segunda-feira, dezembro 26, 2005

Os conservadores são pessoas estúpidas

Numa situação em que tive de requer um documento a uma empresa, passaram-me um papel que não correspondia ao que pretendia e cujo formato que me apresentavam violava a própria lei. Como nunca consigo estar calado, reivindiquei o que se exigia que o documento cabalmente apresentasse.
- Dr. Angel, mas nesta empresa fez-se sempre assim...
- Isso não é um argumento de uma pessoa inteligente. Se se fez sempre assim, fez-se sempre... MAL!
O administrador foi chamado e corrigiu na exacta medida das minhas pretensões o documento. Sei que desde então o documento daquela empresa sai como eu o reivindiquei.
É incrível, absolutamente incrível a estupidez o argumento, por excelência, do conservador: “ Foi sempre assim”. Se temos cérebro, não será para questionar as coisas? Ou deveremos deixá-lo hibernar assimilando acriticamente tudo... Tudo o que nos dizem os professores, os pais, os mais velhos... Eu penso que então foi um desperdício dotar a raça humana de cérebro.
É por isso que não entendo como na actual geração de jovens, há pessoas que ainda discriminam em função da raça ou da orientação sexual, como tratam de forma diferenciada homens e mulheres, como condenam idotamente o uso de tatuagens ou pirciengs. Se eu quiser pintar o cabelo de verde, 99% dos jovens – mesmo dos auto-proclamados mais liberais - vão achar que enloqueci. PORQUÊ?
Eu, na parte que me toca, procuro educar os meus pais nesta matéria. Com sucesso.

Feliz Natal. PAZ, AMOR E ALEGRIA...

Angel-mad

domingo, dezembro 11, 2005

O casal-modelo

São um casal na casa dos 50. Proporcionam grande festas no seu lar, são bonacheirões, gostam de uma boa conversa, uma boa gargalhada, uma boa comida.
Peço desculpa se o título da crónica induziu o(a) leitor(a) a imaginar que falaria do bekcam e da spice ou de dois jovens belíssimos, famosos e ricos, que nesta sociedade de fachada constituem um casal-modelo.
Trago para este blog o modelo que preconizo numa relação amorosa. Ao contrário dos outros casais, estes entendem que não vivem numa prisão. Ele e ela gostam de viajar. E fazem-no regularmente. Mas como os seus destinos não coincidem forçosamente, viajam a maior parte das vezes separados. Ela com o seu grupo de amigas, ele com o seu grupo de amigos. No seu quotidiano, também não têm rituais com carácter de obrigatoriedade.
Quando jantam os dois é certo e seguro que é porque naquele dia ambos querem compartilhar a refeição um com o outro. Quano vão ao cinema ou ao teatro, actividades que ambos, enquanto amantes da vida gostam de usufruir, idem, idem... A idade não passa por eles e eles não entendem porque se o corpo lhes permite não hão-de fazer coisas que se convencionou que só os jovens deveriam fazer como ir a um bar ou discoteca, por exemplo...
Pormenor dos pormenores, numa visita-guiada a casa deles, interpelei o filho quando me disse:
- Este é o quarto dos meus pais...
- Este? – perguntei, apontando para as camas.
- Sim, os meus pais dormem em camas separadas...

Ache-se o que se achar, o desgaste deles é menor que na esmagadora maior parte das relações e ambos são pessoas – que eu posso garantir com toda a certeza – que são, a coisa mais importante que alguém pode ser: felizes.

Anjo-polvinhando-oiro-pelo-mundo

domingo, novembro 27, 2005

Pelo direito à indiferença

Duas idosas encasacadas estão sentadas num banco de jardim. Têm aquela aparência das beatas que dizem que a juventude está perdida enquanto tricotam. Passam por elas um casal de dois jovens do sexo masculino de maõs dadas.
- Francamente, se já viu... – murmuram indignadas.
O nosso cérebro é imediatamente direccionado à suposição: elas condenam a homossexualidade e a sua livre expressão de afectos.
Eis que se não quando se ouve:
- Com um frio destes andarem de manga curta...
O slogan aparece: Pelo direito à indiferença.
Compartimentando a homofobia reinante, qualquer especialista em marketing terá de admitir que o golpe publicitário é G-E-N-I-A-L.
Nunca entendi muito bem o porquê do preconceito homofóbico. Porque é cada pessoa não há de poder expressar livremente os seus afectos e sexualidade? Porque é que as pessoas homossexuais não se podem fazer em público tudo o que os heterossexuais podem? E porque é que não havemos todos de defender os direitos dos homossexuais?
Se se entende que há pessoas que não subordinam os seus princípios aos seus interesses; entende-se que possam haver patrões a pugnar pelos direitos dos trabalhadores, ricos a defender os pobres, brancos a defender os negros. Então porque raio é que se alguém aparece a defender os mesmíssimos direitos para os homossexuais, logo é trovejado com: “É gay!”.
Porquê?, perguntava eu. Porque a nossa sociedade é tremendamente homofóbica e temos todos muito medo. Medo do diferente, medo do desconhecido, medo de que sejamos conotados com essa coisa para muitos repugnante:a homossexualidade.
Outro dia falava com um indíviduo que dizia que aceitava as lésbicas mas não os homossexuais porque a visualização das primeiras o agradava e dos segundos o repugnava. Mas uma pessoa não se pode pronunciar sobre esta questão alicerçando-a em opções estéticas. É rídiculo e absurdo cercearmos a liberdade dos outros com base em critérios de agradabilidade visual, rejeitando como se um quadro feio num museu que não queremos levar para casa se tratasse.
O importante é que todos tenham o mesmo direito a expressar afectos e sexualidade. Porque no sexo e nos afectos, desde que haja mútuo consentimento e capacidade de efectuar escolhas, vale literalmente tudo...
O exercício que proponho é difícil de conceber num mundo heterossexualizado. Ouso o arrojo. Alguém heterossexual imaginou o que é uma pessoa viver num mundo ao contrário do seu, onde a sua orientação fosse reprimida, onde tivesse de a exercer às escuras, onde tivesse de dar um mão trémula debaixo da mesa olhando em seu redor ansiosamente?
E alguém acredita que alguém se pudesse escolheria a tendência oprimida, vilipendiada e anatemizada?

