quarta-feira, janeiro 31, 2007

"As mulheres amam-nos pelos nossos defeitos."

Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray

terça-feira, janeiro 30, 2007

Perenidade

"this dream never ends" you said
"this feeling never goes"
"the time will never come to slip away"
"this wave never breaks" you said"
"this sun never sets again"
"these flowers will never fade"
"this world never stops" you said
"this wonder never leaves"
"the time will never come to say goodbye"
"this tide never turns" you said
"this night never falls again"
"these flowers will never die"

Bloodflowers, Robert Smith
Mas ó tu, terra de Glória,se eu nunca vi tua essência,
como me lembras na ausência?
Não me lembras na memória,senão na reminiscência.
Que a alma é tábua rasa,
que, com a escrita doutrina celeste, tanto imagina,
que voa da própria casa e sobe à pátria divina.

Luís de Camões, Sôbolos rios
Por que é que ninguém ergueu o seguinte argumento:

Quem é contra o aborto, pode - em consciência - não continuar a fazê-lo com a descriminalização do mesmo.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

ABORTO

Tenho lido, ouvido, falado sobre... Há imensos argumentos, uns válidos, outros inválidos (tanto de um lado como do outro); há muita desinformação, muito juízo de valor e poucos factos; alguma hiperbolização em sectores mais radicais de ambos os lados.

O primeiro-ministro mobiliza o povo português a votar no «sim» porque a cadeia não é solução. Mas dos poucos processos (cerca de 40) que houve nos últimos anos, ninguém foi condenado. Senhor primeiro-ministro, não ultraje a nossa inteligência.

Vou votar sim. De todos os vários argumentos (e são muitos) de que estou munido para o fazer, quero apenas destacar um.

Há pessoas que nunca fariam um aborto. Há pessoas que o fariam. Eu não me sinto na posição de julgar algo tão intímo e tão difícil como a decisão de abortar. E é por não julgar (e muito menos condenar), que deixo ao critério de cada mulher, de cada casal, essa decisão.

A superioridade do SIM face ao NÃO é que uma pessoa pode ser contra o aborto e com a despenalização poder continuar a exercer o seu princípio de não abortar. O contrário não acontece no quadro da lei actual.

Da sabedoria Sufi:

"No fundo do mar há riquezas incalculáveis
mas se queres segurança busca-a na praia."

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Não, não são todas iguais

A vida, tal como as mulheres, é uma profusão tão grande de conhecimentos, emoções, contradições, incongruências - que nós tendemos a grosseiramente simplificá-la (a cabeça não aguenta a desordem mesmo que a ordem seja mais falsa...). É isso que nesta análise irei fazer. Simplificar uma equação altamente complexa a duas variáveis.

Há dois tipos de mulheres - entre muitos entre ângulos, elego naturalmente aqui um e apenas um - compartimentando todos os outros.

Muitas mulheres excitam-se com a indiferença. O desprezo é o melhor afrodisíaco para muitas. A sensação de que têm de lutar por eles é algo que valoriza aos seus olhos o homem difícil. O que é fácil não tem graça. O que é adquirido com mais suor e esforço - vale mais. É mais saboroso o triunfo. A montanha mais alta é a montanha mais bela. Com estas mulheres, devemos ser o melhor possível, elevar-nos, subir ao cume de nós mesmo e depois basar... e depois voltar... e depois basar... Nunca devemos aceitar dois convites de seguida, devemos-lhes dar a ideia que elas são uma entre muitas pretendentes e acima de tudo devemos emprestar um ar de enorme segurança, enorme desprendimento e enorme mistério a tudo o que fazemos.

As mulheres com necessidade de segurança pensam assim: «Como é que eu puderei gostar de alguém que não gosta de mim? Mas que disparate. Se ele não gosta de mim, claro que não é homem para mim; claro que não é a minha alma gémea.» Há até mulheres que se afastam dos homens que gostam por racionalmente fazerem o cálculo: «Hum, não eu com este vou sofrer.» Nesta linha, nesta trincheira, as mulheres são capazes de testes incríveis. Conheci casos de mulheres que recusavam cafés aos homens com queriam vir a namorar - unicamente com o fito de testar o estoicismo e a resistência do seu sentimento por elas. «Um homem que fique comigo para a vida de toda tem de mostrar que gosta mesmo de mim» - já ouvi literalmente dizer. O horizonte temporal destas é normalmente mais dilatado e inextricavelmente os sentimentos que procuram terão de ser mais duradouros. Nunca desistam, façam-nas sentir únicas, mimem-nas; elas precisam de crer na estabilidade do vosso sentimento.

Angel




quarta-feira, janeiro 24, 2007

Dupla Personalidade

Das coisas que mais me irrita ver nos outros, e que repetidas vezes vejo nos homens, é o desdobrar em duas personalidades - à frente dos amigos e à frente das gajas.

Já assisti a auto-elogios de triunfos de caça e depois à frente delas são capazes de ser o mais ursinho de peluche possível... A mudança de postura ainda deixo passar (com tristeza), agora a mudança de opiniões palpável e tangível não deixo.

Ainda há tempos ouvi um tipo que eu sei que faz pesca submarina e que se borrifa para todos os seres não-humanos, defender perante as meninas com o ar mais enternecedor do mundo os animaizinhos... Oh, e o ar delas era tão crédulo...

