segunda-feira, fevereiro 27, 2006

"Deve-se guardar sempre uma parte de mistério se se quer que as relações perdurem"
Pedro Abrunhosa, RTP1

sábado, fevereiro 25, 2006

Fora do mercado

Tentado ser literariamente hiper-realista neste texto, descreverei assim a pessoa:
Baixa, muito gorda, pele da cara escamada (e do corpo?), olhos enfiados lá ao longe no rosto, como se víssemos um filme com óculos adequados para três dimensões, voz tonitruante e rouca. Feia, muito feia.
A primeira vez que a vi foi-me apresentada por um amigo que disse "Ela quer-te comer" à frente dela, estando nós os três. Ela sorriu e eu disfarcei bem o quanto atónito estava por dentro.
Outro dia, num bar, ela apalpou um amigo meu que conheceu nesse dia e apalpou-lhe os testículos ao fim de pouco tempo.
Ele disse "então?" - em jeito de "eu estar a falar contigo não denota interesse; inibe-te desses gestos".
Ela disse-lhe "Olha que eu gosto muito de foder".
É triste, muito muito muito triste e até me custa martelar as teclas sobre este assunto. É penoso e compugente. Há pessoas que pelo seu aspecto físico estão arredadas da competição do flirt, da escolha de parceiro.
Umas ficam frustradas, agressivas, outras pela castidade (relembro que o "o voto de castidade do impotente nada vale" ;) )outras reiventam estratégias incríveis de engate. Esta optou pela gratuitidade e pela badalhocada na linguagem e comportamentos como característica distintiva. Talvez tenha constatado que só assim... Convém reflectir, por mais abjecto e torpe que seja o comportamento, reflectir que as circunstâncias da vida também moldam (e turvam) o nosso eu... Nós somos nós próprios e as nossas circunstâncias.
Enche-me de raiva e ternura que haja pessoas que pela aprência física, despiciendo tudo o resto, estejam ostracizadas, socialmente ostracizadas do amor, da sedução, da troca de saudações entre almas (o sexo pessoano ).

Angel-going-to-the-deepest-ocean-and-finding-there-the-answer
"Temos de cometer a ousadia de sermos ingénuos"

Miguel Esteves Cardoso, idem

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

"A ritualização mina qualquer área da vida"

Nova versão de Pedro Calheiros

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

" O amor é o céu. Só tem Deus acima dele. Faz-nos sentir pequeninos e dependentes, afasta-nos de nós próprios e do mundo e aproxima-nos da nossa alma... A paixão é o mar. Podemos chegar ao fundo dele. É um simples impulso físico, material, mensurável, explicável pelas ciências da atracção.
A diferença entre o amor e a paixão é como a diferença entre a cosmologia e a oceanografia".

Miguel Esteves Cardoso, Amar in Explicações de Portugûes
Auto-suficiência

Das inúmeras mulheres que conheci, muito muito poucas considerei auto-suficientes. A maior parte precisa de ter sempre sempre homem. São raras aquelas que não gostando verdadeiramente de alguém, não se entregam a relações morninhas, acomodadas que explicam depois a facilidade nas traições e na troca de parceiros.
Conforme explicitado no início deste blog através da Teoria do Macaco, uma mulher (quase) só larga um homem quando já tem outro em vista, qual macaco libertando-se do galho apenas quando outro está já seguro.
Por ser raro, ainda mais raro que um diamante submergido no deserto, eu admiro imenso a seguinte característica e ponho anúncio no jornal, ou melhor neste blog A PEDIR UMA MULHER AUTO-SUFICIENTE. HÁ POR AÍ ALGUMA?
Alguma que seja capaz de estar, vá lá, pelo menos seis meses sem um homem, que seja capaz de só se entregar a homens que realmente goste, não que goste de forma amena, mas que gosto de forma arrebatadora e endemoinhada. Uma mulher que quando sente que a erosão da relação, não se acomoda, e acaba com a relação mesmo que depois seja difícil refazer as amizades e passar os olhos pela lista do telemóvel para encontrar uma companhia para o cinema?
Carência, avidez de sexo, o processo de normalização (que o filósofo Agostinho da Silva chamava de "deformante dos carácteres") de que elas devem ter um namorado, o imperativo biológico que as compele a arranjar um procriador em tempo seguro de gravidez? Já agora (sei que isto é pedir DEMAIS): há por aí em todo o planeta Terra, alguma que rejeite ou, vá lá, seja indiferente à maternidade?

Anjo-desatarrachando-mentes-fechadas

terça-feira, fevereiro 21, 2006

"A diferença entre um homem e um cachorro é que se recolheres um cachorro faminto, lhe deres abrigo e alimentação, ele não te morderá a mão".
Mark Twain
" A mediocridade refugia-se na padronização "

Alexandre Monteiro, Demanda

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

"A ritualização mina o amor"

Pedro Calheiros, Tertuliando

domingo, fevereiro 19, 2006

"O amor tem um lado de idealização porque gostamos da pessoa que inventámos a partir dela".

