quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Não se deveria aproveitar a juventude?
(Reflexões de um epicurista)

Começo este texto com uma ressalva que pode afigurar-se paradoxal para quem continuar a ler o segundo parágrafo: Não há modelos generalizáveis de felicidade e o importante é que cada um encontre o seu caminho de felicidade, as suas sete quintas e essas sete quintas têm sempre sete moradas diferentes para sete diferentes pessoas.

Não deixo, no entanto, de assinalar como observador atento das profundezas da natureza humana que não procura não se deixar iludir com a superfície das coisas, que existe, na camada etária 20-30 anos, uma crescente ânsia, sofreguidão de assentar com alguém, viver com alguém, casar, ter filhos…

No campo das mulheres, há o imperativo biológico dos filhos… nos homens não que o diga Pablo Picasso que teve um filho quando já era octogenário… A menopausa é uma diferença importante que ajuda a explicar a maior sofreguidão feminina e sobre a diferença entre sexos nesta matéria estamos conversados.

Empiricamente, em 2002, um estudo de investigação publicado no DN, 1 em cada 2 casamentos resultou em divórcio. Note-se que se somássemos as separações, os números ainda eram mais assombrosos. Outro dado curioso era que os casais que casaram sem terem vivido antes juntos tinham uma taxa de divórcio substancialmente mais alta (o que é curioso porque sendo os mais conservadores deveriam ser os mais anti-divórcio). Penso que a pressa em casar/estabilizar cedo ajuda a explicar este fenómeno.

Imagine o leitor que lhe roubaram toda a roupa. Imagine ainda duas situações. Numa tem uma reunião de emprego à tarde e precisar de ir de manhã a correr comprar roupa para o efeito. Noutra recebe um convite para um baptizado daqui a um mês. Em qual dos horizontes temporais acha ter mais probabilidades de arranjar uma indumentária que goste de forma mais duradoura?

O problema da pressa em assentar é que quando alguém se investe a si próprio da missão de encontrar alguém, desemboca na mediocridade de tentar amar o que lhe aparece, desfocando a realidade ou a pessoa até que a consiga suportar, em vez de lutar por conseguir encontrar aquilo que ama… A busca de um parceiro não deve ser uma missão, deve ser uma revelação espontânea cuja fruição é tanto maior quanto nem sequer estávamos à espera!

Assim como o deleite de umas férias numa ilha paradisíaca sabem melhor a quem teve um ano preenchido de trabalho do que a quem passou o ano a coçá-la ou a coçá-los, assim como sabe melhor regressar a casa quando se teve um dia cheio de stress, frio, chuva e pouco sono; assim o casamento, a estabilidade sabe melhor depois de uma vida rica de experiências, de vários-parceiros-até-encontrar-o-grande-amor, de alguma instabilidade, porque uma coisa é tanto melhor quanto mais fartos estamos do seu contrário.

Para quem sempre teve a rotina, o calor do ninho, a estabilidade, o casamento não é mais do que UM-MAIS-DO-MESMO, um pró-forma, uma continuidade, um acentuar do desgaste, em muitos casos (eh eh eh)…

Mas a razão essencial porque não devemos ter pressa está em cima reflectida no título…
Das mais insuportáveis recriminações que faremos a nós próprios ao longo da vida, nenhuma ecoará tão fundo como sentir que não se viveu a juventude como a primavera e o verão da vida…

Angel-boy-2005-version

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Casamento = sonho das mulheres

Antigamente, era inconcebível uma mulher optar por não casar, optar por ter independência a um nível afectivo...eram outros tempos. Mas o surpreendente, é que as coisas não mudaram muito. Basta conviver de perto com mulheres na casa dos 20 ou 30 solteiras, para se constatar que o casamento ainda ilustra o sonho delas. Talvez acreditem no príncipe encantado ou talvez (e esta é a mais provável) tenham uma necessidade descomunal de estarem ligadas a um homem, que até não as fará felizes, mas têm um homem ao lado delas. Olham o casamento como algo maravilhoso e que é um factor sine qua non da sua felicidade. Eu diria pseudo-felicidade, porque a verdadeira felicidade está sempre dentro de nós e é profundamente nefasto colocarmos a nossa felicidade nas mãos de outra pessoa.
E por isso perseguem este objectivo como se de uma maratona se tratasse, maratona essa que por vezes se inicia logo aos 20anos. Assim, chegam aos 25anos e se ainda não cortaram a meta, ficam desesperadas, angustiadas, sem perceberem a beleza da vida....Torna-se uma obsessão, e como qualquer obsessão deixam de ser racionais e chegam a um ponto em que o que interessa é casar, quase esquecendo ou esquecendo mesmo a parte fundamental, que é: será que é mesmo com aquela pessoa que querem casar?
Quando passam a meta, casam cheias de expectativas, sonhos mas os castelos construídos no ar, caem bem depressa....mas o que interessa é que estão casadas não é?!

Catarina