Para mim, ter duas opiniões sobre o mesmo assunto consoante sequer agradar a alguém é uma pura e reles vigarice.

Sermos apreciados por algo que não somos? - como pode isso fazer-nos gostar mais de nós?

Pergunto-me se as pessoas que têm um hiato grande entre aquilo que são com umas e aquilo que são com outras não as perturbará interiormente - por uma questão identitária. Ao serem tão diferentes para eles e para elas, o seu eu assenta num vácuo.

Na génese da génese da génese de tudo isto está a ideia que há assuntos de homem e assuntos de mulher. Felizmente e naturalmente, os compartimentos são e serão sempre cada vez menos estanques...


Anjo-porfiando-por-um-mundo-de-sonho-em-que-todos-comuniquem-numa-base-de-igualdade

terça-feira, janeiro 23, 2007

Escravos da Beleza

Tenho para mim que os homens tendencialmente privilegiam mais a impressão física que as mulheres. Acredito que uma mulher quando ama consiga ter orgasmos fabulosos - quase independentemente do corpo ou da performance do seuente amado. O homem não é tanto assim. Ou não é nada assim - dirão as mais cépticas.

Eu ouço conversas, vejo coisas que às vezes me fazem envergonhar da classe masculina. Tento às vezes desculpar os da minha espécie. Eles são mais amigos dos amigos; as mulheres têm sempre uma acirrada e doentia competitividade com as amigas; eles fazem menos o papel de cabra (despertar desejos inconsequentes só para alimentar o ego)...

Mas nisto da beleza eles são tão mais primários do que elas...

Um conhecido meu, profundamente inseguro, dizia-me outro dia numa festa: "Olhei para todas" - que eram imensas - "e não vi nenhuma mais boa do que ela (a namorada).

O auto-elogio, o factor beleza como o factor primacial do ranking,a namorada vista como mercadoria, o factor competitivo... quando se ama, o que é que isso interessa?

Mas elas também têm culpa. Porque elas valorizam mais o homem quando ele tem mulheres bonitas e sentem mais ciúmes quando elas são bonitas.

Constato com tristeza o fenómeno.

Será que seduzir uma mulher de plástico tem mais mérito? Acaso o ser boa eleva o nível de sedução? O homem que a conquista tem de ser mais inteligente no acto de conquista? Tem de subir aos patamares mais elevados dentro de si?

Não entendo o mérito.

Angel

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Solidão

Vagueando os olhos pelas poucas janelas iluminadas na noite,
Penso…
E vou atirando perguntas ao céu
Sem qualquer esperança de eco…
(Fui-a largando pelo caminho ao longo dos anos…)
Olho para as janelas dos quartos…
As cortinas dos quartos poderão correr-se pela manhã…
As da alma nunca…
Todas as almas são opacas…
(eis uma verdade ao alcance de poucos…)
Olho para cima…
E subitamente sorrio…
Terão todos eles os seus segredos inconfessáveis?
O que alimentará as suas almas?
Saberão todos eles que vão morrer?
Ter-lhes-á alguma vez ocorrido que existem outras maneiras de viver?
O que fariam eles se soubessem quem eu era?

Hoje tenho saudades de alguém que não existe…
O amor às vezes visita-me
Mas não me ilude com ninguém…
Às vezes, passeio pelo mundo…
Como o último homem na terra…
Sentado numa rocha sentindo o vento na face…
Tendo tudo mas ninguém…
Às vezes, as pessoas parecem-me tão estranhas…
Às vezes, as pessoas parecem-me tão distantes…
E a vida mais etérea que um sonho…

E a minha única certeza é esta: existo.
Esta luz intangível dentro de mim
Não me deixaria enganar…
Estas chispas…
Intransmissíveis ao Outro…
Pois são sempre necessárias palavras…
Palavras contaminando o real…

Não sei se é um grande tesouro…
Não sei se é uma grande tragédia…
Ter dentro de mim a maior beleza do mundo
Sabendo que não a poderei partilhar…



Angel

domingo, janeiro 21, 2007

— Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos?

Herberto Hélder in Os passos em volta

Quando soube ao fim do dia

Quando soube ao fim do dia que o meu nome fora aplaudido no Capitólio, mesmo assim nessa noite não fui feliz,
E quando me embriaguei ou quando se realizaram os meus planos, nem assim fui feliz,
Porém, no dia em que me levantei cedo, de perfeita saúde, repousado, cantando e aspirando o ar fresco de outono,
Quando, a oeste, vi a lua cheia empalidecer e perder-se na luz da manhã,
Quando, só, errei pela praia nu e mergulhei no mar e, rindo ao sentir as águas frias, vi o sol subir,
E quando pensei que o meu querido amigo, meu amante, já vinha a caminho, então fui feliz,
Então era mais leve o ar que respirava, melhor o que comia, e esse belo dia acabou bem,
E o dia seguinte chegou com a mesma alegria e depois, no outro, ao entardecer, veio o meu amigo,
E nessa noite, quando tudo estava em silêncio, ouvi as águas invadindo lentamente a praia,
Ouvi o murmúrio das ondas e da areia como se quisessem felicitar-me,
Porque aquele a quem mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fresca,
Na quietude daquela lua de outono o seu rosto inclinava-se para mim,
E o seu braço repousava levemente sobre o meu peito - nessa noite fui feliz.

