeira sílaba (nem é preciso o conteúdo, basta o tom) se estão com a namorada ao lado...


Penso que estas pessoas nunca reflictiram sobre o conceito fundamental de ´Identidade´. Ser uma pessoa estilhaçada em várias ´algo que me parece aflitivo - não termos um núcleo sólido e coerente a que nos agarremos como um ´eu´. Era como se de cada vez que olhassemos ao espelho, víssemos milhares de rostos diferentes...

Anjo-virá-o-dia-em-que-não-haverá-´conversas de homem´e ´conversas de mulher´

Crónica do Zé Pintas II

Bem hoje tava numa fila do caralho para tirar um papel. O Estado farta-se de mamar guita a um gajo. Su poder roubar, roubo à grande!

Encostei a uma cota, fiquei com o narso bem apertadinho no rego dela. Foda-se, são mesmo todas umas putas. O que elas querem sei eu!

Querem é nabo, suas putas!
Li a seguinte frase ontem à noite. É demasiado brutal para não a por aqui?

"Por que é que o ódio não esmaga o desejo?"

Graham Greene, O fim da aventura

segunda-feira, abril 09, 2007

Crónica do Zé Pintas I

Podem dizerem o que quiserem, podem-me insultar à vontade, mas eu fodo-as todas. Curto bué tar a ver uma bacana a dizer-me que não e eu a insistir, mostrando-me bueda doce, bueda seguro... e acabo sempre a piná-la a cama.

Outro dia saquei uma bifa numa disco nas docas. A bacana tava com merdas "ai eu apanho um táxi". Mal viu o meu bruta BM, mudou logo. Foda-se são quase todas umas putas...

Não são todas. Tive namoradas impeque, como eu costumo dizer das gajas que curto. Cinco stars, mêmo...

Ultimamente, arranjei um trabalho de comercial, tou a ganhar sete e meio e farto-me de pinar cotas divorciadas. Ficam sem o leitinho do marido, quero logo o primeiro narso que lhe aparece. Comia uma com uma ganda cenário e com o corpo ainda impeque. Estas gajas são esfomeadas e eu farto de ma rir com as bacanas...

Outro dia até rebentei o cu a uma e a gaja nem ganiu... Puta do caralho, tinha aquilo tudo aberto. Tirei-lhe buedas fotos por trás, o pessoa do gym curtiu pa caralho a bunda da cota.

Tenho é de ter cuidado com uma recepcionista que ando a pinar. A gaja tem um namorado que joga no Campomaiorense e o bacano é um ganda mitra. Ela tem fotos do gajo no quarto numa ganda harley e o bacano tem pinta de fodido. Já arreou uns quantos na Bobadela. O meu pessoal do meu gym conhece-o e ele vai lá de vez em quando. Já meti demasiado a boca no trombone e se chega aos ouvidos do bacano, o gajo dá-me logo com a shotgun!

People, vou dar de frosques... Hasta la vista e mucho carinho eheheh para vocês babes
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa


Sophia

domingo, abril 08, 2007

Uma menina pergunta ao Dr. House se está triste ao que ele responde:

"Não estou triste, sou complicado. Por isso as mulheres gostam tanto de mim. Um dia vais entender."
Camões transportou a beleza para a poesia em língua portuguesa como talvez nenhum outro poeta. Repare-se no masoquismo belo destes poemas:

A fermosura desta fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar,a estranha terra,
esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
me está se não te vejo magoando.

Sem ti, tudo me enjoa e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando,
nas mores alegrias, mór tristeza.



Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;

Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual:
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.

E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas
Nem águas que correndo alegres vêm.

Semearei em vós lembranças tristes,
Renegando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem...

sábado, abril 07, 2007

O macho protector

Um dos resquícios mais indeleveis da cultura machista, extraordinariamente difícil de remover, é a figura do macho protector e da fêmea indefesa e a precisar de protecção.

Escrevi-o uma vez e repito: só há uma diferença de cariz biológico, isento de socializações, entre homem e mulher: o homem tem mais força física que a mulher.

Por uma analogia grosseira, extrapolou-se que os homens são mais fortes (psicologicamente) que as mulheres, que não choram, são mais corajosos... e precisam de as proteger.

Mesmo as mais progressistas e igualitaristas, no fundo, no fundinho, gostam da figura do homem protector.