Angel-boy

segunda-feira, novembro 21, 2005

O local onde é sempre Verão

Gostariam que vocês dissessem um lugar maravilhoso onde o Sol brilha sempre, onde é sempre, sempre Verão... Posso-vos garantir duas coisas: ele existe e está ao alcançe da vossa mão.................................................................................................. Falo do... HI5! No HI5, há sempre tanto calor que os corpos não aguentam a temperatura, expondo-se. Como me dizia a minha maior amiga (em termos de altura): “Angel, já reparaste que no HI5 é sempre Verão?!...” É engraçado a quantidade de raparigas que expões as maminhas (que depois no quarto são um terço do que aparentem nas fotos) e os rapazes os abdominais como cartã-de-visita. “É isto o que eu sou, é por isto que eu quero ser apreciado” sussuram-nos... Sim, porque aqueles abdominais tem muitas horas de esforço incorporados. Bastava que tivessem dedicado 10% do tempo que gastam com o corpo à leitura e seriam pessoas interessantíssimas. Mas o mais curioso é a falta de frontalidade destas pessoas. A sua hipocrisia. Ainda outro dia, uma conhecida minha com uma daquelas belezas frias e vulgares tipo asssistente de bordo estereotipada/esteticista-cabeleireira-que-vai-ao-café-da-ponte-ao-Domingo que passa horas a depilar-se, horas no ginásio, gastando rios de dinheiro em cremes, roupas e cabeleireiros, a dizer-me que os homens só ligam à beleza... E depois mete uma foto com 2/3 da superfície mamal de fora como Primary Photo do HI5. E não quer ser apreciada por isso... não... Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele... Outra coisa que reparo sempre é nos favorite books que giram sempre à volta dos livros obrigatórios no liceu ex.: Os Maias), ou dos que se ouve falar como Paulo Coelho, Dan Brown ou Nicholas Sparks... A faixa etária abaixo dos 20 é terrivelmente ignorante. Já o sabia, mas o HI5 agigantou-me imenso esta conclusão inferida do contacto com a nova-geração-morangos-com-açúcar. Já não há ch, há x, já não há que que, há k, já não há livros, há revistas, não há teatros, há novelas kitsch, há entretenimento, há bebedeiras, há videojogos, há downloads... Geração Rasca (desculpem, Raska) é esta que tem actualmente menos de vinte anos... não a que passou e que tem agora entre vinte a trinta anos. Enfim, o HI5 é um microcosmos da sociedade e é um tremenda montra de futilidade.

Um último comentário: como as pessoas são todas elas maravilhosas. Só se lêem maravilhas delas... Ninguém tem um defeito, ninguém é rídiculo, ninguém, como dizia o Pessoa: Ninguém levou porrada na vida... Engraçado mundo de perfeição, este... :)

Angel-Angel-Angel:)

terça-feira, novembro 15, 2005

Denunciando putas/oportunistas

Estava eu na mais elegante e sofisticada e cosmopolita discoteca de Lisboa... Sou apresentado a uma miúda com ar pedante, medianamente bonita, cuja beleza é ligeiramente cortada por um fosso dental considerável entre os dentes superiores; e que masca pastilha elástica com a boca aberta (pormenor a desconfiar, pensei). A conversa não me parece nada de especial. Ela encosta-se ao bar e pede algo para beber. Vira-se de costas e diz-me:
- Tens moedas?
Tirei todas as moedas que tinha no bolso, imaginando que lhe iria trocar uma nota.
Ela limpou-me todas da mão com uma rapidez superior à de um etíope a devorar um belo bitoque com batatas fritas.
Ela paga-me a bebida e eu fito-a com um ar fodido. Ela não faz alusão às moedas que me surripiara.
Viro-me para o meu amigo e digo-lhe:
- Vamos sair daqui... Acabei de ser assaltado...
Assim fazemos. Passados uns três quartos de hora, vejo a assaltante encostada a um outro bar. Segue-se o meu diálogo mais minimalista e eficaz na história da noite:
- Pediste-me dinheiro e agora bebes um vodka.
- Ofereceram-me...
- Vives de ofertas?
A donzela meretriz que não tinha dinheiro, tira uma nota do bolso, pede ao empregado que a converta em moedas e dá-me as moedas que me surripiara.
Olho-a com o meu ar mais superior e plácido.
Ela está vermelha, tem o azar de pertencer à minoria de pessoas cuja cor da face denuncia o estado de espírito.
- Tu... tu... - diz-me nervosa.
Eu sorrio.
Ela vira-me as costas e vai-se embora. Volta atrás em passo rápido, levanta-me o dedo à altura da cara e diz:
- (nada lhe sai da boca).
Passado um mês e meio, um outro amigo meu diz-me (na mesma discoteca):
- Bem, está ali uma miúda que não tira os olhos de ti...
Olhei de lado e deparei-me com os seus olhos. Sorri por dentro.
Espero que tenha aprendido a lição.