Walt Whitman

sábado, janeiro 20, 2007

Frases de génio

http://www.uselessmoviequotes.com/umq_d012.htm
"Eu gosto de filmes da mesma maneira que gosto de literatura - se sinto que me divirto, acabo sempre com a impressão de que andei para ali a perder o meu tempo."

Woody Allen in Cartaz, Expresso

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Sétima Arte

O senhor Mário Jorge Torres, crítico de cinema do Público, escreve assim a propósito do filme Babel:

"O caçador japonês (tinham-se esquecido do caçador japonês?), tinha uma filha surda-muda e ninfomaníaca, filha de uma mãe suicida."

Uma palavra bastou para me revoltar: Ninfomaníaca. Se não fosse esta palavra, a crítica permaneceria anódina (para mim).

Vi o filme. Simplificando, o filme é tripartido. Três estórias em três culturas diferentes que se entrecruzam por um fio ténue que as liga nos diferentes lados do mundo. É um conceito que já vi em vários filmes. A forma mais original que vi tratarem este conceito foi num filme francês em que três estórias se desenrolavam nunca se cruzando - inquietando o espectador. O filme acaba com as três personagens cruzando-se anonimamente na linha de metro.

Voltando a Babel... Há uma personagem japonesa que é surda-muda. Enquadrado por uma ferocidade competitiva nipónica e uma velocidade estonteante de viver a vida, o filme mostra uma rapariga cuja mãe alegadamente se suicidou, que é ridicularizada pelas colegas de voleibol ("o teu mal é falta de sexo" - gozam com ela na primeira cena), e que não tem a atenção devida do pai (a segunda cena mostra-a a dizer ao pai que ele não lhe dá atenção como a falecida mãe lhe dava).

A rapariga atinge o apogeu máximo da auto-comiseração e escala a montanha máxima para chamar a atenção. As coisas estão naturalmente ligadas. Então começa por tirar as cuecas num bar e fica contente por olharem para ela. Tenta envolver-se com homens, apelando ao sexo - na esperança de que por aí eles lhe devolvam auto-estima e afecto. Na cena final, ela chora imenso com a recusa de um homem. Eu interpretei que ela sofria por ninguém lhe dar atenção - nem com o recurso à forma mais básica (e eficaz) de chamar a atenção de um homem.

Mário Jorge Torres é que não pensa assim e faz um juízo simplista: ela só queria mesmo era pila. E chorou por falta dela. Quais afectos, qual amor, qual ausência de família, quais problemas de integração pela sua surdez-mudez. Isso são pormenores de somenos importância. Querem é pila. Como dizem alguns homens sobre todas as mulheres que são antipáticas: "É uma mal-fodida". Tudo se resume a sexo, não é?

ENTREI NO CAFÉ COM UM RIO NA ALGIBEIRA

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

Viver sempre também cansa

Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...

José Gomes Ferreira

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Um rapaz que eu não conheci

Afundado na noite…
Silêncio, escuridão…
E os segredos que eu escondo…
Atados firmemente
Comprimindo um peso
Contra o meu coração…
Quando tudo o que eu queria era dormir…

Mas um rapaz que eu nunca conheci
Emerge no canto do meu quarto
Todo vestido de branco…
E olha-me fundo nos olhos…

Afundado na noite…
Sombras de estranhas criaturas repugnantes
Rastejam por detrás da minha cabeça
E tudo o que eu queria era esquecer-me de mim…
No poço mais fundo do olvido…

Mas o rapaz que eu nunca fui…
Não se vai embora…
Encandeando-me com a sua luz
Encandeando-me com a sua verdade
Encandeando-me com a sua paz…
Eu tento desesperadamente
Arremessando-lhe com todas as minhas forças
O ego, a sedução, a liberdade…

Afastem de mim essa voz…
Afastem de mim essa visão…


Oh! Eu poderia ter-te amado…
E o amor sufocaria esta ânsia…


Angel

Para os leitores com muita paciência

Tesouro

Dia após dia,
Nós vamos mudando…
Atirando fora velhos rostos
Para os baús do olvido
Vestindo novos rostos
Que talvez um dia acharemos estranhos
Experiência após experiência,
Nós transformamo-nos…
Pensamento, sensação,
Nuvem, imagem ou música…
Nós somos apenas…
O que em cada momento vivemos…
O eu não é mais do que uma superfície fluida…
A percepção desta coisa indefinível
Que se sente a si própria e a que alguns chamam alma…

Mas há momentos no silêncio do meu quarto…
Fecho os olhos…
E mergulho dentro das minhas águas profundas…
E sorrio ao saber que…
Salvei o núcleo da minha identidade…
Aquilo que faz os teus olhos incendiarem-se…
Aquilo que fez as tuas lágrimas felizes deslizarem…
Naquele dia deitada no quarto…

A ti te ofereço este tesouro…
Como uma bola de luz que seguro entre as mãos…
A substância imutável
Que não se compadece com as adversidades,
Com os ventos do tempo,
Com a influência do mundo exterior…


