sexta-feira, junho 30, 2006

Timeless...

Chris Isaak
Wicked Game



The world was on fire and no one could save me but you
It's strange what desire will make foolish people do
And I'd never dreamed that I'd knew somebody like you
And I'd never dreamed that I'd need somebody like you

No I don't wanna fall in love (this girl is only gonna break your heart)
No I don't wanna fall in love (this girl is only gonna break your heart)
With you
With you (this girl is only gonna break your heart)

What a wicked game you played to make me feel this way
what a wicked thing to do to let me dream of you
what a wicked thing to say you never felt this way
what a wicked thing to do to make me dream of you

And I don't wanna fall in love (this girl is only gonna break your heart)
No I don't wanna fall in love (this girl is only gonna break your heart)
With you

The world was on fire and no one could save me but you
It's strange what desire will make foolish people do
I'd never dreamed that I'd love somebody like you
I'd never dreamed that I'd lose somebody like you

No I don't wanna fall in love (this girl is only gonna break your heart)
No I don't wanna fall in love (this girl is only gonna break your heart)
With you (this girl is only gonna break your heart)
With you (this girl is only gonna break your heart)

No I... (this girl is only gonna break your heart)
(This girl is only gonna break your heart)

Nobody loves no one

Verdadeiramente corajoso?

Os intrépidos... não, não procuram um meio de escapar ao que é sempre igual, idêntico em todas as suas partes.
Olham no espelho e tentam constringir o excremento que neles próprios vêm.
Agarram no que se lhes assemelha informe, grosseiro.
Intentam em desfardar bravamente os mundos-
numa luta dúbia entre o que os rodeia por dentro por fora-
do que é desgracioso, feio, pesado...

Cereja

A arte

O maior problema de toda arte é produzir por meio de aparências a ilusão de uma realidade mais grandiosa.


Goethe

Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões

quinta-feira, junho 29, 2006

Moral da estória condensada nos textos Hipocrisia Feminina e A embalagem:

Os homens procuram a beleza e as mulheres esforçam-se e rivalizam por ter para oferecer o que os homens tanto procuram, sim, a beleza.

quarta-feira, junho 28, 2006

HIPOCRISIA FEMININA

Eu estava no escritório e ela irrompeu furiosa:
- Um homem nojento passou por mim e disse-me: Comia-te toda!
Por detrás daquele imenso repúdio, notei-lhe um brilho na voz e uma pontinha de sorriso morto à nascença.
Sorri. No meu sorriso estava desenhado o sarcasmo: "Mas porque é que tens de contar essa estória a toda a gente? Para que saibam que és desejada?"
Ela passava a vida a queixar-se dos homens que a olhavam nas mamas, no rabo, e depois usava tops no inverno, baixava-se sempre para apanhar um lápis e demorava horas a fazê-lo com as mamas de fora e o fio dental completamente exposto. Só lhe podia sorrir quando ela contou a estória.
Quando leio Adília Lopes, uma poetisa que escreve há 16 anos, lembro-me dela com paternalismo e um abanar de cabeça...
Adília Lopes escreve muito bem. Com inteligência e com sarcasmo. Muita da sua poesia gira à volta da sua amargura por os homens não gostarem dela e de não gostarem dela pelo seu corpo. Num poema ela diz ao homem da sua vida "amarás os meus pontos negros/as minhas estrias/ ou não me amarás". Noutro ela diz: "Se um trolha me tivesse dito/Fodia-te toda/Eu hoje seria muito mais feliz".
A Adília Lopes sabe o que eu sei. Que o maior elogio que se pode fazer a uma mulher é dizer que ela é gira. Às vezes experimento lançar umas palavras mágicas e elas derretem-se mesmo, elas (mesmo as mais cultas e profundas) param e perguntam" a sério?" unica e exclusivamente quando se diz "Gira", "Bonita", "Beleza"... E experimentem dizer "feia" e até não contradizerem o impropério, NUNCA VOS DEIXARÁ DE MARTELAR A CABEÇA...
A tal que irrompeu furiosa no meu escritório, no fundo, o que mais queria era ser reconhecida e como não tinha nada na cabeça, nada para impressionar, a única coisa que fazia era exibir o seu corpo e a única única razão para falar dos homens e do corpo, era para CONSTANTEMENTE relembrar aos homens do seu corpo...
Um pormenor engraçado era que ao contar as estórias de (pretenso) repúdio dizia "a olhar para aqui" e apontava para as mamas salientes no decote. "Coitada" - é o murmúrio que me sai dos lábios quando algo me lembra ela.