Angel-boy

quarta-feira, novembro 09, 2005

Conversas de cama

A maior parte dos homens e mulheres que conheço gosta de contar aos amigos e amigas como é a Diana, o Paulo, a Marta, o Rui na cama... Os meus amigos já sabem que comigo não vale a pena. Fecho logo os ouvidos.
Um conhecido meu insistia outro dia em contar-me que uma Andreia tinha apenas um fio de penugem à volta do cli, que engolia e que a foder era mais ou menos... Gostava de saber ( e digo isto com um sorriso) o que a Andreia diria ao saber que a sua intimidade anda na praça pública. Uma conhecida disse-me um dia que sabia que o Diogo fodia mal. Eu perguntei-lhe se ela tinha fodido com ele. Ela disse que sabia pela A e pela B. “Se fode bem ou mal, fiquei sem saber... Agora sei é que ele fode muito”, respondi agastado. Sim, não tenho dúvidas que as mulheres são iguais a contar pormenores (deixemo-nos de hipocrisias ;) ).
Eu tenho um imenso nojo por estórias destas e pessoas como estas. A intimidade nossa, individual e única, pode ser compartilhada se assim o entendermos. Acho que todas as pessoas deveriam guardar algo para si, preservando a indispensável reserva de mistério que todos os seres humanos deveriam manter. Exporem-se gratuita e livremente só as diminui; mas é um direito que lhes assiste!
Exporem as outras é um direito que não lhes assiste. E é indiferente que se diga bem ou mal das prestações da cama. Expor a intimidade das outras pessoas dentro de quatro paredes é sempre soez, ignóbil, indigno, rasteiro, cobarde e repugnante.

Anjo Imaculado

domingo, outubro 30, 2005

Eu tenho dois amores

Em menos de um mês fui um ouvinte atento de duas conversas de duas amigas:

“Só gosto de homens que me tratem mal e não me liguem nenhuma. Há uma pessoa na qual até estava interessada até porque estava sózinha em Lisboa e cheguei mesmo a pensar andar com ele, mas ele depois começou a ligar-me todos os dias e eu agora já nem o posso ouvir. Quando um homem se interessa muito por mim, eu perco logo o interesse”.

“Angel, tu não lutas por mim. Tu não vês as coisas em termos do homem tomar a iniciativa e eu sou uma mulher que quer ser mimada e ser a musa inspiradora do meu homem. Quero que o meu homem só tenha olhos para mim. E que lute muito por mim. Se me conquistares, serei tua para sempre”.

Gostava de saber a opinião das leitoras e leitores sobre para qual das visões se inclinam mais as mulheres.

Angel-throwing-questions-from-above

segunda-feira, outubro 24, 2005

Elogios

Muito recentemente, descobri um site na net com frases de pendor poético de alguma qualidade. O site destina-se a ser um reportório de frases para os românticos e românticas desprovidos de cultura e imaginação.
Ao fim de um quarto de hora de consulta, li uma frase que identifiquei como de uma sms que eu tinha recebido. Fiquei fulo. Depois fiquei triste.
“Neste momento há milhões de pessoas a fazer coisas inúteis mas eu rentabilizo o meu tempo com prazer: penso em ti!”.
A mediocridade refugia-se na padronização. A primeira característica de qualquer elogio é que ele deve ser genuíno. Ok, admito que haja pessoas que encontrem nas outras as palavras certas para dizer o que exprimem, mas plagiar sem citar a fonte é desonesto.
Preferiria algo sincero dito de forma mais atabalhoada com as impressões digitais da alma dessa pessoa. Um milhão de vezes mais.
Outra coisa que abomino é distribuir elogios catalágo, tipo o elogio nº7, o nº8... o elogio não deve ser uma técnica, mas uma luz, um calor, um perfume que sai de uma alma para outra... Quando elogio alguém (de ano a ano), penso sempre no que essa pessoa tem de especial e... único.

Angel-man

sábado, outubro 15, 2005

Tabus femininos vs masculinos

A minha experiência faz-me constatar que os tabus de mulheres e homens se situam em diferentes planos, ou seja, as mulheres têm tabus sexuais, enquanto os homens revelam possuir tabus amorosos.
Os famosos tabus femininos prendem-se com a relação fazer/confessar...no campo sexual, as mulheres não admitem que se masturbam, nem que fazem sexo anal e também têm alegadamente dificuldade em equacionar uma participação num menage à 3 ou swing, etc. Em conversas com amigas, elas são como freiras, pseudo-púdicas que têm um medo e uma preocupação descomunais com aquilo que as amigas (e em última instância, a sociedade) possa pensar delas....hipocrisia!! porque todas o fazem e todas o escondem (parece-me uma pescadinha de rabo na boca ridícula...mas há coisas difíceis de mudar).
Os homens, por seu lado, revelam a meu ver, um conjunto de tabus mais complexo porque estão relacionados com o amor, a paixão. Por exemplo, mulheres que os amigos já comeram são carta fora do baralho, mesmo que estejam apaixonadíssimos por elas. Raros são os homens que quebram este tabu. Acredito que cada vez mais o amor constitui um tabu em si mesmo para os homens de hoje em dia. No outro dia, uma amiga contava-me que um homem com quem ela tem desenvolvido via net uma relação potencialmente muito interessante do ponto de vista amoroso, lhe dizia que nunca namoraria com alguém que conhecesse através da net. Apesar da paixão óbvia que sentem um pelo outro, ele apontava como motivo o facto de possuir esta regra....Acredito que, em relação ao amor, os homens impõem a si próprios regras, tabus “absurdos”...Isto vem corroborar a minha tese de que não só homens mas também mulheres, impõem regras castradoras e que apenas fazem sentido se forem compreendidas pela lógica do politicamente correcto. Os tabus e as regras existem para ser quebrados...