Continuo a não me refugiar nos lugares-comuns
A ter uma voz perfeitamente identificável
Em seis mil milhões e quatrocentas outras vozes…
Continuo com o horror à vulgaridade
Procurando através de todos os meus actos
A perenidade…
A minha mais pequena ambição não se compadece
Que qualquer frase que diga não tenha o cunho da intemporalidade…
Que qualquer acto que faça desde o meu olhar até ao cortar das unhas não
Tenha a magnificência de um gesto de Deus…
Continuo um ser que facilmente se enche de tédio
Que se cansa das pessoas previsíveis
Das suas vidas quotidianas, convencionais e mecânicas…
Que está sempre divagando em mundos paralelos
Imaginando como um louco inócuo…
Qualquer coisa que faça dançar a alma…
Qualquer coisa que abra ruas luminosas dentro do meu coração…
Qualquer coisa que me eleve acima da condição de homem…
Continuo com a sensibilidade extrema
Para a beleza escondida nas coisas…
Que parece só aos olhos da minha alma se revelar…
Coleccionando momentos e coisas
Na borda dos dias…
Elevadores da alma…
Seja um verso,
Um sorriso,
Uma música,
Um elogio,
Uma flor,
Um sonho que reconfigura a vida
Em dimensões desconhecidas…
Continuo ouvindo vozes inaudíveis
Murmúrios róseos de um mundo
Onde todos comunicam numa base de igualdade
Um mundo sem sofrimento
Prenhe de amor…
(Que utopia maior poderá haver?)

Incessantemente na demanda de algo…
Incessantemente na busca de um sentido…


Angel

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Perguntando o que já sei

Hoje andei a fazer entrevistas de rua. Fiz a pergunta - já por mim feita num contexto não-profissional repetidamente a espécimes do sexo feminino - a uma raparigas, aliás a duas, e antecipadamente, car@s leitores já sabia a resposta. Politicamente correctíssima.

- O que é que mais valorizas num Homem?

- A inteligência...

De certeza que nas bibliotecas há mais miúdas babadas a olhar para os homens que nos ginásio.

A ditadura da normalidade

Três horas da manhã.
Percebo agora, pelo agitar frenético do meu corpo sob estes lençóis infernais, destilando angústia em inquietas gotas de suor, Scott Fitzgerald… Na noite mais escura da alma são as tais três horas da manhã…
Há muito aninhada na cave escura da minha mente, emerge agora, das profundezas negras e grossas por baixo da superfície do inconsciente, onde nem sequer Freud vislumbrou uns pontinhos, cristalina e perturbante, a terrível dúvida – Quem sou eu?
Recordo pesadamente o dia e vejo o meu eu asfixiando por entre os tentáculos do monstro Sociedade… O confronto matinal com um rosto barbeado de cabelo alinhado no espelho, o postiço sorriso cortês, a imbecil gravata como um órgão estranho e a dilacerante anuência com inanidades materialistas e sexistas…
“É normal ser assim…” – Recorro a este pensamento cheio de ânsia de a ele me aquecer e confortar, mas algo nas regiões insondáveis do meu espírito permanece desconfortavelmente desassossegado. Desconfio que me fartei de estar aprisionado dentro do humanamente correcto…
Dia após dia, desdobramo-nos em múltiplas personas, afivelando máscaras consentâneas com os padrões dos palcos em que actuamos; tragicamente incapazes de resistir ao impulso uniformizador da Grande Mão, violentamente procurando apagar as peculiaridades que fazem a nossa alma única entre seis mil milhões e quatrocentas…
O maior livro do mundo vai tendo cada vez mais capítulos e as suas versões assemelham-se assustadoramente mais do que nunca… Ele diz-nos, entre muitas outras coisas, que devemos todos trabalhar, casar e ter filhos um dia…
Amor, queimemos hoje umas páginas desse livro… não vamos trabalhar, atiramos todos os relógios fora, eu visto o teu vestido e ponho a tua maquilhagem, tu vestes o meu fato e pões aquele teu sorriso inigualável…


Angel

terça-feira, janeiro 16, 2007

O prazer supremo

O prazer de escrever aniquila todas as árvores floridas, as conversas com os amigos, o ar livre, o desporto, os passeios de Domingo por paisagens idílicas, os jornais da manhã, as tardes ociosas passadas em cafés, as noites de álcool e lascívia.
Como todas as coisas belas na vida, escrever é um acto extremamente simples: requer apenas uma caneta e um papel branco.
Num mundo cada vez mais vigiado e cerceado, a escrita é o único espaço onde ainda temos realmente liberdade: podemos escrever onde quisermos, quando quisermos, o que quisermos.
Escrever é, no fundo, a única forma de luta onde poderemos vencer a efemeridade e a fluidez de todas as coisas, erguendo o irrepetível com braços esticados para o infinito, como uma tocha de fogo vivo, e atirando-o para a perenidade…

Angel

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Da minha amiga Lisa:

Lembras-te do fogo?
Lisa M. C. Henriques

Alimentando-te das mentiras que a história encerra como véus que te agarram a uma ideia de realidade, queres reconhecer os sinais sem te perderes no absoluto.

