quarta-feira, maio 31, 2006

The can take away his freedom they can beat him into the
Dust
They can burn his home, run him from his land, and leave
Him out to gather rust
But they can’t take away his faith and his honesty and
Pride and the knowledge that he holds inside
One day they’ll reap the harvest
The grapes of wrath

There’s hope in a man that nothing can destroy
A man will endure anything for the dream that he holds

The Mission, Grapes of Wrath em homenagem ao clássico da literatura de John Steinbeck, Vinhas da Ira

terça-feira, maio 30, 2006

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

Bertold Brecht

domingo, maio 28, 2006

O teu sorriso (Pablo Neruda)

Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu sorriso.

Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados, às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar, o teu sorriso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida.

Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu sorriso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono, o teu sorriso deve erguer a sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero o teu sorriso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.

Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu sorriso, porque então morreria.

sexta-feira, maio 26, 2006

"You make me feel like a child again
And i´m in heaven and it feels like gentle rain..."

The Mission, Like a child again

quarta-feira, maio 24, 2006

"I have a dream that one day lesbians and gays will give their hands and kiss without being noticed"

Angel´s wish

terça-feira, maio 23, 2006

“Ah! Mrs Dalloway. Always giving parties to cover the silence.”

The Hours, filme

TO WISH IMPOSSIBLE THINGS

Remember how it used to be
When the sun would fill up the sky
Remember how we used to feel
Those days would never end
Those days would never end
Remember how it used to be
When the stars would fill the sky
Remember how we used to dream
Those nights would never end
Those nights would never end

It was the sweetness of your skin
It was the hope of all we might have been
That fills me with the hope to wish
Impossible things

But now the sun shines cold
And all the sky is grey
The stars are dimmed by clouds and tears
And all i wish
Is gone away
All i wish
Is gone away

All i wish
Is gone away

ROBERT SMITH, WISH

domingo, maio 21, 2006

Angel´s Summer poem

Ágape

“Aqui e agora", como (re)lembravam constantemente os pássaros que sobrevoavam a ilha de Huxley, nesta manhã de luz clara e ar suave, sinto o enorme poder de Ágape. Enamorado de todos os seres sencientes e pairando sobre todas as coisas, beijaria de bom grado qualquer pessoa na boca se daí adviesse algum bem-estar para ela.
Cercado da luz mais limpa, o distante e o perto esbatem-se em duas dimensões… A areia cintilante, as altas palmeiras paradisíacas e a doce fúria do mar verde emprestando o acorde indispensável à sinfonia do sossego.
Levanto os braços para tocar o céu e as nuvens afiguram-se-me um pedaço de macieza tangível... Bebo um pouco da luz à minha volta e afago a brancura de uma nuvem.
A realidade tem umas fissuras minúsculas pelas quais espreitamos duas ou três vezes ao longo da vida... Boiando nesse outro lado do espelho, gozo, num momento mágico, a libertação de todos os ontens e amanhãs, de todos os porquês?
Toco as flores intangíveis do teu rosto e mergulho nos teus olhos oceânicos... Sinto-me tão solar… Eu hoje só tenho coisas boas para te dar… Abres a tua mão e toda a realidade se resume a um punhado de borboletas cintilantes a voar...
Aqui, neste lugar, com o qual me fundo e me confundo, eu sou a paz que o mundo não tem…

quarta-feira, maio 17, 2006

O casulo perfeito

Chove. Lá fora, o vento sopra ameaçadoramente, qual louco perigoso no auge da sua fúria, mas nós estamos forrados de flanela e conforto, e o vento fará ricochete no aço da janela do nosso quarto.

Chove. Torrencialmente. Mas nós da chuva só temos o agradável som dela caindo como pés de lã estalando crepitantes folhas de Outono. Aqui, no nosso mundo sagrado, quase podemos jurar que a chuva está morna.

Chove. Talvez lá fora se digladiem imundos gigantes estropiados e cães raivosos, mas a nota mais lancinante dos seus gritos não ecoará no nosso mundo sagrado… Ela pairará algures na névoa e dissolver-se-á longe…

Chove. Lá fora, no mundo cruel, tudo é frio, cinzento e desolado e o mundo ameaça desagregar-se a qualquer instante, mas nós estamos magnificamente instalados numa atmosfera límpida de luz amena. Serenamente, afagas o pêlo macio do gato. Tudo é suave e sossegado no nosso mundo sagrado.