António Lobo Antunes in
Compaixão

( Primeiro Preâmbulo que escrevo na vida a um texto dado este poder ferir susceptibilidades: Não gosto de ser cruel, mas também gosto de descrever a realidade como ela é. E a realidade é cruel).

Estamos à porta de um bar. 4 Homens. Um de nós é muito gordo, feio, óculos antiquados e estilo de roupa anódino, reforçando a fealdade. Simpatizo com ele. Parece simpático e humilde.
Sem que ninguém fale do sexo feminino, ele puxa o assunto com uma linguagem torpe...
"Há aí gajas todas boas que um gajo até se passa só de as ver. Mas depois chega a parte de tirar a roupa e... - franze o cenho num trejeito que evidencia repugnância - foda-se!".
Os complexos estavam latentes e ele afivelava uma máscara.
Um de nós, não por crueldade mas por ser uma pessoa demasiado apegada à verdade, dispara:
"Mas quando é que te aconteceu isso?"
E ele recria uma história. Toda a sua linguagem corporal e determinadas fendas narrativas (duvido que ele se socorresse deliberadamente de elipses como recurso estilístico deliberado) denunciavam que mentia.
Por azar, o mesmo de nós que tem apego à verdade e que é amigo do irmão diz:
"Essa história passou-se com o teu irmão..."
Apesar da verdade estar do lado dele, defendi o mentiroso que conhecia apenas há uma semana.
"Não estavas lá, não sabes. Não tens o direito de por a palavra dele em causa."
O mentiroso ficou feliz e eu fiquei feliz por o ter aliviado.

Angel

sábado, fevereiro 18, 2006

"Why each of us must choose
I´ve never understoood
one special friend
one true love
Why each of us must loose
everyone else in the world"

The Cure, This is a lie

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

"Cada homem tem o desejo secreto de que seja o primeiro amor para a sua mulher; a mulher, mais pragmática, deseja ser o último amor para o homem".

Oscar Wilde

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

"O paladar da vida erige-se, sem lugar para a vulgaridade. Em momentos – encerrados e absolutos. De privacidade. De cumplicidade. De arrepios. Encimados pela demasiada água. Pelo borbulhar dos pensamentos, solitariamente vagos, dolorosos, saborosos – por onde a língua passa e o ouvido encosta. Sem faces, sem moedas, sem almas, sem metades. Por entre coisas que não existem e sobrevoam o infindável".

Carla Martins, Trinta 30
Whenever I’m alone with you... you make me feel like I am home again whenever I’m alone with you.. you make me feel like I am whole again
whenever I’m alone with you you make me feel like I am young again whenever I’m alone with you you make me feel like I am fun again

However far away I will always love you
however long I stay I will always love you
whatever words I say I will always love you I will always Love you

Fly me into the moon...

Whenever I’m alone with you you make me feel like I am free again whenever I’m alone withYou you make me feel like I am clean again

However far away I will always love you
however long I stay I will always love you
whateverWords I say I will always love you I will always love you

The cure, Lovesong

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Se os opostos se atraem, porque é que as mulheres sem literatura estão com os energúmenos?

Angel´s reflection
"Não se pode ter paz fugindo da vida"

Michael Cunningham
TÓTÓS (para quem quiser saber a definição, encontra-a aqui em Outubro de 2004)

Sou um observador dos comportamentos humanos em discotecas, bares, cafés, cinemas, teatros... É uma característica da minha natureza que satisfaço abundantes vezes; não por uma tendência fetichista de qualquer tipo de voyeurismo mas pela mesma razão que na faculdade me levou a fazer voluntariamente uma cadeira intitulada Sociologia da Vida Quotidiana.

Observo cada vez mais que os tótós estão na moda. É verdade. Muito mais do que antes, há cada vez mais tótós ao lado de mulheres bonitas. Eu sempre estive atento a todos os fénomenos marcantes da paisagem urbana e este rebentou desde o último Verão...

A que se deve?

Outro dia encontrei a resposta numa passagem fugaz num centro comercial para abastecer-me de livros.

Uma gaja boa e fútil vinha de mão dada com um tótó, daqueles que nunca usou na vida uma longe sleeve ou num grupo defendeu a opnião minoritária contra a maioritária. Ele vinha, capacho e sorridente, quando ela o agarrou pelo braço e levou até junto de uma montra (relojoaria) ...

- Olha, é este o relógio que me vais comprar...

Anjo-que-não-consegue-estar-calado!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

"A tradição é a ilusão da perpetuidade"

Woody Allen

domingo, fevereiro 12, 2006

Toda a gente é machista (e infelizmente...)