Eis que se redefinem as linhas de pensamento e se redescobrem através da luz todos os caminhos construídos pelo Homem sobre a aparição da terra que se antevê como algo imutável.
Esta aparente consolidação do espaço e do tempo esconde sob a capa da novidade as verdades do efémero, a ficção urbana, a profunda desilusão estampada no rosto daqueles que se encaminham para o trabalho, operários do visível que se movem sob o signo da sobrevivência.

Noite e dia dissecados, transformados numa máquina de comunicação disfuncional, fazendo esquecer o fogo que nos agarra em carne viva e nos dá forma pelo infinito de cada segundo materializado na memória.

Porque me escondo de dia e escrevo à noite? Porque danço e fujo.

Caímos mais fundo no engano da propaganda, o desengano que nos traz cativos do isolamento, da ausência do outro para lá do ego, num jogo perverso de alheamento que esconde a ligação intemporal.

Ensina-te a renascer, a consagrar a vida e redescobrir a força da poesia que te espera se fores capaz de alargar o campo de visão sem perderes o sentido da existência enquanto usufruto.
Retidos no tempo, como no trânsito, afastando-nos do pulsar da unidade, impedindo que nos lancemos sem receio no sentido das emoções, que nos unem enquanto parte integrante de um fluxo que se expande.

Há o acordar preguiçoso, mas antes a consciência do ser, em perfeita conjugação com o espaço. Absortos no paraíso da nossa imaginação palaciana na companhia de um gato persa, analisando o passado, sucedem-se os dias sem que se aceite a miséria, a injustiça, enquanto observamos os pássaros que se elevam, através da janela.

A rotina desgasta o fruto da descoberta que nos fez caminhar no sentido da partilha, o isolamento faz-nos esquecer o calor dos outros, dos seus sorrisos.
Da filosofia e da faculdade ficará apenas a necessidade de reconciliação com a linguagem enquanto referência das metamorfoses, as relações humanas.

De dia o cansaço na procura da resolução dos problemas do mundo quando com efeito através da libertação se alcançam os melhores resultados.
Sabes, também demorei a partir as janelas, fi-lo com tanta força que se tornou indiferente, cai do topo da montanha, vais aprender a entrar e sair da matriz sem te ferires, a escalada vicia.

Ficará, mesmo após a desilusão, porventura a doçura de um olhar espantado, sem querer acreditar que tudo aquilo que sem dúvida é um avanço gigantesco da técnica nos afastou da vida enquanto partilha constante, enquanto desejo e arrebatamento e se absorveram os dramas pessoais dos outros, de uma política corrupta e se questionou até ao limite a legitimidade dos exemplos, argumentos e percepções, para descobrir que podia ser mais profundo, mais próximo, e todo o sentido se renova para lá do imediato, para assumires as viagens espaciais perturbadoras que te projectam na história e multiplicam a experiência para lá dos limites territoriais.

De dia ensaias a coreografia, encarnas os papéis sociais, observas os outros. O que aperfeiçoas à noite, na escuridão total, que te confronta contigo próprio e te pede para saíres do abstracto e tocares os outros através da pele.
Não tenho estado operacional. Porque me escondo ainda?

Eis que os dias e as noites se nos colocam como uma fonte inesgotável de questionamento face à nossa identidade, assim como das estruturas de poder que consagram uma lógica de subjugação das fragilidades humanas no sentido de usurpar por completo a sua interioridade.

Podemos mergulhar, antes mesmo de conseguir distinguir tudo o que nos rodeia, sentes o vento percorrer o corpo enquanto te ergues e redescobres o ténue limite que nos impede de arder, apenas para nos podermos revisitar.

Onde estás agora que voltei. É noite, dormes, é já dia para mim, quando o deslumbramento me fez sair dos túneis e te aguardo no jardim.

Onde está esse jardim, quando saímos à rua e nos encontramos nos sítios mais próximos, mais convenientes que me perturbam pela ausência de vida.
Espero que queiras fazer amor, que todos os impulsos violentos se desvaneçam, voltamos a tocar.

(Imortais à procura de semelhantes neste concerto sublime.
O maestro tem andado constipado, é preciso ter cuidado com as reservas de ouro.)
O infinito propaga-se revelando as respostas na ponta da língua, as peças por representar, esboços do paraíso, que te gritam, lembra a vibração da terra, afasta a dor. O que é que te apetece ouvir?

Conserva-se a cadência do tempo, o ritmo secreto que cada um reservará para si.
Entre o branco e o preto, a conjugação das sombras. O contexto que nos move e a percepção da forma através do movimento, enquanto desenhamos a luz e retocamos as cores ao sabor dos reflexos da introspecção.
Ali estava eu no centro do meu mundo... O meu quarto. Do meu quarto, no topo de um prédio alto, um vidro enorme cobrindo toda uma parede, pode apreciar-se a face mais bela da noite. O rio prateado banhado de luar estendendo-se em suaves ondulações até à outra margem onde luzes cintilam como se me quisessem saudar debaixo de um céu quente cruzado por holofotes de luz. Na quietude das noites estreladas, imagino o som dos remos dos barcos rasgando as águas...