Anjo-só-diz-Mas-ela-move-se
"Só podemos dizer que verdadeiramente possuímos algo quando nos sentirmos preparados para ofertar esse algo a outrém."


Mia Farrow em entrevista televisiva

sábado, junho 24, 2006

A EMBALAGEM

Andava na Escola Primária e nunca tinha ouvido uma rapariga elogiar um rapaz por outra coisa que não fosse por ser giro. No secundário, já havia algumas raparigas a falar em charme, mas eram muito poucas, e aplicavam a palavra essencialmente aos quarentões e cinquentões. Ser vazio não era nada comparado com ser feio ou não ter estilo.
Nas capas dos dossiers delas, estavam o brandon e o dylan do Berverly Hills 09210 (era assim?) e nos intervalos elas discutiam qual o mais giro.
Havia rapazes giros que tinham várias raparigas e havia rapazes feios que não tinham ninguém. Com a proximidade da faculdade, a beleza esbatia-se um pouco como factor único, mas permanecia o factor essencial.
"Tens um rosto bonito - és pretendido no liceu" - parecia ser irrefutável nesses dias. O mais engraçado era a expressão "mas se não tiver nada na cabeça" que mostrava bem a tolerência larga que elas tinham para com os muito bonitos. Não era preciso serem burros para serem desinteressantes, era preciso serem um EXTREMO DO EXTREMO, era preciso roçarem o limite do mentecapto para eliminarem o interesse das raparigas.
Bastava que não partissem a escola, não cuspissem nos professores ou tivessem 8 negativas e os bonitinhos já tinham algo na cabeça.
À medida que a idade avança, esse factor vai sendo menos importante, os actores das séries deixam de ser semi-deuses e passam a seres irreais e intangíveis; e o charme, a cultura e inteligência em doses equilibradas, vão ganhando muito mais importância na mente feminina.
Também aqui elas amadurecem mais cedo... Os homens que eu conheço, profundos e cultos, continuam todos a valorizar a beleza como factor primacial. Eles, ao contrário delas, estão algures cristalizados lá atrás no liceu...

Angel-looking-forward-to-the-past-of-the-future

sexta-feira, junho 23, 2006

Stendhal's syndrome

"I was in a sort of ecstasy, (...) close to the great men whose tombs I had seen. Absorbed in the contemplation of sublime beauty ... I reached the point where one encounters celestial sensations ... Everything spoke so vividly to my soul. Ah, if I could only forget. I had palpitations of the heart (...). Life was drained from me. I walked with the fear of falling.''


Naples and Florence: A Journey from Milan to Reggio, Marie-Henri Beyle (Stendhal)

quinta-feira, junho 22, 2006

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis

quarta-feira, junho 21, 2006

O elemento fulcral

Há quase cinco anos começaram o namoro. Ela achava-o intrigante e eu perguntava-me até que ponto não residiria grande parte do seu interesse. Eram um casal muito apaixonado e engraçado.
Ele era estranho. Positivamente estranho (na minha opinião). Às vezes, olhava para o céu e apontava e ela perguntava "O que foi?" e ele nada respondia. E ela insistia e no máximo só lhe extraía um murmúrio.
Ele inventava estórias. Não mentia. Criava. E tinham de ser os amigos dele a explicar a ela que não levasse à letra as ficções dele. Ela ficava perplexa. Perplexa e, em esimultâneo, magnetizada pelo seu mistério.
Passados mais de quatro anos, fui jantar com eles. Muito recentemente. Moram os dois. Continuam apaixonados. Muito apaixonados.
Durante o jantar, ele começou a contar pelos dedos "Um... Dois... Três... Quatro... Cinco", recomeçando "Um, dois, três, quatro..."
- Mas o que é que estás a fazer? - perguntou ela altamente intrigada.
- Mas tu ainda não o conheces? - atirei.
Ambos sorriram como se eu tivesse erguido a ambos a verdade: vocês estão juntos porque conseguem manter o mistério, porque conseguem ainda se surpreenderem, porque não desconstruíram as pecularidades do outro, desmontando-as, retirando-lhes a beleza e o deslumbramento.

