domingo, outubro 30, 2005

Eu tenho dois amores

Em menos de um mês fui um ouvinte atento de duas conversas de duas amigas:

“Só gosto de homens que me tratem mal e não me liguem nenhuma. Há uma pessoa na qual até estava interessada até porque estava sózinha em Lisboa e cheguei mesmo a pensar andar com ele, mas ele depois começou a ligar-me todos os dias e eu agora já nem o posso ouvir. Quando um homem se interessa muito por mim, eu perco logo o interesse”.

“Angel, tu não lutas por mim. Tu não vês as coisas em termos do homem tomar a iniciativa e eu sou uma mulher que quer ser mimada e ser a musa inspiradora do meu homem. Quero que o meu homem só tenha olhos para mim. E que lute muito por mim. Se me conquistares, serei tua para sempre”.

Gostava de saber a opinião das leitoras e leitores sobre para qual das visões se inclinam mais as mulheres.

Angel-throwing-questions-from-above

segunda-feira, outubro 24, 2005

Elogios

Muito recentemente, descobri um site na net com frases de pendor poético de alguma qualidade. O site destina-se a ser um reportório de frases para os românticos e românticas desprovidos de cultura e imaginação.
Ao fim de um quarto de hora de consulta, li uma frase que identifiquei como de uma sms que eu tinha recebido. Fiquei fulo. Depois fiquei triste.
“Neste momento há milhões de pessoas a fazer coisas inúteis mas eu rentabilizo o meu tempo com prazer: penso em ti!”.
A mediocridade refugia-se na padronização. A primeira característica de qualquer elogio é que ele deve ser genuíno. Ok, admito que haja pessoas que encontrem nas outras as palavras certas para dizer o que exprimem, mas plagiar sem citar a fonte é desonesto.
Preferiria algo sincero dito de forma mais atabalhoada com as impressões digitais da alma dessa pessoa. Um milhão de vezes mais.
Outra coisa que abomino é distribuir elogios catalágo, tipo o elogio nº7, o nº8... o elogio não deve ser uma técnica, mas uma luz, um calor, um perfume que sai de uma alma para outra... Quando elogio alguém (de ano a ano), penso sempre no que essa pessoa tem de especial e... único.

Angel-man

sábado, outubro 15, 2005

Tabus femininos vs masculinos

A minha experiência faz-me constatar que os tabus de mulheres e homens se situam em diferentes planos, ou seja, as mulheres têm tabus sexuais, enquanto os homens revelam possuir tabus amorosos.
Os famosos tabus femininos prendem-se com a relação fazer/confessar...no campo sexual, as mulheres não admitem que se masturbam, nem que fazem sexo anal e também têm alegadamente dificuldade em equacionar uma participação num menage à 3 ou swing, etc. Em conversas com amigas, elas são como freiras, pseudo-púdicas que têm um medo e uma preocupação descomunais com aquilo que as amigas (e em última instância, a sociedade) possa pensar delas....hipocrisia!! porque todas o fazem e todas o escondem (parece-me uma pescadinha de rabo na boca ridícula...mas há coisas difíceis de mudar).
Os homens, por seu lado, revelam a meu ver, um conjunto de tabus mais complexo porque estão relacionados com o amor, a paixão. Por exemplo, mulheres que os amigos já comeram são carta fora do baralho, mesmo que estejam apaixonadíssimos por elas. Raros são os homens que quebram este tabu. Acredito que cada vez mais o amor constitui um tabu em si mesmo para os homens de hoje em dia. No outro dia, uma amiga contava-me que um homem com quem ela tem desenvolvido via net uma relação potencialmente muito interessante do ponto de vista amoroso, lhe dizia que nunca namoraria com alguém que conhecesse através da net. Apesar da paixão óbvia que sentem um pelo outro, ele apontava como motivo o facto de possuir esta regra....Acredito que, em relação ao amor, os homens impõem a si próprios regras, tabus “absurdos”...Isto vem corroborar a minha tese de que não só homens mas também mulheres, impõem regras castradoras e que apenas fazem sentido se forem compreendidas pela lógica do politicamente correcto. Os tabus e as regras existem para ser quebrados...

Gata Rina

quarta-feira, outubro 05, 2005

“A Mais”

Atento à língua portuguesa e a todos os fénomenos passíveis de uma observação sociológica como sou, há duas palavras que costumo ouvir com regularidade de amigos e conhecidosa propósito das raparigas que gostam ou com quem se relacionam: “A mais...”.
Citando fielmente de cor e nem adulterando os nomes:
“A Liliana é a pessoa mais impecável que possas conhecer”.
“A Ana é uma mulher perfeita, sei que nunca encontrarei ninguém como ela” (“A mais” está implícito).
“A Margarida é a miúda mais alegre que se possa imaginar”.
“A Joana é perfeita. É o topo... Eu não tenho nada para lhe dar que ela já não tenha”.
Algum deles está enganado. Só uma pode ser “A mais”. Gosto de recordar aos meus amigos que o mundo tem 6 mil milhões de pessoas e nós só conhecemos um infíma parte das pessoas nele. Mas a cegueira sentimental é pior que a cegueira física que ainda tem os sentidos da audição, tacto e olfacto para os contrabalançar...
Quando já se viveu o suficiente em matéria de conhecer o sexo oposto (ou melhor dizendo, o sexo de que se gosta), sabe-se que não existem:
a) alma gémeas;
b) pessoas perfeitas;
c) amor eterno.
Se eu for para a Dinamarca e lá encontrar uma alma gémea quererá isso dizer que a minha alma gémea estava na Dinamarca. Não. Se fosse para a Venezuela, pode-la-ia encontrar também... Todos temos os nossos pontos menos e a pessoa que escreve este artigo sempre foi hiper-exigente da busca da one até que percebeu que ela simplesmente não existe. Existem muitas ones, todas elas com as suas únicas e insubstituíveis defeitos e virtudes... Uma visão menos bonita do mundo, mas uma visão, seguramente mais... Verdadeira.

Angel-looking-over-the-world