Angel´s book

domingo, janeiro 14, 2007

"Confrontai com a vossa personalidade todas as personalidades da Terra"

Walt Whitman
"Deus disse uma coisa e eu ouvi duas"

Bíblia

sábado, janeiro 13, 2007

"Vivia em existências paralelas. Havia a vida quotidiana, rotineira e baça, e havia ela, a flor na borda dos dias, as chispas no pensamento, o brilho secreto nos meus olhos."

Angel´s book
«Quando sabemos bem quem somos e o que queremos, não nos deixamos preocupar com o que os outros irão pensar» – sentenciei no meu bloco de notas.

Angel´s book

sexta-feira, janeiro 12, 2007

"A inteligência sem bondade é como um cadáver vestido de seda."

Quem sabe quem disse?
Na cova do lobo não há ateus.

Provérbio húngaro

quinta-feira, janeiro 11, 2007

JORNAL ALARME! - qualquer coisa de novo no nosso país!

Já estava tudo escrito nos Gregos...

"Devemos procurar seguir o caminho certo e não o caminho estabelecido."

Aristóteles

terça-feira, janeiro 09, 2007

A nova geração rasca

(Tenho lido repetidas vezes neste blog que não se devem falar em gerações; e que umas são melhores em algo e piores noutras. No fundo, dizem-nos, todas as gerações são iguais. É um preconceito. Uma ideia politicamente correcta. Tanto mais que reconhecem as coisas más - umas que se agravaram outras que inovaram -, não adiantam mais-valias que elas tenham trazido; mas depois temem o julgamento de dizer que a geração é pior...) Distanciarmo-nos no problema, escudados no chavão "somos todos iguais» agrava o problema. A complacência perante os problemas só faz recrudescer o que não desejamos.


Fruto de sistemas educativos cada vez mais tecnocratas e menos exigentes; fruto do vertiginoso progresso tecnológico que trouxe os telemóveis, a net, a playstation, o dvd; fruto da falências das grandes ideologias (os ismos) e da atomização das causas... O corolário foi uma geração que a seguir se retrata.

Note-se que delimitar por anos é sempre complicado. A casta de vinhos é mais fácil de catalogar por anos :). Mas quem tem hoje menos de 20 anos; quem tem hoje 14, 15, 16 anos...e por aí é o alvo da minha crónica.

a) Uma coisa que hoje noto é as tribos urbanos. Há 10 anos não eram assim. Hoje os putos não têm substância para lá do freak ou beto. É como se o estilo urbano já não consbustanciasse uma causa, uma ideia; mas apenas um estilo de roupa. Antes havia mais subtância por detrás dos rótulos. As pessoas sabiam mais porque voluntariamente pertenciam a certos movimentos e grupos.

b) ler hoje é uma seca. já nem tenho esperança que leiam Literatura. Mas ao menos jornais: não, nada. Li outro dia que os jovens acham que ler é uma seca. No mesmo artigo, se lia que o estímulo hoje se não capta o jovem ao fim de cinco segundos, é chutado fora. Há um fosso entre a última e a penúltima geração neste ponto. Basta ver a forma como escrevem hoje, com a Língua totalmente mutilada para o perceber. No fundo, não a respeitam. Para onde caminha isto?

c)Álvaro Cunhal, com toda a legitimidade que temos para discordar do ideal pelo qual lutou, sacrificou uma vida a um ideal. 11 anos preso, espancado, torturado, submetido à incomunicabilidade numa cela fechada;nunca revelou nomes dos seus colegas de luta. No fim da vida alertou as novas gerações: «Quantos de vocês eram capazes de sofrer como os militantes comunistas perante o fascismo?» Hoje, Dr. Cunhal? Muito muito poucos. Eles querem é safar-se.


Angel-detectanto-os-sinais-da-brecha...

domingo, janeiro 07, 2007

Tecnocratas

Um dia, trabalhava eu numa empresa, foi empossado um novo director de recursos humanos. Com uma estranha confiança que nunca lhe dei, ele entrou no meu gabinete logo nos primeiros dias e disse:

«Em todas as empresas há gordura a eliminar. O que é que eu tenho de eliminar aqui?» (metaforização sobre despedimentos)

Ele não imaginava que aquela terminologia de Holocausto empresarial pudesse chocar alguém. Há pessoas que julgam as outras são todas como elas. Pessoas desonestas por exemplo que não imaginam existirem pessoas honestas.

Infelizmente, e digo isto com profundo conhecimento de causa de alguém que cursou Economia e conhece e fala com muitas pessoas de várias gerações e de várias faculdades deste curso (e de Gestão principalmente); há hoje um padrão indesmentível: as melhores faculdades destas áreas estão hoje a formar tecnocratas, ignorantes, desprovidos de ética e sensibilidade social.

E para ser mais concreto, refiro-me à Católica e à Universidade Nova que têm os maiores indíces de empregabilidade nos melhores sítios. Quem vai dominar o país daqui a 15 anos na administração das grandes empresas (que mandam mais que os políticos) é uma classe extremamente perigosa.

Eles só vêem números, não vêem pessoas. Como disse um professor de Economia meu, se não tivermos uma abordagem interdisciplinar (que essas faculdades não têm), chegamos à conclusão que da óptica da Economia um bombeiro é um incendiário porque isso lhe dá mais trabalho e logo mais dinheiro...