ANJO-ENCONTRANDO-BELEZA-NA-MAIS-ÍNFIMA-PARTÍCULA-DO-MUNDO

PÓSCONCEITOS/PRECONCEITOS

Vinha a subir a rua, o Sol dardejava e uma rapariga normalíssima vinha a descer. À minha frente uns homens das obras subiam e eu pensei "eles vão-se cruzar e olhar para trás para lhe ver as pernas", mas imediatamente afastei o pensamento, dizendo "isso é um preconceito".

Eles cruzaram-se e viraram as cabeças, trocando risos e comentários.

domingo, junho 18, 2006

LEVAR NO CÚ

Na vida, ao contrário da ciência, vamos moldando os factos e os acontecimentos à luz dos nossos preconceitos e das nossas teias de aranha mentais. Deveria ser o contrário. Ter a mente ampla, livre e aberta, deixando-a... desenhar as ideias a partir dos factos e ocorrências que fosse captando.

Mas claro que é mais cómodo viver simplificando a polifacetada realidade, crendo que as nossas ideias estão ancoradas em rochas. É curioso que quanto mais pequena a mente de alguém, mais certezas ela tem.

Goste-se ou não se goste da ideia, ninguém consegue rebater racionalmente que o homem pode tirar tanto prazer a ser penetrado no anûs como a mulher.

O anûs não lubrifica, o anûs é igual em homens e mulheres, (e mais) a ligação com o escroto é contígua no homem o que faz com que muitos idosos tenham uma erecção aquando do teste à próstata.

Os homens mesmo que assimilem racionalmente desta ideia, enchem-se de medo e rebatem-na sem argumentos, receosos que os tomem por "paneleiros". Vivemos sob o peso de décadas e décadas e décadas em que quando se quer insultar alguém a sério se lança "Vai levar no cú" ou se arremessa um "Paneleiro de merda" como se das maiores atrocidades se falasse.

Enfim, o mundo pula e avança, e alguns homens demoram a aceitar que, por exemplo, quem escreva sobre o que aqui escrevo não seja necessariamente paneleiro...

ANJO-AINDA-REMANDO...

sexta-feira, junho 16, 2006

"Os homofóbicos são uma espécie em vias de extinção"

Artur a altas horas no Incógnito.

quarta-feira, junho 14, 2006

Perdida

o mesmo amor pela vida, o mesmo desespero pela beleza
a mesma gana pela justiça, pela verdade
a mesma vontade de estilhaçar o que está cristalizado
a mesma forma de ver os interstícios dos sentimentos, de olhar para o que não é visível
a mesma vontade de viver... não sob as leis dos outros, mas sob aquilo em que acreditas... respeitando, mesmo assim, quem te rodeia

a mesma vontade de, ao amanhecer, te virares para a pessoa que amas e, em vez de lhe dares um beijo, dizeres o que sentes... apenas com o olhar, com um toque subtil na ponta dos dedos

nada disto, e muito mais, existe em outra pessoa
SENÃO EM TI

só tu consegues perceber a eternidade dum segundo
a grandiosidade dum silêncio
só tu consegues entender que a ausência do toque não é ausência de amor mas uma das formas de o manifestar

só tu consegues entender a babilónia dos pensamentos
e perceber que do caos nascerá algo divino

só tu consegues entender que nem sempre o choro significa angústia
é a tua mão que afaga a minha nuca quando o medo aplaca os meus sentidos
que suavemente acalma o meu horror, que brandamente transmite o calor do corpo que está perto, do pensamento que em mim assenta
e que me diz: não receies...


