sábado, setembro 17, 2005

Episódios da vida real

PRIMEIRA: A rapariga é beta. Tem uma entoação de voz artificial, veste à beta, tem expressões típicas de racismo social e vai ao Tamariz e à Kapital. Namora com um indíviduo muito gordo, com óculos, ar lento e aparvalhado, um tótó a três mil quilómetros de distância. Por coincidência, ele é riquíssimo e o melhor amigo de um dos proprietários do Tamariz. A namorada dele está com um constante ar de enfado ao lado dele. Numa noite essa beta saiu com as amigas e um amigo meu que levou amigos e apresentou toda a gente. Foram ao lux e um dos amigos do meu amigo, moreno e com ar de cigano, curtiu com a betinha... Voltaram a sair e ao terceiro encontro, ela foi sodomizada.
SEGUNDA: Um amigo meu em quem tenho plena confiança veio ter comigo e mais um amigo em comum a um bar. Tinha acabado de estar com a sua amiga colorida. “Uma grande foda!” Bla, bla, bla... Regressando da noite, o outro amigo vai embora e eu fico só com o meu amigo fodilhão. “Angel, ainda não fodi aquela gaja... Curtimos só!” A merda das pressões de grupo. Sinto-me tão tão tão orgulhoso de por todos os meus amigos totalmente à vontade, sabendo a sua sinceridade comigo está garantida, que a amizade é tão forte e dispensa máscaras...

Angel-good-boy J

segunda-feira, setembro 05, 2005

Homens de vestido e com batôn
(Texto que só poderá ser lido em 3005 sob pena de provocar um escândalo dos diabos)

Estive numa festa onde se tinha de usar fato. Era Agosto, o sol caía a pique à três horas estava imenso calor, eu tinha dançado, e o sol escorria freneticamente pelas minhas costas inundando a camisa. Precisava de ar e uma bebida fresca. Alguém ao meu lado tinha um leque que não usava. Pedi-o de empréstimo e abanei-me descomplexadamente.
Uma mulher aproximou-se, procurando meter-se comigo, com uma ironia que nunca me afecta e que desarma sempre essas ofensivas rísiveis:
- Um homem de leque? A abanar-se? Onde já se viu? – disse por entre um sorriso.
Calmamente expliquei-lhe que não partilhava os códigos de macho latina e senteciei:
- Um homem que não faz uma coisa com receio do que os outros vão pensar, esse é que não é um homem com H Grande... Se eu estou a morrer de calor, só se fosse idiota é que não me abanava.
A mulher ficou perplexa e disse:
- Nunca tinha visto as coisas assim mas tens toda a razão...
Fiquei feliz. Fico sempre tremendamente feliz quando destruo na mente de outra pessoa um preconceito.
A diferença entre a mulher e o homem ao nível de ADN é tão somente de dois singelos pontos percentuais, mas as diferenças que a sociedade nos impõe são muitas. Sempre que haja uma dicotomia M/F, perguntemo-nos: mas isto é genético ou social?

- Os homens trabalhar nas obras? Genético, devido a uma maior propensão física dos homens.
- Os homens conduzirem, os homens estarem na política, as mulheres estarem na cozinhas, as mulheres tricotarem? Social.
- Os homens não usarem maquilhagem ou vestidos? Social.

Mulheres desconfiem sempre de homens muito machos que não abraçam homens em discotecas, que não conseguem ver se um homem tem charme, que afirmam repetidas vezes a sua masculinidade com esses pseudo-gestos que mais não são que gratuitas coçadelas de tomates para todos verem... Esses homens, no fundo, não estão seguros da sua masculinidade, têm medo de se confrontarem com outras opções sexuais e de vacilarem...

Angel-sempre-mais-à-frente