Gata Rina

quarta-feira, outubro 05, 2005

“A Mais”

Atento à língua portuguesa e a todos os fénomenos passíveis de uma observação sociológica como sou, há duas palavras que costumo ouvir com regularidade de amigos e conhecidosa propósito das raparigas que gostam ou com quem se relacionam: “A mais...”.
Citando fielmente de cor e nem adulterando os nomes:
“A Liliana é a pessoa mais impecável que possas conhecer”.
“A Ana é uma mulher perfeita, sei que nunca encontrarei ninguém como ela” (“A mais” está implícito).
“A Margarida é a miúda mais alegre que se possa imaginar”.
“A Joana é perfeita. É o topo... Eu não tenho nada para lhe dar que ela já não tenha”.
Algum deles está enganado. Só uma pode ser “A mais”. Gosto de recordar aos meus amigos que o mundo tem 6 mil milhões de pessoas e nós só conhecemos um infíma parte das pessoas nele. Mas a cegueira sentimental é pior que a cegueira física que ainda tem os sentidos da audição, tacto e olfacto para os contrabalançar...
Quando já se viveu o suficiente em matéria de conhecer o sexo oposto (ou melhor dizendo, o sexo de que se gosta), sabe-se que não existem:
a) alma gémeas;
b) pessoas perfeitas;
c) amor eterno.
Se eu for para a Dinamarca e lá encontrar uma alma gémea quererá isso dizer que a minha alma gémea estava na Dinamarca. Não. Se fosse para a Venezuela, pode-la-ia encontrar também... Todos temos os nossos pontos menos e a pessoa que escreve este artigo sempre foi hiper-exigente da busca da one até que percebeu que ela simplesmente não existe. Existem muitas ones, todas elas com as suas únicas e insubstituíveis defeitos e virtudes... Uma visão menos bonita do mundo, mas uma visão, seguramente mais... Verdadeira.

Angel-looking-over-the-world

sábado, setembro 17, 2005

Episódios da vida real

PRIMEIRA: A rapariga é beta. Tem uma entoação de voz artificial, veste à beta, tem expressões típicas de racismo social e vai ao Tamariz e à Kapital. Namora com um indíviduo muito gordo, com óculos, ar lento e aparvalhado, um tótó a três mil quilómetros de distância. Por coincidência, ele é riquíssimo e o melhor amigo de um dos proprietários do Tamariz. A namorada dele está com um constante ar de enfado ao lado dele. Numa noite essa beta saiu com as amigas e um amigo meu que levou amigos e apresentou toda a gente. Foram ao lux e um dos amigos do meu amigo, moreno e com ar de cigano, curtiu com a betinha... Voltaram a sair e ao terceiro encontro, ela foi sodomizada.
SEGUNDA: Um amigo meu em quem tenho plena confiança veio ter comigo e mais um amigo em comum a um bar. Tinha acabado de estar com a sua amiga colorida. “Uma grande foda!” Bla, bla, bla... Regressando da noite, o outro amigo vai embora e eu fico só com o meu amigo fodilhão. “Angel, ainda não fodi aquela gaja... Curtimos só!” A merda das pressões de grupo. Sinto-me tão tão tão orgulhoso de por todos os meus amigos totalmente à vontade, sabendo a sua sinceridade comigo está garantida, que a amizade é tão forte e dispensa máscaras...

Angel-good-boy J

segunda-feira, setembro 05, 2005

Homens de vestido e com batôn
(Texto que só poderá ser lido em 3005 sob pena de provocar um escândalo dos diabos)

Estive numa festa onde se tinha de usar fato. Era Agosto, o sol caía a pique à três horas estava imenso calor, eu tinha dançado, e o sol escorria freneticamente pelas minhas costas inundando a camisa. Precisava de ar e uma bebida fresca. Alguém ao meu lado tinha um leque que não usava. Pedi-o de empréstimo e abanei-me descomplexadamente.
Uma mulher aproximou-se, procurando meter-se comigo, com uma ironia que nunca me afecta e que desarma sempre essas ofensivas rísiveis:
- Um homem de leque? A abanar-se? Onde já se viu? – disse por entre um sorriso.
Calmamente expliquei-lhe que não partilhava os códigos de macho latina e senteciei:
- Um homem que não faz uma coisa com receio do que os outros vão pensar, esse é que não é um homem com H Grande... Se eu estou a morrer de calor, só se fosse idiota é que não me abanava.
A mulher ficou perplexa e disse:
- Nunca tinha visto as coisas assim mas tens toda a razão...
Fiquei feliz. Fico sempre tremendamente feliz quando destruo na mente de outra pessoa um preconceito.
A diferença entre a mulher e o homem ao nível de ADN é tão somente de dois singelos pontos percentuais, mas as diferenças que a sociedade nos impõe são muitas. Sempre que haja uma dicotomia M/F, perguntemo-nos: mas isto é genético ou social?

- Os homens trabalhar nas obras? Genético, devido a uma maior propensão física dos homens.
- Os homens conduzirem, os homens estarem na política, as mulheres estarem na cozinhas, as mulheres tricotarem? Social.
- Os homens não usarem maquilhagem ou vestidos? Social.

Mulheres desconfiem sempre de homens muito machos que não abraçam homens em discotecas, que não conseguem ver se um homem tem charme, que afirmam repetidas vezes a sua masculinidade com esses pseudo-gestos que mais não são que gratuitas coçadelas de tomates para todos verem... Esses homens, no fundo, não estão seguros da sua masculinidade, têm medo de se confrontarem com outras opções sexuais e de vacilarem...