Cereja

terça-feira, junho 13, 2006

O fim que justifica todos os meios

Ele era uma pessoa que saía à noite só para arranjar alguém. Rodava a discoteca toda até ter a certeza que não desperdiçava nenhuma oportunidade. Ancorado no alcóol, ganhava o despudor de se fazer à amiga ao lado duma que acabara de o desprezar. Teve sucesso em algumas noites. Depois começou a ficar cada vez mais bêbado e passavam-se anos sem nada... Mudaria de estratégia. Iria às mais acessíveis.
Uma dessas noites, curtiu com uma miúda, muito querida, complexada pela gordura e cor negra. Já depois do beijo, ela perguntou-lhe candida e docemente:
- O que é que viste em mim?
- Hum...
- O que é que foi que te atraíu em mim em tantas outras outras e miúdas e fez com que fosses falar comigo?
- Eu achei-te uma pessoa tão tão especial...
Ela acreditou.
A mim, disse-me com a franqueza (na amizade) que sempre lhe admirei: "Era a mais feia da discoteca; pensei que era a única com quem tinha hipóteses".
Quando ouço denegrir as mulheres pela sua dissimulação, que nunca exprimem o que realmente sentem (especialmente na cama), admito, sem reservas, que a sua manipulação é mais subtil e mais refinada, mas sei que os homens têm uma incomensuravelmente maior capacidade de invenção.
As desculpas que arranjam para justificar traições, as estórias mirambulantes, e, MAIS DO QUE TUDO ISSO, os elogios insinceros que artificiosamente usam para comer uma gaja...

Angel-lendo-poesia-e-filosofia

segunda-feira, junho 12, 2006

"Tenho pena que as reticências não tenham uma expressão corporal mais declarada! Adoro reticências, têm um ar de sonho, como a patinar no gelo."



in JARDINS DA MARÉ BAIXA

Maria de José Almada Negreiros

sábado, junho 10, 2006

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.


Natália Correia

sexta-feira, junho 09, 2006

Eu dependia dele para ratificar a minha utilidade e ele de mim (dizia) para lhe servir de mediador com o resto da espécie humana. Éramos inseparáveis, ou pelo menos era isso que ele me fazia crer.


Norman Lebrecht, O Cântico dos Nomes
A MULHER ANTERIOR A EVA:

http://en.wikipedia.org/wiki/Lilith
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, junho 07, 2006

"A vida não é uma série de lanternas dispostas simetricamente; a vida é um halo luminoso, um invólucro semitransparente onde estamos encerrados desde o nascimento (...)."


Virginia Woolf, Monique Nathan

terça-feira, junho 06, 2006

"O amor vai curar as asas destruídas da borboleta"

Wayne Hussey

sábado, junho 03, 2006

ÁGUA MOLE...

O mais engraçado na vida é que para cada lei, há sempre uma contra-lei. Da mesma forma que a observância do princípio "As mulheres gostam de homens seguros de si" se esboroa perante a procura maternal das mulheres por rapazinhos cândidos e ternos, da mesma forma AQUI se demonstra o contraponto do axioma "O desprezo é o maior afrodisíaco para a mulher".

Quer se queira quer não, os maiores sedutores/conquistadores/engatatões(palavra execravelmente bimba) são sempre os que levam mais tampas. Mais - não é apenas o número de mulheres que se tenta, mas também o número de vezes que se tenta com uma mulher.

Estórias há imensas. Sei de dois amigos que começaram a namorar muitos depois da nega do primeiro beijo e segundo beijos. Só à terceira. Quanto homens - pergunto eu - aguentaria duas rejeições com a mesma pessoa e ainda assim arriscariam?

Em toda a vida, nada nunca me surpreendeu tanto como determinados homens que insistiram, insistiram, insistiram... e conseguiram. Lembro-me perfeitamente do João e da Joana (nomes reais). Ele massacrava-a diariamente com telefonemas, com cartas, um dia bateu-lhe quando ela curtiu com outro, insultava-a, um dia chegou a roubar-lhe as chaves de casa só para ela lhe falar "dá-me as minhas chaves de casa". Nunca teve nada nada com ela... Ao fim de ano e meio, o mundo fiscou pasmo quando eles começaram a namorar.

Prémio pela devoção, suor e lágrimas(mulher-troféu)? A necessidade de ter sempre alguém e de em casos de carência recorrer à válvula de segurança? O amor que surge do hábito? Sempre gostaram mas precisavam de alimentar o ego? Ou a simples conclusão que a mulher é infinitamente volúvel?

ANGEL-WITH-NO-ANGER

quinta-feira, junho 01, 2006

"A poesia é a grande arte da construção da saúde transcendental"

Novalis, Fragmentos de Novalis