segunda-feira, janeiro 30, 2006

Desgosto de Amor

O meu amigo estava profunda e visivelmente em baixo. É daquelas pessoas cujo estado de espírito está escrito indisfarçavelmente no semblante. Fiquei preocupado quando o vi. A namorada acabara com ele.
- Ela não vale nada... É uma oportunista de merda e além disso é oca de todo...
- Eu sei que tens razão... Agora não consigo ver isso, mas um dia vou abrir os olhos...
Gostei do que ouvi mas sabia que não o tinha conseguido aliviar o sofrimento. Fui para casa e pensei na forma concomitantemente mais honesta e eficaz de ajudar o meu amigo. Pensei que ele deveria conhecer novas pessoas (ok, novas raparigas :) ).
- Anda daí, vou-te apresentar pessoas bem mais interessantes que a Sara...
- Não consigo, estou sem cabeça para socializar... Ninguém se iria interessar por mim...
A estratégia não dera resultado. Passados dias tentei outra.
- Olha lá, já pensaste que aquilo que te dar cabo da cabeça (o facto de ela se sentir atraída por outro) é passageiro? Basta pensares que há um ano, antes de andar contigo ela dizia que gostava ainda de um ex? Na altura era ele que te perturbava, hoje é outro, amanhã será outro. As atracções são assim passageiras e efémeras... Instável como a Sara é, daqui a uns meses haverá outra atracção... Portanto, não te fixes nesse pesadelo...
- Obrigado, Angel, eu próprio me senti atraído por várias gajas em 2005. É tudo passageiro... – Um sorriso desenhava-se completo em todo o seu rosto.
- Anda, é como diz uma música, há seis milhões de caras lá fora à tua espera... – disse, abrindo a porta do quarto dele.

Anjo-terapêutico

terça-feira, janeiro 10, 2006

666- MULHER, A PERSONIFICAÇÃO DA INVEJA

Nos últimos tempos, tenho contabilizado, aliás já perdi a própria conta, às estórias de amigas cujo namorado fugiu para/ traiu com (das duas uma) a melhor amiga. Merecia um estudo sociológico este fenómeno que acontece muito mais no feminino que no masculino. Há menos casos de amigos que “roubam” (expressão que exprime sentimento de posse que eu desprezo) namorada que amigas que roubam namorado.
A leitura que eu faço desta realidade é a mesma que faço do facto de as mulheres se entreolharem comparativamente na noite. Não há dúvida que as mulheres são, entre elas, mais competitivas que os homens. Mesmo as melhores amigas desejam ser mais cobiçadas que as amigas, ser mais bonitas, mais bem sucedidas profissionalmente, mais... tudo.
Outro epifenómeno da competitividade das mulheres é que, ao contrário dos homens, que não procuram a mulher mais procurada (eu então encontro a beleza geralmente onde os outros não vêm; o que me dá um inabalável gozo), as mulheres interessam-se pelo homem que é mais cobiçado. Tenho pena de ser sempre sempre alvo dos olhares na noite cada vez que estou acompanhado por mulheres. É como se fossemos apreciados por algo que é exterior a nós e que, no fundo, não é uma parte do nosso eu...
Costumo dizer que cada vez que tomo café com uma mulher, os olhos dela são o meu barómetro para saber se passa uma gaja boa nas minhas costas. Sempre que os olhos dela poisam num ponto e o perscrutam, olha na direcção do olhar da mulher que está comigo e...

BOM 2006!

Anjo Pensante