Angel-sempre-mais-à-frente

terça-feira, agosto 30, 2005

O típico homem actual

Estes homens surgem em massa, como quase tudo nos nossos dias. São homens que têm tanto de misterioso como de previsível. Vivem a vida como se estivessem sozinhos neste planeta, isto é, pensam única e exclusivamente no seu “eu”. E isto reflecte-se em tudo à sua volta. Homens na casa dos 25-35 que vivem sozinhos ou não, com um emprego estável e com um palminho de cara...é este o retracto imediato destes homens.
Pensam sempre que são demasiado novos para assumir qualquer compromisso e por isso, querem “curtir a vida” (como eles próprios dizem) e isto é sinónimo de comer muitas gajas e ficar bêbado muitas noites na companhia dos amigos. Isto estaria tudo muito bem, não fosse o facto de pelo caminho irem destroçando alguns corações de mulheres, que caíram no erro de os achar interessantes. Eles olham para elas como se fossem objectos destinados somente a proporcionar prazer e, por isso, quando a fonte de prazer se esgota, partem para outra, deixando no ar um silêncio ensurdecedor para estas mulheres.
Será que é apenas um reflexo da nossa sociedade onde reina o descartável? Acredito que algumas mulheres também adoptam este comportamento, mas em versão feminina...com contornos mais maquiavélicos. De qualquer forma, não deixo de me pasmar com a evolução dos homens...

Cat Woman

quinta-feira, agosto 18, 2005

É melhor comer muita(o)s ou pouca(o)s gaja(o)s?

A minha resposta a esta pergunta mudou ao longo dos anos. Diria “muitas” durante um longo período da minha vida. A favor do meu argumento, tinha várias coisas...
O facto de o acumular de experiência nos permitir estar preparado para lidar com diferentes pessoas, o facto de precisarmos de experimentar vários tipos de pessoas antes de decidirmos qual realmente queremos, o facto de achar que se depois de estabilizar ficámos só com uma, então... a melhor preparação para a monogamia seria rodar muitas... E acima de tudo, o meu lema “Arrependo-me apenas do que não fiz e não do que fiz”:
Circunstâncias da vida concorreram para inverter mentalmente o meu paradigma. Em primeiro lugar, constatei que as pessoas, gajas e gajos que comem ou pretendem comer muitos gajos e gajas, tendencialmente são mais frias emocionalmente, diria mesmo vazias, valorizando mais a carne do que o espírito.
Tenho um amigo que dizia que só comia gajas “para a média”. Mesmo quando uma rapariga não lhe dava prazer, ele contrapunha “Mas é mais uma para a média!”. Um dia apanhei-o a gritar a um espelho “Macho! Machooooooooo!” enquanto batia selvaticamente no peito despido. Tirem, portanto, as vossas conclusões.
Mas aquilo que me mais me fez mudar foi uma pergunta... Alguém me perguntou se eu me tinha envolvido com Filipa (nome adulterado) no passado. Eu menti. Eu menti. O meu interlocutor disse que lhe tinham dito que eu me tinha envolvido com ela mas acreditou em mim. E isso causou-me uma grande perturbação.
Fui para casa cabisbaixo a pensar nisso. Porque que raio tinha precisado de mentir? Costuma-se dizer que o homem não come e conta e a mulher come e não conta. Mas eu não só não tinha omitido, eu fora encostado à parede e tinha mentido. Porquê?
Tinha vergonha de me ter envolvido com ela. Porquê? Ela até era bonita... Mas era fútil, fútil e ignorante, uma miúda sem literatura. Oh!, como eu tinha vergonha de a ter no meu currículo afectivo-sexual. Acreditem, é uma sensação horrível. E é muito pior do que a sensação de não ter comido alguém que se teria comido...

Angel-always-thinking

quarta-feira, agosto 10, 2005

Deusas (Como lidar com elas)

Passeiam-se pelas discotecas com ar altivo e enjoado. Gostam de passar à frente nas filas das discotecas. Quando lhes batem um couro, fingem-se entediadas. Estão habituadas a que lhes satisfaçam todos os caprichos, mesmo que isso implique comprar um sumo de abacaxi às três e meia da manhã em Freixo de Espada à Cinta. Conseguem boleias constantes e idas aos cinema de graça. Conseguem mesmo evitar multas com um sorriso insinuante. Só gostam de ser vistas com gente de topo, seja pelo prestígio, pela guita ou pela pinta. Não têm grande actividade neuronal nem uma conversação agradável. Grande parte da sua arrogância está alicerçada na sua beleza. São assim, as Deusas.
Tomava eu outro dia café com uma semi-deusa, quando ela pediu um sumo XPTO e uma sobremesa bem cara. Eu estava atrás dela na caixa e ela depois de fazer o pedido, levou as coisas para a mesa, deixando-me a olhar para a mulher da caixa, com a inevitável obrigação de pagar.
- Joana (nome adulterado), tens de pagar! – disse veementemente.
A Joana ficou de trombas e pagou.
- És mesmo forreta... (Ela sabe bem que não...Aliás, se não fosse a atitude ostensiva de Joana tomar por garantido que lhe ia pagar, eu tinha pago o café!)
Expliquei-lhe o princípio de direitos iguais/deveres iguais, expliquei-lhe também que a atitude dela era ressuscitar o machismo, o tempo das famílias patriarcais em que os homens pagavam tudo às mulheres não tendo elas lugar no mercado de trabalho, etc, etc... Uma lição espontânea.
O mais engraçado caro (a) leitor, é que noutro café com Joana, ela tentou-me pagar o café... É mesmo para rir, pois é!...
- Não percebeste nada do que te disse da outra vez... – disse eu.
É engraçado como dando às deusas a antítese do que todos-os-outros-homens-cachorrinhos-lhes-dão-de-mão-beijada, elas caem imediatamente do pedestal e ficam brandas e carinhosas...
Não olhem para elas de forma rebarbada quando elas passam, tentem até que o vosso olhar não se cruze com o delas, não lhes satisfaçam as vontades, evitem toda e qualquer generosidade, não as convidem para nada... E, ACIMA DE TUDO, NÃO SEJAM SIMPÁTICOS! E... efeito colateral, terão mais hipóteses de sucesso com elas. Quanto mais lhes dão, mais elas vos sugarão tudo (hão-de ficar com o cartão de crédito com saldo negativo) e menos consideração e apetecibilidade vocês representarão para elas...
Quando é que os homens perceberão que o poder que essas pseudo-deusas têm emana somente das suas atitudes submissas? E que se não forem cãezinhos a lamberem-lhe os tornozelos, elas continuarão a ser humildes lojistas da Zara...