Tenho uma amiga cujos amigos do HI5 assustariam até o Steven Seagal que diz que na noite "os amigos protegem-me de gajos chatos". "Não sei em que raio de sítios andas", contrapus-lhe. Não entendo como ela não se consegue defender. Coitadinha. Mas ela tem boca e cérebro... Para quê? Se alguém se mete com ela, ela que despreze. Acaso alguém a tentou violar numa discoteca ou bar?

Acho tão parolo, tão serôdio e tão motivo de piedade os gajos que protegendo as mulheres, fazem logo um olhar de mauzão a quem fala com as suas babes ou acaso olha para elas. O esgar de bad boy, o peito inchado... Seria cómico se não fosse trágico, como disse Brecht.

É que só dá vontade de dizer: «Deixa a escolher livremente. Tens medo da escolha dela?»

Normalmente quando saio de Lisboa e vou a terras pequenas noto mais este efeito do mijar o território canino. Da mesma forma que noto mais hospitalidade quando pergunto por uma rua ou mais solidariedade quando alguém tomba no chão. Mesmo sem fazer nada, há sempre matilhas que querem provocar distúrbios contra "os estrangeiros" e normalmente usam mulheres (cúmplices) para atiçar a confusão. Não pode ser coincidência que quase sempre que vou a Santa Cruz vejo grunhos a digladierem-se porque se meteram com as suas miúdas. Dizem os psicólogos que a violência é o último recurso da comunicação - à luz deste paradigma, estes energúmenos então não sabem, pura e simplesmente, comunicar por palavras... Note-se que este meter muitas vezes é olhar ou dançar ao lado.

Não há nenhuma razão para continuar a reproduzir socialmente estes estereotipos bacocos. Se queremos que as mulheres se autonomizem em pleno (é um erro pensar que a emancipação já acabou mesmo nas democracias ocidentais; os níveis de desigualdade m/f são ainda vastos e significativos); temos não só de combater no plano legal e económico pelas medidas de direitos iguais/deveres iguais, como também no plano das mentalidades e costumes congruentemente igualizarmos as coisas.

Podemos até vir o mesmo nível de mulheres no parlamento (actualmente só 12%); podemos até vir a ter as mulheres a ganhar o mesmo em cargos superiores das empresas (actualmente ganham, em média, 70% dos homens); mas se continuarmos a achar que o homem que come muitas é garanhão e a mulher puta, se continuarmos a achar que o homem é a força e a mulher a delicadeza - continuaremos a perpetuar uma sociedade machista. Disse Woody Allen e eu subscrevo: «A tradição é a ilusão da perpetuidade.»

Termino com uma episódio de uma reportagem que um jornalista ocidental fez no mundo dos Taliban.

- Porque é que tratam as mulheres desta forma?

- Porquê? É muito simples. Se eu tenho um rublo, posso perdê-lo que não fico muito mais pobre. Mas se eu tenho uma nota de cinquenta rublos, eu vou guardá-la no sítio mais seguro. É o que nós achamos das mulheres. Consideramo-las muito valiosas e por isso protegemo-las.

Angel
Estando 4 dias sem telemóvel, sem pessoas e distracções sensoriais; estive com livros. É uma companhia incrível. Como dizia o Miguel Esteves Cardoso: "Deixei-me em paz. Eu tenho estes livros para ler. Não preciso de ninguém."

sexta-feira, abril 06, 2007

Paredes de ilusão

Cada vez vejo mais gente alienada. Estes dias estive com a família alargada e descobri que há 4 ou 5 novelas que muita gente acompanha. As minhas tias papavam 3 por dia e não deixavam ninguém mudar de canal - e diziam que ao almoço também dava uma muito interessante.

Os meus primos passam a vida a jogar playstation. Cada vez que estou ao lado de alguém a ver televisão, descubro que há muita malta viciada na telinha "muda aí para o dr. house, muda aí para o prision break"...

Começo a perceber que downloads e televisão são os hobbies da maior parte da malta. Isto juntamente com jogos que vejo cada vez mais serem jogados, jogos na net, por exemplo. Há um jogo, o krimes, cujo objectivo é matar e roubar e que reune imensa gente que conheço. Outro, que não assimilei o nome, de roubar e atacar propriedades, também alastra a imensa malta que conheço. Um amigo meu explicou-me que acordava a meio da noite para ver se a sua casa não tinha sido assaltada e para assaltar outras - que na quietude da noite era a melhor altura!

