domingo, outubro 31, 2004

Lolitas II – A verdade é dura e difícil de encarar, mas é a verdade

Hoje em dia, uma das temáticas mais em voga é a pedofilia. Pretendo contribuir para esta discussão com um ponto de vista que nunca vi desenvolvido.
A pedofilia é, regra geral, tratada de forma maniqueísta e emocional. Demagogicamente, fala-se numa simplificadora luta entre os pedófilos e as criancinhas. Mas a verdadeira luta está entre a verdade e a mentira.
Tendemos a ver as crianças não como elas são, mas como queríamos que fossem. Desiludidos que estamos com o mundo dos adultos, competitivo, enfadonho e artificial, projectamos para as crianças a inocência sem limites e corações imaculados.
As crianças são fofinhas como ursinhos de peluche e amoráveis como os golfinhos, ah e claro está! são todas inocentes…
Esta visão está distorcidamente alicerçada na emoção e numa projecção ideal que todos temos das crianças, toldando-nos o raciocínio. O peso desta visão é fortíssimo e nasceu com o grande mestre da civilização ocidental – Jesus Cristo – que disse que tínhamos de ser como as criancinhas para entrarmos no Reino dos Céus… E o próprio Pessoa disse que o melhor do mundo são as crianças…
O problema é que à semelhança do que acontece no mundo dos adultos, nem todas as crianças são inocentes e bondosas… Lembremo-nos daquela criança mais forte que roubava os brinquedos às outras ainda no infantário… Lembremo-nos daquele rapaz que foi dizer ter dormido com Carlos Cruz e que a própria mãe foi ao tribunal desmentir dizendo que tinha sido pago por um jornalista… Lembremo-nos das declarações de cara tapada de uma criança na TVI que dizia ter dormido com uma série de VIP´s mas que os consensualmente todos os telespectadores entenderam perfeitamente que mentia (até a própria Boca Guedes). Lembremo-nos, por exemplo, do massacre de Columbine…
Dizer que estamos sempre pelas crianças contra os pedófilos é dizer às crianças “Dizei o que quiserdes que nós (a sociedade) acreditaremos”. E é sabendo isto, é dando-lhe esta terrível arma, que crianças eticamente mal formadas se aproveitam a troco de dinheiro, a troco de fama ou pelo puro prazer de ter poder para infligir sofrimento aos outros, se aproveitam desse estatuto que lhes conferimos de inocência intacta para lixar a vida de outros… A perversidade começa assim cada vez mais cedo…

Note-se que não quero ser maniqueísta, dizendo que as crianças mentem sempre! Estou apenas a nomear e criticar o maniqueísmo contrário interiorizado, em larga escala, na sociedade do século XXI que as crianças dizem sempre a verdade!
Como amante da literatura, acredito que nela se encontram todas as verdades da natureza humana. O que acima relatei foi inexcedívelemente descrito por Vladimir Nabokov na sua obra-prima Lolita, criando o conceito de ninfetas, crianças-demónio capazes de seduzir e despedaçar homens mais velhos e maduros.
“Entre o limite de idade que vai dos nove aos catorze, existem raparigas que, diante de certos viajantes enfeitiçados, revelam sua verdadeira natureza, que não é humana, mas "nínfica" (isto é, demoníaca)”.
Como se distinguiam estas crianças das outras? O narrador diz-nos que, dentro de uma fotografia da escola, a ninfeta não era necessariamente a mais bonita, podendo-se identificar por:
“Características misteriosas, a graça tresloucada, o charme indefinível, astuto, insidioso, que despedaça almas e que distingue a ninfeta das demais moças de sua idade”.
Fica o aviso.

Angel-lovely- boy

sábado, outubro 16, 2004

LOLITAS I - Estórias Reais

Deixem que vos conte duas estórias reais vividas por mim ainda este ano:

a) Estando eu numa festa de aniversário numa casa particular...
Uma criança de doze anos, do sexo feminino, começou a querer brincar comigo.... Eu conversava com amigos e os toques e brincadeiras dela não tiveram grande feedback da minha parte. Notei que a rapariguinha ficou algo frustrada, fitando-me com um sorriso amuado...
Quando chegou a altura de cantar os parabéns, as luzes apagaram-se e a criaturinha de doze anos colocou-se estrategica e diabolicamente à minha frente. Sem que eu me mexesse ou sequer descruzasse os braços, ela pulou e histérica virou-se na minha direcção dizendo “Então?...”. Gelou-se-me o sangue como quando uma vez o comboio onde ía parou no meio de um túnel absorto na escuridão.
A mãe dela olhou na minha direcção. Seguramente, todos os presentes terão olhado na minha direcção. Seguramente, todos terão pensado que eu apalpei a menina inocente. E eu nada poderia fazer para provar a minha inocência. Paguei o meu desprezo com uma vingança maléfica e genial de uma criança com apenas doze anos.