Anjo-pastor-ordenando-ovelhas

segunda-feira, julho 18, 2005

And the oscar goes to...

Na triste elite que pontifica no nosso pequeno Portugal, reina muita mediocridade, muita opacidade, muito cinzentismo. Estamos todos de acordo... Não existe ninguém brilhante e quando o é, é imediatamente rotulado de panasca ou sobranceiro. Não será acidental que o Mourinho congregue os dois rótulos (o segundo bastante justamente) e que o nosso único Nobel vivo esteja fora do nosso pequeno-quintal-à-beira-mar-plantado...
Servem estes devaneios de intróito à seguinte pergunta: Existirá algum sedutor português na verdadeira acepção da palavra? Alguém cujo magnestismo especial hipnotize corações e cuja simples menção do nome faça estremeçer as mulheres como varas verdes? Alguém merecerá o epíteto D. Juan Português?

Zézé Camarinha: Este senhor é um labrego. Não é um sedutor. É um touro de cobrição. Afirmou no Cabaret da Coxa que o seu truque é “ser um lober”. Quereria talvez dizer lover.

Charme 0
Boçalidade 0
Ar de picha mole 5
Total: 5

Diogo Infante: Tem charme, inteligência, sensibilidade e beleza, mas ninguém lhe consegue tirar o ar de menino dócil que não excita as mulheres. Não transmite segurança. E é isso que o mata. Parece um “little bird”... Talvez tenha pouca experiência com mulheres.

Charme 5
Boçalidade 5
Ar de picha mole 0
Total: 10

Nicolau Breyner: Namorou várias mulheres, última das quais (das oficiais) a bela Sofia Sá da Bandeira. Se não as consegue segurar ou se é ele que se farta delas, não se sabe. Tem uma boa voz, sentido de humor e vivacidade. Contra ele, tem o enorme handicap de ter pinta de camionista ou, vá lá, motorista de táxi.

Charme 5
Boçalidade: 3
Ar de picha mole: 5
Total: 13

Santana Lopes: Caiu em desgraça. Terá ainda muitas mulheres, mas hoje em dia, não é digno de ganhar qualquer troféu. Todos os portugueses o querem longe da vista.

Ausência de pontuação (não vá o Sampaio irritar-se).

Capitão Roby: A palavra sedutor fica aquém dos seus méritos. É mais do que isso... É um conquistador... Um burlão, sem dúvida, mas um senhor, um mestre na arte de cortejar. E´ incrível como depois do aproveitamento que fez das mulheres, logrou ter dezenas de mulheres no tribunal para o defender e a chorar pela sua prisão. Incrível , absolutamente incrível. Pese embora a gordura, os cabelos brancos, a voz rouca e interrompida a cada passo, mantém um tremendo magnetismo... Viu-se na quinta das celebridades... Num dia deixou a Lili Caneças a suspirar... Viu-se numa entrevista notável que deu na TVI onde a Felicia Cabrito ligou para o programa e disse “Esse senhor de mãos sapudas, que esta´sempre a fumar, que é feio, que tem cara de vôvô... Como pôde ele dormir com centenas de mulheres? Tenho de ir para a cama com ele para perceber...” O mestre Roby respondeu “Eu tenho uma larga experiência com mulheres e logo, logo ao início quando ouvir a senhora Felicia falar, disse para mim: Esta quer ir para a cama comigo. E claro está: acertei!”.

Charme: 5
Boçalidade: 5
Ar de picha mole: 5
Total: 15

E o vencedor é Jorge Veríssimo, o Capitão Roby.

Angel-in-a-soft-velvet-cloud

sábado, julho 09, 2005

Fiel ou infiel?

Não consigo deixar de me exaltar no sofá sempre que vejo este programa. Não falo da peixeirada do povão que marca presença na assistência, ávidos de protagonismo porque nunca até então alguém alguma lhes pediu publicamente uma opinião; não falo também do apelo do dinheiro e do poder (só quem não vive neste mundo ficaria espantado); não falo também da facilidade e do imediatismo do sexo que acontece logo ao primeiro encontro entre dois desconhecidos.
Falo dos sedutor eleito para o programa (ainda não vi a sedutora, confesso). Alguém me explica POR FAVOR como é que um energúmeno de ginásio, com ar de tunning de Chelas, parco em vocabulário, parco em expressões faciais, que não consegue desenvolver uma ideia, que tem cara de bronco, penteado de fuzileiro, expressões facias a roçar o atrasado mental pode ser promovido à categoria hoje tão mal-tratada de sedutor? Mas o magnestismo de um gajo resume-se aos músculos?
Porque é que todas as mulheres me dizem que odeiam bois de ginásio que associam a porteiros de discoteca e actores porno e depois estes gajos são apresentados como icones de sedução e fazem o furor nas despedidas de solteiro? Que contra-senso! Afinal, gostam ou não de gajos hiper-musculados, tatuados, com brincos/argolas? Por uma questão de respeito para com o tempo que esses grunhos passam em ginásios, acha que as mulheres se não gostam desses corpos, deviam transmiti-lo a esses seres para qeu coitados pudessem aproveitar melhor o tempo.
É que eles estão hiper-convencidos da sua beleza escultural que fará o mimo de qualquer mulher. Bastou ouvir esse sedutor (Pedro, creio, ou seria Pedra?) dizer mal entrou em estúdio para explicar a traição “Este corpinho tem treze anos de ginásio ao passo que o teu (o do namorado traído) se calhar nem um mês!” E riu-se.
Será esse um motivo para se vangloriar? Um causa plausível de traição? Um troféu? Como terá ficado o seu cerébro que nunca se alimentou de livros? É com corpos que falamos, comunicamos e fazemos amor?!...