O fundamentalismo económico, para usar trocar a expressão do livro muito em voga há uns anos O horror económico, tem levado a fenómenos que têm permanecido ocultos. Um deles é que há hoje jovens a trabalhar 14 e 16 horas por dia, sem se queixarem, sem receberem horas extraordinárias porque vêem os seus pares ganharem balúridos com 40 anos e acreditam que essa subserviência é a única forma de competitivamente ascenderem, ascenderem...

Há nestes jovens um desapego total da ética; que os faz pensar a tudo o custo em negócios em África com connections ou off-shores mirabolantes; numa simbiose em que todos se reforçam mutuamente, puxando pelo pior uns dos outros.

Os pobres não fazem parte sequer de uma nota de rodapé dos seus manuais de gestão financeira; nem tão-pouco ideias de ética... E depois não há outras leituras: poesia, filosfia, até ciências sociaias. Claro que quanto menos livros têm na cabeça, menos ferramentas têm depois para não assimilarem acriticamente tudo o que lhes ensinam; que a vida é só cifrões... Eles não contrapõem nada. Eles não têm valores; têm interesses.

Para eles a riqueza da vida é simplificável à lei da oferta e da procura e ao interesse próprio. E o seu Deus é o mercado! O outro deus, o Omnipresente, Omnisciente e Omnipotente só serve o seu nome valer dinheiro num lobby poderoso como a Opus Dei. Sim porque de Cristão (que blasfémia) ELES NÃO TÊM NADA!

Uma amiga minha esteve na Nova e pediu transferência porque não tinhas colegas que lhe emprestassem apontamentos - vendiam-nos!!!

Hoje a exploração de classe vai morrendo dia após dia... O sindicalista Carvalho da Silva com todos os seus desvarios acertou na mouche: o principal inimigo da união dos trabalhadores é as empresas terem conseguido criar a ideia do vestir a camisola. Eu próprio trabalhei numa empresa onde haviam quem ganhasse 100 cts, nem mais nem menos, e 2400 cts mais ajudas de custo e telefone. E a empresa em três diferentes momentos do tempo, através dos seus administradores, reuniu-se e disse:

«Neste momento, é altura de vestirmos a camisola porque a empresa está mal. E vamos puxar todos pelo mesmo.» E claro, a malta engolia a doutrina e trabalhava fora de horas e aos fins-de-semana sem reivindicar aumentos. Cheguei a ouvir um administrador dizer: «Nas empresas não há horário de entrada - só horário de saída.»

Em Espanha, apesar do poder de compra três vezes superior ao nosso, mais de 75% da população quer trabalhar mais horas e ganhar mais que o contrário.

Peter Singer diz que hoje o estímulo neutro - aquilo sem o qual somos materialmente infelizes - é demasiado elevado: casa, carro, telemóvel, internet, tv cabo... Menos que isto somos uns coitadinhos. Mas isto é imenso para a nossa realidade económico - mas depois claro há o crédito...

Anjo-a-minha-fúria-só-é-aplacada-na-escrita-meus-amig@s

sábado, janeiro 06, 2007

"Mas, angel, essa tua visão das coisas... O interesse pela cultura, os valores da ética; isso cada vez há menos pessoas assim. No máximo uns 10%."

Pedro Calheiros

Do clube dos poetas mortos

Para quem acha que a cultura eleva a alma, uma passagem lindíssima:

We don't read and write poetry because it's cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for. To quote from Whitman, "O me! O life!... of the questions of these recurring; of the endless trains of the faithless--of cities filled with the foolish; what good amid these, O me, O life? Answer. That you are here - that life exists, and identity; that the powerful play goes on and you may contribute a verse." That the powerful play goes on and you may contribute a verse. What will your verse be?

O professor Keating (Oh Captain, My Captain)

sexta-feira, janeiro 05, 2007

"De cada vez que te apetecer criticar alguém, lembra-te que nem todos neste mundo tiveram as mesmas vantagens que tu."

Francis Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby
Um recentíssimo estudo norte-americano garante que:

a) 76% das mulheres casadas fantasiam com outros homens;

b) 39% das mulheres casadas apaixona-se constantemente (constantemente, note-se bem) por outros homens.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

«Todo o efeito procede de uma causa que podemos ou não conhecer. O mistério é apenas desconhecimento. É na ilusão da inexistência de uma causa que o espírito se desassossega» – meditei no meu bloco de notas e afixei nas paredes do meu quarto, procurando serenar o meu ser.

Angel´s book

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Direito à indignação

http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=288152


Car@s leit@r@s,

A capacidade de indignação é cada vez menor perante tanta coisa que acontece: execuções em directo, banalização da violação dos direitos humanos como a tortura, dos actos de censura, da incultura, dos compromissos portugueses que clama pelo despedimento de 200 mil funcionários públicos num fechar de olhos, pela corrupção galpante, pela concorrência no mercado laboral que levaà mutilação da solidariedade (chegará um dia em que a palavra será orwellianianamente supressa...), pela exploração juvenil que não se importa de trabalhar 16 horas desde que poss comprar bons porsches, pela televisão cada vez mais estupidificante, MAS AINDA ASSIM OS COMENTÁRIOS QUE LI NESTE JORNAL... FODA-SE CHOCARAM... LER O COMENTÁRIO QUE FALA EM ESCUMALHA. CHOCANTE, CHOCANTE, CHOCANTE, CHOCANTE, CHOCANTE.