Ternamente, enroscaste nos meus braços, olhas-me nos olhos e sorris…Então, tapamo-nos até às orelhas, não por frio, não por medo, mas para nos deleitarmos na certeza de que nada nos perturbará…

ANGEL´S WINTER POEM

domingo, maio 14, 2006

Homens ursinho de peluche

Gosto francamente do indíviduo de quem vou falar nesta crónica. Ele é um Bom Amigo, uma pessoa que não conhece sequer o que é o sabor pecaminoso da represália, dos jogos... do mal. É mesmo boa pessoa. Pertence ao núcleo de... duas pessoas do sexo masculinho cujo sucesso com mulheres me dá mais gozo do que o meu próprio. O bem-estar dele é o meu bem-estar.

Já desisti, porém, de o ajudar com mulheres. Isto apesar das enormes evoluções que ele fez. Apesar de ele me ter dito ainda este fim de semana que apreciava os meus conselhos e me ter contado como tinha mudado o seu posicionamento anódino e paspalhão com mulheres.

Mas há pormenores que me matam a vontade de o ajudar; me fazem pensar que estruturalmente os alicerçes da personalidade dele nunca lhe permitirão mudar ao ponto de ser apetecível para as mulheres. E eu prefiro não o aconselhar mais para depois não me irritar.

Uma estória dele fez-me dar vontade de lhe dar uma chapada na tromba, não fosse ele tão fisicamente mais pequeno do que eu.

Ele saiu de um exame na faculdade. A rapariga com quem ele costumava falar em todos os intervalos mas que essa semana lhe houvera dado duas negas para jantar, estava ainda lá dentro a fazer o exame. Ele ficou especado na porta à espera. Ele esteve
- de acordo com as suas palavras - quarenta e cinco minutos (reparem que as pessoas NUNCA esperam 47 minutos ou 43, nem 58 minutos nem 63 minutos) à espera dela.

Ela foi a última a sair.
Ao transpor a porta, deparou-se com ele.
- Estavas à minha espera?
- Estava.
- Pois, eu tenho de ir já fazer umas compras...
- Se quiseres, eu posso te dar boleia.
- Ah, combinei com uma amiga.


ANJO-VERDE

quinta-feira, maio 11, 2006

Deambulações de uma alma irrequieta

Viajar
v. intr. 1 transitar, por qualquer meio de locomoção, de um lugar para o outro, que fica afastado; deslocar-se para um local distante; 2 andar em viagem; 3 [fig.] divagar v.tr. percorrer (em viagem); visitar (De viagem + -ar)