Angel-has-a-wish

sábado, abril 16, 2005

A queda do império


"A JUÍZA do processo «Apito Dourado», Ana Cláudia Nogueira, concluiu que Pinto da Costa é pessoalmente responsável por ofertas a árbitros, incluindo o serviço de prostitutas. E esses «presentes» não eram feitos por «filantropia» mas para obter contrapartidas no terreno desportivo. Contrapartidas que tinham por objectivo beneficiar o FC Porto e prejudicar o Sporting e o Benfica. O despacho, cujas linhas gerais foram reveladas ao EXPRESSO por fonte judicial, refere o desafio Porto-Estrela da Amadora, realizado em 24 de Janeiro de 2004 - onde, segundo a juíza, houve muitos erros de arbitragem que o próprio árbitro, Jacinto Paixão, posteriormente reconheceu. Esses erros favoreceram sistematicamente o FC Porto."


in Expresso 16/04/2005

terça-feira, abril 05, 2005

Colaboração da nossa amiga, Deusa C.

Trespassada por uma lâmina de fogo

De volta àquele sítio com vista sobre a cidade...olhamos pela janela e observamos o movimento, a cor, a vida da cidade...que janela(s) especial(is) aquela(s)! O movimento da cidade assemelha-se ao movimento do sangue nas nossas veias...viaja velozmente. Sinto-nos invadidos por um desejo ardente que nos consome...agarras-me e encostas-me à parede firmemente. É como se estivesse “entre a espada e a parede” mas a sensação que me percorre é extasiante...o teu corpo encosta-se ao meu e beijas-me...ouço a tua respiração ofegante bem perto de mim e isso deixa-me ainda mais louca. Apertas-me contra aquela parede e sinto-te cheio de tesão, cheio de vida...na minha cabeça ecoa este desejo: possuí-me, possuí-me já contra esta parede! Tens o desejo marcado no rosto e no corpo que está em chamas e então tocas no meu rosto e beijas-me...essa boca sensual que me morde o rosto ferozmente, qual pantera a agarrar a sua presa...Os nossos corpos unem-se como se tivessem um íman...quentes, sôfregos, insaciáveis...

Deusa C.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Não se deveria aproveitar a juventude?
(Reflexões de um epicurista)

Começo este texto com uma ressalva que pode afigurar-se paradoxal para quem continuar a ler o segundo parágrafo: Não há modelos generalizáveis de felicidade e o importante é que cada um encontre o seu caminho de felicidade, as suas sete quintas e essas sete quintas têm sempre sete moradas diferentes para sete diferentes pessoas.

Não deixo, no entanto, de assinalar como observador atento das profundezas da natureza humana que não procura não se deixar iludir com a superfície das coisas, que existe, na camada etária 20-30 anos, uma crescente ânsia, sofreguidão de assentar com alguém, viver com alguém, casar, ter filhos…

No campo das mulheres, há o imperativo biológico dos filhos… nos homens não que o diga Pablo Picasso que teve um filho quando já era octogenário… A menopausa é uma diferença importante que ajuda a explicar a maior sofreguidão feminina e sobre a diferença entre sexos nesta matéria estamos conversados.

Empiricamente, em 2002, um estudo de investigação publicado no DN, 1 em cada 2 casamentos resultou em divórcio. Note-se que se somássemos as separações, os números ainda eram mais assombrosos. Outro dado curioso era que os casais que casaram sem terem vivido antes juntos tinham uma taxa de divórcio substancialmente mais alta (o que é curioso porque sendo os mais conservadores deveriam ser os mais anti-divórcio). Penso que a pressa em casar/estabilizar cedo ajuda a explicar este fenómeno.

Imagine o leitor que lhe roubaram toda a roupa. Imagine ainda duas situações. Numa tem uma reunião de emprego à tarde e precisar de ir de manhã a correr comprar roupa para o efeito. Noutra recebe um convite para um baptizado daqui a um mês. Em qual dos horizontes temporais acha ter mais probabilidades de arranjar uma indumentária que goste de forma mais duradoura?

O problema da pressa em assentar é que quando alguém se investe a si próprio da missão de encontrar alguém, desemboca na mediocridade de tentar amar o que lhe aparece, desfocando a realidade ou a pessoa até que a consiga suportar, em vez de lutar por conseguir encontrar aquilo que ama… A busca de um parceiro não deve ser uma missão, deve ser uma revelação espontânea cuja fruição é tanto maior quanto nem sequer estávamos à espera!

Assim como o deleite de umas férias numa ilha paradisíaca sabem melhor a quem teve um ano preenchido de trabalho do que a quem passou o ano a coçá-la ou a coçá-los, assim como sabe melhor regressar a casa quando se teve um dia cheio de stress, frio, chuva e pouco sono; assim o casamento, a estabilidade sabe melhor depois de uma vida rica de experiências, de vários-parceiros-até-encontrar-o-grande-amor, de alguma instabilidade, porque uma coisa é tanto melhor quanto mais fartos estamos do seu contrário.

