quarta-feira, agosto 30, 2006

Evoluímos tanto
que hoje em dia os escravos
já possuem bilhete de identidade.


José Alberto Braga, Pensamentos e Reflexões

domingo, agosto 27, 2006

"Angel, a tua forma de levar os namoros é de uma geração muito à frente da nossa"

Daniela Dias (telefonema hoje)
"Já discuti tanto e nunca cheguei a lado nenhum"

Daniela Dias (telefonema hoje)

sexta-feira, agosto 25, 2006

MACHO DIFERENTE DE CORAJOSO

Nada me dá mais satisfação que quebrar um preconceito. Hoje em dia, as pessoas não têm paciência. Para desfazer uma ideia é primeiro preciso compreênde-la, senti-la - como se fosse nossa.

Outro dia percebi o referencial de um amigo meu. Ele faz uma divisão, um referencial em que classifica aquilo que vai do pouco ao muito macho, tentando sempre chegar-se ao muito macho.

- Mas por que é que macho é bom para ti?

Depois de mais de meia-hora, percebi. Deixei-o falar, fazendo perguntas cirúrgicas. Para ele, macho é viril. E o que é viril? É corajoso. O

Ok, disse eu e contei-lhe que quando entrei na faculdade, estive num jantar com centenas de pessoas em que todos se levantaram quando ouviram "e se o... quer ser cá da malta". Não houve uma única pessoa que se recusasse. Chegou a minha vez. Recusei.

Seria macho ter bebido? O MEU AMIGO PERCEBEU. A coragem nada tem a ver com macho. Aliás, é fácil dizer-se que se come muitas gajas porque é isso que a sociedade aprecia. Ir contra o ambiente circudante mantendo sempre incólume a identidade, ser impermeável a pressões de grupo, isso é que é corajoso. Um dia, alguém teve no referencial macho/pouco macho uma atitude pouco macha e ultra-corajoso. Disse na juventude de um partido que despreza a homossexualidade:

- Eu sou homossexual...

O meu amigo perecebeu as duas estórias. E agora deixou o binómio macho/pouco macho porque percebeu que só os energúmenos o usam, e passou a dividir actos entre... corajosos e não corajosos.

Tive de falar e compreendê-lo para a valorização do macho passa muito pela confusão de conceitos: macho/corajoso.


Angel-burning-to-be-alive-inside

quinta-feira, agosto 24, 2006

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Álvaro de Campos
Apontamento




A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.


Poema decalcado do Jornal de Poesia electrónico

quarta-feira, agosto 23, 2006

O conteúdo do carácter

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

Luther King

segunda-feira, agosto 21, 2006

A ÚNICA LEI UNIVERSAL

Nos comportamentos humanos, não há leis universais. No processo de conquista/sedução, não há tábuas de mandamentos; há antes intuição desenvolvida e que nos leva a farejar e a agir num certo sentido...

"O desprezo é afrodisíaco" - seria erigido a padrão universal caso não houvesse mulheres que queiram homens que lhe dêem segurança absoluta.

"As mulheres gostam de homens seguros" - seria verdadeiro caso não houvesse mulheres que gostem de meninos desalinhados e inseguros nos quais explanam a sua costela maternal.

Acho que há apenas uma lei universal. Difícil? Não, muito fácil até.

Pense o(a) leitor(a)... Pense lá um bocadinho...

...


...


As mulheres adoram falar de si própria. Em centenas de conversas com pessoas que voltei a ver, em milhares de conversas com pessoas que não voltei a ver, UM PADRÃO EMERGE: sempre que perguntei a mulheres coisas como:

- já fizeste sofrer ou sofreste mais;

- o que te cativa num homem/ o que te faz sentir isso que cativa;

- tens alguém no coração;

Sempre, sempre, sempre, sempre, sempre... deu pano para mangas. E cada vez mais acredito na frase que um dia li «A conversa foi óptima. Ele deixou-me falar imenso».

Outro dia, encontrei uma amiga e ela falou meia-hora dos sucessivos empregos que tivera desde a última vez que a vira. Nem por um segundo me perguntou por mim. Ambos falávamos sobre o assunto mais interessante do mundo: ela própria.

Angel-I-have-to-tell-you-all-this

domingo, agosto 20, 2006

"LINGUAGEM CORPORAL VALE 60% DA COMUNICAÇÃO"

Ela disse-lhe à minha frente há duas semanas:

"Olha que eu dou-me contigo só para ser amizade";
"Tu não evoluis nada... Nunca ficaria com um homem assim";
"Eu gostar dele?" - respondendo à minha provocação ;) - "é que nem penses".

Ele namora com ela.

quinta-feira, agosto 17, 2006

O TICO E O TECO

Outro dia lia um site que ensinava as mulheres a dominar os homens. Pelo sexo, claro está. Dêem-lhe apenas o que eles quereem quando ele satisfazer todos os seus caprichos. Doravante ele fará todos os seus caprichos porque sabe que SÓ ASSIM tem aquilo que deseja - garante a autora.