Dicionário da Língua Portuguesa 2004, Porto Editora



“Viajar torna-nos seres humanos mais ricos” – costumamos ouvir dizer. Eu diria que potencialmente viajar torna-nos seres humanos mais ricos. Porque podemos passar pelas coisas sem as tocar... Podemos passar pelas coisas sem que elas nos toquem...
Mais importante que visitar os locais-chave e saber a história por detrás de cada estátua ou monumento; é captar o modus vivendi do país, é conseguir ver o mundo pelos olhos do outro sem sentir qualquer tipo de estranheza.
É a diferença substancial e intangível que há entre conhecer e compreender. Apreender a essência de África, por exemplo, é assimilar uma outra cultura, um outra mundividência, completamente distintas da europeia. Só nesse sentido viajar enriquece, só nesse sentido viajar nos eleva...
Acontece-me o mesmo quando viajo que quando conheço uma nova pessoa com a sua identidade e idiossincrasias únicas. Quando chego àquele patamar de conseguir pensar o que faria outra pessoa numa determinada situação, é como se a minha mente se expandisse... A decifração da realidade ganhava novos prismas, novos dicionários, tornando-me menos prisioneiro das minhas concepções inextricavelmente ligadas às minhas experiências individuais.
Nessas alturas sinto verdadeiramente que cresci enquanto ser humano, nunca conseguindo deixar de pensar como é incrível a maneira como as pessoas rejeitam outras formas de viver; como rapidamente se descartam daquilo que nem sequer ousam conhecer; como despudoradamente rotulam de “excêntrico”, “diferente”, “anormal” (rótulos que nos dizem mais sobre o emissor do que sobre o seu objecto de análise) tudo o que recusam tentar compreender...
Um dia perguntaram a Woody Allen o que é que a vida lhe ensinara de mais importante ao que o erudito cineasta asseverou: “Aprendi que não há só uma verdade”. Talvez resida aí um dos elementos explicativos das suas neuroses.
Indubitavelmente mais cómodo é termos as nossas ideias bem arrumadinhas; pensar que sabemos sempre tudo ou pelo menos tudo o que é necessário saber; acreditar que os trilhos que seguimos na nossa vida dependem de opções que estão alicerçadas em rochas...
Cristalizarmo-nos nas mesmas certezas, nunca abrindo brechas de dúvidas nelas ao longo da vida é o caminho certo e seguro para a ignorância. E o mal deste mundo, já dizia Bertrand Russel, é que os estúpidos vivem cheios de certezas e os inteligentes cheios de dúvidas.
A extensão daquilo que há para conhecer constitui um factor desanimador. Basta enumerar todos os países, todas as cidades, todos os filmes, todos os livros e concluiremos que a magnitude da nossa ignorância será sempre incontornável. São de Almada Negreiros as seguintes palavras:
"Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve haver certamente outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido."
“Mas para quê trabalhar se o trabalho nunca acaba?” - perguntava a caricatura do alentejano encostado ao chaparro na anedota. “Mas quê aprender se seremos sempre ignorantes?” – dirá o energúmeno.
Immanuel Kant, um marco na história da filosofia Ocidental, foi uma pessoa que nunca viajou, que nunca sequer saiu da sua cidade natal (Königsberg na antiga Prússia, hoje Kalininegrado na Rússia) e que, todavia, deixou um legado tremendo para a humanidade.
Kant empreendeu o verbo ´viajar´ na sua vida não no sentido literal mas no seu sentido figurativo, alimentado por muitas leituras, muitas conversas intelectualmente estimulantes, muitas reflexões. As viagens da sua mente permitiram-lhe extravasar as barreiras do tempo e do espaço; característica indispensável do conhecimento que almeja alcançar a perenidade.
Para quem tem uma eterna sede de conhecimento, haverá sempre muitas viagens a fazer e muitas maneiras de viajar. A natureza humana na sua múltipla diversidade de inclinações pessoais encontrará sempre um destino e uma rota à sua medida.
Tomemos o exemplo da internet. E tomemo-lo como uma metáfora da vida. Tão grande é a miríade de estímulos e de interesses que alberga que temos todos a garantia de que há pelo uma viagem que gostaremos de realizar...

Anjo-tentando-amar-as-pessoas-nas-ruas
P - Para que serve a literatura?
R - Para que serve o por-do-sol?

Excerto de entrevista a Jorge Luís Borges

quarta-feira, maio 10, 2006

Psicologia de pacotilha (a senhora repulsa e o senhor fascínio)

Um casal de namorados meus amigos andava às voltas no Colombo. Ela dizia-lhe ao observar um homem que passava "Que nojo, olha-me aquele armário... Mas ele julga que alguma mulher gosta de um corpo assim?" Ele respondeu-lhe: "Por detrás desse horror por bisontes de ginásio, nota-se que há um certo fascínio".

É uma teoria recorrentemente usada pelo povo e de certa forma corporizada no «Quem desdenha, quer comprar». Admito que em alguns casos funcione, mas o erguer à generalização holística parece-me um axioma de psicologia incipiente e poderá levar ao questionamento da lei inversa - Se eu digo que gosto de algo então é porque não gosto?

Admito que em alguns casos as pessoas invejosas não conseguindo alcançarem o que conseguem... tornem essa miragem inacessível em algo desprezível para que o seu fracasso não emerga aos olhos da sociedade.

Mas estaremos todos a viver 24h por dia num baile de máscaras? Penso que não.

Quem me conhece sabe não desprezo nazis, mas os repugno. E ninguém me convence que tenho fascínio por alguém que professa uma ideologia que diz que a cor da pele - que não escolhemos - deve determinar a forma como uma pessoa se posiciona no mercado de trabalho ou ao responder à justiça.

Tornamo-nos então todos muito morninhos e cinzentos, neutrais e anódinos, por forma a que nunca nos apontem o dedo "Eh pa, dizes que não gostas de tias de cascais é porque nunca conseguiste comer uma!"; "Não gostas de nazis? Deves ter levado uma rejeição de uma nazi na escola" ou "Dizes que não gostas de trolhas que dizem comia-te a cona toda e o teu sonho era levar com os trolhas todos dos antigos estaleiros da naval a comerem-te toda..."

Anjo-estruturalista-a-partir-de-cima

segunda-feira, maio 08, 2006

Aqui deixamos um poema erudito de um poeta que esperamos e desejamos continue a escrever. Com a sua verve e musicalidade, será uma estrela a brilhar no firmamento literário um dia. Registem o nome.