Para quem sempre teve a rotina, o calor do ninho, a estabilidade, o casamento não é mais do que UM-MAIS-DO-MESMO, um pró-forma, uma continuidade, um acentuar do desgaste, em muitos casos (eh eh eh)…

Mas a razão essencial porque não devemos ter pressa está em cima reflectida no título…
Das mais insuportáveis recriminações que faremos a nós próprios ao longo da vida, nenhuma ecoará tão fundo como sentir que não se viveu a juventude como a primavera e o verão da vida…

Angel-boy-2005-version

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Casamento = sonho das mulheres

Antigamente, era inconcebível uma mulher optar por não casar, optar por ter independência a um nível afectivo...eram outros tempos. Mas o surpreendente, é que as coisas não mudaram muito. Basta conviver de perto com mulheres na casa dos 20 ou 30 solteiras, para se constatar que o casamento ainda ilustra o sonho delas. Talvez acreditem no príncipe encantado ou talvez (e esta é a mais provável) tenham uma necessidade descomunal de estarem ligadas a um homem, que até não as fará felizes, mas têm um homem ao lado delas. Olham o casamento como algo maravilhoso e que é um factor sine qua non da sua felicidade. Eu diria pseudo-felicidade, porque a verdadeira felicidade está sempre dentro de nós e é profundamente nefasto colocarmos a nossa felicidade nas mãos de outra pessoa.
E por isso perseguem este objectivo como se de uma maratona se tratasse, maratona essa que por vezes se inicia logo aos 20anos. Assim, chegam aos 25anos e se ainda não cortaram a meta, ficam desesperadas, angustiadas, sem perceberem a beleza da vida....Torna-se uma obsessão, e como qualquer obsessão deixam de ser racionais e chegam a um ponto em que o que interessa é casar, quase esquecendo ou esquecendo mesmo a parte fundamental, que é: será que é mesmo com aquela pessoa que querem casar?
Quando passam a meta, casam cheias de expectativas, sonhos mas os castelos construídos no ar, caem bem depressa....mas o que interessa é que estão casadas não é?!

Catarina

sábado, janeiro 08, 2005

O Culto do corpo

Nunca como hoje, o corpo, a beleza física ou exterior, o sexo foram fenómenos tão marcantes da paisagem urbana. Por todo o lado, proliferam os mupis com corpos desenhados a compasso e esquadro, com expressões corporais a incitar explicita e deseperadamente ao sexo, frases alusivas ao tamanho da pila, ou das mamas, filmes que só procuram suscitar a curiosidade pelo sexo, sexo, sexo…
Outro sintoma interessante é a crescente frequência de ginásios, que deu origem a uma recente doença, a vigorexia, que afecta essencialmente os homens, clinicamente diagnosticada como a compulsão pela frequência de ginásios, pela visualização do corpo no espelho e pela ida à balança a ver se se aumenta de peso (desejo que reflecte que se “encheu”). Cerca de 18% dos homens que vão a ginásios já sofre deste patologia que vai aumentando, aumentando…E cada vez menos os ginásios são um sítio onde se vai para contribuir orgânica e saudavelmente, de acordo com o “Mente sã em corpo são” que herdamos da sabedoria da Grécia Antiga.
As mulheres, por seu turno, são cada vez mais um objecto modelável, metamorfoseado pela cirurgia plástica. Ele é silicone nas mamas (que é uma merda para o tacto!!!), no rabo, limpoaspiração, liftings, entre outras coisas…
E claro, há cada vez mais a paranóia dos acessórios que estimulem o sexo, do qual o mais hodierno são os fios dentais.
Uma sociedade que cultiva a forma em detrimento do conteúdo, a embalagem em vez do presente, isto porque, sendo fenómenos antitéticos, ao reforçar-se um, atrofia-se inequivocamente o outro, uma sociedade que apresenta cada vez mais o culto do efémero, do superficial, do imediatamente dissipável, ao invés daquilo que nos elevam da condição humana… não poderá, desculpem o pessimismo latente, não poderá, concluía eu, ir longe…

Angel-boy-has-a-t-shirt

domingo, janeiro 02, 2005

Como levar uma rapariga até à cama

Na sociedade machista que temos, que infelizmente temos, e não é por sermos homens que não o devemos admitir porque homem que é homem com H Grande deve elevar os princípios acima dos seus interesses, uma mulher que foda com muitos é uma puta, e um homem um garanhão. Então… esta vergonha social que recai sobre as mulheres faz que muitas se retraiam para o acto…

Para uma mulher, a foda tem de ser algo especial, não gratuito, imbuído de um qualquer significado…

Das duas uma. Ou conseguimos levar a mulher até a um grau de excitação em que ela não consiga agir de acordo com os seus princípios, ou então, atribuímos à foda que lhe queremos dar, um qualquer significado estético, transcendental, amoroso, ideológico, eventualmente ecológico-ambiental… Tenho um amigo que me contou ter-se feito passar por brasileiro para foder uma portuguesa, conferindo à foda entre ambos um reforço da lusofonia. “Vamos levar a solidariedade entre os nossos povos irmãos à sua expressão máxima” (SIC). Teve sucesso…

No primeiro dos casos, é importante é (e qualquer homem experiente concordará neste ponto) tentar insistentemente fodê-la. Se ela se deixar paulatinamente beijar e acariciar, acabará (ao fim de meia-hora, de uma hora, de duas horas, de três horas…), acabará por, inevitável e humidificadamente, sucumbir à foda… “Põe o pau, mas não o introduzas, roça só na minha vagina” quererá, garantidamente, dizer “FODE-ME”.

Na hipótese da atribuição do significado, é importante roçar o pau nela e dizer “Eu nunca tive uma erecção com uma mulher sem que ela me tocasse” (isto fá-la-á sentir especial) ou “Tens a certeza que queres mesmo?” (quando já tiverem a foda quase no papo, dito preferencialmente com ar tímido). É, contudo, próprio de um carácter nobre não alimentar sentimentos estáveis e duradouros em troca de uma foda pontual. Quer isto dizer: não digam que amam quem não amam só para a foder!

Tentem que o caralho não faça de vocês uns pulhas!

Angel-experienced-boy