Outro dia falava-me com uma amiga minha de esquerda, mente aberta e inteligente sobre o facto de haver distinções bacocas de género.
Como todas as pessoas que já dialogaram comigo mais de vinte horas de conversação, ela sabe a minha cartilha, já largamente difundida por tanta gente... Direitos iguais, deveres iguais...
Discordámos num ponto. Afirmei que as pessoas eram todas permeáveis às convenções sociais que nos tentam impingir sobre a diferença de género. Ela achava que não. E, e de facto, ela é das poucas pessoas que não estranha (não só não estranha como admira...) eu abrir uma porta de um centro comercial e passar primeiro. Está literalmente acima dessas inanidades.
Ela insistia que era desprovida de qualquer ponto machista. Começou a defender a situação para lá de fundamentos sustentáveis pela Razão. Mantive a calma,. Percebi que era apenas o orgulho de ser coerente com a posição inicial. Então, disparei uma imagem poderosa:
- Quando estás com o teu namorado, depois de uma noite de sexo, como é que ficas?
- Normalmente, fico aninhada com quem estou... Dou-lhe um abraço e fico com a cabeça junto ao peito...
- E o contrário... ele com a pessoa junto ao teu peito?
- Não...
- Nunca? Nem com aquele que era muito mais baxinho que tu?
- Nunca...
- Aí tens... – sorri (ela já tinha percebido). – É a questão inconsciente que o homem deve ser o protector... Tens de racionalizar isso e combatê-lo...
Ela quebrou as defesas e concordou.

Anjo-escrevendo-de-3006

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

SMS

Acho as sms uma forma interessante de comunicar – suficientemente curtas e suficientemente longas; suficientemente profundas e suficientemente concisas. Não tem o comprimento de uma carta de amor, e por isso lhe ganha em intensidade que está condensada como num verso.
Infelizmente, o tipo de flirt, de sensibilidade poética e desenvoltura mental que eu procuro redunda normalmente num jogo que unidireccional. Tou farto de sms kitsch, de plágios encapotados de frases surripiadas de excelsos poetas, e tou farto de a maioria das raparigas não conseguir estar num patamar elevado.
Dois não brincam quando um não quer. E dois não comunicam sobre tópicos que nos elevam quando só um o consegue... e cada vez há menos pessoas que apreciem a subtileza, a poesia, a insinuação de qualquer coisa mais além... Para mim estes jogos só têm piada quando roçam o sublime de... qualquer coisa. Pode não ser o tópico de conversação, pode ser apenas uma mudança de ângulo, uma mudança abrupta daquilo que o outro está mesmo à espera, um piparote na lógica do que era suposta dizermos ou fazermos...
É delicioso quando alguém consegue nadar as mesmas águas profundas que nós... Nós mandamos uma cena que põe a pessoa a pensar, ela comunica sinais de fumo de entendimento e depois... devolve-nos a melhor coisa do mundo: a surpresa.

Anjo-flamejando-o-mundo
Amor fora de órbita


Anedota (genial) que Woody Allen diz caracterizar melhor as relações no filme Annie Hall.

No consultório de psiquiatria, um homem diz:

- Doutor, o meu sobrinho pensa que é uma galinha.

- Traga-o cá para internamento.

- Não posso.

- Não pode?

- Eu preciso dos ovos...



(precisamos todos, alimentamo-nos todos de..........

.......

ilusões!)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

BOM POLÍCIA, MAU POLÍCIA

Estava no bengaleiro. A fila era longa e tinha chegado a minha vez depois de uns largos minutos. Uma miúda que nunca me fora apresentada irrompe atrás de mim e diz-me:
- Olha podes-me por o meu casaco e o cachecol?
- Se cada uma das pessoas atrás de ti te der autorização... – disse, virando as costas.
- Vá lá...
- Não...
Ela insistiu em por-se atrás de mim, furando a fila e disse:
- Olá!
- Vai para a fila – disse-lhe.
- Não me queres conhecer? – disse esticando-me a mão.
- Não.
- Porquê?
- Tens aparência e atitudes de bimba...
- Estúpido...
Depois disso ela voltou a tentar falar comigo, mas eu não recuei e ainda atirei.
- O café da Ponte (onde desaguam os camiões de energúmenos e esteticistas) devia estar fechado hoje ...
Claro que a maioria dos homens teria posto o casaco e cachecol da menina e quiçá até pago a despesa. Acham que a beleza ou até a simples pertença ao sexo feminino confere direitos extraordinários. Eu não penso assim e por isso ajo de maneira diferente deles.
É por razões comportamentais dos homens que as oportunistas (ainda) existem. E se multiplicam como cogumelos...

ANGEL... ANGEL...ANGEL (Três Vezes)

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

DIFERENÇA HOMEM/MULHER
(a pequena, subtil, quase imperceptível diferença)

Situação: À mesa. Homem tratou do jantar.

Mulher - Zé, onde compraste a carne?
Homem - No talho.

Situação: À mesa. Mulher tratou do jantar.

Homem - Rosa, onde compraste a carne?
Mulher - Porquê, está estragada?