Não é algo inédito nas relações - conheço casais assim. Há muita greve de sexo feminino que dita chantagens, ritualizando instintos pavlovianos a que perpassam a ideia de subjugação feminina pelo sexo - a sua arma.

Mas se as mulheres - asseveram os cientistas do assunto - se alcandoram em patamares superiores de prazer por que é nos conseguem por dominar por algo que gostam até mais do que nós?

A resposta creio é que se elas gostam mais, elas também aguentam mais tempo de forma menos dolorosa do que nós.

Um amigo meu contava-me que estava apaixonadíssimo e que um dia, finalmente, saiu com a moça. Beijaram-se, acariciaram-se, abraçaram-se, ela provocou-o sexualmente... mas depois não lhe deu nada. Ele teve três horas erecto e quando regressava, teve de parar o carro porque a dor nos testículos era tão forte que até o impedia de conduzir.

Angel-flying-away-to-bring-the-gold

quarta-feira, agosto 16, 2006

Diálogos ZEN

- Qual o objectivo da vida? - pergunta o hedonista ao monge budista.

- A felicidade.

- Não faço outra coisa senão procurá-la a todo o instante.

- Cuidado que o prazer depressa se transforma em vício...

terça-feira, agosto 15, 2006

Often a man wishes to be alone and a woman wishes to be alone too and if they love each other they are jealous of that in each other.

Ernest Hemingway, A farewell to arms

sexta-feira, agosto 11, 2006

SOPA DOS POBRES

Ela gostava de rodar homens. Tinha imensos homens que trocava a uma velocidade, por vezes, estonteante. É, acima de tudo, uma pessoa profundamente instável. Que anda à deriva.

Um dia ouvi uma conversa em que um sujeito falava de raparigas das que podia ou não foder do seu bairro. Eram poucas e essas poucas estavam sempre de férias.

- Tenho sempre a sopa dos pobres?

- Quem?

- A Bruna (nome alterado). Não sabias? Toda a gente a conhece por sopa dos pobres. Mas é muito degradante eu ir lá.

Repare-se que a pessoa em questão não é feia, não tem qualquer tipo de problema a não ser a fama de comer muitos gajos. Graças a isso, o seu estatuto no universo masculino foi sendo sugado pelo abismo.

A alcunha que puseram a esse ser humano é tão tão tão viscosa, tão prenhe de asco que me deixou diminuído pelo meu semelhante ser capaz de proferir tal adjectivo.

Duvido que haja algum sítio no mundo em que alguém tenha nomeado um homem que come muitas gajas como "sopa dos pobres". Duvido mesmo.

Anjo-no-plano-das-instituições-vamos-nivelando-os-géneros-mas-nas-mentes-subsistem-os-preconceitos

quarta-feira, agosto 09, 2006

"PARA A MÉDIA"

De todas as razões para um homem comer uma mulher, há uma que de tão menosprezada nem chega a ser equacionada pela esmagadora maioria das mulheres. Mas existe, existe e não é assim tão residual. Tem origem ancestral e subsistiu na longa linha evolucionária.

As mulheres quando querem dizer mal dos homens dizem que pensam com a cabeça de baixo - pensando assim que os homens ao estarem com uma mulher só para a foderem, estão a agir ao seu pior nível. Acreditem: há pior.

Em primeiro lugar esquecem-se que o sexo como transacção de prazer é menos mal que o sexo para subir (subir na horizontal); mas o que eu quero aqui falar é algo muito menos falado do que isso.

Começo então por apresentar o meu amigo como alguém que tem uma qualidade única - como nunca vi em ninguém e como dificilmente voltarei a encontrar em alguém. Ele admitia todos os seus defeitos, era humilde e dizia-se uma pessoa insegura.

A vida dele estava estruturada em função de gajas. Levantava-se cedo e ficava horas a apanhar sol (par ficar bronzeado), gastava dinheiro em perfumes e roupas, lia dicionários (para as impressionar com palavras), etc, etc...

Disse-me claramente que comer gajas era o seu objectivo nº1 juntamente, talvez com (direi eu) a família e o sucesso.

Criticava-me por não estar com as gajas interessantes que ele alegava que me queriam. "Porra pa, dava para fazer uma equipa de futebol" - e puxou de um papel e escreveu 11 jogadores num 4-3-3 desenhado com nomes de 11 raparigas que ele dizia que eu comeria na boa.

"Não tens de gostar de uma gaja para estares com ela... Tens aqui um plantel e ainda te ponho uns suplentes no banco".

"Números e mulheres" - pensei estranhando muito o binómio.

Um dia numa discoteca curtiu com uma menor muito muito feia. Levantou-se do sofá quando ela foi à casa de banho, veio ter comigo e disse:

- Eh pa, granda sacrifício...
- Então?
- Sabes como é que é... é para a média...