Vivem tão absorvidos estas fachadas de vida como se de a vida se tratasse. E emocionam-se."A veronika, a advogada, morreu." - ouvi ao telemóvel. E do outro lado "Que merda, era a minha preferida". Falava-se - explicaram-me depois - de uma série televisiva.

O tamagochi foi apenas um princípio... Isto vai muito mais fundo. Muito mais longe. Li numa revista que se desenvolve desde já o chip do tacto e do olfacto. Qualquer dia não saimos de casa, tocando os nossos parceiros pelo computador. A preguiça é cada vez mais convidativa...

Angel

Da literatura

A poesia é mesmo intemporal. Gosto imenso de pegar em frases antigas e de analisar a realidade hodierna à luz de frases fora do tempo e fora do espaço. Estava tudo já contido na literatura. Nestes dias li o esplêndido livro Os passos em volta do Herberto Helder, o único em prosa dele.

Lá encontrei uma frase de uma mulher (narradora) a descrever um homem... Que a quantos homens se encaixa?

«o sofrimento mal oculto por detrás de uma simulada virilidade»

É esta a grandeza da Literatura.

domingo, abril 01, 2007

Os sôfregos que não sabem disfarçar que o são

Constantemente vejo homens a abordar mulheres de forma sôfrega. A minha questão é esta: será que percebem o quão evidente tornam o seu estado de desespero? Se sim, será que eles não percebem que uma mulher nunca se interessa por um homem desesperado? Será que eles não percebem que a piedade estás nos antípodas da sexualidade?

É tão gasto, tão gasto, tão ridiculamente banalizado, tão desgastadamente vulgar o elogio do jaez "Nunca vi uma mulher tão bonita», «Com a tua beleza, casava-me contigo». E contudo isto ainda (e sempre?!) vê-se por todo o lado. Enquanto escrevo, de certeza que há algum homem a dizer isto a uma mulher.

O elogio, nomeadamente o mais directo e físico, juntamente com o tentar impressionar nunca marcam pontos. "Eu isto, eu aquilo..." Dizia-me uma amiga ainda ontem que outra pessoa que nós conhecemos, o Rafa, lhe disse:

«Sabes, eu estou muito bem. Actualmente, recebo cinco ordenados»

«Tive aí com uma gaja, ela foi para minha casa uma noite e gostou tanto que ficou totalmente apaixonada por mim. Ela queria mesmo viver comigo, mas eu não quis. Eu não gostava dela e ela estava completamente apaixonada por mim, mas não estás a ver bem?! Completamente maluca! Eu, sabes, sou incapaz de ficar com uma mulher só para dar umas...»

Isto não é uma questão de mais ou menos experiência. É uma questão de uma mescla de narcisismo, insegurança, ignorância e estupidez. E muito machismo. Achar que as mulheres são todas putas e materialistas.

Acho que é uma questão de intuição. Quando tinha cinco ou seis anos, desprovido de qualquer experiência, lembro-me de querer cortejar uma rapariga uma vez e de ter ido para o baloiço junto dela. Como achei que já podia ter sido explícito, deixei que fosse ela a fazer conversa. E esperei até que uma borboleta adejasse no seu baloiço, ela dissesse "sai daqui, sai daqui". Não sei como isto gerou conversa. Ela era um bocado tontinha e eu depressa perdi o interesse. Mas já na altura me teria espantado se alguém se aproximasse dela e se prostasse de joelhos noo baloiço e dissesse:

"Nunca vi uma menina tão gira como tu."

Angel-smiling-and-waiting-for-the-summer´s-fire

Woody Allen

Num livro da Obra Completa do Woody Allen, das Produções Fictícias, li em tempos um conto que me vem várias vezes à memória.

Um homem tem uma mulher com quem não consegue discutir literatura e filosofia - e que recorre à prostituição intelectual.

Mulheres pagas para falarem sobre Melville ou Kant é uma ideia que só o Woddy Allen teria.

Imaginem a coisa às avessas: um homem que tem uma vida sexual satisfatória com a mulher, mas a qual não é estimulante intelectualmente. Para quem tem sede e fome de cultura, a única solução era mesmo a tal prostituição intelectual.

É deliciosa a estória, deliciosa a descrição das várias categorias de prostitutas (cada uma para sua temática), deliciosa a maneira como a mulher o intercepta ao telefone num acto de adultério (de prazeres intelectuais), delicioso o ir à putas intelectuais e a maneira como o narrador descreve as primeiras impressões (também intelectuais) da prostituta intelectual.

Um conceito fabuloso.