sábado, agosto 28, 2004

Reabertura da Tasca

Atracção pelo abismo

Desde há muito tempo que venho fermentando a ideia – politicamente incorrectíssima - que a seguir sustentarei; ideia essa que transbordo agora para a escrita devido a duas recentes conversas com duas amigas que me relataram como os seus namorados lhe bateram forte e feio, repito, forte e feio, durante os seus longos namoros.
A prática discursiva feminina diz-nos que as mulheres gostam muito de homens carinhosos, sensíveis, ternos, ursinhos de peluche e flores... e claro abominam os pintas dos carrões, os gajos do ginásio, os machistas, os bad boys...
Mas então porque é que – HÁ AÍ ALGUMA MULHER ME CONSIGA EXPLICAR?! – os sensíveis, como já escrevi, batem solitárias punhetas em casa e os bad boys comem as gajas boas? Porque é que os primeiros são totós, melgas, chatos, amélias e desinteressantes e os segundos as impelem a paixões obsessivas?
A propósito da dualidade entre o que se diz e faz/pensa no sexo feminino, lembro-me de ter relatado a uma mulher eticamente bem formada que um determinado gajo que ambos conhecíamos batia violentamente em mulheres e que gostava de espancar pessoas em discotecas ao ponto de ter de se chamar a ambulância... “Que nojo de gajo” – foi o comentário dela, mas infelizmente a sua linguagem corporal indiciava que ela estava extasiada – o seu olhar cintilava e o seu sorriso chegava roçava as orelhas. Como ela adoraria experimentar tal bad boy (que sempre comeu inúmeras gajas, ainda por cima boas), lia-se-lhe em todos os poros...
Das minhas imensuráveis conversas com o sexo feminino, depreendi que as mulheres que assumem gostar dos maus rapazes, advogam que o fazem com um instinto maternal, procurando inculcar o bem onde está o mal...
Defendo uma ideia controversa. Acho que as mulheres têm uma forte atracção pelo mal, por aquilo que não tem na nossa língua uma palavra correspondente com tanta intensidade –EVIL ...
(Para os mais eruditos, a origem mitológica de tal predilecção pelo MAL provirá de Lilith...)
Tomemos como exemplo um Capitão Roby... Enganava as mulheres, extorquia-lhes dinheiro, traia-as com outras, era violento na cama... e o que é essa aura lhe fazia? Atraía-lhe mais mulheres... No dia do seu julgamento, o tribunal estavam inundados com mulheres (pasme-se!) chorando por ele...
Peço às mulheres que me lêem para pensarem nos maiores filhos da puta que conhecem... Contrapunham a esse o rapaz mais sensível, mais querido (num livro que li, tal expressão era descodificada por uma mulher como siginificando “Tão sexy como um cão morto”)... Perguntem a vocês próprias, no silêncio dos vossos corações, se não preferiam ter uma noite secreta com o filho da puta? Surpreendidas? Envergonhadas? É MAIS FORTE DO QUE VOCÊS...
Vi um documentário sobre alpinismo onde um experiente alpinista relatava que tinha imenso amor à vida e que um dos maiores perigos da sua profissão era a atracção que o abismo exercia sobre eles... apesar de tudo fazerem para se manter vivos e do pavor enorme de cair no abismo, havia como que uma “corda invisível” que os puxava para o abismo...
O inexplicável é inexplicável.
Angel Boy