Sede

Traz-me à luz o álcool dos pecados,
o rubro e marcial signo das loucuras
sacrílegas dos nossos tão danados
dislates segredados às escuras.

Traz-me à boca o bulício dos teus lados
rasgados da memória que perduras;
balança em mim as vagas dos recados
da fé, melífluas valsas que murmuras.

Ergue em mim a tua sede trepadeira,
breve pulsão, tenaz e fragorosa
que abalroa o langor dos dias calmos

que me impele à tua voz de breves salmos,
fulvos, quais centelhas da fogueira
do olvido que intumesce pressurosa

Pedro Filipe Santos
Tinha sido sempre assim: o pastor recusava banhar-se sozinho. Um homem fica menos macho se passeia as mãos pelo seu próprio corpo. Era essa a crença de Zero Madzero. A esposa fazia de conta que acreditava.

Mia Couto, O Outro Pé da Sereia

domingo, maio 07, 2006

Você é um tipo que não tem tipo
Com todo o tipo você se parece
E sendo um tipo que assimila tanto tipo
Passou a ser um tipo que ninguém esquece
Um tipo zero não tem tipo!

Noel Rosa

sábado, maio 06, 2006

HÁ LETRAS DE MÚSICAS QUE DEVIAM FAZER PARTE DOS COMPÊNDIOS DE POESIA UNIVERSAL...

IF ONLY TONIGHT WE COULD SLEEP

If only tonight we could sleep
In a bed made of flowers
If only tonight we could fall
In a deathless spell
If only tonight we could slide
Into deep black water
And breathe
And breathe...

Then an angel would come
With burning eyes like stars
And bury us deep
In his velvet arms

And the rain would cry
As our faces slipped away
And the rain would cry

Don't let it end...


Robert Smith
Há dois tipos de homens: os que percebem zero sobre mulheres e os que percebem menos 100.

Anjo-borrifando-conselhos

sexta-feira, maio 05, 2006

Eu sentia-me como os homens que via nos comboios de subúrbio (...)- homens que não estavam interessados em saber se o mundo ia afundar-se num caos, no dia seguinte, desde que a sua própria casa fosse poupada. Eu passava a ser como eles, coisa gorducha como as que sabem dizer:
- Lamento muito, mas negócios são negócios. Ou:
- Você devia ter pensado nisso, antes de os problemas surgirem. Ou:
- O assunto não me diz respeito.

F. Scott Fitzgerald, A Fenda Aberta

quinta-feira, maio 04, 2006

A tradição é a personalidade dos imbecis.

Joseph-Maurice Ravel, Compositor
descobri a eternidade do amor.
Ele afinal vive nas palavras que o celebram...

Joaquim Marques, Do Nosso Amor
"No creo que dos personas pudieran haber sido más felices de lo que nosotros somos."

Carta de Virgina Woolf a Leonard Woolf

quarta-feira, maio 03, 2006

"Tes lettres me font du mal, mais j'aime encore mieux le mal que tu me fais que le bien que me font les autres."

in Les Enfants du Siècle (conversas no messenger com vocalista dos Rouge)
Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade de frio.

Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda, Cem Sonetos de Amor
"O sonho de qualquer homem é ser o primeiro da mulher, o sonho de qualquer mulher é ser a última do homem".

Oscar Wilde

terça-feira, maio 02, 2006

Ondados fios de ouro reluzente


Ondados fios de ouro reluzente,
Que agora da mão bela recolhidos,
Agora sobre as rosas estendidos
Fazeis que sua graça se acrecente;

Olhos, que vos moveis tão docemente,
Em mil divinos raios encendidos,
Se de cá me levais alma e sentidos,
Que fora, se de vós não fora ausente?

Honesto riso, que entre a mor fineza
De perlas e corais nace e parece,
Se n'alma em doces ecos não o ouvisse!

Se imaginando só tanta beleza,
De si, em nova glória, a alma se esquece,
Que será quando a vir? Ah! quem a visse!

Luís Camões, Lírica Camoniana

segunda-feira, maio 01, 2006

MANHÃ DE JUNHO

Talvez, talvez sejam os últimos
dias. Se for assim, são um esplendor.
Apesar dos aviões da Nato despejarem
bombas e bombas no Kosovo, a perfeição
mora neste muro branco
onde o escarlate
da flor da buganvília sobe ao encontro
da luz fresca da manhã de Junho.
A beleza (não há outra palavra
para dizê-lo), desta manhã
é terrível: persiste, domina,
apesar dos aviões, mesmo com
bombas a cair e crianças a morrer.

Eugénio de Andrade