Cultura

Saía eu do cinema com um amigo e mais um casal e começamos os quatro a comentar o filme. O elemento masculino do casal é uma pessoa de quem gosto mas que é extremamente ignorante e sempre o vira calado quando se discutia algo para lá da bola. A certa altura, ao falarmos do filme, ele remeteu para uma banalidade histórica tão grande como contar que o Afonso Henriques tinha um sido um rei...

A namorada agarrou-o e beijou-o e disse vivamente:

- Ai, tu és tão culto!

Eu pensei em três coisas. Primeiro:

a) em terra de cego quem tem olho é rei;

b) eles andam na casa dos 23/24 e acho que quem nasceu em 83 ou quem nasceu em 77 já pertence a gerações diferente. A net cavou um fosso cultural e quem tem hoje vinte aninhos é tendencialmente mais desinteressado e vegetativo que os seus irmãos mais velhos (ou pior 16 aninhos e só escreve em sms com k´s e x´s e joga muita playstation);

c)como dizia o Oscar Wilde, quando duas pessoas têm níveis de cultura diferente, a comunicação situa-se sempre ao nível do mais baixo. E neste aforismo reside o maior argumento para não povoarmos a nossa vida de incultos.
Uma das mais marcantes frases da minha vida:


"Sede frios ou sede quentes porque eu vomitarei os mornos."

Apocalipse, Bíblia

Esquerda/Direita

Lia outro dia uma entrevista do Lobo Antunes que tem sempre qualquer coisa de novo para comunicar, uma voz própria, e li algo espantoso que recorto e guardo na minha biblioteca de coisas pessoais para a posteridade, devidamente recortado e sublinhado.

Dizia ele que a pessoa mais tolerante que conhecera era católico, conservador, reaccionário e monárquico.

Eu, Angel, acho que há pessoas intolerantes à esquerda e à direita, hpnestas à esquerda e à direita, mas normalmente sempre achei que os pecados de intolerância à esquerda são menos chocantes porque menos primários, não se baseando na raça ou orientação sexual (não obstante muita gente no PCP, especialmente a velha guarda, ser homofóbica).

Há à esquerda muitas pessoas que só o são por inveja social. Já apanhei raciocínios de malta de esquerda que me espantaram: preferiam que uns tivessem menos mesmo que outros não tivessem mais só para haver menos desigualdades. Eu não concordo. Se não, então bastava-me danificar as propriedades e os carros dos ricos para haver menos desigualdade e nem por isso mais bem-estar.

E já conheci muita gente de esquerda que se acha munida da Verdade. E isso é, dizia o Agostinho da Silva, o caminho para se querer montar uma inquisição: achar que se tem a Verdade. Às vezes gosto de lançar para o meu interlocutor: «tens aí a verdade no bolso? Empresta-me.»

O Dalai-Lama percebeu bem a questão e disse que o mal do marxismo foi ter-se baseado na confrontação e não na compaixão. Acho que a esquerda, em geral, deve-se centrar na proximidade com os seus grupos-alvo (melhorando as condições dos pobres, toxicodependentes, desempregados) e menos como anti-ricos, anti-polícias, anti-patrões.

Mesmo assim tendo a concordar com um amigo meu... Uma vez ia com ele e umas colegas que mal conheciamos juntaram-se a nós para sair. O carro era de dois lugares. Ele disse a verdade: «só indo atrás». Elas foram todas atrás. Estranhamente, ele lembrou-se de perguntar se eram de esquerda. Eram. Ele disse: «Não é que seja obrigatoriamente assim, mas pela vossa atitude e descontracção pensei que eram de esquerda.»

A excepção confirma naturalmente a regra. E há, sem dúvida, muitos inquisidores à esquerda.


Anjo-acutilante-e-contudente-na-ambivalência

terça-feira, janeiro 02, 2007

Quebrando preconceitos

Um dos mais difundidos preconceitos é a associação de pormenores antropomórficos a traços de personalidade. Uma rapariga um dia disse-me, sem antes ter falado comigo, que gostava de mim por ser forte. Mas forte? Forte e alargou os braços para desenhar um tronco largo. Senti-me naturalmente um energúmeno enquanto me elogiava...

Eu acho tão estúpido dizer que um homem é inseguro por ter voz de falsete, o que se tem um corpo pequeno e débil e tem personalidade forte, depressa se diz «Oh!, complexos de baixote a armar em forte». Esse tipo de características não se escolhem e são variáveis fixas com que a natureza nos brindou. É cruel sermos julgados por elas.

Já ouvi de três mulheres, nenhuma delas energúmena ainda para mais, a garantia de que nunca andariam com um homem mais baixo do que elas. Eu rezei na hora que Cupido lançasse a seta a um homem baixo.

E claro que se se é loira é-se fútil e/ou ignorante.

Anjo-não-perdendo-a-verve-em-2007

Poema Limpo

A manhã limpa
num espaço que não existe
Nada lhe toca
nem o pensamento

não o contaminemos
de palavras
de olhares

sintamo-lo
apesar de nós


Angel-olá-2007!