b) Estando eu na praia...
Ouvi atrás de mim um conjunto de rapariguinhas entre os 13 e os 15 anos a falarem sobre rapazes. Uma delas, branquinha, pequenina, cabelo à Mafalda, cara bonitinha, proferiu as seguintes frases:
- “Curti com o Miguel... ai foi tão bom!... Eu disse-lhe que ele beijava mal só para ver a reacção dele! Ele ficou cá com uma cara! Ah ah ah!”
As outras três juntaram-se aos risos.
Falei com o Sr. João sobre esta conversa e estes risos ao que ele sabiamente sentenciou “É assim que nascem traumas para o futuro...”.

(to be continued)
Angel Boy

terça-feira, outubro 12, 2004

Como usufruir de uma mulher?
(Texto da autoria de Mr. X, amigo da tasca que nos presenteou com uma pérola de sabedoria)

“Usufruir = v. tr. ter o usufruto de, gozar; possuir.”

É simples e redutível:

A) Não deixar de pensar que levar um ‘não!’ é sempre possível. E sendo possível há que o enfrentar assim como qualquer medo que nos invade ao longo da vida. Saber aceitar um não é meio caminho para chegar lá! Quando interiorizares esta rejeição à partida estarás apto. Atenção: a relapsia é uma evolução! Não irás perder nada, apenas a ilusão que todas as mulheres podiam ser tuas.
B) Escolhe a gaja adequada. Parece fácil mas não é! É precisamente neste ponto que muitos falham (possivelmente não passaram pela fase A). Quem sabe escolher o seu target identifica-o imediatamente assim que surja. Não perde tempo com Catarinas Furtados, nem com a mulher dos seus sonhos. Enfim, não acredita nessa verdade, mais perigosa do que todas as outras, que é a possibilidade de uma gaja perfeita.
C) Sê algo! Macrobiótico, vegetariano, fumador, leitor de ‘A Bola’, telespectador horas a fio…ou não! Ser um pouco inexorável nesta fase é fundamental (um pouco!). A partir daqui estás por tua conta. Não vale a pena planear, prever, fugir do acaso e das circunstâncias como se foge de um intruso a meio da noite. Deixa a conversa fluir como se tratasse de um amigo. Não tentes engatar! O resto virá por si…

Mr. X

domingo, outubro 10, 2004

Dicionário do blog V: Tótó

Tótó = Ele é o “querido”, o amigo, o impecável, aquele que nunca falha, mas que desperta tanto sex appeal no sexo feminino como um cão morto. Quando namora, a mulher em casa é que manda, é que veste as calças e o totó, não por ser feminista, mas por ser um ser passivo e inócuo, um “banana”, sem vontade própria deixa-se levar… Metaforicamente, se estivesse no mar, iria sempre ao sabor da corrente…Mesmo quando namora, nunca a(s ) sua(s) namorada(s) têm uma paixão por si, mas sim compaixão, apelando a um sentimento maternal em algumas mulheres que acabam por vir a namorar com o melhor amigo. As mulheres sentem-se úteis ao livrararem os tótós de situações ridiculamente difíceis para eles, como nadar, matar uma melga ou subir a um escadote. Isto quando não arranjam namoradas por serem amigos do dono de alguma discoteca da moda ou por terem uma choruda conta bancária… São uns zeros na cama e, por isso, são, (quase) sempre traídos. Normalmente, trabalham num ramo da informática, gostam de ir ao IRC conhecer raparigas, usam óculos aro de tartaruga, pendem para o adiposo e têm cara de boas pessoas. São como a água – inodoros, incolores e insípidos. Far-lhes-ia bem lerem a seguinte passagem da bíblia “Sede frios ou sede quentes porque eu vomitarei os mornos”.