A média era o número de gajas que por ano comia.

Anjo-apontando-o-lodo-mal-cheiroso

A FONTE

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo ---
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípio
de esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.

Herberto Hélder

terça-feira, agosto 08, 2006

VIDA DUPLA

Estava numa mesa com um amigo e uma amiga. O meu amigo de repente concentrou-se num indíviduo e afirmou com uma segurança absoluta:

- Aquele tipo está a ressacar heroína...

Eu e a rapariga olhámos para a mesa e ambos dissemos:

- Ele está é com sono...

- Tenho a certeza absoluta que está a ressacar... Eu também ressacava assim.

Ele tinha sido heroinómano. Detectava sinais que aos olhos de quem não tinha a autoridade da experiência eram imperceptíveis.

Quando ouço falar nas redes pedófilas, nas festas privadas sado-maso, penso: como é que estes tipo se entreolharam e descobriram mutuamente? Sim porque eles não se arriscariam a dizer "olha, eu sou pedófilo. tu também és?" Não... Eles têm de ter a certeza para avançar...

São os tais sinais que o meu amigo detectou que sendo invísiveis aos olhos das pessoas de fora; são, por seu turno, cristalinamente reveladores para os insiders... Qual palavra-chave de pertença a uma sociedade secreta...


ANJO MÊ-MÊ-MÊ

domingo, agosto 06, 2006

Poema em Linha Recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

quinta-feira, agosto 03, 2006

AMIZADE RIMA COM VERDADE

Conheço homens que acham que um homem não tem amigas. Citando Camões, é um pensamento "baixo, rústico e enganado" que existe em sensivelmente metade dos homens.
Eu acho muito triste, muito triste mesmo e outro dia uma rapariga dizia-me algo que me encheu de alegria: que os amigos dela tratavam indiferenciadamente os homens e mulheres.
Porra, pensei, quantos homens não vejo a terem "conversas de homem" entre homens e "conversas de mulheres" na presença das mesmas? Quantos temas tabus têm perante mulheres? Porque têm mais pruridos em dizer asneiras? Porque é que eles podem beber e elas não?
A esses homens que não acreditam na amizade entre homem e mulher, deixo aqui um conselho: que é muito útil ter amigas mulheres para perceberem as outras mulheres.
Recentemente duas amigas contaram-me duas estórias que me acenderam a lâmpada: o amigo é que sabe sempre toda a verdade. Na amizade, o jogo é inexistente, e a Verdade impõe-se.
Uma dizia-me que foi ao cinema com um amigo, que havia clima, que ela já tava cansada de esperar a que ele se decidisse (e por que é que ela não tomava a iniciativa dirá o leitor e eu concordo) e que foram ao cinema e que ele lhe deu a mão, mas não se passara mais nada.
À despedida ele disse:
- A ver se combinamos alguma coisa...
E ela:
- Não, agora até Setembro não combinamos nada...
- Então - perguntou ele incrédulo.
- É como te disse.
A mim, ela disse-me que fez o que fez por ele não lhe ter dado um beijo e de ela já ter esperado demasiado tempo e gasto demasiado paciência. Claro que gostava de dizer a esse indíviduo a verdade que está nos antípodas do que ele pensa: "Eu não devia ter-lhe dado a mão, bolas... Ela agora nem sequer me quer ver...É cómico, não é?

Outra contou-me que estava interessadíssima num com o qual se envolvera mas que precisava de ter a certeza que ela o queria. E então ele andava atrás dela e ela fugia. EU próprio vi com os meus olhos ele com os ombros na direcção dela e ela com o olhar em frente, aparentemente imperturbável. Não estará ele também a pensar o contrário?

A ignorância dos homens sobre as mulheres, as suas motivações e a sua linguagem, é profunda. Quando se tem amigas e quando elas até confiam em nós, o poço do abismo dessa ignorância afigura-se-nos ainda mais ABISMAL...

CAUDAIS-DE-IDEIAS-INTERCEPTADAS-POR-UM-ANJO

terça-feira, agosto 01, 2006

Fluxos de comunicação como setas falhando alvos

Invariavelmente, quando um homem discute com uma mulher, ele procura encadear os raciocínios...

Se A então B, se B então D, se D então L.

A logo B logo D logo L.

A mulher tem outra linguagem e se não gosta de algo, deixa de ouvir, mas o homem continua a falar como se de nada se tratasse.

A, diz o homem, B diz o homem

B??? - pergunta a mulher.

C diz o homem, G diz o homem, I diz o homem

B??? Tu realmente...

K, diz o homem,, Y diz o homem.

Mas B porquê?

Z - concluí o homem, satisfeito e impante, não entendendo que a mulher esteve o tempo toda presa ao B, não o ouvindo.

Anjo-sorrindo-do-outro-lado-do-alvo